domingo, 26 de agosto de 2007

A tentação de Nietzsche: alguns dados

Bataille e Heidegger, Deleuze e Rorty ou Foucault ajudam-nos a pensar a tentação de Zarathustra, inexpugnável libelo contra a filosofia idealista de Sócrates, Descartes e Hegel.

Ninguém pode ter a estulta pretensão de ter lido " todo " Nietzsche, a não ser que se tenha perdido nos meandros da mais abjecta das senilidades. A obra do genial demiurgo ergue-se pela radicalização da noção kantiana de síntese, onde o idealismo e a moral se postulam como marcas da ontologia metafísica mais inoperante. Aprofundando o anti-transcendentalismo de Schopenhauer e Kierkegaard, Nietzsche tentou fazer o contrário da apóstrofe de Hegel sobre a filosofia: "Deter o seu tempo no pensamento".

Datam de 1919 as primeiras traduções francesas da obra irregular e assimétrica, contraditória e ambiciosa de Nietzsche. Mas só a partir de 1950 se começam a editar os livros principais. " Assim Falava Zarathustra " surgiu em língua francesa em 1953, por exemplo. Quando, "A Vontade de Poder", o tinha sido em 1948; e a "Gaia Ciência", em 1950 também.

A primeira edição alemã das Obras Completas de Nietzsche sai dos prelos, em Estugarda, em 1905, com 19 volumes. A que se juntam, dez anos depois, os 5 volumes da Correspondência. Nos anos sessenta, os eruditos italianos Giorgio Colli e Mazzino Montinari em conjunto com investigadores universitários alemães abalançam-se a fazer uma nova edição crítica das OC. Que será traduzida em Itália, no Japão e na França. Gilles Deleuze e Maurice de Gandillac supervisionam a tradução francesa. Nos anos 80, Pierre Klossowski lança uma edição nova da "Gaia Ciência". Num total de 14 volumes, a edição francesa que demorou cinco anos a totalizar, contém 6 volumes de Fragmentos Póstumos integrais e mais sete acoplados às obras do período correspondente entre 1869/1882.


FAR

5 comentários:

Anónimo disse...

Isto foi realizado no rescaldo de uma discussão de férias. Eu advoguei que fossemos picnicar para a Praia da Adraga, onde à sombra faz 20 graus,levando queijos, carnes frias e vinho do bom. Marisco e Percebes iriam à cabeça do farnel. Fica demonstrado- percorri alguns livritos e a Universalis, claro- que tinha inteira razão. Os Fragmentos Póstumos perfazem cerca de 80%( por cento), do incontornável trabalho conjunto italo-tedesco. Ninguém se chateie: a Poche-Folio da Gallimard tem tudo- menos os Fragmentos Póstumos e as Cartas, claro. Um dos meus companheiros de mesa de café durante estas férias foi, acima de tudo, o João Carapinha, tendo vendido algumas ideias mutuamente a possíveis conquistas e novas namoradas. O sentido da minha vida pauta-se pelo rigor, que se alcança- como dizia Nietzsche - mediante o pensar para fora e a digestão harmoniosa dos nécatres e primores. Avanti. FAR

ana cristina leonardo disse...

FAR, percebes e Nietzsche não ligam. Muito menos Nietzsche em francês. Aconselharia vivamente ostras.

Táxi Pluvioso disse...

Eu recomendo pastilhas elásticas Gorila. Welcome back!

Anónimo disse...

Meus caros: Por favor, não me mordam no pescoço! A tradução francesa é excepcional- a que se juntaram as de Klossowski e Gandillac depois, em solo-e associa-se à original em língua alemã, que com a japonesa e a italiana perfazem o quarteto magistral aperfeiçoado por Colli e Montinari. Salut! FAR

Anónimo disse...

São 5 horas em Lisboa, um dia depois do funeral de Eduardo Prado Coelho. Gigante entre os gigantes, controverso e brilhante, apaixonado e politicamete à direita, com a morte de EPC a literatura portuguesa perde o seu mais brilhante crítico e ensaista que nos marcou a todos, os da geração de Maio 68 lusitana. FAR