quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Revolution Action

O voto é uma arma, mas eu pessoalmente prefiro a Sig Sauer P229 de 9mm.

Orçamento 2011

A receita para combater a crise é acrescentar mais crise. Sempre me espantou a lógica distorcida do capitalismo: há pouco dinheiro, emprego, a economia abranda? Corte-se nos salários, aumentem-se os impostos, faça-se haver ainda menos dinheiro, emprego, que a economia se depaupere o pouco que ainda resta. Mais ainda me espanta que estas estranhas ideias façam tanto eco em tanta gente, e apareçam por aí como receitas únicas e inevitáveis.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Uma observação sobre a política

Por mais que identifiquemos "o problema" como o governo, a oposição, a política ou o raio que os parta, os verdadeiros problemas são sempre outros. Nenhum deles pode ou até deve ser resolvido tendo em conta essas categorias tão miseravelmente incompletas, e isto não quer dizer que esses problema não sejam importantes, simplesmente que se dá demasiada importância a eles. Paradoxalmente: o dia em que se começa a dar menos importância à política é o dia em que se começa a perceber o que é a política.
No primeiro fragmento, Heraclito, há 2.500 anos atrás, disse qualquer coisa deste género: os homens não percebem o Logos, tanto antes de eu lhes explicar o que é o Logos, e, mais curiosamente, também depois de eu lhes explicar o que é o Logos. Isto quer dizer, na minha insábia opinião, que não vale a pena tentar explicar nada aos homens, eles continuam sempre a achar que o que sabem é o que é. E não pensem que estou a distinguir certos homens uns dos outros. É igual para todos, com certeza também para mim.
O que é que isto tem a ver com a política - é que é precisamente a impossibilidade de explicar o Logos que impossibilita a política tal como tem sido entendida. Quero dizer: desde sempre, como tem sido entendida por Maquiavel, ou Hobbes, ou os iluministas, ou os founding fathers, ou toda essa gente que vem a seguir. Essa política é impossível, o que significa que é uma mentira, uma farsa. OK. A conclusão a tirar agora não custa nada. É que a política é o reino da opinião, e, como sabe toda a gente que me lê neste blog 2+2=5, a opinião é a soma do zero com o 0. O que quer dizer que as verdadeiras questões são outras, tanto na nossa vida como na nossa outra vida (aquela que se vive em sociedade), e que a farsa da política é apenas uma maneira, mais uma maneira, de nos esquecermos dessas questões, agora já não através de nos comermos uns aos outros, mas de nos aceitarmos uns aos outros, e o que é que é mais detestável, pernicioso, contra-producente?
Odeio as máscaras e as sombras que ocultam a realidade (a realidade, a propósito, é o nosso ponto de vista, e nada mais - Heidegger). Por acaso os meus pais são de esquerda e deixaram-me (felizmente) essa herança (a herança da direita é muito mais estúpida). Vou votar no Alegre porque o meu colega de blog André Carapinha, ontem, em conversa, e depois de bebermos um branco de Colares, me disse que isso é a atitude mais de esquerda a tomar. Eu confio nele, e ainda mais no branco de Colares.

sábado, 25 de setembro de 2010

E a propósito, bem vindos à terra dos festivais de Outono


Não acreditam? Confiram aqui. Depois dos festivais de verão, o Barreiro acolhe a Temporada de Outono, ou não fosse o tempo cinzento mais adequado ao registo pós-industrial da cidade. Até novembro, temos o Barreiro Outras Músicas, abaixo destacado e já em curso; de 5 a 16 de Outubro o OutFest, dedicado às músicas experimentais, com destaque para Panda Bear (dos Animal Collective) e para Alex von Schilppenbach, pianista que é figura cimeira do free jazz europeu. Em destaque neste festival o facto de os concertos decorrerem um pouco por toda a cidade, nos mais variados locais, e de o passe para o festival permitir utilizar os Transportes Colectivos do Barreiro. Finalmente a 12 e 13 de Novembro a 10ª edição do Barreiro Rocks, o maior festival de garage rock da península, com The Strange Boys e King Khan em destaque. Ainda por cima, não sei se sabem, o Barreiro é terra para se ficar a beber uns copos até bem tarde e tem Lisboa a 20 minutos de barco. Com um bocado de sorte podem ainda encontrar-me, que de vez em quando faço umas visitas à terrinha.

