domingo, 12 de setembro de 2010

Contabilidade dos mortos: um, um milhão

"Um morto é uma tragédia, um milhão uma estatística". Grande frase de Estaline, que se aplica como uma luva às consciências bem pensantes, de todos os tempos, lugares e ideologias. Este Estaline, sendo um criminoso e um facínora, tinha pelo menos a qualidade de ser directo. Se algum americano o dissesse hoje, isto que traduz tão bem o "duplo plano" moral em que vivem, não teria grande futuro na política. E no entanto é este o duplo plano: nós (a vida sagrada, salvar vidas de americanos) e eles (danos colaterais, estatística das guerras). Não é novidade, nem exclusivo deles, todos os impérios, estados, se calhar todos os homens pensam assim.
Na verdade só há duas categorias antropológicas para os mortos: um (os nossos) ou um milhão (os outros).

1 comentário:

Anónimo disse...

Concordo, mas por enquanto "o milhão" ainda não é o nosso,mas um dia poderá ser.A protecção é para quem pode, e os contribuintes nunca iriam entender o outro lado da moeda, ou seja a falta dela por causa de algum outro alto desígnio. Chineses, russos, etc, também fazem parte deste clube. Cada um tem o duplo plano que pode pagar. Não há exclusivos. O mundo mudou. Já não há clichés culturais e politicos.