
Beija-me pássaro, que a minha alma necessita do fogo.
Beija-me, que a minha alma vem do inferno dos dias todos que se amontoam uns sobre os outros, agora sim.
Beija-me que preciso que não tenhas medo de mim. Quero-te agora e até ao fim, não te quero a tua metade mais luminosa, quero acima de tudo a mais sombria, a mais difícil, a mais inacessível, e isto só porque te quero.
Por isso espero, fico, até ao fim.
A minha alma vem da morte. Morreu muitas vezes antes de nascer. Por isso espera, tranquila. Sei de tudo isto, mas preciso do teu beijo de pássaro.
Porque preciso de ti para voar. Não o sei fazer.
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