quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Salvé 2012! Saravá país de emigrantes!

Tenho andado muito calado, mas há algumas boas razões para isso. Primeiro, aquelas com as quais vocês, meus milhões de leitores órfãos de guia, não tem nada a ver; e depois, o facto de me faltar um vinho tinto à altura do acontecimento que é escrever neste blog. Pois isso está remediado, já que me foi dado a beber um Quinta do Crasto Vinhas Velhas 2008, que me fez subir a inspiração e a vontade de comunicar. Não que exista nada de especial para comunicar. No caso, apenas que farto de balanços de 2011, aqui venho, pelo contrário, anunciar o ano da redenção: 2012. O ano em que qualquer português com dois dedos de testa e uma licenciatura e um mestrado tem um caminho muito lógico a percorrer: fugir desta choldra, e tentar a sua sorte noutro sítio qualquer, de preferência um em que se fale uma língua muito esquisita que não domine, porque o mundo é dos aventureiros e os portugueses são mestres em aventuras, ou não fosse este o país que deu novos mundos ao mundo à conta da fome em solo pátrio (sim, os descobrimentos). Enfim, pelo menos o vinho nacional está cada vez melhor, mas graças aos mecanismos da globalização também isso pode ser remediado num desses países em que se falam as línguas que não domino, já que hoje em dia se faz vinho bom em quase todo o lado. Vamos em frente, Portugal, que 2012 será um desses anos, tipo 1498, em que se verão portugueses ao monte a chegar à Índia, desta vez não aventureiros-piratas de espada em punho, mas técnicos de Informática. Ou 1484, mas em vez do Diogo Cão nas costas de Angola, construtores civis e electricistas. Ou 1500, mas em vez do Álvares Cabral implacável com os gentios, gestores e CEOs implacáveis para com a concorrência. A mim, excitam-me estas novas oportunidades, e dou graças a Deus e ao meu bom povo por ter posto no governo uns tipos como os que lá estão, que tem a coragem e o bom senso de identificar este desígnio nacional de dar novos mundos aos portugueses, e de em coerência nos aconselhar a emigrar. Mas descansem, leitores: emigrado ou não, vou continuar a aparecer por aqui, para espalhar a boa nova. Desde que o vinho seja bom.

Sem comentários: