domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril

Há 36 anos eu não tinha nascido. O problema dos aniversários não é o do tempo que passou. É envelhecermos mal. Tipo onça ao sol. Há porém datas que me confortam. “imaginam as damas, as senhoras, as jovens e as adolescentes que só pelo 25 de Abril se tornou possível saírem à rua e ocuparem espaços públicos sem serem mandadas, impedidas, molestadas ou incomodadas? Não sejam modestas em demasia, minhas caras concidadãs, vocês foram, sobretudo por mérito vosso (pois claro), a conquista menos corroída, porque mais estrutural, daquela madrugada.”(Vias De Facto). Daqui grito já um grande: Viva o 25 de Abril. Mas nem tudo por cá é alegria. O meu pai a propósito da data teve uma discussão sobre o 25 de Abril e o 25 de Novembro. Acabou mal. Também só um reaça como ele é que se ia lembrar da associação. E logo frente à namorada, que me faz lembrar a Pasionaria. Lá vai ele acabar o dia abraçado aos amigos a cantar o Vieille canaille. Hoje o João Neves fazia anos e já não estão todos. Também não estão sós. Vivam os amigos à solta!

Josina MacAdam

Para os amigos de meu pai

Serge Gainsbourg

11 comentários:

Armando Rocheteau disse...

Serge Gainsbourg
J' s'rai content quand tu s'ras mort
Vieille canaille
J' s'rai content quand tu s'ras mort
Eh, vieille canaille
Tu ne perds rien pour attendre
Je saurai bien te descendre
J' s'rai content d'avoir ta peau
Vieux chameau

Je t'ai reçu à bras ouverts
Vieille canaille
T'avais toujours ton couvert
Vieille canaille
T'as brûlé tous mes tapis
Tu t'es couché dans mon lit
Et t'as bu mon porto
Vieux chameau

Puis j' t'ai présenté ma femme
Vieille canaille
Puis j' t'ai présenté ma femme
Eh, vieille canaille
Tu y a fait du baratin
Tu l'embrassais dans les coins
Pendant que j'avais tourné l' dos
Vieux chameau

Puis t'es parti avec elle
Vieille canaille
Puis t'es parti avec elle
Eh, vieille canaille
En emportant la vaisselle
Le dessus d' lit en dentelle
L'argenterie et les rideaux
Eh, vieux chameau

Mais j'ai sorti mon pétard
Vieille canaille
Mais j'ai sorti mon pétard
Vieille canaille
Et quand j' te tiendrai au bout
Ah ah, je rigolerai un bon coup
Et j' t'aurai vite refroidi
Vieux bandit

On te mettra dans une tombe
Et moi, j'irai faire la bombe
Je me saoulerai, vieille canaille
À coups de p'tits verres d'eau-de-vie
La plus belle cuite de ma vie
Sera pour tes funérailles
Vieille canaille !

Anónimo disse...

ó josina, olha que o teu pai contou-te mal a história. Parece que o que ele disse foi Viva o 25 de Novembro! e Abaixo o 25 de Abril. Tu esclarece lá isso com o homem que ele anda a envelhecer mal.

Anónimo disse...

Anónimo. Consigo é que há esclarecimentos a ter.
1º O meu pai é um abrilista. Lá onde estava lutou por uma madrugada assim.
2º Se não tivesse havido o 25 de Novembro o homem tinha ido procurá-lo noutra terra. Viva Mário Soares.Viva esta Democracia!
3º A envelhecer anda ele a olhos vistos. Nisto estamos de acordo. Ainda não acabaram de lhe comer a carne e já andam a roer-lhe os ossos. Ai as vampiras! 25 de Abril sempre.
Josina

Ana Cristina Leonardo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Josina, não perca tempo a doutrinar-me porque eu nunca fui do PC e de vampiros só conheço O Por favor não me morda o pescoço. Mas já agora diga ao seu pai que História, sei-o eu de fonte segura, não é o forte dele.
Cumprimentos de um anónimo que não rói ossos e é praticamente vegetariano

Anónimo disse...