Logo à noite, no Barreiro


Ontem foi um grande concerto da Lula Pena, que não tive oportunidade de anunciar atempadamente. Hoje à noite, quem estiver pelo Barreiro ou se deslocar para a outra banda tem oportunidade de assistir a um concerto do melhor MC nacional, Halloween, e dos mestres do hip-hop nova-iorquino, Antipop Consortium. Amanhã a festa continua com Tigrala e Oval.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Homens...é.

Homens...só têm de ser homens. E desta vez na língua que sai da nossa língua.

Por Manu Chao;

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

Roma


Junho de 2010. Foto de Sérgio Santimano

Irá o FMI aterrar outra vez na Portela? (3)

Eu cá concordo com o André: também acho esquisito que esteja toda a gente muito quieta quanto a isto do FMI.
1983, Mário Soares - 2010, José Sócrates; o círculo completa-se. Eterno retorno. O PS e o FMI. Maravilha das maravilhas da esquerda moderna, que pelos vistos já era moderna nos saudosos 80s.
A minha opinião é que este país não tem solução alguma, daí que o FMI ou não FMI seja irrelevante. Mas tem muito mais piada quando é a esquerda moderna a chamar os coveiros do seu amado estado social. Bem podem berrar o Arnaut ou o Alegre - os filhos matam o pai. Viva o socialismo na gloriosa linhagem Soares - Sócrates!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Irá o FMI aterrar outra vez na Portela? (2) - O cavalo de Tróia

Acho muito estranho o relativo silêncio da Esquerda sobre o rumor de nova intervenção do FMI em Portugal. Tirando, curiosamente, o Manuel Alegre, ainda não vi ninguém denunciar com a veemência que se exige uma possibilidade que significa a cedência total do que poderá restar de democracia económica neste país aos instrumentos do capital, sob os aplausos e o coro de aprovações dos "economistas", ou seja, daqueles cuja ocupação alterna entre, quando no governo, contribuir para este estado de coisas e ajudar os amigos com mais umas benesses, e, quando fora dele, clamar contra a incapacidade dos portugueses em resolver os seus problemas "estruturais", e continuar a ser muito bem pago por isso.
Acho, no entanto, que aqui a cantiga é outra. Com o pânico que se pretende lançar, justificar-se-á um novo ataque às conquistas sociais que ainda restam neste país. Há uns tempos falou-se de retirar o subsídio de natal aos funcionários públicos, alguém ainda se lembra? Para "evitar a intervenção do FMI", o nosso governo ex-socialista e os seus aliados de facto, o PSD, lançarão as mais terríveis medidas de austeridade, sempre com o bendito desígnio de "salvar as contas públicas", "equilibrar o défice", não tocar um milímetro nos privilégios, por exemplo, dos bancos e da sua escandalosa taxa de IRC, e deixar o ónus da crise para os pobres, como aliás já se vai vendo: desde o início do ano 52 mil portugueses perderam o subsídio de desemprego , uma medida que permitiu ao Estado poupar 205 milhões de Euros. Um simples aumento de 0,15% no IRC dos bancos permitiria arrecadar o dobro disso , mas esse é o tipo de soluções proibida neste país, e ausente do "debate" económico em curso. Veremos se a lenga-lenga da intervenção do FMI não funcionará como cavalo de Tróia para que os "sacrifícios" sejam patrioticamente aceites pelos de sempre, para que Portugal não tenha de passar pelo vexame de uma intervenção exterior. Que sejam pelo menos "os nossos" a pôr em prática o desastre do capitalismo.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

A mentira

José Sócrates confunde optimismo com idealismo. A distância entre o que diz e a realidade merece atenção redobrada e vigilância permanente.

Na terça-feira, durante a abertura do ano lectivo num instituto politécnico, Sócrates saiu-se com esta :

"Nunca tívemos tantas pessoas .... tantos portugueses a estudar no ensino superior." (video aqui)

Red Reporter não gosta de ser enganado e foi ver se o Primeiro-Ministro falou verdade.

Espanto! O Pordata desmente o Primeiro-Ministro. Na realidade, desde 2003 que o Ensino Superior tem vindo a perder alunos.



domingo, 12 de setembro de 2010

Contabilidade dos mortos: um, um milhão

"Um morto é uma tragédia, um milhão uma estatística". Grande frase de Estaline, que se aplica como uma luva às consciências bem pensantes, de todos os tempos, lugares e ideologias. Este Estaline, sendo um criminoso e um facínora, tinha pelo menos a qualidade de ser directo. Se algum americano o dissesse hoje, isto que traduz tão bem o "duplo plano" moral em que vivem, não teria grande futuro na política. E no entanto é este o duplo plano: nós (a vida sagrada, salvar vidas de americanos) e eles (danos colaterais, estatística das guerras). Não é novidade, nem exclusivo deles, todos os impérios, estados, se calhar todos os homens pensam assim.
Na verdade só há duas categorias antropológicas para os mortos: um (os nossos) ou um milhão (os outros).

