domingo, 4 de abril de 2010

Da capital do Império

Ganhar 15.000 dólares por mês para estar num escritório a pensar é sem dúvida um bom emprego. Mesmo que a condição seja a de não estar a pensar na morte da bezerra mas sim em produzir uma ideia genial ao fim de um tempo determinado, digamos seis meses.
Isso, descobri outro dia, é bem possível e também bem comum aqui nos “states”, graças ao chamado “Venture Capital”. É aquilo que em português se chama de “capital de risco”, capital que busca investimentos em novas companhias, procurando novas ideias para apostar no seu triunfo e em lucros futuros.
“Venture capital” é assim também aquilo que todos os aspirantes a empresário procuram para poderem lançar a sua ideia que se poderá tornar no próximo Yahoo ou no próximo Google ou no próximo avião não tripulado capaz de ultrapassar as capacidades dos actuais. É essa junção de ideia/sonho com capital que é ao fim e ao cabo essencial para o sucesso.
Se há ainda “capitalistas de risco” individuais hoje em dia esse tal capital de risco é administrado por companhias de investimentos que se concentram nesse tipo de especulação. Por exemplo, a Foundation Capital ou a New Enterprise Associates e outras.
Essas companhias concorrem entre si à procura daqueles que possam ter ideias e por isso estão dispostos a pagar para outros pensarem. E os que pensam por um período de tempo até aperfeiçarem a sua ideia tem mesmo um nome – “Empresário Residente” (Entreperneur in Residence) ou EIR na gíria das companhias de capital de risco.
Vejamos por exemplo o caso do Professor de Informática Kai Li. Encontrou-se com um velho amigo que trabalha para a New Enterprise e falou-lhe de uma ideia em que há muito estava a matutar. Conversa puxa conversa, uns almoços e jantares e Kai Li acaba como EIR na New Enterprise. Quando o seu projecto final foi aprovado a New Enterprise forneceu o capital necessário, Kai Li foi nomeado um dos directores da nova empresa e assim nasceu a Data Domain. A Data Domain foi comprada o ano passado pela EMC pelo valor de 2.300 milhões de dólares. Embora a New Enterprise não tenha revelado qual o montante do seu investimento inicial todos concordam que o seu lucro deve ter sido enorme. Ter Kai Li a pensar durante vários meses em troca de um bom salário e de um investimento inicial foi mais do que compensador.
Claro que isto é um sucesso de uma envergadura rara. A média de negócios de companhias apoiadas inicialmente por capital de risco foi o ano passado de apenas 144 milhões de dólares.
Mas há outros sucessos grandes. Roger Linquist que foi EIR na companhia de capital de risco Accel formou a companhia MetroPCS que acabou por angariar investimentos de 1200 milhões de dólares.
Mas qual o número de EIRs que são pagos para pensarem e que realmente produzem ideias válidas e de sucesso? Cerca de 50%. Ou por outras palavras: metade dos EIRs não produzem ideias em que valha a pena investir.
Mas 50% por sucesso de pensadores parece ser suficiente. Só assim se pode justificar o facto das principais companhias de capital de risco possuírem hoje dois ou três EIRs a pensarem ao mesmo tempo, a apresentarem regularmente o desenvolvimento dos seus planos.
Por exemplo a Foundation Capital está neste momento a pagar 15.000 dólares por mês a um tal Michael Bauer. Contracto inicial de seis meses para expandir numa ideia de um negócio de energia. O resto é segredo.
Nada de especial nesse acordo, diz a companhia. Na generalidade ter EIRs a pensarem compensa, acrescenta.
As estatísticas comprovam isso. Nos dez anos terminados a 30 de Setembro do ano passado os lucros dessas companhias de capital de risco foram de uma média anual de 8,4%. Não é mau. Mas se contarmos os 10 anos terminados a 30 de Setembro de 2008 então os lucros anuais das companhias de capital risco foram de 40,2 %. O que é excelente. Capital de Risco é como o nome indica arriscado. Mas parece ser uma boa ideia disposta a arriscar por outras. Alguém tem uma?

Abraços,
Da capital do Império

Jota Esse Erre

5 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Nesse regime, era capaz de ter a ideia do vibrador perpectual motion.

Anónimo disse...

Bela crónica, JSR
Abraços,
Thomas

Anónimo disse...

Bela crónica, JSR
Abraços,
Thomas

Anónimo disse...

Bela crónica, JSR
Abraços,
Thomas

Anónimo disse...

Bela crónica, JSR
Abraços,
Thomas