quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Que se esconde por detrás da crise?


Solicitámos aos diferentes convidados dos debates promovidos pelo Grupo de Estudo Sobre os Países Resgatados pelo FMI ou Sob Pressão do Mercados que nos enviassem textos seus sobre a temática para podermos alargar a reflexão às pessoas que não participaram destes debates.
Que significa a propagandeada crise? Constatemos que o capital produtivo é obtido através da utilização do capital bancário. Assim parte do lucro obtido na produção é encaminhado, via pagamento de juros, para o sistema bancário. Mas, como actualmente, o capital produtivo não proporciona os lucros suficientes para tal pagamento, sobrevém uma crise, para o devedor e para o credor.
O aumento incessante da produtividade forçado pela concorrência entre capitalistas, só é  possível através do uso de meios técnicos cada vez mais   onerosos. Logo os custos derivados da criação de postos de trabalho aumentam constantemente conforme o aumento da intensidade e custo do investimento no capital utilizado.
Daí resulta que esses gigantescos custos em capital fixo não podem ser suportados através dos lucros correntes da produção Logo é obrigatório o recurso ao crédito para poder pagar tal despesa gigantesca.
O problema da dívida daí derivado estende-se depois do capital produtivo ao Estado e orçamentos privados. Assim também os gastos estatais em infra-estruturas e o consumo privado deixam de ser possíveis através das receitas   reais, o que impõe o recurso ao crédito.
Este mega endividamento representa a antecipação de lucros, salários e impostos, sobre a produção real futura.
Tal consumo suportado pelo futuro transforma-se em crise geral quando o processo é levado até um ponto excessivo, rompendo as cadeias de crédito.
Isto é aplicado a todos os intervenientes, incluindo o Estado.
Na realidade, estão a ser consumidos rendimentos futuros, que se tornam cada vez mais ilusórios para se tornar possível, com as relações organizacionais existentes, continuar a utilizar de forma capitalista os actuais recursos materiais abundantes mas para os quais paradoxalmente não há dinheiro, só crédito impossível de pagar.
Tal absurdo torna evidente a irracionalidade do sistema, em que o lucro e a acumulação de dinheiro se tornam um fim em si mesmo e o fim da economia nada tem a ver com a satisfação das necessidades.
O dinheiro não passa assim de um fetiche em representação dos recursos reais.
A crise é o resultado da tentativa desesperada de se conseguir, através do consumo com dinheiro do futuro, insuflar no circuito económico receitas que nunca irão surgir. Os mentores do sistema tentam desta forma integrar dentro dos limites do capitalismo, as forças produtivas e a sua estrutura e capacidades, que já extravasaram esses limites impostos.
Por isso, essa gente procede a todos os esforço para que vivamos pior, porque o capitalismo já consumiu o seu próprio futuro.
Em tal situação, a saída torna cada vez mais urgente que os povos aprendam a utilizar todos os recursos abandonados e inutilizados, incluindo os humanos, por este sistema de desperdício, numa lógica diferente da existente.
Perante isto os capitalistas, os políticos e seus apaniguados, utilizam a situação para combater os trabalhadores e o povo e reduzir a sua influência e capacidade reivindicativa.
Só a luta firmemente determinada em conquistar uma nova organização social, poderá acabar com tal sistema do lucro a qualquer preço.
José Luis Félix

Sem comentários: