sexta-feira, 9 de dezembro de 2005

A questão da Constituição

Tem-se ouvido bastante da boca do candidato do PCP Jerónimo de Sousa a palavra "Constituição". Repete-a várias vezes ao dia, e reduz o seu programa presidencial praticamente a "defender a Constituição da República Portuguesa". É, sem dúvida, uma opção estratégica, mas incorpora nela também uma questão de fundo. A meu ver, Jerónimo faz bem em chamar a Constituição à liça, assim a trazendo para o debate público e valorizando. De facto, "defender a CRP" não é um simples pro-forma, nem adoptar uma posição neutra, isto porque a CRP é um documento específico regido por um sistema de valores identificável, como serão, obviamente, todas as outras constituições. É até lógico que Jerónimo a defenda, uma vez que a CRP incorpora nela um claro "código genético" de Esquerda, e representa um (poderoso) mecanismo de resistência ao neoliberalismo.
É preciso aqui introduzir um parêntesis. A nossa CRP tem algumas especificidades; primeiro, é das mais recentes do mundo ocidental, e portanto será também das mais avançadas quanto aos desafios do tempo presente. Segundo, foi redigida num ambiente revolucionário de clara influência da Esquerda, e mesmo as seis revisões constitucionais não puderam alterar completamente os valores progressistas que lhe subjazem. Separam-se aqui as águas: sendo assim, é também uma das menos adequadas do ponto de vista dos interesses neoliberais. Um individuo que concorde com o neoliberalismo achará a nossa constituição "retrograda"- preferirá a constituição americana de 200 anos antes, que é acima de tudo simplificada e vaga, e que não incorpora ainda os chamados "direitos de 3ª geração": ao trabalho, à saúde, à habitação e à educação. Percebe-se porquê.
A posição de Jerónimo de Sousa tem o mérito de nos lembrar as virtualidades positivas que a CRP representa num momento de crise geral do sistema. Seria bom que não a esquecessemos, assim dificultando o trabalho aos arautos do messianismo liberal, para quem tudo está bem menos o que lhes cheire ainda que levemente a "socialismo".

9 comentários:

Anónimo disse...

Eu também sou um acérrimo defensor da Contituição, sobretudo no Artigo em que a mesma diz que todos os portugueses têm direito a casa própria. Por mim ia mais longe e defenderia que, não só os portugueses têm todos direito a habitação própria, mas aínda que devem poder escolher o local e a dimensão. Eu já escolhi: Alto do Lagoal com vista para o Tejo e Piscina 12x5 m.

Anónimo disse...

analfa beto é sempre analfabeto... mais uma razão para a defesa da constituição, acabar com o analfabetismo

Anónimo disse...

Anónimo das 12:46,

É verdade, há que acabar com o flagelo do analfabetismo de uma vez por todas. E que tal já agora legalizar a prostituição para que a sua mãezinha possa descontar para a Segurança Social e desse modo ter direito à reforma?

André Carapinha disse...

Caro analfa beto: a constituição está do seu lado.
Designadamente, ao defender o ensino gratuito. Ora, o analfa beto está mesmo a precisar de um pouco de estudo para aprender a argumentar.
Tive uma cadeira chamada Epistemologia, e nunca me esqueci das 12 falácias da argumentação. A que usou é, penso, a 5ª. Hiperbolizar a argumentação da parte contrária. Acho que o analfa beto deveria estudar estes temas e assim aprender a esplanar a suas, certamente, válidas ideias, sem correr o risco de ser falacioso, como aconteceu. E eu desejo que o faça sem ter de pagar 900 euros anuais de propinas.

Anónimo disse...

Caro Andre Carapinha,

Percebo o seu orgulho por ter conseguido tornar-se um rapaz com estudos. E é organizadinho, pelo que se percebe, já que aínda tem presente a ordem pela qual aprendeu a debitar o que aprendia nas aulinhas. Muito bem rapaz. O detalhe "A que usou é, penso, a 5ª. Hiperbolizar " é delicioso. Não seria a 6ª ou a 7ª? Esperemos mesmo que seja a 5ª porque isso é decisivo.

Quanto aos 900 euros de propinas, acho um exagero também, já que isso deve equivaler a umas 45 sessões com a com a Célia do Sr. Aprígio. Por mim prefiro.

André Carapinha disse...

Caro Analfa Beto:

Está outra vez a hiperbolizar. Assim não consegue argumentar. Lamento.

André Carapinha disse...

Fui investigar e encontrei a sua falácia, caro Analfa Beto. E tem um nome sugestivo:

Espantalho:

O argumentador, em vez de atacar o melhor argumento do seu opositor, ataca um argumento diferente, mais fraco ou tendenciosamente interpretado. Infelizmente é uma das "técnicas" de argumentação mais usadas.

http://www.criticanarede.com/falacias.htm

Anónimo disse...

Caro Andre Carapinha,

Obrigado. Consigo estou sempre a aprender. Desde já lhe prometo que sou tentar usar menos a técnica falaciosa do espantalho.

Bem haja!

Anónimo disse...

Errata: onde se lê "sou tentar", ler "vou tentar".