sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Marginais III


Não queremos viver.
Vergados sob o peso da nossa subnutrição. Permitindo que nos subtraiam o que não pode ser subtraído de nós, sem que isso nos custe a própria vida.
Onde secretas polícias adivinham pensamentos subversivos no nosso modo de arrastar os pés pelas ruas da cidade.
Como anjos violentos em queda perpétua. Banidos de uma Atlântida há muito esquecida. Num regime de subvivência do mais fraco, vítimas de caridade obscena, a gratidão como um cancro a corroer a nossa dignidade.
Os sonhos que sonhámos tornaram-se pesadelos que se tornaram reais. A existência tomou o lugar da essência. Não nos reconhecemos em nós mesmos, como se habitássemos os corpos de estranhos que não nos querem dentro de si.
Não queremos viver. Assim.

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