quarta-feira, 16 de abril de 2008

Saigão (5)


(Ho Chi Mhin City) Saigão. Vietnam.2008

Foto FFC

Os vinte e nove Sonetos de Amor de Étienne De La Boétie

Soneto X

Je vois bien, ma Dordogne, encor humble tu vas:

De te montrer Gascogne en France tu as honte.

Si du ruisseau de Sorgue on fait ores( maintenant) grand compte,

Si( cependant) a-t-il bien été quelquefois aussi bas.


Vois-tu le petit Loir, comme il hâte le pas?

Comme déjà parmil les plus grands il se compte?

Comme il marche hautain d´une course plus prompte?

Tout à côté du Mince( Mincio), et il ne s´en plaint pas?


Um seul olivier d´Arne ( Arno), enté au bord de Loire,

Le fait courir plus brave, et lui donne sa gloire.

Laisse, laisse-moi faire, et un jour, ma Dordogne,


Si je devine bien, on te connaitra mieux ;

Et Garonne, et le Rhône, et ces autres grands dieux

En auront quelque envie, et possible vergogne.


FAR

Mambo 41

Se ao menos o silencio fosse escorregadio, teria um propósito.
Sempre um se poderia tombar nele e deslizar sem horizonte fechado que apouque, nas avantajadas costas das palavras, nessas desrodas eficientes que permitem o transporte para o interior de alguém, uma vez que o destinatário não se comporte como em tempo de guerra uma estratégica fronteira que existe apinhada de enfartamentos, nem que seus pensamentos de primeira fila, queiram na vida ser a criança que louca se estreita atrás do tronco de árvore no quintal, para não ser a próxima a ter que estar cega, a contar até cem a cada minuto em que se desajeita no encontro com os demais, enquanto progride na audição de si mesma.
As palavras não são blindadas.
O silencio, sim.
Se nele não chove.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Itália: PC fora do Parlamento e Berlusconi quer ser PR

Berlusconi, que quer ser acima de tudo P. da República, vai ter que provar e realizar as promessas que semeou nos últimos dias da campanha, sobretudo as de natureza fiscal. A Itália irá ser governada por uma coligação de centro-direita, onde a ala radical, Liga do Norte, ganhou pontos pelo peso eleitoral que averbou. A coligação vencedora, PDL, encaixa o novo partido de Berlu que consegiu 33 por cento dos votos dos 46 da vitória. A Liga e a União Democrata Cristã, de Cassini, obtiveram o restante. O P.Democrático, de Veltroni, obteve cerca de 39 por cento dos votos.

Com uma dívida pública monstruosa (104% do PIB), um desemprego camuflado e endémico nos principais centros populacionais e um forte e crescente super-endividamento das famílias, a Itália acordou de um pesadelo pela queda do governo arco-íris de Romano Prodi, que quis restaurar o equilibrio macroeconómico da economia transalpina. Ao contrário da política de recuperação social e económica da Esquerda, com uma panóplia de medidas caras ao investimento e ao incremento tecnológico indispensável, Berlusconi tirou partido das receitas orçamentais de duvidosa eficácia " vendidas " por Sarkozy e GWBush, como era óbvio, uma espécie de Robin dos Bosques ao contrário, tirar aos pobres para dar aos ricos.

Nesta entrevista com Luca Ricolfi, clicar aqui, o grande sociólogo da Universidade de Turim põe a tónica o mau funcionamento do Estado, na disparidade crescente entre o Norte e o Sul do país, no peso da Mafia e da Cosa Nostra no endividamento público. Chama a atenção para a fragilidade dos amortecedores sociais do Estado: fundo de desemprego minoritário e selectivo.Fraca assistência social
e um preço médio de fontes de energia muito acima da média europeia, o que torna vãos os esforços de modernização industrial.

Pourquoi l’Italie est-elle au dernier rang de l’UE?
Parce que l’énergie et les transports grèvent notre économie. En 1987, l’Italie a décidé de renoncer au nucléaire mais elle n’a pas développé d’autres sources d’énergie. L’électricité coûte en moyenne 20 % de plus que chez nos principaux voisins. L’autre grand problème est celui du mauvais fonctionnement de l’Etat, qui gaspille les fonds publics. Les amortisseurs sociaux sont en Italie nettement plus réduits qu’en France ou en Allemagne : il n’y a pas de véritables indemnités de chômage sauf pour les employés du secteur public ou des grandes entreprises, ni d’aides pour la pauvreté extrême, ni suffisamment de crèches ou de soutien pour les personnes âgées. La gauche de la gauche, comme les communistes de Rifondazione, ont eu, à cet égard, raison de demander une augmentation des dépenses sociales. Mais l’Etat dilapide ses ressources par ses dysfonctionnements structurels. Un exemple: si les vingt administrations régionales de la péninsule fonctionnaient toutes comme les deux ou trois qui marchent le mieux - la Lombardie ou certaines régions «rouges» comme l’Emilie-Romagne - le pays économiserait chaque année 90 milliards d’euros, trois fois le déficit public de l’an dernier et 6 points du PIB ! Des zones comme la Campanie, la Calabre et la Sicile, où sévissent les diverses mafias, dépensent 50 % de plus que les autres régions du Sud, à cause des travaux publics inutiles ou surévalués et à cause d’un nombre d’emplois publics trois ou quatre fois plus élevé qu’ailleurs.

