terça-feira, 13 de julho de 2010

The show must go on

O Mundial acabou e podemos começar a falar de outras coisas que não o insuportável futebol. Não, que o Benfica tem um novo guarda-redes, o Sporting um novo não sei o quê e o Porto um novo não sei que mais. Não, o circo não pode parar. Preparemo-nos todos para o recomeçar do ciclo, de ver e ouvir toda a gente a gastar o seu tempo com a inutilidade, a futilidade, enquanto a casta superior esfrega as mãos de contentes por o zé-povinho andar entretido. Por toda a parte, jornais, televisão, rádio, blogues, toda a gente que quer ser gente vai discutir, comentar, dissecar, refilar, e, pasme-se! pensar sobre o raio do futebol. The show must go on, mas cuidado gente, que ocupar o tempo com o futebol significa perder o tempo, e o tempo é precioso.

12 comentários:

Anónimo disse...

blah blah blah e que tal dares o exemplo em vez de falares sobre não falar. Mostra o que fazes com o teu tempo e talvez outros sigam o teu exemplo. Há com cada presunçoso.

Luiz Inácio disse...

Um exemplo de coração ferido por se atrever a atacar o seu querido futebol. Não estou a dar instruções sobre como utilizar o nosso tempo, mas a constatar o tempo que se perde com o futebol. Se alguém não concorda com isto, devia demonstrar que o tempo que se gasta com o futebol fosse tempo ganho e não perdido, e não mandar bocas parvas.

Anónimo disse...

Não te conheço de lado nenhum, mas não me sinto nada atingido por atacares o querido futebol. Muito pelo contrário. Mas essa de que o objecto da critica é que tem de fazer prova é a maior inversão do ónus da prova que alguma vez ouvi. Caríssimo, todos somos reús nas suas mãos, faça o favor de provar a nossa culpabilidade e estupidez, mas por favor, inocente até prova em contrário.

Desconfio, e muito, das pessoas que começam a dizer que os outros são uns pequenos bobos que não percebem nada desta sociedade e que a sua alma iluminada está aqui para dar-nos um bom conselho. Cheira-me a presunção.

O que queria dizer, sem estar com muito paleio, era que começasses por mostrar onde andam os problemas. se no fim o interesse pelo futebol oculta ou nos faz esquecer deles então muito bem, carrega.

Para dar uma ajuda, uma pessoa que passe o tempo enfiado em concertos de música clássica que só fala de música clássica, também merece crítica? E a pessoa que domina a história política e das ideias, escritor marxista em revistas de topo, historiador, filósofo e ensaista e também amante de futebol, que discute com fervor inenarrável, até ao limite da paciência, que o octávio machado fez uma substituição brilhante no sporting-braga em 1995 também merece crítica? tens a certeza que o futebol é mesmo o problema? Ou decidiste disparar no alvo mais fácil de qualquer intelectual wannabe?

Fizeste-me lembrar uma amiga minha que sucessivamente dizia mal do programa da júlia pinheiro; conclusão, ela passava o tempo a ver o programa, por isso criticava. Imagino-te a papar de princípio a fim os donos da bola, o trio de ataque e quejandos; a ler o record, o jogo, e a bola, e depois passares o tempo a dizer mal.

Pois...são bocas parvas...eu sei...eu sei.

Luiz Inácio disse...

O futebol só é um problema porque é o principal factor de alienação do vulgo. Quem não quer perceber isto e compara com ir ver concertos de música clássica... E não me conheces de lado nenhum mesmo. Pensas que passo o tempo a ler o record e a bola? Tenho muito mais que fazer.

Anónimo disse...

Quem não percebeu que a alienação não tem nada a ver com futebol foste tu.
A tua resposta é de alto nível, tal como o post, ainda te dei uma segunda hipótese, mas já vi que não dás para mais.

Luiz Inácio disse...

André, este anónimo não será aquele que me falaste, que passa o tempo por aqui a dizer merda e querer chatear a malta?
Olha que se não for parece.

André Carapinha disse...

Se calhar é mesmo...

