terça-feira, 8 de março de 2011

A manifestação de 12 de Março e o PCP

O PCP anunciou que "estará presente" na manifestação de 12 de Março. Há amigos que nos fazem pior do que os inimigos, e apoios que certamente se dispensariam. Não se trata do "direito" de o PCP se fazer representar, de se solidarizar ou até apoiar; a questão é outra. Partindo do princípio que o PCP está de facto ao lado da manifestação, e pretende que esta seja um êxito (vamos acreditar nisso), então esta declaração é um tiro no pé (e vamos acreditar que não é uma facada nas costas). A pior coisa que pode acontecer a esta manifestação é ver-se submergida num mar de bandeiras vermelhas. Primeiro, porque isso desmobilizará uma parte dos seus aderentes, menos politizados, mas igualmente com razões para a revolta (e isso já começou a acontecer com este anúncio). Segundo, porque isso desvalorizará o impacto da manifestação, que reside na sua originalidade, tanto pela forma como foi convocada, à revelia dos partidos, como pelo conteúdo do seu manifesto, que é suficientemente abrangente de uma forma que só um grupo apartidário é capaz de produzir. Lá veríamos os comentadores de serviço a reduzir esta manifestação a "mais uma" de inspiração PC, com os resultados que tem tido todas as anteriores (e Miguel Sousa Tavares já sentenciou: se for muita gente à manifestação, é porque o PC está por trás). Esta gente esfregará as mãos se conseguir colar este movimento ao PCP, e assim esvaziar aquilo que tem de fundamentalmente diferente e original. Irão os comunistas fazer-lhes a vontade? É que isso acabaria por dar razão aos que consideram que o que o PCP pretende é não deixar os movimentos escapar-lhe do controlo, mais que o sucesso desses mesmos movimentos. Comunistas, e já agora outros que sofrerão do mesmo mal, mostrem-me que estou enganado. Compareçam em massa à manifestação, mas despidos dos símbolos partidários, compareçam como cidadãos que apoiam uma causa e não como membros de organizações que a parasitem. Ajudem ao sucesso deste movimento.

1 comentário:

Táxi Pluvioso disse...

Já antes do filho do Tareco, o caçador Tavares, dizer essa thing do PCP, já o sábio Rebelo de Sousa o tinha dito. É muito interessante como os argumentos se repetem, e toda a gente diz a mesma coisa, e viva a visão oficial! E assim é que deve ser. Até o presidente Báráque usa os mesmos argumentos que Kadhafi para matar, um no Afeganistão, o outro na Líbia, são os terroristas da al Qaeda, meu deus, são os terroristas da al Qaeda. (Claro, invocam deuses diferentes).

No entanto, tudo é questão de lugar (topos); muitos vêem no presidente Báráque algo mais do que uma Sarah Palin de calças ou um McCain mais novo (claro que no caso luso a aceitação do salvador deveu-se simplesmente ao racismo: os racistas, para não parecerem racistas, cantaram loas ao presidente desejado, e muito postaram emocionados e felizes); no processo kadhafiano, as boas almas optaram por ficar em casa a postar, quando tinham uma possibilidade histórica de fazer alguma coisa, isto é, de ir para lá combater ao lado dos jovens revolucionários. Isto é tudo uma questão de lugar.