sábado, 30 de outubro de 2010

Punk is not Daddy

É um título de que gosto muito. E é o mais recente filme de Edgar Pera, sobre a música moderna portuguesa, na década de 80. A não perder, para os verdadeiros melómanos. Mais informações, aqui:
http://crackinthecloud.blogspot.com/2010/10/punk-is-not-daddy-de-edgar-pera-hoje-no.html

A propósito, fui ontem ver O Filme do Desassossego, de João Botelho, baseado nos textos e excertos do Livro do Desassossego, de Bernardo Soares. Uma realização cuidada, imagens excelentes e um grande actor e amigo meu no papel do Bernardo Desassossegado, Cláudio da Silva. Fora isso, é um excelente filme que parece teatro, em que o rigor está na mais ínfima das cenas. O leque de actores é muito bom. Pela negativa, apenas Rita Blanco e Catarina Wallenstein. A primeira por fazer sempre dela própria (o que aqui choca com o ritmo e tom dos outros actores) e a segunda pela deficiente dicção e apressado ritmo do texto, embora os planos da cena principal em que participa sejam belíssimos. No entanto, um dos melhores filmes nacionais dos últimos anos, seguramente. Sobre o conceito de exibir este filme apenas em teatros, eis aqui uma pequena entrevista com o realizador.
http://dn.sapo.pt/gente/interior.aspx?content_id=1670706

E para quem tiver coragem, há o Mistérios de Lisboa, do Chileno Raúl Ruiz. Um filme de 4 horas e picos. (227 min.) Ainda não o vi, mas estou a preparar-me para a maratona! Diz quem viu que vale a pena! Eis o site: www.misteriosdelisboa.com/pt/
Boas Cinefilias!

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

"África em foco" - Bok & Bibliotek (Göteborg Book Fair), 23-26 de Setembro 2010 (1)

Lesego RAMPOLOKENG (África do Sul) - lírica
Foto de Sérgio Santimano

”África em foco” - Bok & Bibliotek (Göteborg Book Fair), 23-26 de Setembro 2010 (introdução)


Realizou-se em Gotemburgo mais um BokMässa (Feira Internacional do Livro).
Este ano como convidado principal vários países africanos com os seus escritores.
Na abertura oficial esteve a escritora Nigeriana Sefi Atta que viria a receber pelas mãos da ministra da cultura sueca Lena Adelsohn o prémio literário “Noma Award”; Carin Norberg, directora do Instituicão Nordica para África, também participou neste acto, abrilhantado depois com a presenca músical de Dobet Gnahoré (Costa do Marfim).
Pelo palco desta feira em Gotemburgo foram desfilando mais de 70 convidados, dez editores de 28 Países africanos, 62 seminários, entrevistas ou apresentações.
Um conhecido escritor dizia que de África, conhecemos as suas danças, os seus batuques, praias , hoteis de luxo, etc., mas sobre a sua intelectualidade pouco ou nada sabemos deste continente…
De uma maneira geral, pelas palestras por mim presenciadas, notava-se por parte de alguns escritores um certo desânimo sobre a realidade actual, interrogando-se as gerações que lutaram e se sacrificaram pelas suas idependencias e liberdades, se era isto que se vê nos dias de hoje o espelho das suas aspirações….?
Sem dúvida que este foi um grande passo para a divulgação dos escritores do nosso continente, muitos deles já com grande projecção internacional, e sempre com aquela vontade de a este estágio virem a chegar muitos mais, num futuro breve… Procurando aumentar mais o interesse pela literatura africana na “cena internacional”. Certamente que em quatro dias não se pode conhecer tudo sobre a literatura deste continente, mas um passo importanto foi já dado, não só o de trazer os escritores africanos como também as suas editoras, porque são estas, afinal, que tem a possibilidade de fazer a divulgação dos livros nos paìses nórdicos. Sem duvida que esta apresentacão da literatura africana nos paises nórdicos foi a maior de sempre!
O 2+2=5 irá a partir de agora publicar algumas fotos de participantes nesta feira.

Texto de Sérgio Santimano

sábado, 23 de outubro de 2010

Egoiste.



Os franceses, ou as francesas, nas suas acções gerais, sempre adoptaram o estilo burlesco, e sempre foram algo dramáticos.
Corre no sangue, ou, como quem diz, corre-lhes no champagne.
Anúncio televisivo da Chanel - Década de 90;

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Quero!

