terça-feira, 21 de agosto de 2007

O monopólio da violência (2)

No Spectrum:

«Nunca ouvimos de Pacheco Pereira referências explícitas ao que se passa na Madeira há mais de 30 anos. Serão uma parte do Estado de Direito democrático as duas ilhas que o dirigente nacional do PSD, Alberto João Jardim, governa? E Guilherme Silva, o líder parlamentar do PSD, que no parlamento regional da Madeira ameaçou um deputado da CDU, a quem prometeu dar um tiro na cabeça? E a distrital do Porto da JSD, onde há poucos anos se roubavam urnas de votos em eleições internas? Helena Lopes da Costa, cujos filhos são perseguidos no Algarve por outros militantes do PSD desde que esta decidiu apoiar Luís Filipe Menezes? Autarcas como Isaltino de Morais ou Carmona Rodrigues serão pormenores, pessoas exteriores ao PSD, militantes periféricos que por acaso se tornaram autarcas corruptos, ou imagens fiéis do que é o pessoal político da oligarquia portuguesa?E as ligações que dirigentes e estruturas locais do PSD têm, no norte do país por exemplo, com empresários da construção civil, proprietários de estabelecimentos nocturnos, empresas de segurança e toda essa vasta economia paralela de onde parecem brotar continuamente sacos azuis? Essas zonas onde o PSD é o regime, os variados «cavaquistões», onde reina a violência doméstica e o trabalho infantill?
Todas essas falências fraudulentas, despedimentos ilegais, incumprimentos das leis laborais, acidentes de trabalho evitáveis, fogos postos onde mais tarde surgem empreendimentos imobiliários, construções clandestinas em zonas naturais, casas de luxo nas arribas ameaçadas, courts de golf em zonas de reserva agrícola? Agentes policiais da Amadora que detinham pessoas, a quem atribuíam a posse de estupefacientes provenientes de outras apreensões, para cumprir as metas traçadas pelos respectivos superiores?Tudo isso vem ao de cima de vez em quando, aos bocadinhos, fragmentariamente, graças à carolice de algum jornalista mais sério ou a denúncias incontornáveis. Tudo isso traça o cenário de um país onde o Estado de Direito existe a espaços, quando convém, sempre do lado do mais forte, interrompendo ocasionalmente um estado de coisas bem mais prosaico, feito de relações privilegiadas e secretas, equilíbrios sociais paternalistas, poderes de facto, caciquismos e clientelas.Tudo isso é aquilo de que Pacheco Pereira não fala, para poder clamar contra os movimentos radicais que perturbam a ordem pública e violam a propriedade privada. Todo um programa.»

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

De um Pacheco apenas podemos esperar pachequice.

Pachequice: s. f. Atitude pomposa e oca, mediocridade satisfeita, à imagem do conselheiro Pacheco, personagem criada por Eça de Queiróz, em "Corespondência de Fradique Mendes". (Do dicionário).