domingo, 22 de julho de 2007

"Cidadania de miséria"

"(...) não é crível que, entre tantos candidatos e propostas diferentes, os lisboetas abstencionistas não encontrassem um voto à sua medida. Simplesmente, decidiram encostar-se àquele analfabeto lugar-comum dos mimados da democracia, que reza assim: 'Os políticos são todos iguais'. Esta frase é falsa, injusta e profundamente antidemocrática. (...)"
Inês Pedrosa, Única, Expresso de 21 de Julho de 2007

8 comentários:

Ana Cristina Leonardo disse...

o povo mimado e ignorante não compreende inês pedrosa, como também não compreende paulo portas

Armando Rocheteau disse...

Ana Cristina:
Permito-me discordar de si. Os lisboetas, quando muito, marimbaram-se para as propostas e candidatos. A democracia não se esgota em eleições de x em x anos; mas não vive sem eleições. E isso do povo não sei o que é. De qualquer modo António Costa foi o mais votado e a direita penalizada. Daqui a 2 anos veremos como tudo fica.
Abraço
P.S. Vivi muitos anos em Lisboa, continuo a frequentá-la e é a minha cidade de eleição. Teria certamente ido votar se aí estivesse recenseado.

Ana Cristina Leonardo disse...

eu tb. não voto em lisboa. teria votado se fosse o caso. inês pedrosa, porém, confunde política com moral. mas julga os lisboetas que não votaram (o povo, soît disant) e desculpa os políticos que progressivamente vêm mandando a política para o esgoto. a não ser que ela considere a hipótese de tornar o voto obrigatório, ideia que causa comichão ao meu, mesmo muito antigo, espírito democrático. porque a abstenção tb. quer dizer alguma coisa e nem toda a gente pode ser obrigada a ter um grau tal de politização que vá votar em branco. ou no candidato mais recente de inês pedrosa que, por acaso, quando se envolveu na história de ter um mandatário que aceita um cargo político a convite do governo (mesmo se exercito pro bono)terá contribuido ainda mais para o desinteresse dos lisboetas

Armando Rocheteau disse...

Rendido à sua, sempre inteligente argumentação, declaro que tb. me repugna o voto obrigatório. Mas política não tem que ver com moral? Claro que o nível de abstenção tem de deixar preocupados aqueles que têm responsabilidades políticas.

Armando Rocheteau disse...

Esqueci-me duma vírgula, pelo menos.

Ana Cristina Leonardo disse...

muitos mais vírgulas faltarão ao raciocínio tão eloquente de inês pedrosa. quanto à moral e política, com certeza, mas para me atirar a esse osso, só depois de jantar. custa-me pensar, mesmo que mal, com a barriga vazia

Anónimo disse...

Armando. Como diria Bakounine, apesar da diferenca de todos os contextos históricos, o sufrágio universal conduz ao poder a reaccao. A tese «é paradoxal", disse ele mesmo. Mas parece-nos luminosa. Eu ca«i agora em Lisboa. A primeira impressa remete-nos para um estado geral de insurreicao ética e militante contra os 7 anos de Governo de Lisboa pela famigerada Direita Portuguesa. Costa tem pouca margem de manobra. Mas é possivel governar sem os abutres da Direita. FAR em Lisboa

Anónimo disse...

Como diria FAR, "Costa tem
pouca margem de manobra. Mas é possível governar sem
os abutres da Direita". Uma coisa é certa: para haver continuidade estável na presidência da Câmara, Costa vai ter que fazer alianças. Não sei é se a representação da Esquerda entre os eleitos será suficiente ou estará disposta a juntar-se ao Costa. Lisboeta em férias.