terça-feira, 30 de novembro de 2010

A falência moral de uma certa extrema-esquerda

É com posts como este que é posta a nu a miséria moral de uma certa parte da "extrema-esquerda", enredada na ilusão das escolhas obrigatórias, e perdida ideologicamente e praticamente, de tal modo que, cega pelo seu ódio ao sistema vigente, desesperada pela aparente falta de respostas (que não as vê, o que não quer dizer que elas não existam), resolve "escolher": escolher tudo o que (aparentemente, pois se o faz de facto, é outra conversa) se "oponha" ao "capitalismo". É assim que esta esquerda escolhe o Hamas e o Irão contra os Estados Unidos, o que se é um erro e uma prova de ingenuidade e de infantilidade na forma de olhar para a complexidade do Mundo, pelo menos pode-se discutir. Mas é também assim que esta esquerda escolhe nem mais nem menos que o lado dos gangsters, que aterrorizam e oprimem os habitantes das favelas brasileiras, e são pelo menos tão responsáveis pela falta de saída das vidas dessa gente como o estado brasileiro e a ordem social vigente (aliás: não serão eles parte da ordem social vigente?), posto que do outro lado está "o estado", e o exército, e a lei do Brasil. Temos assim que os criminosos das favelas brasileiras, que assassinam os seus vizinhos, que enriqueceram à custa dos seus concidadãos e dos quais não se conhece um pingo de um programa de solidariedade social, são elevados a verdadeiros revolucionários urbanos, quiçá à esperança dos desesperados da extrema-esquerda, que detestam o sistema, não encontram alternativas, e alucinam com exércitos revolucionários onde apenas está o fascismo (no caso islamita) ou a pura delinquência (no caso em apreço). Preto ou Branco. Capitalismo ou os seus inimigos. Esta é a armadilha teórica que resulta na falência moral das posições do Renato Teixeira.

6 comentários:

Miguel Serras Pereira disse...

Muito bem, caro André - só não citei porque não o tinha lido quando escrevi o meu post sobre o mesmo tema no Vias. Mas vou lá pôr uma nota na cx de cmts

Abraço democrático

msp

Anónimo disse...

só uma pergunta:
também concorda com a actuação do "estado" para livrar o povo afegão dos talibans traficantes de droga?
e concorda só com o principio ou também com a forma?

Anónimo disse...

isto de todos os comentarios terem de ser aprovados pelo autor do blogue é para impedir o spam ou para não ter de ouvir verdades incómodas dentro da própria casa?
sabes que mais: enlarge your penis!

Ricardo Alves disse...

Totalmente de acordo com o post, mas com o Renato Teixeira já nem sei se o melhor é ignorá-lo ou demarcarmo-nos e explicarmos que a esmagadora maioria da esquerda não tem nada a ver com aquilo...

André Carapinha disse...

Anónimo das 10:55:
Ao contrário desta "extrema-esquerda", eu não analiso a realidade a partir de fórmulas. Para além do mais, e como, ao contrário dessa extrema-esquerda ou se calhar do próprio anónimo, eu não raciocino na base do "connosco ou contra nós", não deve inferir do meu post que eu esteja p.ex. do lado dos Estados Unidos, ou do imperialismo, "contra" o Irão (não temos de ficar presos a dicotomias de pré-primária, como disse um comentador deste blogue). Respondendo à questão do Afeganistão, é sem qualquer dúvida um daqueles problemas de enorme complexidade, e onde não vejo uma boa opção. O imperialismo contra o fundamentalismo, ou o novo capitalismo hegemónico contra uma das novas formas de fascismo que lhe resistem. Recuso-me a escolher.

Anónimo das 11:10:
Os comentários neste blogue são moderados, como o são hoje em dia na generalidade dos blogues, porque também por aqui apareceram anónimos a praticar o insulto gratuito. Se fosse leitor habitual deste blogue saberia que a passagem para a moderação dos comentários foi um parto difícil e que deixou mossa. Mas perante certos anónimos tolos e infelizes cuja única diversão é chatear os outros, foi a única coisa a fazer. Não dramatize. Por toda a blogosfera é agora assim, não faça do 2+2=5 o alvo único.

Táxi Pluvioso disse...

Não sei se será assim: "não se conhece um pingo de um programa de solidariedade social", nunca estive num favela brasileira, portanto não sei nada, mas como português, estou abalizado a opinar, com cátedra, sobre qualquer assunto, e é natural que algum desse dinheiro sirva para ajudar os mais pobres. No caso de Pablo Escobar havia essa solidariedade.