segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Marginais II

Somos um tipo especial de prisioneiro. Andamos à solta. Não há nada que nos impeça de sair, seja de onde for. Há sítios, porém, onde não nos é permitido entrar.
O nosso canto é o do capitão enlouquecido de uma embarcação fantasma. À deriva no espaço. Numa ópera barroca de ácidos e reagentes. Com uma tripulação de milhares de milhões.
As pontes multiplicam-se. Com o objectivo de nos isolar ainda mais do resto do mundo.
Usados que somos pela roupa que vestimos, desempenhamos o papel que já era o nosso. Antes de nos ter sido usurpado.
Não é que tenhamos nascido no lado errado. Não nascemos ainda sequer. Somos embriões perdidos no caos genético. Fósseis de uma era futura.
Somos um tipo especial de prisioneiro. Aquele que é o seu próprio carcereiro.

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