Que vont changer ces élections ?Le candidat du Parti démocrate (centre gauche) Walter Veltroni a été le plus courageux en promettant de réduire de 15 milliards d’euros par an la dépense publique pendant cinq ans. Personne n’y a jamais réussi. A droite, l’ambition s’est limitée à 5 milliards d’euros d’économies par an et une promesse de «révolution culturelle» dans l’administration publique. On peut rester sceptique sur ces engagements. Les réformes sont d’autant plus difficiles à mener que les caisses sont vides et l’endettement public atteint 104 % du PIB. Il faudrait miser à fond sur les entreprises, leur redonner de l’oxygène, relancer la croissance. Mais en Italie, la gauche comme la droite doivent tenir compte du consensus social, avec l’idée bien ancrée dans l’opinion que l’argent que l’on retire à l’Etat est de l’argent que l’on retire aux pauvres ou aux familles. D’où le souhait exprimé par de nombreux éditorialistes avant le scrutin d’un match nul électoral qui imposerait la création d’une grande coalition pouvant mener à terme certaines réformes parmi les plus urgentes.

Les inégalités continuent-elles de se creuser ?La misère a incontestablement augmenté. 20 % des familles ont recours à l’endettement pour subsister alors qu’il y a quinze mois, elles n’étaient que 12 %. Cela s’explique par l’augmentation des remboursements des crédits immobiliers et par celle du prix des biens de première nécessité, mais aussi par la pression fiscale accrue. Celle-ci est l’œuvre du gouvernement sortant de Romano Prodi. En revanche, malgré une idée communément admise, le fossé entre le Nord et le Sud ne se creuse pas, même s’il reste énorme : le revenu par tête des régions les plus développées reste de 30 % à 40 % supérieur à celui des zones les plus déshéritées.


FAR

United Nations Volunteers

"This is the internet awareness-raising page of an independent essay writer. It targets historians and military personnel among others who have a clear European vocation in foreign policy and defence issues.
Also, the Eurocorps-Foreign Legion concept and the raising of a Single European Regiment is presented to the internet community as an essential evolution in the European defence identity for several reasons: firstly, as an essential conceptual response to the massacre of Srebrenica after the withdrawal of United Nations peace-keepers on 11th July 1995; and, secondly, as a vital and commensurate evolution in the defence field following the introduction of the Single European currency, the Euro, on the 1st January 1999. (...)"

Mario Zanatti

http://paginas.pavconhecimento.pt/pessoais/dw/Mario_Zanatti/INDEX2.HTM

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Ainda Dili (16)


Pintura João de Azevedo

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Terra

Somewildwish/29
foto:g.ludovice

Allan D. Bloom: Weber e Nietzsche

" Weber designa Nietzsche como o ponto de partida comum dos pensadores admiráveis do séc.XX. Indica-nos também qual é o único problema fundamental: a relação entre a razão, ou a ciência, e o bem. Quando fala da " felicidade " ou do " último homem", Nietzsche não quer dizer que o "último homem" seja infeliz, mas únicamente que essa felicidade é nauseabunda. Para se compreender acertadamente a situação em que nos encontramos, é preciso possuir a experiência de um desprezo profundo; ora a nossa capacidade de desprezo está a desaparecer. A ciência de Weber pressupõe esta experiência, que se pode classificar de subjectiva "
In Allan D. Bloom, A alma desarmada.Ensaio sobre o declínio da Cultura Geral. Edit. Julliard.Paris
FAR

domingo, 13 de abril de 2008

Terra

African Woman/15 (Angola 2006)
Foto:g.ludovice


"Nada nos protege melhor da estupidez do preconceito, do racismo, da xenofobia, do sectarismo religioso ou político e do nacionalismo excludente do que esta verdade que sempre surge na grande literatura: todos são essencialmente iguais. Nada nos ensina melhor do que os bons romances a ver nas diferenças étnicas e culturais a riqueza do legado humano e a estimá-las como manifestação da multifacetada criatividade humana."
Mario Vargas Llosa

A propósito da Educação

Jean Paul Sartre seria fulminado como professor, nos dias de hoje ?

