terça-feira, 19 de outubro de 2010

Manifesto contra a Indigência de um Povo

Como explicar em poucas palavras o desespero e a dúvida?
E o desemprego, a crise e o foderem-nos a vida de todas as maneiras?

Como ter filhos, como ter uma casa, como viver?

Estou farto deste tom monocórdico da vida.
Estou fartíssimo de esperar por uma revolução audaz.

Canso-me e entristeço-me com a nossa bonomia, a nossa inerme vida!
Sofremos de astenia compulsiva e a culpa é de Dom Sebastião, a Saudade,
a igreja Católica, a vida em modo gerúndio num "vai-se andando" que me
corrompe e enoja até às entranhas.

Para quando a vida levantada do chão? Para quando os braços não apenas
para o trabalho, mas para a defesa dos ataques aos nossos direitos?

Caminhamos, insossos e sem frenesi. Para quando a sageza do espírito
crítico e o olho atento ao real? Para quando a plenitude dos sentidos?

Até lá, somos espíritos amputados e sonâmbulos, espezinhados pela
mediocridade e pela ignóbil coscuvilhice das vidas alheias em écrans sem fim.

Chega de merdas e floreados, de segredos e mentiras! A vida é só uma!
E muitos de nós nem chegamos a vivê-la, a senti-la. Vivemos anestesiados
na lufa-lufa diária, nas batatas e no vício, no pão e no circo dos mediáticos.

Há muitas estradas para cortar, muitos carros por incendiar, muitos seres
para sequestrar, muito parlamento para sujar, muita faca por afiar!

Agora depende de mim, de ti, de nós. Depende de um país adiado e anão.
Depende deste país criança em querer crescer, em querer sujar as mãos.

Em palavras, em actos, em gritos e revoltas. Em rasgar os acordos, em
acordar do regaço da mãe galinha e enfadonha. Cortar o mal da indigência
pela raiz. Plantar sementes de loucura, de paixão pelo desconhecido! Novas
espécies para crescer no fértil vale da utopia. Pelo sonho é que vamos!

O resto, é conversa. Que as armas estejam contigo, meu irmão! Seja em
poemas, em cantigas, em acções braçais, filosóficas ou sociais. Usa a tua
inteligência e sensibilidade para te tornares um ser político, para acabar
de vez com a incultura, o abuso, a prepotência! Para elevar à máxima
potência a res pública, que ela bem merece o teu carinho e não o teu
atavismo crónico e bonacheirão! Contra os cabrões, marchar, marchar!!!

Manifesto contra a indigência de um povo!
Portugal, Outubro de 2010!

1 comentário:

Anónimo disse...

... marchar... marchar!!!