segunda-feira, 27 de março de 2006

Croco Dili

 
 
Pinturas de João Azevedo, em Timor Posted by Picasa

14 comentários:

Naked Lunch disse...

conheces a lenda?

Anónimo disse...

Não, conta!
Mas estes crocodilos são lindos!

Anónimo disse...

Há milhares, donde estes vieram. Queremos exposição!

Anónimo disse...

Ivone, são tão bonitos estes crocodilos! Há mesmo que ver os outros...Fazem-me lembrar os papagaios de papel. Crocodilos voadores? Mas afinal qual é a lenda? Amélia

Anónimo disse...

Não conheço a lenda, mas podes ver mais crocodilis no xitizap do Zé Lopes

Anónimo disse...

Ivone
a lenda do crocodilo está neste blogue.

Anónimo disse...

Jguitar, já me lembro... o crocodilo que não comeu o rapaz bom e se transformou em chão, na ilha que é Timor...
É isso, não é?

Anónimo disse...

As narrativas timorenses (lendas, isto é, a história como é dita e acreditada pelas pessoas normais) são povoadas pelos crocodilos. Apesar de tentativas de normalização, eles continuam presentes no imaginário como parceiros dos sonhos e da vida real. Tomam várias cores, nessas narrativas, segundo as zonas, as ocasiões, as intenções, as testemunhas. As mulheres de certos povos, em certos lugares, não são mulheres senão à vista, porque mal voltas as costas, são crocodilos. Um rei de um outro povo deu a filha mais velha ao crocodilo, para ganhar a guerra. Outro rei, de outro povo ainda, fez um acordo com os crocodilos para deixar passar os seus soldados, afim de surpreender o inimigo invasor pela retaguarda. Os crocodilos não te atacam se estás tranquilo, se tens a “consciência em paz”. Antes de os indonésios desembarcarem, em 1975, tal coisa foi largamente anunciada por muitos crocodilos que apareceram na baía de Dili. Uma conhecida lenda conta que a ilha de Timor tem a forma de um crocodilo, depois de velho e morto e de ter sido companheiro de um rapaz, que lhe foi muito amigo. Há sempre uma narrativa segunda a qual “na semana passada” os crocodilos vieram e levaram 4, 5 ou 6 pessoas. Esses animais são a parte escondida e mágica do espírito. Têm do bom e têm do mau.

Mas, atenção, esses animais existem e comem, de facto, pessoas, quando podem. Toda a região está infestada. Na costa norte da Austrália, por exemplo, é absolutamente proibido tomar banho nas praias, de Novembro a Abril. Eles pululam na baía de Darwin, por exemplo. São os saltwater crocodiles (Crocodylus porosus), que atingem facilmente 4 metros (às vezes mais) de comprimento, são ultrarápidos no ataque e vivem entre a água doce e a salgada. Existem desde há talvez 200 milhões de anos, são dos mais velhos sobreviventes, são hoje espécies protegidas.

Anónimo disse...

Muito simpático e eficiente este género de informação na hora e personalizada!
Abraços

Anónimo disse...

Sempre ao vosso dispor! Acrescento que o crocodilo aqui, como entre os aborígenes australianos (os últimos aristocratas, segundo Levy Strauss) e que eu visitei há alguns meses, é um animal sagrado (lulik), sendo considerado pelos timorenses como antepassado, daí o nome de avô, bei-nai. É o senhor das águas, o we-nai. Segundo o mito de origem, é considerado o responsável pelo povoamento de Timor.

Povoa as ribeiras e o mar por toda a ilha, no entanto, na costa sul é possível encontrar crocodilos em maior número.

Apesar de ser temido, não é visto como maléfico. Aliás, os timorenses acreditam que se
a pessoa estiver bem com a sua consciência, nada tem a temer deste animal.