“(...) Os estudantes de Sartre no Lycée François I nunca tinham conhecido ninguém como ele. Estavam fascinados por este homenzinho roliço, que aparecia na escola com um velho casaco de tweed –sem gravata– sentava-se em cima da secretária, com as pernas a abanar e arremessava ideias para o ar sem nunca olhar para os seus apontamentos, como se estivesse a falar com amigos.
Ele não era como os outros adultos. Levava as ideias muito a sério mas não levava minimamente a sério a sua posição de autoridade.
Nunca falhava aos estudantes e quase nunca lhes dava notas negativas. Até os deixava fumar nas aulas.
(,,,) Não tinha nada de snob e parecia não haver tema que não lhe interessasse. Era da opinião que tudo nos dizia qualquer coisa sobre a civilização contemporânea. “Vão muitas vezes ao cinema”, dizia-lhes.
Era um imitador brilhante e tão engraçado e inventivo que conseguia provocar risos até numa aula de Filosofia.
Sartre parecia não preocupar-se com as coisas com que os outros adultos se importavam. Os estudantes que chegaram a ver o seu quarto de hotel, ficaram chocados pela sua austeridade espartana. Ele disse-lhes que tinha poucos bens e que não estava interessado em aquisições materiais.
(...) Os seus alunos sabiam que ele estava a trabalhar num romance que continha as suas ideias sobre contingência e liberdade. Às vezes em algumas noites encontrava-se no café com dois ou três dos seus alunos. Fazia-lhes perguntas e eles davam por si a conversarem sobre todo o tipo de coisas. Ele era encorajador e fazia-os ver que tinham opções. Por vezes jogavam póquer, ou Sarte ensinava-lhes canções picantes.(...)”
In: Sartre e Beauvoir, Hazel Rowley, Ed Caderno

W.Street Journal: a terrível sucessão de Thabo Mbeki na África do Sul

São entrevistas fantásticas, conclusivas e muito trabalhadas, as que o The Wall Street Journal-Europe oferece. A realizada com o provável successor do PR sul-africano, o actual líder do ANC, Jacob Zuma, não foge ao timbre de alta qualidade. Está lá tudo, o que importa saber. E as questões mais dificéis- acusações de violação de uma adolescente- não são evitadas. Bem como as de alta corrupção com a compra de armamento ao construtor francês, Thomson-CSF. " Outras luminárias do ANC estão implicadas no negócio, mas agora, e de novo, novas investigações criminais perseguem o líder, J. Zuma ", frisa o jornalista. Paira o espectro de Mugabe sobre a poderosíssima África do Sul, sublinha Matthew Kaminski.
Jacob Zuma, de etnia Zulu, é um populista. Antigo membro do aparelho de segurança do ANC, ganhou fama por emprestar a sua voz nos funerais e nos comícios de militantes do ANC, ao longo dos anos. Seduziu os deserdados e recuperou de um passado " criminógeneo " no ano passado, à beira das eleições para a liderança do partido fundado por Nelson Mandela. Diz que quer assegurar a continuidade do regime. Ninguém acredita. Sobretudo os seus rivais, entre os quais, Mbeki, o ainda PR, que não perdem pitada em o incriminar. Nos jornais e na opinião pública. Racismo étnico não deve existir, sómente uma consciência dilacerada dos sucessores de Mandela em verem o seu trabalho de reconciliação em maus tratos.Que podem ser perigosos e ambivalentes. Mesmo que Zuma desminta e diga que tudo faz pelo ANC…
" É quase impossível argumentar sobre a qualidade das grandes mudanças políticas e o crescimento, em referência como imprevisto e a ultrapassagem da era Mbeki. A liderança em África da reconciliação, do fomento da democracia e de um sofisticado capitalismo debatem-se agora pela frente com a incerteza. Os cenários possíveis da sucessão perfilam-se: do optimista, progresso continuo rumo a uma democracia multiracial, ao fatalista, marcado por um lento declínio confeccionado pela corrupção e as taras do Neo-Marxismo; não sendo de minimizar o desenlace apocalíptico, estilo colapso actual do Zimbabué ", aponta o entrevistador.
Se " Zuma não é um intelectual político, estilo Mbeki, ou um inspirado e carismático líder à Mandela", caracteriza o jornalista, M. Kaminski, " possui evidente experiência política e é muito folgazão ". Conserva ainda as suas ligações ao povoamento que o viu nascer. É poligâmico e tem para cima de 18 filhos. Ao contrário de Mbeki, que nunca mais regressou ao seu torrão depois da saída da prisão.O perfil controverso de Zuma perturba o estado-maior do ANC. E, por isso, querem substitui-lo, agora que se desencadeou uma nova e longa averiguação criminal sobre o negócio das armas. Rumores dão o número dois do ANC, Kgalema Motlanthe, como uma séria alternativa a Zuma. O recém e polémico líder do ANClevanta muitas suspeitas por ser apoiado pelo campesinato pobre, os sindicalistas e o P.Comunista, ao mesmo tempo que garante que o" business branco continuará a controlar a economia ".Há, já quem o compare ao PR brasileiro, Lula…

