sexta-feira, 13 de abril de 2007

DA MORAL...

O que me preocupa mais é aquilo que passa para o cidadão comum, para os jovens...
Estar num cargo público (político) e servir-se do mesmo para obter benefícios pessoais é vil.
A isso já alguém chamou estar sentado à manjedoura do poder.
Quem serve a coisa pública há-de exigir-se uma rectidão a toda a prova, uma transparência irrepreensível.
Lembram-se, por acaso, de um dos presidentes desta república (a 1ª) que ia de sua casa até à sede da presidência num transporte público?...
Serão outros tempos, é certo, mas também vos direi que a verticalidade é intemporal.
A imagem que alguns dos políticos da nossa praça vão dando é a de que tudo é permitido, até mesmo o partido da oposição (PSD) se cala num claro sinal de não querer lavar em público a roupa suja que alberga no seu seio. Sabiamente remetem-se ao silêncio próprio daqueles que também padecem de idênticas mazelas.
A manjedoura do poder, porém, não é inesgotável porque a sustenta um país que está nas lonas.
Não há serviço público que não esteja à beira da ruptura: na Saúde, no Ensino, na Justiça, nas Finanças Públicas... Tudo se encontra votado ao oportunismo e ao arranjismo.
O presente Governo não sabe para onde vai, nem sabe para onde há-de ir.
A questão não está em saber se há ou não Licenciatura. É um problema mais amplo: o da moral.
É-me indiferente saber se o 1º ministro do meu país é licenciado ou não; importa-me, porém, saber que ele é impoluto, que não usa o seu poder (ou que nunca usou do seu poder) para dele ou através dele colher benefícios pessoais.
Não acho normal, nem natural utilizar papel timbrado de qualquer órgão público para tratar de assuntos pessoais.
O cidadão José Sócrates é isso mesmo: um cidadão que, devido à sua actividade política, ascendeu a cargos públicos.
O exercício dessa actividade não lhe confere o direito a fazer valer o cargo que ocupa como meio de obter benefícios pessoais.
Alguém que entra para um Governo com pretensões (e não só) de moralizar alguns sectores da vida pública expõe-se, agora, a uma questão "mesquinha".
Só mesmo quem se dispõe a que lhe atirem a primeira pedra...
Só mesmo quem sabe que esta gente que governa anda tonta e adormecida e não protesta, não contesta, nem se indigna.

3 comentários:

André Carapinha disse...

Excelente texto.

Anónimo disse...

Numa democracia representativa é natural que um dos principais governantes seja a representação do português médio - o que suborna o GNR na auto-estrada, o que esconde a cave para não pagar o imposto à câmara, o que arranja uma cunha para a cunhada na secretaria da escola.
O Zé está metido numa falcatrua - é verdade. Foi por vontade própria ou por exigências de um partido (e país) onde ele ambicionava escalar a hierarquia? Exigência de um "titulo" de encher a boca - porque dizer "Engenheiro Técnico Sócrates" não soava bem.
Era uma falcatrua que os seus inimigos políticos tinham como arma de chantagem. Chantagem à qual ele pelos vistos não cedeu - se calhar por amor a convicções? Sim, que nem só os extremistas as têm.

Táxi Pluvioso disse...

O texto só tem um defeito. Parte do princípio que o "bom selvagem", o puro, o idóneo, o incorruptível existem. Diz a experiência que só existe um tipo de homens que não se vende. Aqueles que não têm nada para vender.

Olhem à volta. Reparem se não ouvimos “não me vendia por dinheiro nenhum”, apenas da boca dos que, afinal, não têm nada para vender.