Era para ir ao Músicas do Mundo mas cancelou. Mas haverá uma próxima, espera-se.
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Ainda Dili (21)
quarta-feira, 14 de maio de 2008
Citações universais esparsas de António Maria Lisboa (1)
" Houve centro? e a haver não seria esse Magnífico Sá-Carneiro de que todos se serviram e perante o qual Pessoa perde todas as pessoas porque Sá-Carneiro é o seu assassino?A que distância um do outro: Pessoa, o capacho-confesso, Sá Carneiro…um Esfinge-Gordo, exacto! Um, um literato, fazendo um esforço de Quatro para não recuperar o meio – fracassando; o outro, excesso do meio!, toda uma " Confusão " dum " tempo incerto ", de " pés fincados na terra ", embora nem sempre a cabeça os acompanhasse- e ainda bem, claro ". ( Resposta a uma entrevista de Adolfo Casais Monteiro sobre o Movimento Surrealista em Portugal, in D.Popular, 30 Agosto 1950. Texto inserto no volume de "Poesia de A.M. Lisboa, realizado por M.C. de Vasconcelos, Editora Assírio e Alvim, 1995, Lisboa.
FAR
o triunfo dos santos
Zen (6)
Da Capital do Império
A próxima vez que ouvirem um dos misantropos-ambientalistas falar da guerra contra “as mudanças climatéricas”agarrem-se ao vosso dinheiro e comecem a açambarcar cereais.
Digo isto porque a crise dos preços dos cereais acaba de demonstrar que em grande parte o “ambientalista” faz hoje parte de uma teoditice que sabe “ouvir a natureza”, um ponto de vista filosófico do mundo em que o mal é sempre o homem e o desenvolvimento. Tal com os generais de outras guerras os “ambientalistas” estão dispostos a destruir a cidade para a salvar, neste caso dispostos a deixar morrer os homens para salvar o mundo. O que não é de admirar pois neste teoditice o homem e o desenvolvimento são Satanás, a força do mal na natureza perfeita e benigna, tal como no passado recente o desenvolvimento económico era sinónimo da exploração do trabalhador. Alguns dos ambientalistas até gostam de abraçar árvores como sinal de compreensão e amizade .
Esta teoditice nada tem a ver com a realidade dos factos e como muitas outras idioticies ideológicas e filosóficas vem embrulhada na distorção de factos científicos e em pseudo-ciência (lembram-se do socialismo científico?) com resultados graves e em certos casos catastróficos para a população, principalmente aquela dos países pobres que tende sempre a ser a primeira vítima dos missionários e das suas novas ideias de como salvar o mundo.
Voces devem lembrar-se em como ainda muito recentemente uma das palavras de ordem dos misantropos-ambientalistas era “não queimem combustíveis. Platem-no” (“Don’t burn fuels. Grow it”). A malta toda achou essa ideia genial.
Os dirigentes da UEtopia adoptaram uma resolução pela qual os países membros terão que estar a produzir 10% dos seus combustíveis para uso nas estradas a partir de biocombustiveis até ao ano 2020.
O governo americano (do Bush é verdade!), bem apoiado pelos ambientalistas e com a claque ensurdecedora do enorme lobby da indústria agrícola adoptou uma lei mandatando a produção de 36 mil milhões de galões de biocombustiveis até ao ano 2022, ou seja, quintuplicar essa produção de 2006 até ao ano 2022. Ou seja, até 2022 28% da produção de cereais dos Estados Unidos (os maiores doadores de ajuda alimentar do mundo) terão que ser gastos em biocombustíveis. Para encorajar isto nada melhor do que um subsídio para os agricultores
Cheios de boas intensões os misantropos-ambientalistas transformaram a oferta de alimentos no mercado numa subsidiaria da indústria de energia, tornando o valor dos cereais mais alto como combustível do que como alimentos.
