quinta-feira, 5 de julho de 2007

Da Capital do Império

Olá!

Hoje escrevo-vos para vos dizer que o Luís Amado e o José Sócrates são racistas. Não racistas à antiga de não permitir a entrada de pessoas em restaurantes ou escolas ou bairros de habitação por causa da sua cor da pele, mas racistas modernos, “pragmáticos”. Assumem na sua totalidade o racismo suave das expectativas baixas.
Para ir directamente à questão: Se o Robert Mugabe fosse branco (ou chinês ou latino americano!) teria sido convidado para a cimeira União Europeia/África?
O Luís Amado e o José Sócrates convidariam um presidente branco (ou chinês ou latino americano) de um pais sem qualquer importância estratégica que:
1) Ordena à sua policia para espancar lideres da oposição e depois afirma publicamente (!!!)que a oposição “needed a bashing and they got a bashing”?
2) Expropria, persegue, prende, espanca, assassina, membros de uma minoria racial do país ao mesmo tempo que um membro do seu regime afirma publicamente que membros dessa minoria não podem nem nunca poderão ser cidadãos do país e do seu continente?
3) Persegue, prende, encerra e quando isso não funciona ataca à bomba jornais que o criticam?
4) Impede a entrada de jornalistas estrangeiros no país?
5) Ignora as decisões dos tribunais do pais, ameaça juízes e exorta a polícia a ignorar as decisões dos tribunais?
6) Transforma um dos países mais produtivos e ricos de África num dos mais pobres?
7) Impede agências humanitárias de distribuírem alimentos aos esfomeados exigindo que sejam os seus capangas do partido a distribuírem os alimentos?
8) Constantemente insulta países aliados de Portugal e membros da União Europeia como por exemplo quando apelidou publicamente o governo Britânico de “o governo de paneleiros de Blair”?
Claro que não. Os socialistas estariam em pé de guerra com discursos, declarações, parangonas nos jornais, a organizarem manifestações contra o fascismo e contra o George Bush. Mas, como o Mugabe é preto entra em acção o tal racismo suave das expectativas baixas. Isto é: O Robert Mugabe é preto portanto há que aceitar padrões mais baixos. Não se pode esperar muito dos pretos….
O que o Luís Amado e o José Sócrates deveriam dizer aos seus colegas africanos se estes insistem em trazer o Bob Muggers (Bob Ladrão como ele é conhecido em Harare) é que chegou a altura de se deixarem de definir pelo colonialismo e passarem a definir-se por valores.
Eu acho que o Sócrates e o Amado deveriam também levar os dirigentes africanos a ler um novo e fascinante estudo do Banco Mundial titulado “Where is the Wealth of Nations?” (Onde está a riqueza das nações?”) que afirma em termos gerais que a riqueza das nações se divide em “capital natural, “capital produzido’ e “capital intangível”. E, diz o estudo a maior parte da riqueza dos países ricos não é composta pelas duas primeiras fatias (capital natural e capital produzido) mas pela terceira fatia, o tal “capital intangível”.
E o que é esse capital intangível? Coisas como: primazia do estado de direito, transparência da lei, educação, acesso à saúde. A riqueza dos suíços portanto não é só composta por relógios Rolex, queijos e chalets para turistas. A sua riqueza advém na sua maior parte dos conhecimentos e das leis que existem na Suíça. O estudo do Banco Mundial (acessível em WWW.Worldbank.org) diz que 90% desse tal “capital intangível” é constituído pela educação e pelo respeito à lei (rule of law).
Ou seja: O Sócrates, o Amado e todos os que insistem em continuar a deitar para o lixo milhares de milhões de dólares em ajuda aos países “em desenvolvimento/do terceiro mundo/vítimas do colonialismo” estão a gastar o seu tempo e o o vosso dinheiro até os dirigentes africanos aceitarem a importância desse tal capital intangível e assim condenarem o Bob Muggers ao isolamento total.
O que me leva a dizer-vos que no centro de Copenhaga, onde estive há duas semanas, há um prédio antigo, sóbrio (como quase tudo na Dinamarca) com um dístico em cima da sua entrada e que explica o sucesso doa Dinamarca: “Med lov skal man land bygge”. O Amado e o Sócrates deveriam levar lá o Bob Muggers e os restantes dirigentes africanos. Mostrar-lhes a riqueza da Dinamarca (que não pode ser acusada de ser imperialista/colonialista) o seu bem-estar, o seu incrível boom económico que faz inveja a muitos e depois traduzir-lhe esse dístico. “Com a lei será o país construído”. Simples. Parte do tal “capital intangível”.

Abraços,
Da capital do Império,

Jota Esse Erre

10 comentários:

Anónimo disse...

Boa "malha", caro JSR!

Anónimo disse...

Por detràs do Mugabe, perfilam-se os homens de palha e khalach do ANC e do MPLA. Ninguém imagina como é que o Zimbabué vai sobreviver a uma crise avassaladora: inflação-hitleriana, falta de bens essenciais e desemprego titânico. A juntar a uma repressão escatológica e ineficaz, pois as pessoas fogem de barco, a pé, de bicicleta do inferno de Bob Muggers, que reedita a archi-tragédia de Taylor e quejandos da àfrica Ocidental.FAR

MedOkss disse...

