quinta-feira, 5 de outubro de 2006

Armando,

Finalmente estou a ambientar-me neste meio etéreo de muitos cliques. Envio alguns desenhos que espero tenham alguma piada. Comecei a escrever “Como água suja para baunilha”. Estar parado tanto tempo fez-me esquecer como é um trabalho muito duro. É muita informação disparatada para integrar numa história com uma certa lógica.

O mundo actual e particularmente Portugal são um manancial de hilariantes acontecimentos para escrever centenas de livros. Sobretudo para mim que não sou escritor, nem pretendo ser, mas antes um arquitecto das banalidades de base quotidianas. Pego no lixo produzido pela nossa sociedade e construo um edifício que, no caso concreto, é um livro, porque composto de palavras. Parece-me que desta vez avança. Uma página por dia já me considero muito feliz.

Simultaneamente vou escrever o blog (se conseguir dominar o Macromedia). Quando Jorge de Sena foi para a Califórnia, e se referia ao Portugal de Salazar como o reino da estupidez, não sonhava que terminado o regime das ceroulas, se lhe sucederia a época do eterno jovem com mau penteado, e o consequente reino dos tolos. Por isso, escrever sobre Portugal é tão fácil. A tolice não tem margens, transborda como um Tejo a quem os espanhóis abriram as comportas.

Reparaste que o secretário de Estado das Comunidades foi cumprimentar o americano Graig C. Mello, prémio Nobel de Medicina, porque um bisavô do homem era açoriano. E botou falatório sobre como as gerações de luso-descendentes são importantes para o mundo. Eu, pela parte que me toca, preferiria que ele sacasse o número de telefone da nova Miss Mundo, que é checa de gema, e não checo-descendente.

Vivam os tolos! Que nos dão tanta matéria-prima para escrever.

Um abraço.

Maturino Galvão

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