Presumo que como quem vai passar fome são os pobres em partes esquecidas do mundo, a malta no mundo desenvolvido pode continuar a sentir-se bem porque está a salvar o mundo das “mudanças climatéricas”. (Aparentemene já não se diz “aquecimento global” porque parece que o tal aquecimento não é muito aquecido)
Seria bom se esta batalha pelos biocombustíveis na “guerra contra as mudanças climatéricas” fosse a única idiotice dessa “guerra” mas não é. Depois do falhanço do Protocolo do Kyoto I vem ai o Kyoto II que tal como o Kyoto I tem tantas possibilidades de ser aplicado como o etanol tem de dar de comer aos esfomeados do Haiti. Eu não sei bem o que quer dizer “triliões” mas aparentemente e de acordo com essa instituição super ambientalista que é a ONU é isso que vai custar em termos de PIB um tal Kyoto II. O Protocolo do Kyoto se tivesse sido totalmente aplicado teria custado 180 mil milhões de dólares anuais. E se tivesse sido aplicado totalmente teria (provavelmente) reduzido o aquecimento global até 2012 em 0,1 graus FARENHEIT o que na prática é … quase zero. O que teria atrasado em cinco anos o tal aquecimento global PREVISTO PELOS AMBIENTALISTAS que dizem que nos próximos cem anos a temperatura global vai aumentar entre 1,8 e 4 graus centígrados. Não têm a certeza. Eu tambem não sei se na próxima semana a temperatura vai aumentar um ou dois graus e o meu serviço meterológico não me pode dar a certeza..
Mais: cortar uma tonelada de COs na atmosfera custa $20 a tonelada. Os danos causados por uma tonelada de CO2 na atmosfera são $2 (dois). E isto com base no facto que o o aquecimento global foi no século XX menos do que 1 grau centígrado (é verdade) e que, vejam lá, ainda não houve aquecimento global este século.
Creio eu que os tais “triliões” de dólares seriam mais bem gastos em preparar e combater os efeitos do tal aquecimento global que hoje é convenientemente chamado de mudanças climatéricas.
Foi Einstein quem disse que a loucura é repetir-se os mesmos erros esperando resultados diferentes recusando a realidade dos factos.
Agarrem-se pois às vossas carteiras e comecem a açambarcar cereais.
Abraços,
Da capital do império,
Jota Esse Erre
terça-feira, 13 de maio de 2008
Putin cria Governo restrito com incondicionais e liberais
O todo-poderoso PM russo, o incontornável chefe da maioria presidencial, Vladimir Putin, divulgou já com a maior das celeridades a composição do seu primeiro governo. Um liberal , próximo do PR Medvedev, Alexei Kudrin, foi indigitado para vice-PM e ministro das Finanças, numa jogada para agradar ao Oeste, segundo caracterizou o F. Times hoje.O PR irá substituir o director do FSB, ex-KGB. O grande rival de Medvedev, o terrível Sergei Ivanov, foi despromovido a ministro sem pasta.
A grande novidade da equipa de Putin prende-se com a transferência que organizou dos seus principais conselheiros, que passaram do Kremlin para a chefia do Governo como aliados e conselheiros de um inner circle muito restrito. Igor Shuvalov, um antigo liberal e ajudante no Kremlin, passou a vice PM responsável pelas Relações Económicas Internacionais, e irá negociar o processo de adesão da Rússia à Organização Mundial do Comércio além de ter funções específicas para tentar revitalizar o enfraquecido tecido das PME , pólo decisivo para a retoma económica sustentada da economia.
Igor Sechin, um dos líderes da ala "dura" do poder, irá trabalhar ao lado de Putin na Casa Branca de Moscovo, assim se chama o imóvel da sede do governo. Sechin, que era considerado um hábil manipulador e uma figura parda do Kremlin, irá ter que resolver as magnas questões da Política Industrial e do Ambiente. Dois homens da máxima confiança de Poutin, Sergei Sobyanin, e o ainda PM, Viktor Zubkov, serão os dois vice-PM ao lado do incontestável maestro da política russa. O chefe da administração presidencial de Dmitri Medvedev será Sergei Naryshkin, antigo vice-primeiro ministro.Os restantes ajudantes do novo PR são caras novas:tecnocratas e liberais? A ver vamos…
A posse do novo governo deve ter lugar nos próximos dias. Os comentadores internacionais inquietam-se com a desmesura e o sistema constitucional fechado a sete chaves confeccionado por W. Poutin. O novo PR pode ser destituído por decisão do Parlamento(Douma), onde o partido chefiado pelo antigo presidente tem a maioria absoluta. Os desafios económicos e políticos em que a Rússia está envolvida são gigantescos: sem combater a corrupção e a burocracia- os dois males maiores- os prodigiosos planos de investimento e modernização industriais e de infra-estruturas- no valor de vários triliões de dólares – arriscam-se a serem perigosamente minados e tornados inoperantes.E depois será o caos e a Europa do Oeste pode ficar numa pantanosa situação, a vários títulos.