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Adeus professor, e que nunca venha para o Benfica



Vai-se o professor com dois anos de atraso, depois de conseguir destruir o trabalho de anos e baixar o nível de resultados da selecção nacional ao pré-96. O mais curioso é que, demitido assim, vítima anunciada de uma "conspiração" para o derrubar, a eterna fénix do futebol português mais uma vez vai conseguir sair por cima, culpando terceiros pelos seus constantes fracassos, seja a "porcaria", o "polvo", "presidentes incompetentes", "balneários de vedetas", ou, mais prosaicamente, "o azar". Dele é que a culpa nunca é, e assim ainda o veremos a dar cabo de mais um clube ou selecção neste futuro mais ou menos próximo. No Benfica é que não, vade retro!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Kant - O que é o iluminismo (3 e final)


(...) Mas não deveria uma sociedade de clérigos, por exemplo, uma assembleia eclesiástica ou uma venerável classis (como a si mesma se denomina entre os Holandeses) estar autorizada sob juramento a comprometer-se entre si com um certo símbolo imutável para assim se instituir uma interminável supertutela sobre cada um dos seus membros e, por meio deles, sobre o povo, e deste modo a eternizar? Digo: isso é de todo impossível. Semelhante contrato, que decidiria excluir para sempre toda a ulterior ilustração do género humano, é absolutamente nulo e sem validade, mesmo que fosse confirmado pela autoridade suprema por parlamentos e pelos mais solenes tratados de paz. Uma época não se pode coligar e conjurar para colocar a seguinte num estado que se tornará impossível a ampliação dos seus conhecimentos (sobretudo os mais urgentes), a purificação dos erros e, em geral, o avanço progressivo na ilustração. Isso seria um crime contra a natureza humana, cuja determinação original consiste justamente neste avanço. E os vindouros têm toda a legitimidade para recusar essas resoluções decretadas de um modo incompetente e criminoso. A pedra de toque de tudo o que se pode decretar como lei sobre um povo reside na pergunta: poderia um povo impor a si próprio essa lei? Seria decerto possível, na expectativa, por assim dizer, de uma lei melhor, por um determinado e curto prazo, para introduzir uma certa ordem. Ao mesmo tempo, facultar-se-ia a cada cidadão, em especial ao clérigo, na qualidade de erudito, fazer publicamente, isto é, por escritos, as suas observações sobre o que há de erróneo nas instituições anteriores; entretanto, a ordem introduzida continuaria em vigência até que o discernimento da natureza de tais coisas se tivesse de tal modo difundido e testado publicamente que os cidadãos, unindo as suas vozes (embora não todas), poderiam apresentar a sua proposta diante do trono a fim de protegerem as comunidades que, de acordo com o seu conceito do melhor discernimento, se teriam coadunado numa organização religiosa modificada, sem todavia impedir os que quisessem ater-se à antiga. Mas é de todo interdito coadunar-se numa constituição religiosa pertinaz, por ninguém posta publicamente em dúvida, mesmo só durante o tempo de vida de um homem e deste modo aniquilar, por assim dizer, um período de tempo no progresso da humanidade para o melhor e torná-lo infecundo e prejudicial para a posteridade. Um homem, para a sua pessoa, e mesmo então só por algum tempo, pode, no que lhe incumbe saber, adiar a ilustração; mas renunciar a ela, quer seja para si, quer ainda mais para a descendência, significa lesar e calcar aos pés o sagrado direito da humanidade. O que não é lícito a um povo decidir em relação a si mesmo menos o pode ainda um monarca decidir sobre o povo, pois a sua autoridade legislativa assenta precisamente no facto de na sua vontade unificar a vontade conjunta do povo. Quando ele vê que toda a melhoria verdadeira ou presumida coincide com a ordem civil, pode então permitir que em tudo o mais os seus súbditos façam por si mesmos o que julguem necessário fazer para a salvação da sua alma. Não é isso que lhe importa, mas compete-lhe obstar a que alguém impeça à força outrem de trabalhar segundo toda a sua capacidade na determinação e fomento da mesma. Constitui até um dano para a sua majestade imiscuir-se em tais assuntos, ao honrar com a inspecção do seu governo os escritos em que  os seus súbditos procuram clarificar as suas ideias, quer quando ele faz isso a partir do seu discernimento superior, pelo que se sujeita à censura ‘Caesar non est supra grammaticos’ (1) quer também, e ainda mais, quando rebaixa o seu poder supremo a ponto de, no seu Estado, apoiar o despotismo espiritual de alguns tiranos contra os demais súbditos.