Quero uma casa com vista para o entulho. Uma frenética poeira nos
despojos do mundo. Quero um cartão onde possa dormir e um saco de
plástico para precaver da chuva insone. Quero uma chávena de chá
no deserto da minha paupérrima vida. Quero umas meias grossas
para combater a solidão do frio gélido. Só quero um amor para a
refrega dos sentidos. Quero tudo e o que quero é nada.

Um simples diapasão no ocaso da noite. Brumas no estertor da
estultícia em que vivemos. Corremos atrás desse sucesso e da
finança em sorrisos sempre pop. Não quero um mundo como
este, competindo por nada e arrasando tudo. Até eu, já me
deixei levar por este gerúndio da vida. Acreditando e olhando
para o futuro com o olhar esperançado nas migalhas do porvir.

Quero um país onde a cama onde me deito seja a da educação.
Quero nas mentes das pessoas uma ideia de qualidade e rigor.
Quero nos corpos um desejo premente de beber cultura.
Quero nos ideiais, uma outra maneira de viver e trabalhar.
Quero nos corações o desejo forte, sem receios, de amar.
Quero uma política feita de transparência, de sentido e causas.

Quero uma noite de luar contigo, meu amor, em que possamos
dizer ao mundo: aqui se fez, no frio chão da nossa vida, uma
série de utopias e novos mundos idílicos para gerar. Um
frenesi iniciático e duradouro, um idílio de espelhos para
reflectir por todo o derredor. E agora, agora meu amor,
resta-nos a placidez do inferno na esteira solene da inocência.

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

Correio Interno


 André,

            Está o país de coração na mão, expectante, emocionado, ao rubro, suspenso das negociações dos nossos líderes e da aprovação de redentor orçamento. Se, as agências de comunicação funcionassem em Portugal, teriam aconselhado aos líderes, que incitassem os cidadãos a porem bandeiras nas janelas e cachecóis ao pescoço, pois não é de somenos monta o desígnio patriótico de votar o orçamento daquele de meter golos, e o Parque das Nações inundaria de jovens, colados aos televisores, emborcando bejecas. Mas não. Será tudo feito sem a participação popular.
            O povo contribuiu, e bastante, para a situação actual com a sua proverbial inocência, criando um monstro que se chama sistema financeiro. Quando apareceu a moda dos cartões de crédito, ninguém achou aquilo estranho, e de livre vontade, pagava um valor superior por um produto ou serviço, indo essa diferença direitinha para uma instituição que nada fazia, excepto “gerir crédito”. Por um jantar de 20 €, ou outra coisa qualquer, pagavam 25 ou 30 e não viam a idiotice desta atitude. (Faziam-no por que, de facto, o seu nível de vida subira, e pagar mais por uma coisa não era problema). Os Bancos perceberam o maná, desataram a inventar “produtos” para subtrair dinheiro às pessoas. Um deles, por exemplo, foi a Conta Ordenado. Ou seja, uma pessoa levanta dois vencimentos num mês (e, pela saudável concorrência de mercado, há Bancos que oferecem três): ou seja, sobre um ordenado de 1000 €, levantaria 2000 €, depois passaria 5 ou 10 anos a receber 800 € apenas; retiravam-lhes 20 € para pagar juros, amortizações, e mais outros pozinhos de fadas para dilatar lucros. A bola foi crescendo, as intuições financeiras, (ou Bancos com actividade financeira), engordando, e o nó à volta do gasganete do cidadão, apertando, e os Estados também entraram na dança, endividando-se, somando endividamento sobre endividamento, até, ser impossível pagar essa dívida, e a solução é… negociar mais dívida. (Claro que se pode culpar o Nixon, quando precisava de massa para a guerra do Vietname, e acabou com o padrão ouro).
            Como é que se sai disto? Os Bancos, actualmente, têm a função primordial de controlar os cidadãos, são bases de dados da vida económica do cidadão, para acesso fácil das Polícias e do Estado. Logo, vende-se a ideia da sua inevitabilidade nas nossas vidas. A primeira coisa a fazer é sair do circuito dos Bancos, retirar o dinheiro todo, e voltar ao velho hábito de pagar em dinheiro vivo. Não só para precaver alguma (ou total) falência bancária, mas para que a economia se processe sobre bases mais “reais”, excluindo do acto quotidiano de compra e venda o intermediário financeiro e especulativo.
            Depois de aprovado o orçamento, foguetes! fsssh pum! fssssh puuuum! champanhe! rolhas! plof! plof! ah, o Governo cedeu, mas salvou o país, a oposição obteve importantes vitórias, aliviando o encargo dos portugueses (o óleo e o leite com chocolate fica a 6%). Felicidade! É um bom acordo, dirá satisfeito o duo líder… Para o ano serão necessárias novas medidas extra: mais reduções dos salários, e desta vez, com redução das pensões também, e, mais importante, despedimento puro e simples de funcionários públicos. (E isto não é estar contaminado por xamãs, como dizes, é só fazer contas: deve-se tanto, a juro tal, dá tanto. É impossível Portugal pagar a sua dívida, se não paga os juros, e reduzir o défice, cortam-lhe o crédito, e adeus país: porque não há riqueza interna que o sustente. Antigamente, havia o Espírito Santo, o banqueiro do Estado, quando era preciso uns cobres ele tinha. Agora não há poupança nacional para isso, a massa tem de vir de fora, como as namoradas do Ronaldo).

