sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Às armas!

As nossas armas serão a demonstração das nossas opiniões, da nossa união, de que não esmorecemos, de que sabemos distinguir o essencial do acessório, de que conseguimos ver entre o nevoeiro mediático, de que estamos lúcidos e somos livres. Essa liberdade é a grande inimiga dos poderes de facto que ditam as ordens aos políticos-marionetas, e que literalmente nos vendem a ilusão da inevitabilidade. Não será uma manifestação perfeita; aliás, espero momentos de alguma desilusão, espero irritar-me mais uma vez com os tiques da extrema-esquerda folclórica, exasperar-me com alguns que para lá irão competir na sua pequenina liga radical, e discutir o irrelevante, se o melhor é o consenso ou a maioria, que as doutrinas que seguimos nos obrigam a fazê-lo deste ou daquele modo; e também com outros que para lá irão berrar contra "o governo", "o Passos Coelho", "o Sócrates", esperando outro e outro homem providencial, políticos mais "éticos", a cura do que é incurável. Mas porque é que a manifestação haveria de ser perfeita? Porque é que, agora, para nos manifestarmos exigimos tanto, reclamamos a perfeição de que não precisamos em tantas coisas da nossa vida em que a união é tão menos importante? Porque é que um não vai porque "não há programa definido", outro porque "são só esquerdistas", outro porque "vão para lá passear em vez de partir tudo", e ainda outro porque "depois de se queixarem vão votar nos do costume"? Que pureza, que virgindade, que inocência original deve ter uma manifestação, para que satisfaça quem tanto lhe exige? Isto quando os mesmos que assim objectam concordam na sua insatisfação, na sua revolta? Isso não deveria ser suficiente? Não é uma manifestação uma expressão da revolta popular?
Não será, obviamente, perfeita, mas esta manifestação será nossa, será dos que a fizerem, e por isso também terá algo de especial, livre de direcções centralizadoras e orientações tacticistas. Mas, acima de tudo, é uma manifestação essencial, urgente, porque é agora urgente como nunca demonstrar que não aceitamos tudo isto de ânimo leve, que não somos estúpidos e não gostamos que assim nos tomem, e que sabemos ver por dentro do nevoeiro. A nossa liberdade é a nossa arma. Às armas!

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Num desses pequenos mails que te tenho enviado, escrevi que as campanhas políticas futuras seriam: quem tira mais. Votem em mim que eu tiro mais! O 13º mês, o 14º mês e até o 12º. Toda a gente sabe que o orçamento de 2013 será o de 2012 e mais alguma coisinha. Não sei se essa, mais alguma coisinha, será o 12º mês propriamente dito, mas uma certeza há, será algo equivalente. E a razão é muito simples: não é possível pagar dívidas de 40 anos em dois anos. E, se as pessoas ainda culpam os políticos, foi porque esqueceram velozmente o lúbrico prazer que sentiram de bandeirinha na mão, porta-chaves e canetas, apaparicando líderes, recebendo bacalhaus, abraços e beijinhos nas bochechas. Ora o prazer paga-se e esta é a fatura. Agora cabe-lhes a elas atuarem, em vez de esperarem por mais outro Sebastião. Há muito que podiam fazer, a começar por, retirarem o dinheiro dos Bancos, metê-lo no Banco público, sanear a camarilha que lá está e proibir a sua privatização. Grande parte da dívida desapareceria miraculosamente.