domingo, 8 de julho de 2007

Marques Mendes

“(...)De facto, o líder do maior partido da oposição, intervindo com frequência na campanha (o que só lhe fica bem), não sai de um registo reviralhista e nacional, como se não reconhecesse os problemas de Lisboa. É claro que ele pretende ser alternativa ao primeiro-ministro, e não ao candidato do PS à Câmara de Lisboa. Mas o seu discurso é tão centrado nos apelos à "punição" do Governo que dá aos lisboetas a ideia de que os seus problemas não são tidos em conta, antes são instrumentalizados por uma lógica de legislativas.

Isto num cenário, pelo menos plausível, de derrota, é muito arriscado. Primeiro, por permitir ao adversário vir a reivindicar, para os resultados, um alcance maior do que o verdadeiro e legítimo, que é o municipal. Segundo, porque a lógica nacional da campanha transfere, do candidato para ele próprio, a usura da derrota.

Ora Marques Mendes traz consigo uma vida de militância partidária. Não é um novato. Sabe tudo isto muito bem. E, assim sendo, esta sua escolha só pode ser um "perdido por cem, perdido por mil". Uma dramatização de um mau resultado em Lisboa, que ele já não crê poder contrariar, a servir de justificação política para umas "directas" partidárias antes do congresso que a oposição interna pretende convocar. Mau agoiro para o PS, que decerto gostaria de o ter pela frente em 2009.”

Nuno Brederode Santos, Diário de Notícias 08/07/2007

1 comentário:

FernandoRebelo disse...

Quem perde com tudo isto é a 'polis'.
Qualquer Berardo chega e compra.
Grande exemplo para as novas gerações...
Esfalfas-te na escola, tentas cumprir o teu papel e, eles, nas tintas. Sonham com Berardos e lucros fáceis.
O desfile politiqueiro para a Câmara é tão patético como o das marchas populares. Mantêm a coisa porque lhes disseram que é "tradição", assim como o traje académico e as touradas e a prostituição tolerada.
Tudo isto existe, tudo isto é triste, tudo isto é uma data de gente que creseu à sombra de aparelhos partidários e nunca soube realmente o que era ganhar a vida. À séria.