sexta-feira, 27 de julho de 2007

Contra a Silly Season

De um livro em preparação, extraio estes fragmentos de uma longa entrevista realizada em Paris com Philippe Sollers, um dos mais iconoclastas dos intelectuais franceses da actualidade. O texto foi publicado nos anos 80 em Portugal, e M.M. Carrilho fez tudo para silenciar o FAR nos jornais portugueses. O palhaço do Manuel da Silva Ramos, um escritor equivocado, queria agora “recuperar” estes textos, com o propósito de “ salvar “ a sua deriva para divertir os intelectuais do PSD...

1.”A escrita deve ser praticada como uma partida de ténis. Isso pode constituir uma forma de criticar as inefabilidades dos escritores, as posições subjectivas e psicológicas sobre a dificuldade de escrever, sobre o facto irremediável de que um escritor está sempre a falhar o essencial. Escrevo contra as clivagens, tentando subvertê-las, do espaço social imaginário. Insurjo-me imenso contra todas as imposturas, sobretudo com as daqueles que afirmam já ter ultrapassado o romance."

2.”A contradição entre os filósofos e os escritores foi sempre radical. O mesmo se passa entre os escritores, os políticos e os intelectuais. Constato que o filósofo tem sempre a necessidade de clientelas. O escritor deve bater-se contra a filosofia e a política, as politiquices. Recuso o tribunal filosófico, sob todas as suas formas. Não justifico nunca as ideologias."

3.”O ignóbil vai tornar-se dominante
.De certa forma, pretendo homenagear Georges Bataille, de quem fui amigo e confidente. Bataille é um pensador hoje de novo esquecido por causa da vaga puritana dos últimos dez anos.
“ Contra essa vaga puritana, esta pulsão de morte, achei necessário retomar a tradição libertária do século XVIII, isto é, esse enorme momento que precede a queda do filosofismo. Hegel assume contudo uma posição distinta, no meio de toda esta empresa de controlo e sujeição. Leio, repetidamente, muitos dos seus textos, cada vez com maior prazer. Espinosa também é muito importante: foi um lusitano revolucionário."

4. “O século XIX, ao contrário dos precedentes, foi o século da grande derrota sexual. Bataille disse: é cuspindo sobre o próprio limite que o ser goza. É isso o erotismo“.

FAR

4 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

FAR, o que é tem contra a silly season? é só um bocadinho mais silly que as outras...

Táxi Pluvioso disse...

Se lermos intelectuais franceses vamos também nós ficar un peu nigaud, n'est ce pas?

Ana Cristina Leonardo disse...

As afirmações são interessantes, embora arrastem consigo aquela pomposidade de que só os franceses são capazes: «o século XIX foi o século da grande derrota sexual». Bom, que dizer então do nosso, que até já tem aulas de educação sexual nas escolas?!
Gosto da cacetada aos filósofos - neuróticos no poder. os escritores tb. o são, mas mandam menos

Anónimo disse...

FAR em Lisboa: meus caros, sem pompa nem banda de música, tenho-me divertido bastante no microcosmo alfacinha.O MS Ramos, que está à beira dos 6o anos, é uma cópia imbecil, rasteira,corriqueira, linear e irregular do PH. Sollers. Ele apanhou no ar meia dúzia de ideias do iconoclasta dinamitador de Saint-Germain-dès.Prés...Hoje, levantei-me cedo e descobro os dois livros do Durruti, o mais radical dos anarquistas de todos os tempos, traduzidos pelo Júlio Carrapato de Faro-Paris, amigo do Palma Inácio e Armando Ribeiro. Foi mesmo dia grande. FAR











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