terça-feira, 22 de novembro de 2011

O absolutismo na comunicação espectacular


Não pretendo com este texto fazer um escrutínio sobre o Anonymous, as suas possíveis intenções ou o seu modus operandi, apenas denunciar um modo de fazer jornalismo que cada vez mais se generaliza. Se a Jornalista queria fazer uma peça sobre um fenómeno mundial que tem ganho algum mediatismo de entre os movimentos contestatários e que se caracteriza pela ausência de um corpo central que o chefie, devia ter-se escusado a fazer uma peça de quase dois minutos onde praticamente só adjectiva o movimento e pouca ou nenhuma informação concreta dá. Não é algo que seja novo mas é cada vez mais escabrosa a forma como alguns temas se prestam tão facilmente a que um meio de informação, cuja missão devia ser o de informar, na lógica da pirâmide organizacional de um Estado Democrático, tendo em conta o direito do cidadão à informação e ao exercício do seu pensamento crítico, se torna num meio de propaganda e hegemonia cultural. É óbvio que vivemos um, cada vez mais claro, Estado de excepção em que muitos se auto proclamam como polícias da cultura dominante e da ditadura do senso comum e nos dão ordens precisas sobre a forma como devemos compreender ou não cada fenómeno social. Seja este fenómeno uma crise económica ou um movimento contestatário. Estes factores devem, antes de mais, fazer-nos reflectir sobre a natureza do sistema vigente cuja incapacidade de cumprir com a promessa que nos é feita à priori fica cada vez mais clara. 
Tiago Sousa

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