sexta-feira, 9 de julho de 2010

Notas sobre o choque e o espanto no Mundial da vuvuzela (7), ou a máquina espanhola


Falei, na minha crónica anterior, da máquina alemã. Pois o que se viu nesta segunda meia-final foi a máquina espanhola. Pela primeira vez a Espanha fez um jogo à altura do seu estatuto, e o resultado foi uma exibição portentosa, um domínio quase absoluto sobre a melhor selecção em prova até então, um futebol de posse de bola e controlo total do jogo, servido por um conjunto de médios de qualidade estratosférica, de avançados do melhor que há, e de uma defesa onde todos sabem jogar à bola, e assim podem fazer parte da circulação verdadeiramente estonteante que a selecção espanhola produz.
*
Tinha aconselhado Del Bosque a colocar o Fabrégas, mas o treinador espanhol fez melhor. No lugar do Torres colocou o Pedro Rodriguez, um extremo convertido em falso segundo-avançado, sempre a cair para os flancos. A equipa ganhou assim o que lhe vinha faltando: largura de jogo e profundidade pelas alas. Os laterais Capdevilla e, especialmente, Sergio Ramos, cavalgaram para a frente e para trás, originando superioridade no ataque. Eu tinha escrito sobre os centrais da Alemanha não serem tão bons como os de Portugal; pois bem, a Espanha pressionou-os logo no momento da saída de bola; como são cepos a jogar, ao contrário dos espanhóis, os erros sucederam-se. Depois, foi observar na soberba qualidade técnica de Xabi Alonso, Iniesta, Xavi, Busquets, Villa e Pedro a circular a bola, anestesiar os alemães, e esperar pelo momento certo para desferir o golpe. Um show de futebol táctico e técnico. Depois da derrota no primeiro jogo, a Espanha foi crescendo, e chega ao jogo decisivo no topo da forma, finalmente com o problema táctico solucionado, com a inclusão de Pedro, e ainda com Fabrégas como possível arma secreta, caso seja preciso dar maior profundidade ao meio-campo. Vamos ver o que diz o polvo, mas cheira-me que vai prever nova vitória espanhola no domingo.
*
E o que dizer do Queiroz a surgir no Sol a acusar a FPF de amadora, depois a desmentir acusando o jornalista de "vigarista"? As barracas sucedem-se, e alguém para além do "professor" ainda acredita que ele tem condições para continuar?

5 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Pois é apostar em máquinas, gripa-se. O polvo Paul tem acertado mais. Sobretudo, quando há bom balneário (e o herói aparece, lá para o meio, e vestido como devem estar todos os heróis).

Claro que o mister - como os lusos gostam de mister! não dão um passo sem ele! querem-no castigador S&M!) tem condições para continuar, ele perdeu apenas por 1-0, com a selecção campeã do mundo 2010-2014, é um muito bom resultado, igual Scolari, que também perdeu por 1-0 com a Grécia. Não é outro mister que levará Portugal aos tempos* em que ganhávamos todas as competições internacionais, aquilo era campeonatos do mundo, campeonatos da Europa, campeonatos da Ásia...

* tempos míticos, claro

André Carapinha disse...

O problema de se contratar um mister com um passado de falhanços, é que o pessoal desconfia logo. E quando novo falhanço acontece, é parte da regra e não a excepção. Essa é a diferença entre o balanço de uns oitavos de final com o Queiroz ou, por exemplo, o Mourinho, além de se saber muito bem que o Mourinho nunca ficaria pelos oitavos, e isso ainda penalizar mais o Queiroz.

Sendo o percurso do Queiroz um conjunto de fracassos, que garantia racional nos oferece de que não se prepara novo fracasso para o Euro2012?

Táxi Pluvioso disse...

Tudo muito bem. Então qual é a explicação para esta obrigação de vencer no futebol? Os lusos são maus em tudo, política, economia, e sim, filosofia. O adjectivo que melhor os qualifica é incompetência. É esse o grande drama nacional (a propaganda oficial desviou as atenções invocando um papão chamado corrupção, e muitos, especialmente os boas almas, engoliram a pílula, pensando que resolviam as males, acabando com essa dita corrupção: viu-se como ex-MRPPs corriam atrás desse novo conceito como correram atrás de Eanes).

Eu sei a razão, o Dr. Salazar, único dirigente que compreendeu este povo, deu as bases físicas, sociais e filosóficas, para gostares tanto de futebol, mas gostaria de ouvir outra explicação. Porque é que tem de haver vitórias no futebol e não noutra coisa qualquer?

André Carapinha disse...

Os lusos não são maus em tudo. Por exemplo, no futebol, não são assim tão maus: já ganharam quatro taças dos campeões, uma das taças, uma uefa e uma intercontinental. Chegaram a outras finais com os clubes, e com a selecção a uma final de um Europeu. Os jogadores lusos jogam, há algum tempo, nos melhores clubes do mundo.

Tenho para mim que os lusos são bons em: futebol, poesia, e no sistema de saúde (este último por enquanto, a ver vamos quanto tempo dura).

André Carapinha disse...

E estava-me a esquecer do hóquei em patins.