terça-feira, 31 de outubro de 2006

Breves sobre o socialismo moderno

O socialismo moderno não rejeita o mercado, mas desconfia dele. Ao contrário dos neo-liberais ou dos comunistas, os socialistas não encontram nenhum tipo de valor positivo ou negativo no mercado; e têm a história pelas costas a dar-lhes razão. O credo neo-liberal no mercado é absurdo, porque se trata de evidente ideologia, extremada a quase uma religião; a rejeição do mercado pelos comunistas é absurda por provocar a paralisia social. O mercado, para o socialista moderno, é um instrumento, que deverá ser posto ao serviço da sociedade, e nunca o contrário.
Do mesmo modo, o socialismo moderno não deposita qualquer fé especial no Estado. Ao contrário dessa mentira tantas vezes papagueada pelos neo-liberais, sabe muito bem que o Estado não é uma invenção do socialismo. O moderno Estado Social é uma conquista de séculos, pela qual todos os esforços para a sua manutenção nunca serão demais, porque sabemos que o Estado Social não está inscrito em qualquer genética do Estado. Os neo-liberais pretendem fazer regredir o Estado ao seu papel anterior ao moderno Estado Social, ou seja, pretendem regressar ao Século XIX. Já os comunistas, ao advogarem que a produção esteja mas mãos do Estado, demonstram desconhecer a sua verdadeira natureza. O Estado não serve para produzir, mas para regular a sociedade no sentido da equidade e justiça social.
O socialismo moderno encontra-se entre duas ideologias extremadas e quasi-religiosas, o neo-liberalismo e o comunismo. É, neste momento, o único caminho moderno e progressista, que rejeita simultaneamente o "cada um por si" e o "todos por um", em nome de uma ideia que se recusa a abandonar, a de que todos os homens tem direito à felicidade.

(atenção: não confundir "socialismo moderno" com "José Sócrates")

7 comentários:

zero disse...

as mulheres não?!!

Anónimo disse...

Caríssimo André: Você joga na macroeconomia, o que é um bom ângulo de perspectiva para denunciar os excessos liberalizantes da política monetarista de inflação controlada e desemprego alto, no essencial. Esta pérola de astúcia e precisão de Joseph Stiglitz, do livro que leio para tentar apresentar no blogue: " " A mundialização e a liberalização do comércio têm aumentado os rendimentos globais( se o país consegue manter o pleno emprego, e este é um grande s.) Mas, o que acontece, é que com os
rendimentos que, em média aumentam, e os salários que, no nível mais baixo da escala, estagnam ou diminuem, tudo isso origina que as desigualdades irão crescer. (...) os salários reais na escala mais baixa dos rendimentos nos EUA, já entraram em estagnação há mais de 25 anos ". J Stiglitz, Un Autre Monde, ´págs. 369. Aliàs, o livro de Stiglitz, um nobel que até o dr. Soares compreende, é um compêndio de verdades nuas e cruas sobre o funcionamento- sucessos e travões- da economia mundial, ao nível empolgante da macroeconomia. Salut. FAR

timshel disse...

excelente post

Anónimo disse...

Por favor, vamos ler o Keynes agora que todos os Nóbeis se postilham contra as teses do famigerado " Consenso de Washington", caro a Friedman e seus émulos da Escola de Chicago, os verdadeiros sacralizadores da "Mãozinha Invisível" de Adam Smith. Existem uns volumes dos extractos dos 32 tomos das Obras Completas de John Maynard Keynes na Biblioteca de Bolso da Payot- Paris, pelo preço de uma boa colheita do Portugal Ramos de Portalegre e arredores. Como diz o Stiglitz, um sofisticado keynesiano matizado pelo proselitismo judaico, " O Estado tem um longo papel a desenvolver ". Salut! FAR

Willespie disse...

Um grande post sem dúvida.

Klatuu o embuçado disse...

Um post ridículo, só possível numa tremenda ignorância, política, histórica e da prática governativa dos governos «socialistas» neste país.

André Carapinha disse...

Klatuu:

O que é que não percebeu da parte «não confundir "socialismo moderno" com "José Sócrates"»?