quinta-feira, 22 de março de 2012

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

Este Sábado, no Barreiro


(Texto da Hey, Pachuco!):


Mi Casa es Tu Casa
Organização: Hey, Pachuco! Associação Cultural

O “Mi casa es tu casa” é um evento baseado num conceito de Fernando Alvim e que será inserido na Quinzena da Juventude do Município do Barreiro.
O evento decorre a 24 de Março em casas do centro da cidade.
O conceito é simples: a organização do evento convidou os habitantes do centro do Barreiro a abrir as portas da sua casa e receber, nas suas salas, concertos dos mais variados artistas.
Na tarde de 24 de Março o público desta iniciativa terá em mãos a localização das casas (identificadas com um letreiro à porta dos respectivos prédios e previamente anunciadas nas nossas comunicações), o horário dos concertos nessas mesmas casas, a lotação das salas e uma lista de artistas. No entanto, só a organização saberá onde é que os artistas tocarão.
Este conceito foi explorado, pela primeira vez, em Janeiro, na semana inaugural de Guimarães Capital Europeia da Cultura e foi um sucesso. Pretendemos que o mesmo se passe no Barreiro!

Casas:
14:25h e 16:55h - Rua Eusébio Leão nº10 - Lotação: 30
14:50h e 18:35h - Rua Álvaro Velho nº7 R/c - Lotação: 15
15:15h - Avenida Alfredo da Silva nº 38 1ºDtº - Lotação: 10
15:40h e 17:20 - Rua José Elias Garcia nº38 2ºEsq - Lotação: 15
16:05 e 17:45h - Largo Luís de Camões, Nº21, 3º - Terraço - Lotação: 25
16:30h - Rua Stara Zagora nº36 1ºEsq - Lotação: 10
18:10h - Avenida Henrique Galvão nº12 3ºDtº - Lotação: 10

Os concertos terão a duração de 20 / 25 minutos.

Bandas / Artistas:

The Raw Sample Project
Nicotine's Orchestra
Fast Eddie Nelson
The Sullens
L'Ocelle Mare
Radikal Satan
Tiago Sousa
Rai (The Poppers)
Killer E "The Snake"
Chicken Birdie Joey
Hell Hound"

sexta-feira, 16 de março de 2012

Apresentação da antologia 'Entre o Sono e o Sonho - Vol. III', da Chiado Editora, desta feita no Porto, no Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos. Dia 24 de Março às 15 horas.

domingo, 11 de março de 2012

Pesadelo Climatizado

 © Carlos Ferreiro*

"Um mundo novo não se constrói procurando esquecer o antigo. Um mundo novo alicerça-se num espírito novo, em novos valores. O nosso mundo poderia ter começado daquela maneira, mas hoje é sòmente uma caricatura. O nosso mundo é um mundo de coisas. É todo ele constituído por comodidades e luxos, ou então pelo desejo de os alcançar. O que mais tememos, ao alcançar o débâcle iminente, é sermos obrigados a abandonar as nossas futilidades, as nossas engenhocas, todos os pequenos objectos cómodos que nos tornaram tão desconsolados. Não há nada de admirável e de cavalheiresco, de heróico ou de magnânimo, nas nossas atitudes. Não somos almas tranquilas; somos presunçosos, tímidos, demasiado escrupulosos, enfastiados e instáveis."


"Há experiências feitas com acuidade e precisão, uma vez que os resultados são antecipadamente calculados. O cientista, por exemplo, põe sempre problemas solúveis a si mesmo. Todavia, a experiência do homem comum não é desta natureza. A solução da grande experiência está no coração; a busca, a inquirição, deve ser conduzida interiormente. Temos medo de confiar no coração. Habitamos os domínios do espírito, um labirinto em cujos sombrios recessos um monstro espreita para nos devorar. Temo-nos até hoje movido numa sequência mitológica de sonhos sem encontrarmos soluções, isto é, formulamos perguntas desacertadas. Só encontramos aquilo que procuramos, mas procuramos no lugar indevido. Temos de sair da obscuridade, de abandonar essas explorações que constituem apenas fugas originadas pelo medo. Temos de deixar de procurar às apalpadelas - de gatas. Temos de sair para os espaços abertos, erectos, completamente expostos."


Henry Miller, in PESADELO CLIMATIZADO (THE AIR-CONDITIONED NIGHTMARE), Editorial Estampa, Lda., Lisboa, 1971

* [In: Jornal das Letras, 16 a 29 de Janeiro de 2008, a ilustrar o artigo: Luiz Pacheco (1925-2008) O Guerrilheiro da Escrita ]

sábado, 10 de março de 2012

Red Starr

O seu sonho era percorrer os corredores do poder, e vê-los transformados em casas de ópio e prostíbulos de luxo, espreitar através das janelas, e ver os corpos dependurados dos políticos a balouçar sob a acção da brisa da tarde.
Com um cocktail molotov em cada mão, ele e os seus companheiros de revolta levariam a cabo a tarefa de apagar a memória dolorosa de um tempo em que o poder corrompia, e a corrupção governava os destinos de todos.
Deus e a Pátria iriam a enterrar num fim de dia estival, e então a grande Família Humana juntar-se-ia para lhes prestar uma última homenagem, para pouco depois os condenarem ao eterno esquecimento. O fim de dois mil anos de cristianismo, em vez de significar um mergulho nas trevas e o fim da civilização, seria o inicio de uma nova era de harmonia e prosperidade.
Mas enquanto isso não acontecia, Red Starr mantinha-se entretido esfaqueando bófias e incendiando igrejas.