quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Paulo Granjo: apelo aos comerciantes

O Paulo Granjo publicou um apelo muito interessante aos comerciantes para que adiram à Greve Geral, que abaixo se reproduz. Ele diz-nos que irá passar o texto aos da sua zona, que conhece pessoalmente, e com quem tem, portanto, relações que o tornam alguém credível aos seus olhos. Uma ideia muito válida, que pode ser partilhada por todos, já que o texto foi disponibilizado para download aqui (adaptando o quinto parágrafo).


APELO AOS COMERCIANTES

Caro Senhor comerciante:
É verdade que nos dias de greves a facturação costuma ser um pouco melhor.
É também verdade que as greves costumam ser feitas pelas pessoas que trabalham para outras, e não por quem tem o seu próprio negócio.
É verdade, ainda, que nas greves gerais as lojas costumam continuar abertas, dando a impressão de que tudo está normal e de que os comerciantes não têm nada a ver com o assunto.
Mas esta Greve Geral também tem a ver consigo. E muito.
Veja o meu caso: Desde o início do ano que levo para casa menos X% do salário. No Natal, vou receber quase menos XXXX euros de subsídio. No ano que vem, querem continuar a cortar-me no ordenado e não me querem pagar nem o subsídio de Natal, nem o de férias. E lá para Março vou pagar mais de IRS.
Quem é que acha que vai sofrer com isso, para além de mim e da minha família?
Não é o banco, pois a esse tenho sempre que continuar a pagar a casa.
São as compras que lhe faço a si e aos seus colegas que irão ficar cada vez mais pequenas, tal como as de todas as outras pessoas na minha situação. É também o senhor quem vai sofrer com isso.
Quanto mais o país ficar parado no dia 24, mais hipóteses há de que as coisas não sejam assim no ano que vem.
Ao fechar a porta do seu estabelecimento no dia da Greve Geral, estará a defender os interesses dos seus clientes e estará a defender os seus próprios interesses.
Peço-lhe que pense nisso.
Ass: NOME, PROFISSÃO

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

E citando um grande intelectual português, (e isto já é um pleonasmo, pois todos os portugueses intelectuais são grandes), habituem-se! os subsídios não voltam mais e os salários terão de descer: o raciocínio é simples: quais são os países concorrentes de Portugal? China, Índia, Marrocos etc. Quanto ganha um trabalhador nesses países? ora, Portugal para ser competitivo tem de baixar os salários uns euros abaixo.

É muito errada a ideia de que isto é um país de mourinhos e ronaldos, e longe de mim sugerir testes de paternidade que poriam em dúvida a fidelidade da mulher portuguesa ( e muito fiel é, nenhum marido cria, sem o saber, filho de outro).