terça-feira, 18 de outubro de 2011

Safe Area


 © Joe Sacco, Goražde

Esta posta vem na sequência da investida aos livros do Joe Sacco, que agora chegou ao fim com “Goražde”. Como seria de prever, a leitura foi-se prestando a pequenas reflexões, uma delas (e porque trabalho em fotografia) mais relacionada com o poder da imagem gráfica vs imagem fotográfica; outra afecta à minha repugnância pelos detalhe na descrição da violência, porque me continua a incomodar apesar do tanto que a história da humanidade tem de monstruoso… Não admira que seja difícil deste paraíso à beira-mar plantado imaginar o espectro de violência vivido em enclaves como o da Bósnia. Vivemos numa espécie de zona segura em que qualquer macaco se exalta e começa a gritar slogans pacifistas ao ver voar uma garrafa pelo ar. É ridículo! Estamos de tal forma apaziguados e conformados que julgamos que a violência é coisa de fracos e que a poderemos sempre evitar. Em vez de partirmos para acções conjuntas de boicote e luta concertada (deixando na prática de pagar portagens, consumir certos produtos, frequentar determinados espaços) não, partimos para mais uma greve geral, porque a palavra “democracia” é de tal forma sagrada que a pupila não se chega além. 

 © Ivor Prickett, from The Quiet after the Storm: Croatia’s displaced Serbs 
Laura Nadar

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