© Joe Sacco, Goražde
Esta posta vem na
sequência da investida aos livros do Joe Sacco, que agora chegou ao fim com “Goražde”.
Como seria de prever, a leitura foi-se prestando a pequenas reflexões, uma
delas (e porque trabalho em fotografia) mais relacionada com o poder da imagem
gráfica vs imagem fotográfica; outra afecta à minha repugnância pelos detalhe na descrição da violência, porque me continua a
incomodar apesar do tanto que a história da humanidade tem de monstruoso… Não
admira que seja difícil deste paraíso à beira-mar plantado imaginar o espectro
de violência vivido em enclaves como o da Bósnia. Vivemos numa espécie de zona
segura em que qualquer macaco se exalta e começa a gritar slogans pacifistas ao
ver voar uma garrafa pelo ar. É ridículo! Estamos de tal forma apaziguados e
conformados que julgamos que a violência é coisa de fracos e que a poderemos
sempre evitar. Em vez de partirmos para acções conjuntas de boicote e luta
concertada (deixando na prática de pagar portagens, consumir certos produtos, frequentar determinados espaços) não, partimos para mais uma greve geral, porque a palavra
“democracia” é de tal forma sagrada que a pupila não se chega além.


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