            Um abraço

Maturino Galvão

Os economistas são xamãs

Os economistas são os novos xamãs.
Os economistas explicam tudo, explicam a maneira com a economia se explica, os economistas são xamãs!

"Explicar", de algum modo, significa reconhecer uma sabedoria total, sobre algo mesmo que esse algo seja regional. Os economistas explicam, eles são xamãs!
Eles sabem como as coisas todas passam, eles tem leis que a tudo se podem aplicar, eles são pragmáticos, eles são racionais e científicos, eles limitam-se às leis que explicam tudo, eles são xamãs!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Espeto de Pau



Vi ontem no DocLisboa, e ainda passa hoje (quarta) às 16:30 no Londres: "Cuchillo de Palo", um espantoso documentário de Renate Costa, a não perder. No Paraguai, a realizadora procura descobrir o rasto escondido de um tio, que, por ser homossexual, sofreu a perseguição da ditadura de Stroessner e a ostracização social e da sua própria família, até à sua morte, ao que dizem, "de tristeza". Renate Costa constrói um documentário pessoalíssimo que é não só um pungente retrato da homofobia como um encontro com o seu próprio passado, com a relação, também ela distante, com o seu pai, e com a relação deste com o irmão homossexual. Um documentário magnífico na abordagem ao tema (forte sem ser panfletário, comovente sem ser lamechas), ao ritmo, à filmagem, enfim, e como disse ao princípio, só passa mais uma vez hoje às 16:30, vão vê-lo ao Londres!

terça-feira, 19 de outubro de 2010

O grande casino europeu - como transformar a dívida privada em dívida pública


El gran casino europeo from ATTAC.TV on Vimeo.

Manifesto contra a Indigência de um Povo

Como explicar em poucas palavras o desespero e a dúvida?
E o desemprego, a crise e o foderem-nos a vida de todas as maneiras?

Como ter filhos, como ter uma casa, como viver?

Estou farto deste tom monocórdico da vida.
Estou fartíssimo de esperar por uma revolução audaz.

Canso-me e entristeço-me com a nossa bonomia, a nossa inerme vida!
Sofremos de astenia compulsiva e a culpa é de Dom Sebastião, a Saudade,
a igreja Católica, a vida em modo gerúndio num "vai-se andando" que me
corrompe e enoja até às entranhas.

Para quando a vida levantada do chão? Para quando os braços não apenas
para o trabalho, mas para a defesa dos ataques aos nossos direitos?

Caminhamos, insossos e sem frenesi. Para quando a sageza do espírito
crítico e o olho atento ao real? Para quando a plenitude dos sentidos?

Até lá, somos espíritos amputados e sonâmbulos, espezinhados pela
mediocridade e pela ignóbil coscuvilhice das vidas alheias em écrans sem fim.

Chega de merdas e floreados, de segredos e mentiras! A vida é só uma!
E muitos de nós nem chegamos a vivê-la, a senti-la. Vivemos anestesiados
na lufa-lufa diária, nas batatas e no vício, no pão e no circo dos mediáticos.

