quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Marginais VI

Eles vão aprender.
Que quando nos tirarem tudo, nada teremos a perder. E se nada tivermos a perder, nada teremos a temer.
Como um animal ferido, o nosso derradeiro ataque será o mais feroz. Quanto mais próximos da morte, menos assustadora ela nos parecerá.
O desespero invadir-nos-á, vaga após vaga, como um mar irado terra adentro, levando consigo, de cada vez, a fé e a esperança.
Não teremos outra escolha senão resistir. Atacar para nos defendermos de sermos atacados.
Aquele esforço, que suspeitaremos ser o último, será quase sobrenatural. Como se tivéssemos armazenado aquela força dentro de nós ao longo de toda a nossa vida. Para ser libertada, como num êxtase dourado, naquele momento final. Em que seremos livres. Em que estaremos mortos. Qualquer coisa, tudo menos isto.
Eles vão aprender. Mais cedo ou mais tarde. A bem ou a mal.

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