Oh anónima! Como é bom contactar com o bom-senso feminino, que se descobre em clarividente comentário, tão cartesiano. "Les beaux esprits se rencontrent."Duma só vez tocou-me no Polanski e desfez o nosso D. Sebastião. Ainda por cima é vegetariana. Bem-haja! Será que é monárquica? Ou não sendo PC vem também da esquerda totalitária? É que para o pápá só sopas e descanso.
Vá lá no 25 de Abril que comemore com os amigos.
Sua,
Josina

Anónimo disse...

Ó josina, e com isto me vou. Pensei que a sua perspicácia fosse maior, mas estamos sempre a aprender.
Antes de ir, umas palavrinhas breves. Não sabia que o seu pai fora um abrilista, julgava-o mais novo e dado a outros carnavais, embora também seja verdade que a luta anti-fascista, mesmo quando regida por Reich, deu vários casos de envelhecimento precoce.
Por outro lado, é verdade também que a profundidade político-filosófica do pensamento do senhor seu pai apontava para pessoa de certa idade, apesar de eu já ter tido conversas tão ou mais profundas com taxistas que não fizeram a guerra, quase sempre, contudo, concluindo eles pela contrária: ou seja, enquanto o seu pai berra Viva o Soares! eles berram normalmente Abaixo o Soares! Mas enfim, é preciso de tudo para fazer o mundo.
A parte do Descartes passo e deixo para especialistas com dr., mas essa da esquerda totalitária obriga-me a um reparo: terá o senhor seu pai ido buscar o conceito a essa obra magnífica do pensamento político que dá pelo nome d' O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista, escrita por esse iluminado pensador que foi o Álvaro Cunhal?
Pois, sem dúvida, les beaux esprits se rencontrent.
Saudações democráticas para si e para o seu papá e em vez de sopas e descanso dois poemas à borla asinados por esse perigoso e totalitário esquerdista chamado Alexandre O'Neill

Daqui, desta Lisboa compassiva,
Nápoles por Suíços habitada,
onde a tristeza vil, e apagada,
se disfarça de gente mais activa;

Daqui, deste pregão de voz antiga,
deste traquejo feroz de motoreta
ou do outro de gente mais selecta
que roda a quatro a nalga e a barriga;

Daqui, deste azulejo incandescente,
da soleira da vida e piaçaba,
da sacada suspensa no poente,
do ramudo tristôlho que se apaga;

Daqui, só paciência, amigos meus !
Peguem lá o soneto e vão com Deus...


Que vergonha, rapazes! Nós práqui,
caídos na cerveja ou no uísque,
a enrolar a conversa no “diz que”
e a desnalgar a fêmea (“Vist’? Viii!”)

Que miséria, meus filhos! Tão sem jeito
é esta videirunha à portuguesa,
que às vezes me sorgo no meu leito
e vejo entrar quarta invasão francesa.

Desejo recalcado, com certeza...
Mas logo desço à rua, encontro o Roque
(“O Roque abre-lhe a porta, nunca toque!”)
e desabafo: - Ó Roque, com franqueza: Você nunca quis ver outros países?
- Bem queria, Snr. O’Neill! E... as varizes?

(... e olhe que 2+2 não são igual a 5 em nenhuma democracia do mundo)

Anónimo disse...

Anónima:
Get a life. Sonhou com amanhãs que cantam e está a levar com a realidade? Não tivesse embarcado nesse táxi e não se tivesse portado como santola que já no prato se recusasse. (O'Neill também cá mora).
Saudações democráticas,
Josina

Anónimo disse...

Josina, you're a darling mas deve haver engano; aqui quem julga que canta não sou eu mas o senhor seu pai. De qualquer modo foi um prazer dialogar consigo, apesar de a sentir um pouco irritada neste último comentário. Terá sido alguma santola estragada?
As melhoras.

Anónimo disse...

Vão para a cama e façam as pazes!

annie disse...

Obrigada pelo comentário Josina ...era mesmo neles todos..« os amigos, que já não estão e que não estão sós » que pensei quando enviei este post..humor e humor negro à solta... há muitas maneiras de ser « revolucionário »..
« Dieu, le fracas que fait un poète qu'on tue » disse Aragon ...