Muito utilizado na representação figurativa artística, tem um simbolismo sem equivalente em Timor. Tenho esculturas de cópulas de mulher com crocodilo e de homem com crocodilo.
De Lacan: La vraie définition de phalus est le bâton dans la bouche du crocodile (nestes dias o francês está na boca do povo!).
"O crocodilo que se fez ilha" não é senão, e apenas, uma das lendas "mito fundador", já de Timor como um todo (paradigma mais moderno), talvez uma versão já do tempo colonial - mas não tenho a certaza - da qual se encontra uma versão adaptada de Luís Cardoso, publicada no suplemento da Revista Visão nº480 de 16.05.02. Está na revista nº 14 do Instituto Camões, um artigo de Luís Cardoso interessante (todo esse número, sobre Timor, é interessante, de resto, aconselho-o a quem tiver pachorra).
Eu trabalho mais com os "outros crocodilos", citando múltiplos frescos e actuais de uma civilização verdadeiramente totémica, desrespeitada, escondida e quase clandestina. Os crocodilos estão em toda a parte, apenas que mal en-foques os humanos. Também os temos em Lisboa e arredores?
beijinhos, joão

ps: o maior prazer meu é dar um pequeno prazer a quem os vê, aos crocodilos! Tenho mais e continuo a fazê-los. Aqui, os velhotes gostam muito, pensam que eu sou amigo deles (é um elogio), e que "apanhei visão" de acontecimentos verdadeiros!

João de Azevedo

Anónimo disse...

Sempre ao vosso dispor! Acrescento que o crocodilo aqui, como entre os aborígenes australianos (os últimos aristocratas, segundo Levy Strauss) e que eu visitei há alguns meses, é um animal sagrado (lulik), sendo considerado pelos timorenses como antepassado, daí o nome de avô, bei-nai. É o senhor das águas, o we-nai. Segundo o mito de origem, é considerado o responsável pelo povoamento de Timor.

Povoa as ribeiras e o mar por toda a ilha, no entanto, na costa sul é possível encontrar crocodilos em maior número.

Apesar de ser temido, não é visto como maléfico. Aliás, os timorenses acreditam que se
a pessoa estiver bem com a sua consciência, nada tem a temer deste animal.

Muito utilizado na representação figurativa artística, tem um simbolismo sem equivalente em Timor. Tenho esculturas de cópulas de mulher com crocodilo e de homem com crocodilo.
De Lacan: La vraie définition de phalus est le bâton dans la bouche du crocodile (nestes dias o francês está na boca do povo!).
"O crocodilo que se fez ilha" não é senão, e apenas, uma das lendas "mito fundador", já de Timor como um todo (paradigma mais moderno), talvez uma versão já do tempo colonial - mas não tenho a certaza - da qual se encontra uma versão adaptada de Luís Cardoso, publicada no suplemento da Revista Visão nº480 de 16.05.02. Está na revista nº 14 do Instituto Camões, um artigo de Luís Cardoso interessante (todo esse número, sobre Timor, é interessante, de resto, aconselho-o a quem tiver pachorra).
Eu trabalho mais com os "outros crocodilos", citando múltiplos frescos e actuais de uma civilização verdadeiramente totémica, desrespeitada, escondida e quase clandestina. Os crocodilos estão em toda a parte, apenas que mal en-foques os humanos. Também os temos em Lisboa e arredores?
beijinhos, joão

ps: o maior prazer meu é dar um pequeno prazer a quem os vê, aos crocodilos! Tenho mais e continuo a fazê-los. Aqui, os velhotes gostam muito, pensam que eu sou amigo deles (é um elogio), e que "apanhei visão" de acontecimentos verdadeiros!

João de Azevedo

Anónimo disse...

Um grande abraço, João Azevedo, de um crocodilo exilado em Lisboa.
Parcídio

Anónimo disse...

"apanhar visão" das verdades parece doença boa...

Anónimo disse...

Gosto dos teus crocodilos Dili!
Parabéns.