Há muitas estradas para cortar, muitos carros por incendiar, muitos seres
para sequestrar, muito parlamento para sujar, muita faca por afiar!

Agora depende de mim, de ti, de nós. Depende de um país adiado e anão.
Depende deste país criança em querer crescer, em querer sujar as mãos.

Em palavras, em actos, em gritos e revoltas. Em rasgar os acordos, em
acordar do regaço da mãe galinha e enfadonha. Cortar o mal da indigência
pela raiz. Plantar sementes de loucura, de paixão pelo desconhecido! Novas
espécies para crescer no fértil vale da utopia. Pelo sonho é que vamos!

O resto, é conversa. Que as armas estejam contigo, meu irmão! Seja em
poemas, em cantigas, em acções braçais, filosóficas ou sociais. Usa a tua
inteligência e sensibilidade para te tornares um ser político, para acabar
de vez com a incultura, o abuso, a prepotência! Para elevar à máxima
potência a res pública, que ela bem merece o teu carinho e não o teu
atavismo crónico e bonacheirão! Contra os cabrões, marchar, marchar!!!

Manifesto contra a indigência de um povo!
Portugal, Outubro de 2010!

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

Let no sunrise' yellow noise / Interrupt this ground

«No matter how much we each desire recognition and require it, we are not therefore the same as the other, and not everything counts as recognition in the same way. Although I have argued that no one can recognize another simply by virtue of special psychological or critical skills and that norms condition the possibility of recognition, it still matters that we feel more properly recognized by some people than we do by others. (...)
The uniqueness of the other is exposed to me, but mine is also exposed to her. This does not mean we are the same, but only that we are bound to one another by what differentiates us, namely, our singularity. The notion of singularity is very often bound up with existential romanticism and with a claim of authenticity, but I gather that, precisely because it is without content, my singularity has some properties in common with yours and so is, to some extent, a substitutable term.»
Judith Butler in GIVING ACCOUNT OF ONESELFFordham University Press New York, 2005

© Eugene Von Bruenchenhein, Untitled (Marie, double exposure), c. 1943–1960

© Eugene Von Bruenchenhein, Untitled (Marie, double exposure), c. 1943–1960

Laura Nadar

sábado, 16 de outubro de 2010

Ninguém devia ser privado de liberdade de expressão, excepto talvez dois tipos de pessoas: ex-fumadores e vegetarianos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

A Islândia e nós

Portugal foi jogar à Islândia, o que nos deu oportunidade de relembrar os islandeses, lembram-se? Esses que foram à bancarrota durante a recente crise do subprime. Primeira questão relevante: essa "recente" crise do subprime. Ou seja: já não há crise nehuma do subprime. "Crise do suprime" também não passa de um conceito confuso que deve ser esclarecido. Eu diria: bancarrota dos bancos e de outras instituições financeiras, devido a práticas que (ingenuamente) foram chamadas de "irresponsáveis" por parte dessas instituições - na verdade, práticas que são a lógica dessas instituições - e que, como seria de esperar, foram resolvidas através de um investimento maciço dos estados nessas mesmas instituições financeiras, o que origina, agora, a falta de liquidez e o endividamento dos estados, a essas mesmas (ou outras, vai dar ao mesmo) instituições financeiras, ou seja, os estados salvaram bancos porque era do interesse público salvar bancos; mas agora que os estados estão endividados aos bancos por salvarem bancos, os bancos, de acordo com o normal fluxo das coisas, não tem qualquer piedade dos estados quanto ao seu endividamento (e claro que são os estados mais fracos que estão pior, como o nosso, mas também foram os bancos mais fracos que foram salvos, e isso é  o normal funcionamento das coisas). Quanto à Islândia, já sabemos que, lá como cá, e nas suas devidas proporções, o estado se arruinou a salvar bancos. Mas parece que lá, ao contrário de cá, há manifestações diárias em frente ao parlamento, que se atiram ovos aos políticos e pedras aos vidros do parlamento, e que se elegeu o Manuel João Vieira de lá para a presidência da câmara de Reykjavik. Para dizer a verdade, a fleuma, o frio, ou seja lá o que for dos islandeses (se calhar os recursos que o seu estado social foi amealhando) fazem com que esta revolta não passe, para já, de uma insatisfação geral que não se manifesta verdadeiramente, a não ser em momentos simbólicos como os ovos nos políticos ou eleger o "Melhor Partido" para a câmara de Reykjavik. Mas isto é tudo a propósito de uma coisa muito curiosa que me chamou a atenção quanto aos problemas dos islandeses: parece que o mesmo banco que foi salvo pelo estado, o maior de lá, e que originou todos os problemas de liquidez do estado, desvalorização da moeda e etc, ou seja, empresas que faliram, mais desemprego, o valor dos salários ser menor e etc, agora, e como seria de esperar, esse mesmo banco não tem qualquer pejo em executar as dívidas sobre as hipotecas, e correr das suas casas aqueles que as não podem pagar. O mesmo banco que foi salvo pela sociedade islandesa, agora que voltou a ser "banco" na sua plenitude, fode em grande a mesma sociedade que o salvou, e que se empobreceu por sua causa. Note-se que isto não tem qualquer moral associada, pois não é, e não deve ser, suposto existir moral no funcionamento de uma empresa privada. É simplesmente uma descrição sobre como as coisas funcionam.
Há um outro subtexto aqui, que é o facto de a actual "crise" ser nada mais que um derivado tardio da "Crise do Subprime"; ou seja, de, como sempre no capitalismo, não ser nenhuma crise "real", mas mais uma manifestação do poder das forças do Capital sobre as sociedades. 