Concordo completamente consigo, JSR.
Infelizmente os interesses e objectivos de meia-dúzia (J.E.dos Santos e companhia) tem um peso enorme em alguns sítios. Essa gente toda comunga das mesmas ideias, independentemente da cor da pele.
Para começar teriam de aplicar em Portugal as ideias por-de-trás da tal frase dinamarquesa, completamente. Temos telhados de vidro e alguns têm orgulho nisso!

Ana Cristina Leonardo disse...

A ajuda aos «pobrezinhos» sempre serviu as boas consciências. Há centenas de ONGs a viverem à custa da caridadezinha. E os dois pesos (duas cores), duas medidas, são uma forma de racismo perverso. Afinal, lá no fundo, toda a gente sabe que O.J. se safou por não ser branco.

G. Ludovice disse...

Uns safam-se por não serem brancos, outros por o serem.. Uns padecem e morrem por serem de outra cor, outros por o não serem. Tudo é uma questão de geografia e contexto histórico e não de ética,sempre vivemos num mundo cão!Mas temos esperança, sempre tivemos!
Quanto às Ongs, não há que generalizar. Muitas fazem um trabalho de grande mérito dentro do que podem, onde e quando é mais necessária e urgente ajuda humanitária. Algumas actuam no imediato outras apostam no desenvolvimento, ensinam a construir a cana de pesca. Perguntem às populações tremendamente desfavorecidas... são elas que sofrem e precisam de tudo!! E estar lá no terreno de mangas arregaçadas não é arranjar uma boa consciência, é apostar num mundo melhor, muitas vezes arriscando a própria existência.Infelizmente são ainda necessárias!!

Ana Cristina Leonardo disse...

Em São Tomé, as ONG, Unescos, ONUS, Embaixadas e etc., há uns anos, inflacionavam de tal maneira o aluguer das casas que, na capital, uma moradia mini virada ao mar chegava aos 500 contos. Agora, a toda esta meritória gente veio juntar-se o petróleo. teme-se o pior

Anónimo disse...

E o Bob Muggers disfarçado de Rob Mugabe preto?
E o dos Santos Muggers disfarçado de "Eduardinho"
na "ginja" do Rossio?
E o AEG Muggers disfarçado
de General Eléctrico?
E os outros Muggers todos
que se fartaram de gamar e
de matar e que sempre foram apaparicados pelos brancos disfarçados de pretos?
Ou pretos disfarçados de brancos?
Vá lá a malta perceber...

Anónimo disse...

Sem querer implicar, tirando as que prestam socorro em situações de catástrofe e, mesmo assim…, considero as ONG’s e a grande maioria das organizações ambientalistas indústrias novas que vieram, no final do século XX, preencher um vazio deixado pela falência (não financeira) das organizações internacionais criadas no pós-guerra: UNESCO, OMS, FAO, Oxfam, Caritas, UNICEF, etc.
Regendo-se pelas leis do capital, como não podia deixar de ser, são hoje indústrias prósperas ou acabam.
Como é óbvio, não vão a lado nenhum ou então eram suicidas, pois se resolvessem alguma coisa deixavam de ter razão de ser.
Para mim, essa do “amor ao próximo”, sobretudo nos tempos modernos, é como o “lá vamos cantando e rindo”.
E refiro a modernidade porque o único trabalho válido, mas não desinteressado (“não há almoços grátis” é uma frase batida porque é uma verdade auto-evidente), ainda foi o dos missionários, sobretudos dos anglicanos e dos protestantes.
Entretanto, enquanto a Humanidade não dá mais um passo em frente, sempre podemos gozar e abusar das novas indústrias da cultura e do lazer.

Anónimo disse...

Quem me conhece sabe que sou tão verborreico que, quando me perguntam as horas, começo por descrever o funcionamento do relógio, e que sou tão rigoroso que depois digo umas horas quaisquer.

De facto, a Caritas foi fundada em 1897, na Alemanha, e deu um salto a partir da criação na Suiça, em 1901.
A Oxfam surgiu na Holanda, em 1945, mas não tem o carácter das agências da ONU.
Reposta a verdade dos factos, graças à Wikipedia (embora nem sempre fiável)quero acrescentar que as juntei no comentário anterior porque, para mim, o fedor é o mesmo.

G. Ludovice disse...

Continuo a achar que existem pessoas que se envolvem totalmente com os que precisam, e que se estão dentro de determinadas instituiçoes é porque sem esse apoio institucional não poderiam fazer quase nada.. e falo com conhecimento de causa e não apenas estão presentes nas situações catastróficas mas também nos projectos de desenvolvimento, chamem-lhe então almas autenticamente em missão... do resto, concordo que haverá muito aproveitamento indecoroso.. mas o que me revolta mesmo, é que sejam necessárias estas novas formas de indústria!!