terça-feira, 12 de abril de 2011

Correio interno

André,
O galeão de Manila, desta vez desviado de Sevilha ou Cádis, para as costas portuguesas, traz prata, e riquezas mais que o chinês do Futre. É terça-feira a data de chegada. Na Portela – o Cais das Colunas do século XXI, onde as grandes figuras de Isabel II de Inglaterra ou Gungunhana aportaram – terça-feira, com idêntico fausto, no atual aeroporto substituto de Alcochete, desembarca o FMI. E desta vez vem como diretor de campanha dos Partidos. Os programas, para a combativa campanha eleitoral, que se deduz, serão escritos num hotel de luxo e em inglês. Que se traduzirão para português em sólidas promessas eleitorais: “vamos baixar as pensões e os salários”, noutro Partido prometem mais, com responsabilidade: “assim não ganhamos a confiança dos mercados! pois, nós, cortaremos o 13º e o 14º meses”, mas a responsabilidade fala mais alto ainda: “ah! ele é isso? pois nós, para além disso tudo, cortaremos um mês, passarão a receber apenas 11 meses por ano”.
E, ao terceiro desembarque em Lisboa, não só crescimento económico trará o FMI na bagagem, também consolidará as promessas eleitorais. Serão sólidas promessas porque, pela primeira vez na História, serão cumpridas. Dentro de 4 anos, no fim da legislatura, os portugueses não chorarão enganados, nem lamentarão pelos “150 mil postos de trabalho”.
Portugal, quando a crise finalmente chegar, no longínquo 2013 ou 14, não enveredará pela posição islandesa de “não pago! chamem a Polícia”, porque os nossos visionários líderes sabem que não é a Polícia que se chama nestes casos mas a Democracia. Enquanto os islandeses votarão referendo atrás de referendo até ao resultado certo, os portugueses esbofarão pela mesma miséria das monjas do Lorvão, mas com final feliz. Sobre as quais escreveu Alexandre Herculano: “entretanto, se eu falasse com eles, dar-lhes-ia um conselho, talvez o ouvissem, era de enviarem aqui sessenta soldados. Formavam as monjas do Lorvão, em linha, no adro da igreja, e mandavam-lhe três descargas cerradas. Desaparecia, a troco de poucos arráteis de pólvora, um grande escândalo e resolvia-se, afirmativamente, um grande problema ao qual eu nunca achei soluções senão negativas, que é o da utilidade da Força Armada neste país”.
Quando a crise chegar, virão sessenta peritos, que por poucos arráteis de um programa informático, remendarão a economia. Durmamos descansados que o dinheiro está salvo.
Abraços
Maturino Galvão

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