terça-feira, 13 de abril de 2010

A propósito da deputada Cidinha Campos

Se repararmos bem nos termos e nos argumentos da deputada (perceptíveis neste e noutros vídeos acessíveis no YouTube), observaremos um estilo e o recurso a meios que são inaceitáveis em muitos países democráticos, como o uso público de informação judicial que se deveria manter reservada, a referência por alcunhas ofensivas a pessoas ainda não julgadas e condenadas ou a parentes seus, a exibição livre de epítetos e de insultos, ao melhor estilo de um «tribunal popular», que não podem aceitar-se num parlamento por mais hediondos que possam ser os crimes cometidos pelos seus destinatários. Por isto, e passada a novidade, fui deixando de achar grande piada aos vídeos populares da corajosa Cidinha Campos. Eles são reveladores de um lado populista e demagógico da democracia que também nos deve preocupar. Venha ele da esquerda ou da direita.
Rui Bebiano

Vídeo aqui

7 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Eu, se fosse ao Rui Bebiano e, já agora, a quem o cita, aconselhava-os a assistir aos debates fleumáticos so, so british do Parlamento do império de Sua majestade e só depois abriria a boca para falar de populismo.

Manecas

Fernando Mora Ramos disse...

Apesar do estilo o problema é mesmo a corrupção. Porque não sugerir à Cidinha que diga o mesmo e mude o estilo? Haverá normas estilísticas parlamentares obrigatórias? E o pulsar interior do discurso? E mesmo até um certo recorte interessante do discurso como oratória parlamentar com recurso quase ao calão, essa reserva linguística que é para usar e não desprezar como se fossemos filhos de mãe puritana?
E aquele parlamento, como aliás o nosso, tem o quê de democrático bem vistas e investigadas as coisas? Provavelmente seguindo critérios de justiça e verdade metade deles estariam atrás das grades. Do que isto necessita não é de pequenos aperfeiçoamentos mas sim de uma grande barrela.

Táxi Pluvioso disse...

A "corrupção" tem influência económica em países que têm alguma coisa (caso Brasil, Angola etc), nos países sem nada (nem ideias) é apenas um placebo para camuflar o verdadeiro problema: a incompetência.

Anónimo disse...

O mais curioso deste post é a forma como se organiza. Dá-se destaque ao RB (amputando-lhe, aliás, o começo) e ao vídeo remete-se para link. Temos assim uma deputada perigosamente populista versus presumíveis inocentes. Quem denuncia a bandidagem é culpado, os bandidos são inocentes até ver. Esta inversão digna da alice no país das maravilhas grassa por aí. O Carrilho devia ter-se demitido por não concordar com a votação num assassino de livros para a presidência da Unesco, ao invés de ser o estado português a retractar-se pela vergonha da escolha. Em espanha, é a vez do juiz Garzón ser perseguido, à luz da lei e do direito, por ter tentado engavetar fascistas. pois é, é o que dá tanta e tão comovente dedicação à democracia... Como os gajos que deixaram de fumar, anda por aí muito recém convertido bem mais papista que o papa
Manecas

Anónimo disse...

A Democracia pressupõe certas regras. As referidas no excerto do RB são algumas delas. Há quem não perceba isto.
Como compreendo o post. Tivesse estas vestais, de esquerda e de direita, tomado o poder e estávamos pior do que na Madeira.
Rosita do Machico

Anónimo disse...

Faltou um m. Já agora acrescento que neste blogue não há asfixia democrática. Presumo que o Manecas não poderá dizer o mesmo do sítio dele.
Rosita do Machico