Anónimo disse...

olhe que não sr. dr., olhe que não...
isso querias tu ó inácio. a primeira vez que disse aqui mal foi mesmo na posta que aqui meteste...será que é mesmo pelo conteúdo do que dizes? será tal possível? vê lá tu ao ponto a que isto chegou, alguém que discorda frontalmente dum iluminado como tu. Isto só lá vai nas ilhas fiji. bye bye.

Luiz Inácio disse...

Bye bye anónimo, e de passagem vê se entendes o seguinte:
Quando entrei para este blogue o André falou-me dos episódios que envolveram um anónimo, que se metia com toda a gente, criticava vermelho se o outro dizia azul, azul se o outro dizia vermelho. O tom da tua intervenção nesta posta parece-se imenso com esse. Mas admitamos que não, que estás a exercer a tua crítica e não a disparar para a frente sem olhar. Isso é uma enorme infelicidade para ti. Se pelo menos estivesses para aqui a criticar só por criticar, pelo menos entendia-se o absurdo do comentado.
Vou dizer como se o fosses muito burra: veja lá bem, que em momento nenhum aqui eu falei do futebol, do jogo do futebol, nem sequer do campeonato de futebol. O único objecto da posta, que foi escrita num tom algo corriqueiro, é o facto de o futebol ocupar o lugar que ocupa no espaço mediático, cultural e mesmo político. E o seu lugar como agente da alienação do vulgo. Tu, pelo contrário, objectas como se passar o tempo a falar de futebol fosse passar o tempo a falar de música clássica; pois não entendes a diferença, embora formalmente as duas coisas possam ser semelhantes, o conteúdo é completamente diferente: passar o tempo a falar de música clássica significa falar de um hobby, um gosto, uma paixão, passar o tempo a falar de futebol significa falar de um hobby, um gosto, uma paixão, E TAMBÉM participar no ciclo alienante que o futebol significa. Podia não ser o futebol, aliás, em Roma era o circo. Se tens alguma objecção quanto a isto devias demonstrar que o futebol não signifique o que acabei de descrever, mas não, como todas as pessoas que enchem a boca de sentenças que não entendem, tu não tens nada a dizer sobre o assunto, a não ser catalogar os que pensam como "presunçosos", velho estratagema.
Entendeste por fim?

Anónimo disse...

Não, não sou eu esse anónimo, no meu caso quer digas azul ou vermelho eu vejo sempre sporting.

Seguindo o teu raciocínio, a única diferença entre o doente pela música clássica e o doente pelo futebol não é a doença, mas o número de doentes que padecem dela. O ciclo alienante que acusas no futebol deve ser colocado nos media e na sociedade de espectáculo que criam. O problema não é o futebol nem sequer a alienação que ele implica, mas o modo como os media usam e abusam dele, ao paroxismo.

Não faço prova de nada porque não o pretendo, (nem considero ter categoria para o fazer, caso pretendesse). De qualquer modo adianto uma tese, a alienação é uma necessidade da vida humana e assume diferentes formas e conteúdos consoante as pessoas, está presente em todos nós, seja no futebol, jardinagem, drogas, álcool ou sado-masoquismo. E não tem, em si, mal nenhum, muito pelo contrário.

Concluindo, acho que disparaste ao lado, o que pretrendes criticar não é a alienação, nem o gosto pelo futebol, mas os media e o enviesamento que eles criam.

Como vês continuo muito burra (sic) e não entendo o que dizes.

Luiz Inácio disse...

Como já te disse (e já me começa a aborrecer a discussão), o problema não é O FUTEBOL. É, como resulta de uma leitura atenta da posta, FALAR DE FUTEBOL, no sentido em que esse discurso monopoliza e retira espaço a outros. É indiferente ser o futebol, mas, a partir do momento em que o é, já não é indiferente alinhar ou não no carnaval.
Quanto à alienação, e face a tudo o que já foi escrito sobre o assunto, de Hegel e Marx a Debord, apresentas "uma tese" de que "é uma necessidade da vida humana", "drogas, jardinagem" e etc., não estarás a confundir a alienação com outra coisa? Pois se o estás, e é mesmo isso que parece, estou a gastar o meu latim em vão.

André Carapinha disse...

Não deixa de ser curioso, e abonatório da tese do Luiz, que o post mais comentado deste blogue nos últimos tempos seja um sobre futebol.