sexta-feira, 6 de julho de 2007

Mamã eu quero

"Antoine-Laurent de Lavoisier é conhecido por ter resumido num atractivo adágio científico a lei da conservação da matéria. Simples de entender tornou-se de imediato num sucesso nos bancos da escola. Os cábulas em Química sabem-na na ponta da língua. Decoram-na com o mesmo à vontade que a fórmula do ácido sulfúrico. Na realidade é a única lengalenga que aprendem depois do inolvidável H2SO4. Num ensino para a excelência é essencial dotar os jovens de (pelo menos) um skate intelectual para percorrerem os passeios, esquinas de muros e varões de escadas desta praça fortificada pelos milhões da União Europeia. E, saber recitar “na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” serve para ter uma atitude filosófica sobre os passados subsídios da magnânima Europa, que não se perderam, como dizem, mas transformaram-se na riqueza daqueles que lhe deitaram a mão, e…”(continue a ler o Táxi Pluvioso no Pratinho de Couratos)

5 comentários:

Anónimo disse...

Desculpe, mas é SO4H2.
H2SO4? Modernices num "post" que é uma agulha a rebentar uma bolha de pus.

Táxi Pluvioso disse...

Com esta fiquei baralhado. Aprendi na escola h2so4. Chamavam-lhe a fórmula dos cábulas, porque toda a gente aprendia, mesmo os menos dotados, ou menos estudiosos. Na wikipedia aparece como fórmula do ácido, mas encontrei noutros sítios so4h2. Trocaram a ordem dos componentes?

Anónimo disse...

Houve, realmente, uma inversão na indicação dos catiões (+) e dos aniões (-) nas fórmulas dos compostos orgânicos. O ácido clorídrico é outro exemplo comum: também passou de ClH para HCl.

Não me lembro quando foi, mas situo essa troca por volta dos finais dos anos 60.

Pode ter sido mais uma consequência do Maio 68...

Táxi Pluvioso disse...

Ah bom! No final da década de 60 eu já tinha aprendido o H2SO4. Esta mudança dos componentes fez o post perder algum sentido. Esta fórmula era a única que todos sabiam. Era a fórmula dos cábulas. E a prova é que ainda hoje me lembro dela. Foi a única que me ficou na memória e, afinal, está errada. O ensino tem destas coisas. Carregamos mochilas pesadas durante uma porrada de anos e depois acabamos com uma data de conhecimentos inúteis.

Por isso é que não partilho do optimismo da Escola como salvadora da Humanidade e da economia do mundo (civilizado e por civilizar). A não ser que, no futuro, os ex-alunos sejam actualizados por SMS. Mudam as 7 maravilhas do mundo, recebemos o update no télélé. Muda o nome de uma capital, recebemos o update, mudam os nomes dos elementos da Gramática, recebemos outro update und so weiter…

Anónimo disse...

Não me parece que o “post” tenha perdido pertinência e acuidade.

Aprendi no liceu SO4H2, que já era chamada a “fórmula dos cábulas”.
Com alguma razão porque ainda hoje tenho dificuldade em escrever H2SO4, a formulação correcta e actual.
Disse que a inversão terá acontecido no final dos anos 60 porque já andava na faculdade (entrei em 66) quando se deu essa actualização.

Não sei se a Escola é a “salvação” da Humanidade.
Mas acho que sem Conhecimento Teórico e Prático não há evolução no sentido da Liberdade e Igualdade. Se se quiser, do fim da Alienação (ou Trabalho Alienado).

Não consigo “projectar”, digamos, o Processo Histórico, devido ao “salto” notável e valiosíssimo que se deu nos meios de produção: a Revolução Científica-Técnica que estamos a viver – ou acabámos de viver.

Embora aprecie as reflexões de Rawls, não encontrei nos “futurólogos” actuais, no pouco que sei sobre as suas teorizações, senão “aggiornamentos” e “banhas da cobra”.

Até porque acredito (no sentido do Credo) numa futura e consequente miscigenação das civilizações/culturas e não em civilizados e por civilizar.