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O estado da nação

Se o Orçamento de Estado é aprovado, é a crise. Se não é aprovado, é o caos. Se as propostas da Direita vão avante, é a miséria. Se as da Esquerda, a bancarrota. Se Sócrates se aguenta, é mais do mesmo. Se não se aguenta, é a crise política. Se o Cavaco ganha, é mais do mesmo. Se o Cavaco não ganha, é a mesma coisa.

Enquanto isso, num país que não parece ser o mesmo, os mesmo de sempre, quase todos, vão vivendo cada vez pior, e os mesmos de sempre, uns poucos, vão vivendo cada vez melhor. Como são os primeiros que aguentam os últimos, e com um sentido patriótico que chega a surpreender, não se pode dizer que não os mereçam.

The Simpsons by Banksy



A produção dos Simpsons foi deslocalizada para a Coreia do Sul. Entretanto, Banksy é convidado a criar um genérico de abertura, e...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

But all allong the doctors remember

«The head, even the human head, is not necessarily a face. The face is produced only when the head ceases to be a part of the body, when it ceases to be coded by the body, when it ceases to have a multidimensional, polyvocal corporeal code—when the body, head included, has been decoded and has to be overcoded’by something we shall call the Face. This amounts to saying that the head, all the volume-cavity elements of the head, have to be facialized. What accomplishes this is the screen with holes, the white wall/black hole, the abstract machine producing faciality. But the operation does not end there: if the head and its elements are facialized, the entire body also can be facialized, comes to be facialized as part of an inevitable process. When the mouth and nose, but first the eyes, become a holey surface, all the other volumes and cavities of the body follow. An operation worthy of Doctor Moreau: horrible and magnificent. Hand, breast, stomach, penis and vagina, thigh, leg and foot, all come to be facialized. Fetishism, erotomania, etc., are inseparable from these processes of facializa-tion. It is not at all a question of taking a part of the body and making it resemble a face, or making a dream-face dance in a cloud. No anthropomorphism here. Facialization operates not by resemblance but by an order of reasons. It is a much more unconscious and machinic operation that draws the entire body across the holey surface, and in which the role of the face is not as a model or image, but as an overcoding of all of the decoded parts. Everything remains sexual; there is no sublimation, but there are new coordinates.»
Deleuze & Guattari in A THOUSAND PLATEAUS: CAPITALISM AND SCHIZOPHRENIA, University of Minnesota Press Minneapolis, 1987
© Duchenne de Boulogne, Dr., in Mécanisme de la Physionomie humaine ou Analyse Électro-Physiologique de l’Expression des Passions, c.1852
© Duchenne de Boulogne, Dr., in Mécanisme de la Physionomie humaine ou Analyse Électro-Physiologique de l’Expression des Passions, c.1852
Laura Nadar

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Precipita(can)ção.