Se, pois, se fizer a pergunta – Vivemos nós agora numa época esclarecida? – a resposta é: não. Mas vivemos numa época do Iluminismo. Falta ainda muito para que os homens tomados em conjunto, da maneira como as coisas agora estão, se encontrem já numa situação ou nela se possam apenas vir a pôr de, em matéria de religião, se servirem bem e com segurança do seu próprio entendimento, sem a orientação de outrem. Temos apenas claros indícios de que se lhes abre agora o campo em que podem actuar livremente, e diminuem pouco a pouco os obstáculos à ilustração geral ou à saída dos homens da menoridade de que são culpados. Assim considerada, esta época é a época do Iluminismo, ou o século de Frederico.
Um príncipe que não acha indigno de si dizer que tem por dever nada prescrever aos homens em matéria de religião, mas deixar-lhes aí a plena liberdade, que, por conseguinte, recusa o arrogante nome de tolerância, é efectivamente esclarecido e merece ser encomiado pelo mundo grato e pela posteridade como aquele que, pela primeira vez, libertou o género humano da menoridade, pelo menos por parte do governo, e concedeu a cada qual a liberdade de se servir da própria razão em tudo o que é assunto da consciência. Sob o seu auspício, clérigos veneráveis podem, sem prejuízo do seu dever ministerial e na qualidade de eruditos, expor livre e publicamente ao mundo para que este examine os seus juízos e as suas ideias que, aqui ou além, se afastam do símbolo admitido; mas, mais permitido é ainda a quem não está limitado por nenhum dever de ofício. Este espírito de liberdade difunde-se também no exterior, mesmo onde entra em conflito com obstáculos externos de um governo que a si mesmo se compreende mal. Com efeito, perante tal governo brilha um exemplo de que, no seio da liberdade, não há o mínimo a recear pela ordem pública e pela unidade da comunidade. Os homens libertam-se pouco a pouco da brutalidade, quando de nenhum modo se procura, de propósito, conservá-los nela.
Apresentei o ponto central do Iluminismo, a saída do homem da sua menoridade culpada, sobretudo nas coisas de religião, porque em relação às artes e às ciências os nossos governantes não têm interesse algum em exercer a tutela sobre os seus súbditos; por outro lado, a tutela religiosa, além de ser mais prejudicial, é também a mais desonrosa de todas. Mas o modo de pensar de um chefe de Estado, que favorece a primeira, vai ainda mais além e discerne que mesmo no tocante à sua legislação não há perigo em permitir aos seus súbditos fazer uso público da sua própria razão e expor publicamente ao mundo as suas ideias sobre a sua melhor formulação, inclusive por meio de uma ousada crítica da legislação que já existe; um exemplo brilhante que temos é que nenhum monarca superou aquele que admiramos.
Mas também só aquele que, já esclarecido, não receia as sombras e que, ao mesmo tempo, dispõe de um exército bem disciplinado e numeroso para garantir a ordem pública – pode dizer o que a um Estado livre não é permitido ousar: raciocinai tanto quanto quiserdes e sobre o que quiserdes; mas obedecei! Revela-se aqui um estranho e não esperado curso das coisas humanas; como, aliás, quando ele se considera em conjunto, quase tudo nele é paradoxal. Um grau maior da liberdade civil afigura-se vantajosa para a liberdade do espírito do povo e, no entanto, estabelece-lhe limites intransponíveis; um grau menor cria-lhe, pelo contrário, o espaço para ela se alargar segundo toda a sua capacidade. Se a natureza, sob este duro invólucro, desenvolveu o germe de que delicadamente cuida, a saber, a tendência e a vocação para o pensamento livre, então ela actua também gradualmente sobre o modo do sentir do povo (pelo que este se tornará cada vez mais capaz de agir segundo a liberdade) e, por fim, até mesmo sobre os princípios do governo que acha salutar para si próprio tratar o homem, que agora é mais do que uma máquina, segundo a sua dignidade.

