sexta-feira, 6 de julho de 2007

Um voo cego a nada

Eu, Rosie, eu se falasse, eu dir-te-ia
Que partout, everywhere, em toda a parte,
A vida égale, idêntica, the same,
É sempre um esforço inútil,
Um voo cego a nada.
Mas dancemos; dancemos
Já que temos
A valsa começada
E o Nada
Deve acabar-se também,
Como todas as coisas.
Tu pensas
Nas vantagens imensas
Dum par
Que paga sem falar;
Eu, nauseado e grogue,
Eu penso, vê lá bem,
Em Arles e na orelha de Van Gogh...
E assim entre o que eu penso e o que tu sentes
A ponte que nos une – é estar ausentes.

Reinaldo Ferreira

5 comentários:

- @ - disse...

Hi, I was browsing the Web and came accross your site. I am pretty new to blogging and everything but it seems pretty fun. Great blog. Well, keep on blogging!

Rgds // Alexs on Wedding1st

Ana Cristina Leonardo disse...

Belíssimo e terrível

Anónimo disse...

Sobretudo... terrível!
Mas não deixa de ser belo!

Daniella Paula disse...

Amei o blog!
Belíssimo!

Anónimo disse...

Isto é um poema sublime! A juntar à obra imorredoira do Adolfo Casais Monteiro, de que gosto e avalio, cada vez mais, com espanto e emoção infinitas. Bom trabalho, caro Armando! Salut! FAR