FAR
Azagaia

Este rapper faz mais pelas liberdades do que todos os engagés intelectuais, escritores e jornalistas de Moçambique.
Que nunca a voz lhe doa!
As Mentiras da Verdade.
Sinais
A 13 de Maio Ana Cristina Leonardo confessa-se

Provavelmente já nem os implicados se lembram. Celebrava-se o 13 de Maio e o jornal era de extrema-esquerda. Bom, na altura de extrema já não teria muito mas a secção cultural do dito – da qual a humilde signatária deste post fazia parte, sim, que eu não sou como alguns que quando lhes lembram o passado se põem a assobiar para o alto dando-se ares de respeitáveis colunistas adeptos desde a mais tenra idade da «sociedade aberta» – adelante: a citada secção alimentava um saudável e semanal espírito anarquista que incluía socas lançadas à cabeça dos membros mais obtusos (que nós cultivávamos muito a inteligência e na altura usavam-se muito socas sendo portanto o que tínhamos à mão...), caralhadas e murros na mesa quando era preciso, tudo isto, julgo não mentir, regado apenas a café de saco que a malta nesses tempos vivia tesa embora feliz.
Celebrava-se, pois, o 13 de Maio e resolvemos fazermo-nos ao assunto. Publicaram-se vários textos – devidamente enquadrados por uma análise sociológica que pretenderia dar uma certa credibilidade à desbunda, a qual, análise, sairia assinada por conhecido arquitecto, na altura ilustre desconhecido, e cujo conteúdo retomaria apenas, penso não mentir, aqueles clichés da religião ser o ópio do povo, bla, bla, bla, que OVNIS não era assunto que um marxista se dignasse referir –, e é um desses textos que lembro sempre com particular clareza e distinção no 13 de Maio. Rezava assim (cito de cor):
Estavam três pastorinhos a pastorear muito sossegadinhos em Fátima quando, de súbito, avistam a Nossa Senhora em cima de uma azinheira (julgo que é uma azinheira mas se me estiver a enganar na árvore que isso fique por conta da minha ignorância dos meandros da coisa). Estupefactos, mantêm-se mudos e quedos até que um deles mais afoito (não recordo qual) avança e pergunta à aparecida, gargarejando a tirada do Frei Luís de Sousa:
– Quem és tu?
A senhora, sem se deixar intimidar pelos clássicos, responde:
– Sou a Nossa Senhora e venho trazer a verdade ao mundo.
É então que outro dos pastorinhos (e a este também não consigo nomea-lo), dá uma cotovelada para o lado (posso estar a inventar a cena da cotovelada) e comenta:
– Outra marxista!
Já não sei se o texto terminava assim mas sei que deu direito a carta de um leitor anónimo – que, por acaso, viemos mais tarde a identificar embora alguns anos antes dele se transformar num respeitável director dos nossos media (visto que também por lá andava mas era dos sérios, nada de socas...) – que se indignava com a falta de respeito demonstrada pela supracitada secção cultural pelos leitores católicos, carta a que respondemos, com coeso espírito de grupo, dizendo que o jornal não tinha leitores muito menos católicos. Depois separámo-nos todos e a maioria de nós fez-se à vida, com o anónimo a subir altíssimo na carreira.
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Sartre está vivo!