Não sei se chove assim porque o Mundo precisa de ser chorado ou porque precisa de ser regado.
In, Singin'in the Rain, 1952;

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Petição pelo pluralismo de opinião no debate político-económico

«As medidas de austeridade recentemente anunciadas pelo governo vieram mostrar, uma vez mais, a persistência de um fenómeno que corrói as bases de um sistema democrático. Nas horas e dias que se seguiram à conferência de imprensa de José Sócrates e de Teixeira dos Santos, os órgãos de comunicação social, nomeadamente as televisões, empenharam-se mais em tornar as referidas medidas inevitáveis do que em promover efectivos espaços de debate em torno das grandes opções político-económicas.
De facto, os diferentes painéis de comentadores televisivos convidados para analisar o chamado PEC III foram sistematicamente constituídos a partir de um leque apertado e tendencialmente redundante de opiniões, que oscilou entre os que concordam e os que concordam, mas querem mais sangue; ou entre os que acham que o PEC III vem tarde e os que defendem ter surgido no timing certo. Para lá destas balizas estreitas do debate, parece continuar a não haver lugar para quem conteste, critique ou problematize o quadro conceptual que está em jogo e as intenções de fundo, ou o sentido e racionalidade dos caminhos que Portugal e a Europa têm vindo a seguir, em matéria de governação económica.
Por ignorância, preguiça, hábito, desconsideração deliberada ou manifesto servilismo, os canais televisivos têm sistematicamente tratado a análise da crise económica como se o intenso debate quanto aos fundamentos doutrinários e às opções políticas que estão em jogo pura e simplesmente não existisse. Com a particular agravante de a crise financeira, iniciada em 2008, ter permitido uma consciencialização crescente em relação às diferentes perspectivas, no seio do próprio pensamento económico, no que concerne às responsabilidades da disciplina na génese e eclosão da crise.
Com efeito, diversos sectores político-sociais e reputados economistas têm contestado a lógica das medidas adoptadas, alertando para o resultado nefasto de receitas semelhantes aplicadas em outros países e denunciado a injusta repartição dos sacrifícios feita por politicas que privilegiam os interesses dos mercados financeiros liberalizados. Mas a sua voz permanece, em grande medida, ausente dos meios de comunicação de massas.
Não se trata de criticar o monolitismo das opiniões convocadas para o debate, partindo do ponto de vista de quem nelas não se revê. Uma exclusão daqueles que têm tido o privilégio quase exclusivo de acesso aos meios de comunicação seria igualmente preocupante. O problema de fundo reside em ignorar, nos dias que correm, o pluralismo de interpretações e perspectivas sobre a crise, sobre os seus impactos e sobre as opções de superação.
Somos cidadãos e cidadãs preocupados com este silenciamento e monolitismo. E por isso exigimos aos órgãos de comunicação social – em particular às televisões, e sobretudo àquela a quem compete prestar “serviço público” – que respeitem o pluralismo no debate político-económico de modo a que se possa construir uma opinião pública mais activa e informada. Menos do que isso é ficar aquém da democracia e do esclarecimento.»

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segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

Tudo o que é sólido dissolve-se no ar

My question is: as a dissociating psyche protects itself from painful experience by means of a traumatic distancing, might photographic representations induce a kind of protective, distancing latency for the group psyche of the viewing public? Photographic processes cannot cause new relationships to events, to the real, but they may well induce them. A digital latency might erase the last vestiges of a claim to authenticity, challenging both the directness of one’s relationship to photographic technology (…) as well as the presumed presence of the image maker in the historical moment. (…)
In The Society of the Spectacle, Debord argues that in modern society ‘‘All that once was directly lived has become mere representation’’, and that authentic experience has been replaced with spectacle and image commodity: ‘‘Images detached from every aspect of life merge into a common stream, and the former unity of life is lost forever. Apprehended in a partial way, reality unfolds in a new generality as a pseudo-world apart’’.
In Lieberman, Jessica Catherine(2008) 'TRAUMATIC IMAGES', Photographies, 1: 1, 87 — 102
© Hugh Welch Diamond, Dr., Melancholia passing into Mania, c.1950

© Hugh Welch Diamond, Dr., Seated woman with bird, c.1955
Laura Nadar

sábado, 2 de outubro de 2010

Baci.



E pudessem todos os beijos ser assim «klimtados».

Klimt, 1907;

sexta-feira, 1 de outubro de 2010