quarta-feira, 4 de outubro de 2006

Tailândia: militares controlam apertadamente vida política

Um dos principais conselheiros do rei e antigo CEMGFA foi nomeado
PM pela Junta militar que prolonga, de facto,o estado de sítio sine die


É muito mau disfarçar a sua inépcia com o mal suposto dos outros, a sua incúria ou perfídia.O filme de terror que se vive em BangKok ilustra isso mesmo. Esta lei do divino Nicolas Maquiavel serve também para se aplicar à vida dos blogues, aos seus desaires e derrapagens fatais. Assistimos em casa alheia a um desses memoráveis desaires: sem base os postadores cairam no logro de pensar mal as coisas que , como um diabo esfrega um olho, se desenrolam no Médio Oriente. Foi um pandemónio de burrice e , como dizia Jorge de Sena, um realissimo festival de besteira(s).

Na Tailândia, o 2+2=5 revelou em primeira mão na blogosfera nacional os motivos do golpe de estado de 19 de Setembro., os factos políticos pos-golpe são preocupantes. Temos razão em assumir a continuação da novela. Não houve sangue no asfalto mas os partidários do pm deposto mais chegados foram detidos. Eram quatro e foram soltos no início desta semana. A Junta não revelou pormenores da investigação consumada. Não se sabe se a fortuna amealhada pelo pm em fuga está congelada. Ou se ele pode entrar livremente na Tailândia.

Quinze dias apòs se ter apoderado do poder com o consentimento tácito do rei,a Junta militar nomeou o principal conselheiro de sua majestade e antigo CEMGFA- uma espécie de Loureiro dos Santos lá do sítio - para PM. Ao mesmo tempo, a Junta promulgou uma Constituição de emergencia que fixa os limites rigorosos às Liberdades de Expressão e de Reunião, ao arrepio de promessas iniciais de menor intensidade.

O PM, o antigo general Suryud Chulanont, é dado como o grande modernizador das Forças Armadas no ínicio dos anos 2000. Esse desempenho colidiu com os interesses do partido do pm deposto agora. Finda a tarefa, Chulanont retirou-se para um convento budista, tendo sido cooptado pelo rei para a sua corte onde oficiava funções de alta responsabilidade. Os generais da Junta nunca esconderam as suas relações privilegiadas com a Casa Real, que estava a par do inacreditável processo de corrupção e nepotismo posto em acção pelo antigo pm e respectivo partido liberal de centro-direita.

Analistas políticos locais desconfiam que o futuro governo jamais venha a contar com civis no seu elenco. Entretanto, a Junta pretende garantir a nomeação de um elenco de cidadãos impolutos para a redacção de uma nova Constituição. Tal tarefa controlada pelos militares deve ser submetida ao rei, através de equipes formadas no seio do Conselho Nacional de Segurança. O que se sabe, no entanto, é que os EUA não estão muito satisfeitos com o volte-face das promessas dos putchistas em restituirem o poder aos civis, o mais depressa possível e sem grandes considerações anti-partidos.

FAR

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