" Nós só seremos honestos,caso não nos resignemos ", escreveu Sartre antes de morrer. O genial escritor de " A Náusea" e o grande filósofo da " Crítica da Razão Dialéctica", tem ainda inéditos parte substancial dos seus escritos da última fase da vida , relativa aos "anos da brasa / 70´s". J-Pierre Barou em artigo hoje publicado no Libé, implora à sua filha adoptiva a urgência em tornar públicas tais mensagens. de grande fulgor politico; e onde ressaltam as maravilhosas contradições do Sarte -filósofo e do escritor panfletário.
Urge acabar de publicar tudo. JP. Barou condena os processos de intenção e de falcatrua históricos que tentam destruir o impacto moral da obra de Sartre. Invoca o pouco entusiasmo que as comemorações do primeiro centenário do seu nascimento provocaram em 2006.Há ainda demasiadas sombras e falsas legendas sobre os últimos anos de vida do filósofo-militante, que Foucault e Deleuze celebraram entusiasticamente sempre como modelo de vida e de escrita.
A última fase da vida de Sartre– onde ele se assumia por anarquista- ainda está mal elucidada e compreendida. As polémicas relações com Benny Lévy, o seu secretário, normalien e filósofo, criador da Gauche Proletarienne, antecessora das brigadas vermelhas germano e italianas, tardam em ser monitorizadas, de modo a acabar com os processos de culpa infundados e ardilosos.
Barou fala do livro de Lévy, que morreu há três anos em Jerusalém, " Pouvoir e Liberté ", espécie de cura psicanalítica da tentação anarco-guerrilheira, onde se provam as cristalinas relações entre o mestre e o seu fiel discípulo. E aconselha a depositária do " baú" Sartre, a sua herdeira Arlette Elkaím-Sartre, de publicar, quanto antes, o Situations-XI, com os textos políticos do jornal " La Cause du Peuple", para que a verdade seja reposta sem ambiguidades.
Ce que Sartre nous a légué de plus précieux, c’est une morale. Elle se ressource dans ces années maos, à Lens, à Billancourt, à la Goutte-d’Or. Elle se précise dans son dialogue avec Benny Lévy, devenu son secrétaire, en 1973, quand il perd la vue. Leurs méditations nous valent, à trois semaines de sa mort, cette déclaration capitale de Sartre : «La philosophie de l’histoire n’est pas la même s’il y a une histoire juive ou s’il n’y en a pas. Or il y a une histoire juive, c’est évident.» Il y aurait donc une histoire parallèle et le peuple juif l’incarne particulièrement.
Hannah Arendt pressentait dès 1963 que «dans l’économie de l’avenir vouée à l’automation, les hommes seront tentés d’exterminer tous ceux dont l’intelligence ne dépasse pas un certain niveau». Nous y sommes, avec ces gens dont on abrutit, par les nouvelles formes d’automation, l’informatique aidant, l’intelligence et la conscience. Ce «Toi» n’a jamais été autant menacé et Sartre jamais aussi nécessaire quand il appelle à une révolution ; mais sans la terreur car cette unité ne saurait être décapitée.
Comme il manque ce «Situations XI» qui regrouperait les textes des dix dernières années, et notamment ceux de la Cause du peuple. Ses réflexions sur la justice populaire - les victimes de l’amiante pourraient s’en saisir. Son adresse aux jeunes taulards : «Nous ne sommes des honnêtes gens que parce que nous nous sommes résignés !» Son interpellation du système politique : «Le gouvernement est constitué de telle manière que les individus qui le composent agissent comme des truands.» Son appel à «juger la police». Alors, Arlette Elkaïm-Sartre, vous son exécutrice testamentaire, autorisez enfin leur publication ! Rendez Sartre à Sartre, à la totalité dont il se réclamait, à deux ans de sa mort : «Il y a une unité intellectuelle dans ma vie, depuis le départ, la Nausée, jusqu’au traité moral, à la fin.»
FARZen (5)
domingo, 11 de maio de 2008
Mambo 44
Apesar de não constar propriamente do nosso alfabeto, é uma instância corporal antes até de constar das nossas crenças poliglotas e suores académicos se os há.