FAR

sábado, 12 de abril de 2008

Terra

Somewildwish/26
Fotos: g.ludovice


Atear o impalpável dia.

Partir enfim, sempre amando no sobretudo incerto,

a simples alma de tudo, como se nela houvesse a real estadia!

(Um mimo à Múkua)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Mambo 40

A doença só existe como morte se não é sublimada. Assim as próprias palavras e imagens enfermas, se "ensujadas" com o barro da imaginação, podem de súbito esquecer a sua viuvez da vida; elas existem sãs onde nasce rasteiro em deslutos o primeiro querer dizer do que corre nas quentes veias.
Tenho pelo menos um amigo que pensa que pensa que primeiro pensa e depois sente, ao entregar-se ao escrever.
Atafulhada de sentires, é então quando penso nestes, sobre eles, e sobretudo com eles.
Não é muito racional talvez, andar com um carrinho de supermercado mental, cheio de coisas enviadas desde a porosa sensibilidade, mas é como penso que vivo desde que comecei por inventar sem saber após alguma reflexão de onde chegava isso precisamente, se de irreconciliáveis momentos em que o corpo é a experiência da existência, se era apenas isso um desfoco que habitava redutos próprios do descanso das ideias ou se como duas linhas férreas aquela união de antiga vizinhança se comprometia a tornar desfalecida a dúvida...
Sentimos ou pensamos primeiro? sobre o vazio que se esboroa e se rende à linguagem...

Estórias natalícias

Era um menino especialista em criar Natais a destempo. Bastava apetecer-lhe que fosse Natal e era. Depois fazia o que fazem todos os meninos no Natal: mostrava ou falava do presente que lhe fora dado.
Em cada ano criava um, dois, muitos Natais.
Era vê-lo, de riso aberto, desembrulhando a novidade e anunciando-a 'urbi et orbi'.
Anos houve em que tinha dificuldade em inventar Natais, mas ele era um menino cheio de recursos: criava uma festa de anos ( que, como qualquer menino ou menina sabe, é uma forma de receber presentes tão legítima como no dia de Natal...) e, nessa festa, preparava sábia e antecipadamente o próximo Natal.

Nós ouvíamos a gargalhada claramente e sabíamos que dali a algum tempo seria Natal.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Da Capital do Império

Olá,

Tennessee Williams chamava-lhe “o anjo das cinco horas”. O “drink” que ele bebia ao fim da tarde num período da sua vida em que todos diziam que a sua capacidade criativa tinha acabado.
Five O’ clock angel. I think of you . How you always get me through.
Não era uma gaja, não. Era talvez aquilo que o Keith Richards gosta de beber no Bemelmans Bar no Hotel Carlyle de Mannhattan e a que ele chama de “lixo nuclear”. Pois outro dia estava a olhar para umas fotos antigas. Estavam lá caras que já não existem. Eles. Elas. Tinha comigo o meu “five O’clock angel”, neste caso um “cuvée” australiano. Não mau. O que não é de admirar. Isto porque durante meses meses e meses tentei encontrar um vinho australiano que fosse mau. Tenho a dizer-vos que é difícil. Australianos não sabem fazer zurrapas. Nesses meses todos encontrei um (1) vinho australiano … zurrapa.
Pois com o “five o’clock angel” “cuvée” australiano olhei para as fotos e lembrei-me:

Empty space
Where once I saw a face
Memory stands by me now

I feel the passing of the years
Bitter teardrops
I see shadows everywhere
But I still carry on
Though there’s a lot of good ones gone

Peter Wolf

Abraços,
Da capital do Império

Jota Esse Erre

Saigão (4)


(Ho Chi Mhin City) Saigão. Vietnam.2008

Foto FFC

quarta-feira, 9 de abril de 2008