terça-feira, 17 de julho de 2007

Da Capital do Império


À saída do enclave hippy/anarca de Cristiana em Copenhaga o aviso é bem claro. Copenhaga. Dinamarca

Olá!
Hoje escrevo para vos avisar de algo sinistro. Os dirigentes da UEtupia estão a preparar se para – como diria Brecht - dissolver o povo e eleger outro para o seu lugar.
Digo isto porque no outro dia fui a uma conferência de imprensa dada pelo embaixador de Portugal aqui na Capital do Império convocada para explicar aos yankees o papel dos lusitanos na chefia da UE e fiquei com a certeza que esses dirigentes perderam a confiança no povo, não tendo qualquer intenção de voltar a repetir o erro.
Antes de explicar o porquê das minhas certezas tenho a dizer-vos que a conferencia de imprensa tinha tantos ou mais diplomatas que jornalistas e alguns dos (poucos) jornalistas presentes eram de publicações que ninguém nunca ouviu falar e com grande “pancada” na cabeça. Um desses jornalistas mostrou-me com orgulho um livro muito antigo para turistas de frases em Português em que no capítulo para “frases no táxi” tinha a seguinte: “por favor não me leve a lugares grosseiros”. Valeu o dia…
Na conferência de imprensa uma dessas jornalistas com “pancada” (e sem livro de frases em português) queria saber o que é que Portugal pensa sobre as acusações do Papa de que a filosofia dos dirigentes europeus é “relativista”. O embaixador ficou à rasca meteu os pés pelas mãos e felizmente a tal jornalista não lhe perguntou o que é que a Lusitânia pensa da missa em Latim. Logo a seguir no entanto outro jornalista com “pancada” com um sotaque estranhíssimo queria saber o que é que Portugal pensa do Cazaquistão e da Ásia central. Ainda outra jornalista, daquelas que acredita que vai mudar o mundo, fez um discurso sobre Darfur e teve que ser interrompida perante o ar verdadeiramente estupefacto do diplomata tuga. Enfim…
Mas o que eu queria saber é se após as negociações sobre o tratado em que o Sócrates e o Amado estão tão empenhados Portugal iria propor enquanto presidente) que o mesmo fosse submetido a um referendo nos diversos países da Cê Ié Ié (agora conhecida por UE). A resposta foi que primeiro há que terminar o tratado, é esse o mandato., o que você pergunta é uma questão de politica interna, e tal e coisa, não só mas também, tendo em conta a conjuntura que etc e tal e coisa, pois é, uma chatice, depois voltamos a falar disso, qual era a outra pergunta?…
O que não é de admirar. Vocês com certeza que se recordam que antes dos últimos referendos quando já era evidente que o povo não queria mais burocracias em Bruxelas a ditar-lhe o tamanho das peras, como é que devem ser feitos os chouriços e queijos, a que horas é que as lojas de bebidas podem abrir em Estocolmo e que impostos é que a malta na Escócia e Eslovénia deve pagar, os dirigentes da UE tornaram bem claro que se estavam a borrifar para o povo.
“Se for um sim diremos ‘em frente’, se for um não diremos “continuamos’,’ disse na altura Jean Claude Juncker primeiro ministro do Luxemburgo, país que como vocês sabem é difícil de localizar no mapa mas que na altura falava, aparentemente por todos vós. Os dirigentes “bien pensants” da UE perderam a confiança no povo após esses referendos terem dito non e nie à tal constituição. É óbvio que pelo menos até agora o povo não trabalhou suficientemente duro para reganhar a confiança dos seus líderes que em Bruxelas não estão interessados em responder à ingratidão e burrice do povo
A malta em Bruxelas, tenho a dizer-vos ficou bem lixada com o povo e no dizer da Angie Merkel decidiu substituir a constituição em que o Giscard gastou meses e meses e rios e rios de dinheiro por um tratado em que - como ela disse na cimeira dos Oito Governadores (G-8) - se “usa terminologia diferente sem mudar a substancia legal”. Eu sempre gostei da frontalidade germânica! Não sabia é que podia ser também cínica!!!
E nem pensar em referendos ou votações. O Nicola Czarko já disse que não é preciso, (deve ter sido porque retirou do tratado menção a uma economia de mercado baseada em “concorrência não distorcida”); na Holanda mais de 50 por cento do eleitorado quer um referendo mas os governantes da Holanda disseram que não é preciso porque o novo tratado “não é de natureza constitucional”; o que agrada também aos líderes dinamarqueses que serão obrigados a convocar um referendo se houver uma transferência de soberania para Bruxelas. (Honra seja feita ao Rasmussen que afirmou que no entanto uma decisão final ainda não foi tomada)
Portanto o que os dirigentes da Cê Ié Ié afirmam é que o tratado é apenas “terminologia diferente que não muda a substancia legal” da falida constituição giscardiana mas aparentemente “não é de natureza constitucional”!
O maralhal em Bruxelas deve estar a rebolar-se de gozo já a pensar nos milhares de novos tachos que vão ser criados com um novo super ministério dos negócios estrangeiros europeu com o seu próprio corpo diplomático, um presidente (dizem que vai ser o Tony Blá Blá) e milhares de outros “tachos” à sua volta, mais facilidade em aprovar leis relacionadas com política social, imigração e justiça o que vai resultar em novas leis vindas de Bruxelas aprovadas por uma crescente burocracia europeia que cada vez mais inventa mais necessidades jurídicas (tamanho das maçãs e peras) em que os parlamentos nacionais para os quais os europeus votam são cada vez mais impotentes e sem significado.
Em sistemas políticos em que governos têm poderes não restritos com base em maiorias parlamentares (como na maior parte da Europa) cuidado com a intenção desses governos dar ou delegar a uma supra autoridade esses ou outros poderes. Daí a necessidade de referendo.
De qualquer modo tenho a dizer vos que no meio disto tudo é bom ficar a saber que os dirigentes da UE são admiradores de um dos grandes “dirigentes iluminados ou esclarecidos” da historia europeia, Frederico o Grande. Foi ele quem afirmou: “O meu povo e eu chegamos a um acordo que agrada a ambos. Eles dizem o que querem; eu faço o que quero”.
Espero que isto não vos agrade.

Abraços,
Da capital do Império

Jota Esse Erre

2 comentários:

Anónimo disse...

Quem paga... ó CéIéIé...
trólaró... trolaré...
Pagamos NósIóIó...
trolaré... trolaró.
Uma colega minha tinha um caniche chamado Frederico
o "Pequerrucho".

Ana Cristina Leonardo disse...

grande texto! houve tempos em que se podia escrever assim nos jornais. não sei porquê, talvez a toada, fez-me lembrar a guidinha do saudoso staut monteiro. a brincar... a brincar...