quinta-feira, 8 de julho de 2010

Factos e coisas

"O Mundo é a totalidade dos factos, não das coisas", dizia Wittgenstein no "Tractactus". Na maior parte dos casos, as pessoas parecem dar pouca importância aos factos. Preferem inventar "coisas": a revolução, a evolução, o socialismo ou o capitalismo. Por exemplo, quando confrontados com factos sobre Cuba, os comunistas não lhes dão qualquer importância. Se há presos políticos ou não há, isso não é nada, porque na sua cabeça há uma coisa, o comunismo. Também os crentes no mercado, quando se lhes apresentam factos sobre as distorções e a miséria que provoca, não querem saber, porque o mercado é uma coisa na qual eles acreditam. Wittgenstein, o maior filósofo do século XX, está ainda longe de ser entendido por esta gente, e pela esmagadora maioria das pessoas.

7 comentários:

Táxi Pluvioso disse...

Os filósofos não nasceram para serem entendidos mas para venderem livros: F (fx): F (F (fx)): de preferência nas grandes superfícies.

André Carapinha disse...

Todos queremos vender livros. De preferência, sendo entendidos.

Luiz Inácio disse...

Após passeio pelo blogue, entendi já que Taxi Pluvioso é escriba de respeito. Mas que talvez o sentido cínico (no melhor sentido de cínico - o original), quando levado a extremar-se, faz-nos entrar em perda. Perda teórica, perda vital. Há que ganhar por vezes; não se pode rejeitar tudo.

Mas aprecio o seu ponto de vista corrosivo sobre as coisas, verá que temos muito em comum, espero.

Táxi Pluvioso disse...

Eu também acho, mas num povo que nunca saiu do Fado, Futebol e Fátima, não se pode ser de outra forma.

Espero não ser levado a mal, ou, apesar de ter sido corrido do ensino, ainda albergo um professor dentro de mim, junto da Teresa Guilherme, que todos temos, mas quando se estuda filosofia, não se deve escrever lugares comum como " esmagadora maioria das pessoas", pelo menos, não a sério. Eu costumo usar lugares comuns, como citar "a minha pátria é a minha língua", "o meio é a mensagem", "o público em geral", "o morrer para poder escrever do Voltaire", enfim todas essas banalidades, porque interpreto a personagem de um intelectual português, isto é, intelectual de gabarito, um intelectual que muito sabe, muito gabarito tem um intelectual português.

Talvez ficasse melhor escrever "só o Frege é que percebeu Wittgenstein", subentendia-se que a maioria não percebeu.

Volto a repetir, não é nenhum ataque pessoal, é só uma opinião, e já se sabe o que se diz das opiniões...

Táxi Pluvioso disse...

Ah... esqueci-me de responder ao Carapinha: para vender livros, c'est très facile, basta arranjar emprego numa livraria. vuvuzela rules!!

Luiz Inácio disse...

Esta posta não era sobre filosofia, embora aplique uma afirmação do Wittgenstein à praxis política das pessoas,
"A esmagadora maioria das pessoas" é perfeitamente válido. Lógica dos conjuntos difusos.

André Carapinha disse...

« para vender livros, c'est très facile, basta arranjar emprego numa livraria.»

Eh eh