Königsberg na Prússia, 30 de Setembro de 1784.
Immanuel Kant

(1) - “César não está acima dos gramáticos.”

Doce Mar

Dançar no silêncio da noite. Musa obscura e secreta, que com o vagar das horas
solta a bonomia do olhar. Pulas e deitas-te na caruma dos corpos consagrados,
malha translúcida sob o luar inerme. O canto que ecoas pelo vale fala das eiras
e dos pássaros. No frémito da exaustão, corres louca pela sala de espelhos que
te mira pela primeira vez. No raiar dos salubres corpos, há árvores que vos
encontram e ambos bailam pela última vez uma mazurca bem aconchegada.

O vento do Sul trouxe chuva aos animais e aos pastos em derredor, lamacento
cheiro suave do teu rosto, carcomidas pedras no caminho dos deuses terrenos,
saias rodadas no acre do denso nevoeiro nas cabeças dos mortais. Por agora,
um trago suave de um beijo e um tilintar de copos na margem das dúvidas.
Socorro-me dos mapas e das páginas gastas dos jornais do passado. Neles,
guardo as castanhas assadas no lume dos afectos e ofereço-tas a ti, mar doce.

domingo, 5 de setembro de 2010

No Princípio Era o Som

A Música, ou aquilo de que é feita, o Som, é algo exterior ao Homem. Não é algo que saia de dentro dele, mas algo que entra dentro dele. No princípio não era o Verbo, era o Som. O Homem não teve que inventar o Som. Ele já existia milhares de anos antes de aparecer o Homem a querer ordená-lo. Existia nos relâmpagos a rasgar os céus, na água dos rios a correr, no vento a assobiar nas copas das árvores, na terra a ser sacudida pelas deslocações das placas tectónicas. A Música não deve a sua origem unicamente ao Homem. Deve-a também à Natureza, tal como o Homem lhe deve a sua. O Som é mais velho que o Homem, tão velho quanto o Universo, e nunca irá desaparecer. Ou pelo menos será a última coisa a desaparecer. A Música é a Arte Suprema. Todas as outras nobres artes são artes menores. O Homem mergulha nos livros e nos filmes, mas a Música mergulha dentro dele.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

O ópio é que devia ser a religião do povo.

Os acontecimentos em Moçambique (2)

Ao contrário do que alguns previam, as manifestações e barricadas regressaram hoje a Maputo, e podem continuar nos próximos dias.
Aqui ficam mais alguns links, em actualização:

- A razão e o sentido dos motins - por Paulo Granjo no Público.
- No dia em que Hélio não voltou para casa - reportagem de João Vaz de Almada, também no Público.
- As guerras do pão - por ABM, no Ma-Schamba.
- Maputo, take 2 - Por Eduardo Pitta, no Da Literatura.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Os acontecimentos em Moçambique

Os afazeres diários só me permitiram chegar agora ao blogue. Isto num dia em que a contestação social rebentou em Maputo, devido ao aumento dos preços dos bens alimentares, em especial dos do pão. Vou colocar aqui os posts ou notícias que considero relevantes para o acompanhamento e compreensão da situação, e este post será actualizado sempre que necessário. Para já deixo hipotéticas opiniões para depois.

- Motins em Maputo e Maria Antonieta na Costa do Índico - por Paulo Granjo, no Antropocoiso, e também no Cinco Dias.
- Maputo Policiada Hoje - por Carlos Serra (em Maputo), no Diário de um Sociólogo.
- Um mapa dos acontecimentos registados, em actualização permanente e feito por "cidadãos-repórteres", no site moçambicano "Verdade".
- Notícia do Público -  por Sofia Lorena: dá conta de seis mortos confirmados (mas, tal como os outros jornais, pelo menos à hora em que escrevo, é fraco em pormenores).
- Moçambique e o Outro Lado da Mesma História - No A Minha Mosca (autor anónimo).
- Confrontos chegaram à Beira - notícia da TSF, que dá conta de quatro mortos na segunda maior cidade de Moçambique.
- Moçambique, a Voz da Fome - por Francisco Louçã no Facebook.
- Da Sociologia Apressada - por jpt, no Ma-Schamba.
- Também no Ma-Schamba, uma reportagem fotográfica sobre as manifestações.
A maior alegria de um esquizofrénico com ilusões paranóicas é descobrir que ELES andam mesmo atrás dele.