terça-feira, 11 de novembro de 2008

Obama Casa Grande

É acertado, e prudente, não destoar nas grandes ondas de optimismo, particularmente quando estas evoluem para vagas de júbilo. Assim, limitar-nos-emos a alinhavar uma ou duas considerações, sem estragar a festa com impertinências da racionalidade. Todos têm direito a um momento Gilberto Gil- um momento de puro prazer e de exaltação com o recomeço da História, agendado para o século XXI, que, como se sabe, ‘arranca’ no dia 20 de Janeiro de 2009.

Contrariando aquela regra pouco douta de que a oposição não vence eleições, a posição é que as perde, a vitória categórica de Obama sucedeu contra duas das mais poderosas máquinas políticas dos EUA. O tug-of-war do GOP, em que pontifica o incontornável Rove, e o apparatus político dos Clinton- desta feita ao serviço da ‘cabra velha’-, e seus associados afro-american. Aqueles que medraram, prosperaram e se acomodaram na atitude de vitimização sem prazo de redenção e numa postura conformista de agravo eterno.

Político sobredotado, Obama soube ler os sinais, internos e externos, que anunciavam, exigiam, uma visão pós-racial, ou color blind. Recorrentemente, o presidente-candidato desfiava a narrativa transversal, dirigindo-se a todos os americanos. Black, white, native, asian or latino. Um amálgama imprescindível para vencer a realidade demográfica.

Prometer o quê? A devolução de alguma providência ao estado quase destruído pelo uberliberalismo e a devolução de algumas liberdades subtraídas em nome e razão do combate ao terrorismo. Suficiente. E felizmente indiciado na acertada escolha do chief of staff, uma espécie de premier, Rahm Israel Emanuel.

Necessário? Amortecer as expectativas acumuladas ao jeito de uma federação de esperanças, entre as quais, as habituais leviandades ilusórias, e responder à federação de interesses representados na Casa Branca. O que interessa é definir um novo paradigma energético, o que vai ‘nascer’ no cluster combinado Detroit/Silicon Valley.

Esgotado um ciclo de mediocridade e de guerras de petróleo, estamos maduros para a crença no homo faber obamaniano. Yes, we can.

Pronto, aí temos o presidente-eleito pós-racial, Barack Hussein Obama, chefe democrático da aldeia global. Será que Obama vai chamar um luso-descedente para o governo? Um tuga pós-moderno que não se chame Silva e não seja marron?

Uma notinha para os vencidos, com honra e graça como se esperaria do Avô Cantigas e da Bible Spice. O GOP entra imediatamente em fase de refundação e, diz quem sabe, já desponta lá ao fundo, no Louisiana, o adversário de Obama em 2012: Bobby Jindal. Sim, é de origem indiana. E que importa isso? Yes, he can.


JSP

2 comentários:

L' emmerdeur disse...

Well done (trad.: que rico postal!)
Análise equilibrada e de forma criativa: “vitória contra as duas máquinas”, “visão colour blind”, “federação de esperanças”…E com o vento de feição em maré de refundação, não faltam até as “Cantigas do Avô” que se adivinham. Lá como cá.

Anónimo disse...

Very good indeed! Surpreendente saber que ha alguem desse lado do charco que conhece o Bobby Jindal. Nao soh de descendencia indiana mas.... catolico (daih a louisiana!) para jah contuydo Jindal vai aguardar. O regresso de Newt Gingrich eh uma possibilidade. Goste-se ou nao o tipo pensa....
Jot Esse Erre