domingo, 14 de maio de 2006

A família, as betas da linha e a Filó

Veio parar às minhas mãos esta semana o último número da revista Atlântico. Na minha modesta opinião, a única coisa que a revista tem de bom é o facto de vender pouco. O resto é mais do mesmo. Uma revista de amigos para amigos, com crónicas bem pagas. Quem assinou as suas confissões numa coluna sobre a FAMÍLIA a foi a Maria Filomena Mónica, a nossa “crida” MFM. Não sei porque razão, MFM e o seu Bilhete de Identidade têm sido um tema recorrente ultimamente em várias conversas entre amigos quando se fala de sexo e opinion makers. Não percebo o interesse das quecas da MFM com o Vasco Pulido Valente, quando andavam juntos. Para mim é como falar em geriatria e vida sexual após os 80. Mas, voltando ao que interessa. MFM escreve assim sobre a família na revista “Atlântico” de Maio: “É melhor viver no seio de uma família harmoniosa e culta do que entre grunhos despenteados e sujos, disputando entre si o afecto, o status e o dinheiro”. O que significa, à contrário, que nas famílias “harmoniosas e cultas”, não há grunhos a disputarem afectos, status e dinheiro. MFM continua uma gracinha e sempre da linha. Mas isto parece-me uma fraqueza. Os seus detractores dizem que sempre foi assim. Uma fraca desgastada. Mas eu não. Nem penso que seja grunha nem despenteada. Mas andando. Um pouco mais à frente, acrescenta: “ao longo dos séculos, fizeram-se muitas experiências no sentido da substituição da família, mas todas falharam, incluindo as comunidades hippies, que sempre me pareceram detestáveis”. Não posso estar mais de acordo. Se há coisas detestáveis eram as comunidades hippies, freaks e outros marginalismos militantes. Aquilo era tudo uma rebaldaria, que nem se chegavam a saber bem quem eram as suas famílias. Um perfeito horror. MFM descreve no seu BI (pág.159) a sua procura por uma identidade icónica na Londres plebeia no início dos anos 60. Queria modelos que pudesse copiar. Não os encontrou. Só anos mais tarde, o click veio quando apareceu Julie Christie e a nossa baronesa Marianne Faithfull. MFM é condescendente. Podem ser ovelhas negras, hippies até, desde que venham de famílias bem. Podem ser taradas, heroinómanas, e tudo o mais, mas noblesse oblige. Percebeu isso cedo e ao que parece defende esta bandeira na trincheira da “sua esquerda”. Também foi isso que me guiou toda a vida. Mas, no fundo, o que eu queria mesmo era foder as famílias bem. Taras de gajos radicais de esquerda. Já Freud alertava para esses recalcamentos. Mas as coisas correram mal. Hoje, a minha vida é um pesadelo, e tem muito a ver com a personagem da série “O Fugitivo”. É que as betas da linha não perdoam e jamais esquecem.

10 comentários:

Anónimo disse...

Oli, a MenaMónica não!

Anónimo disse...

Apesar de ser um bom naco de prosa, acho que há espécimes que só podem ser tratados com a maior indiferença, sobretudo quando mijam fora da sua especialidade.
Que falemos deles e das suas caganças é o que eles querem.
E, para sorte deles, o papel aguenta tudo.

Anónimo disse...

MFM na cama com VPV- A MFM foi mesmo pioneira na libertinagem intelectual, conforme demonstra no " Bilhete de Identidade" . O pior é que nao o assumiu. Penalizou todos os homens que a seduziram por estreiteza de vistas e má consciência. O fabuloso VPV sofreu mesmo muito: depois de a ter seduzido teve" desastre" no leito, tanto em Lisboa como em Oxford.( Ver relatos págs. 213 e 244... pelo menos). De qualquer das formas, se o amor é tudo- paixao,ódio e sexo- sente-se que MFM rende uma infinita homenagem à inteligência e iconoclastia plena de charme e bom gosto do nosso "soarista" de servico permanente em 2006. FAR

Anónimo disse...

O Óli no seu melhor.

Gandre regresso à sua forma habitual.

Se não for tão picuinhas no arrumar da viatura, vai ver que a fortuna lhe sorri.

Continue nesse tom e mantenha o humor,
Votos do seu,
Bak

Anónimo disse...

Bak
Obrigado e volte sempre.
Não faça cerimónias.

Oli

Anónimo disse...

Concordo...matenha o humor e principalmente o tom, Ólindo!

Anónimo disse...

Isto parece uma conspiração.
Filó, és tu?

Oli

Anónimo disse...

Yes, love!

sabine disse...

Li o "Bilhete de identidade", gostei e recomendo. Agora, a prosa que reproduzes é intragável. MFM vai de mal a pior. :(

Anónimo disse...

Your are Nice. And so is your site! Maybe you need some more pictures. Will return in the near future.
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