quarta-feira, 14 de julho de 2010

A justiça e o discurso de classe

(a propósito de um comentário a este post, mas não só): Não se trata de a justiça estar, agora, mais forte ou mais fraca com os fortes ou com os fracos. A "justiça" continua a cumprir a sua função, e essa é a de perpetuar o sistema. Uma vez que perpetuar o sistema significa perpetuar a impunidade, o reino dos mais fortes, o que está errado não é qualquer "questão" sobre a justiça. É o que significa a própria "justiça". Há aquela velha história entre o "justo" e o "bom", ou seja, entre o Platão e o Aristóteles. Como se os "liberais" da velha escola "liberal" pudessem andar sem mais a definir o que é "justo" a partir das teorias de outros "liberais" como eles. Mas onde anda a "justiça" perante a fantochada de justiça que por aí anda? A "injustiça" da justiça significará, apenas, um problema sistémico português? Não, digo eu, e quem conheça a "justiça" nos outros sítios da "civilização" entenderá. Em nenhures, nem na Gronelândia, se chegou ao ponto de o acesso á justiça ser igual para todos os "cidadãos". O "justo", á maneira do Rawls, o que e? Um ponto de escape para a injustiça sistémica, para o sistema (o sistema, para quem não quer perceber, é a perpetuação). Ninguém honesto que queira perceber os enormes problemas da "justiça em Portugal" pode ignorar o Marx, e o carácter de classe da "justiça" (i.e., da maneira como funcionam os tribunais, as polícias, e etc.). Ninguém, sendo honesto, pode negar a disparidade no acesso à "justiça" entre um zé-ninguém e um senhor deputado. Este é o maior (o único!) problema da "justiça", e existindo não há justiça nenhuma. Há o "bem" ético do Aristóteles e mais nada. Justiça? Uma perpétua mentira, e cada vez mais repetida enquanto nos vamos esquecendo da questão, essa sempre presente, das classes.

2 comentários:

MFerrer disse...

À chamada Justiça, por vezes, sucedem azares.
Cai-lhes a máscara, e fica à mostra a ideologia dominante, a classe a que pertencem, os valores que finalmente protegem.
Depois, mais tarde, erigem estátuas cegas e de espadas desembainhadas...para enganar tontinhos.
Lembro que à porta dos cabeleireiros nos mostram as melhores mulheres, nos talhos a publicidade é às fartas carnes e que na publicidade ao Haiti é só praias, sol, piscinas azuis e mesas fartas...
Quando é que um agiota já avisou as vítimas dos perigos do sobre-endividamento?
Haja vergonha!

André Carapinha disse...

(sem querer apaguei um comentário do Taxi Pluvioso, que recuperei através do e-mail e republico):

Justiça chama-se Colt 45.

Taxi Pluvioso