domingo, 16 de outubro de 2011

Still nº1


Antes de me juntar à concentração de hoje reflecti sobre a incongruência em o fazer. Para aquele que é, e se tem esforçado por ser, anti-sistema (nas questões essenciais do reconhecimento da sua estrutura e dos lugares da dita “autoridade”), participar numa manifestação que sabíamos à partida ir acabar com uma série de discursos previsíveis e abstractos, podia resumir-se em dar um tiro no pé. Não o foi!
Concordo com o que o André Carapinha diz no texto de apelo à manif e foi uma reflexão parecida que me fez ir. A manif não é perfeita. O radicalismo não pode estar à espera de identificação. Mas há um primeiro momento singular desta manif que queria fazer notar. E, muito infelizmente, nada abona a favor da dita organização da dita assembleia popular marcada para o fim da tarde: no momento da tomada da escadaria, um jovem que se diz da organização grita em plenos pulmões e num tom desvairadamente imperativo para que o povo se sente, esquecendo-se ele tanto da posição que não ocupa como da plateia que não tem. O ridículo desta situação não faz com que deixe de me dirigir a uma próxima reunião, mas faz com que de facto me espante com a leveza com que se anda a falar de liberdade. E depois de horas naquela escadaria me questiono o que é que é preciso para que as pessoas ajam de acordo com aquilo que dizem. Centenas de pessoas reunidas a falar de propriedade, centenas a gritar que “esta casa também é nossa” (entenda-se a assembleia) e permanecemos agitados por um vento paralisante.

Foda-se que isto derruba qualquer sentido de liberdade! É no não reconhecimento da autoridade e na negação do medo que começa o caminho para a singularidade.  

Laura Nadar

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