terça-feira, 27 de julho de 2010

As férias


O blogue avança a meio gás. como é próprio deste período de férias. Por acaso, desta vez até estou em contacto com a net, mas sucede que a praia, a esplanada, a cerveja, tomam conta do espírito e não deixam espaço para muito mais. Por isso, fieis leitores, manteremos por mais algum tempo este ritmo dolente, tão próprio da época.

FMM 2010 (4)




Staff Benda Billi - A encerrar o Castelo, no Sábado. Amanhã começa o FMM 2010, se puderem não percam!

Sinais


Desenho de Maturino Galvão

segunda-feira, 26 de julho de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Por detrás do discurso de Passos Coelho

Ouvi há pouco Passos Coelho na tv (não tenho link porque não consegui encontrar as declarações ainda reproduzidas on-line) dizer isto: que a sua proposta de revisão constitucional permitia separar o PSD da Esquerda porque, "a Esquerda quer que ricos e pobres paguem o estado social por igual, enquanto nós queremos que os ricos paguem mais que os pobres". Esta afirmação é uma despudorada mentira, mas também uma que necessita de descodificação. É mentira porque qualquer um de nós sabe que em Portugal os impostos são progressivos, o que significa que os ricos contribuem muito mais que os pobres. Qual é o discurso que este tipo de afirmações pretende inaugurar? Com ele se prepara o caminho para o projecto neoliberal em Portugal: impostos iguais para todos (a famigerada "taxa única"), e depois que os serviços sejam pagos por todos (os "ricos"), com isenções para "os pobres". Atentem: qual a diferença que resulta esta mudança de paradigma? Os ricos hoje em dia já pagam para a educação, a saúde, para o seu transporte e essas coisas todas. Utilizam hospitais privados, escolas privadas, deslocam-se de carro. Uma "taxa única", para eles, é uma maneira de pagar menos impostos. Para a "classe média", ou seja, os quasepobres que constituem a enorme maioria dos portugueses, isso significa essencialmente pagar por serviços que agora são gratuitos ou tão baratos que quase. Alguém imagina o que custam, ao "preço do mercado", hospitais, escolas, transportes? Quanto teríamos de pagar por eles, e quanta "racionalização" seria precisa nos seus serviços, para serem rentáveis? Já me ouviram dizer isto: com Passos Coelho a geração dos jovens turcos "liberais" está a chegar ao poder.

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Raízes e Antenas

Um blogue sobre música do mundo, do jornalista especializado em música António Pires.
Nascido no Barreiro, por lá fez teatro, na Companhia Arte Viva. Redactor e Director do Blitz durante muitos anos, dedica-se agora à musica portuguesa e à chamada world music.
Raízes e antenas, além de blogue, vai ser um livro, a sair brevemente no FMM de Sines.
Para consultarem o blogue, cliquem no título deste post.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Manifesto 5

Hoje, é dia de fúria e sonho. Não me apetece mascarar a dúvida em contradanças sem fim. Nestas horas, é tempo de por no papel em branco a verdade e a carícia, a humildade, sem doses embriagadas de risos. O mundo da sensibilidade é difícil e minoritário. Não é possível ser-se diferente nesta dose maciça de indiferença e em que tudo é espectáculo. Faço do espectáculo a minha vida e a minha sorte, rumo sinuoso e pouco acariciador. Talvez possa haver ainda uma réstia de esperança nalgumas ilhas solitárias, talvez. Por isso esta paixão assolapada por quem vale a pena, por quem apesar de tudo, está próximo de nós na emoção de partilhar sonhos e inquietações. Por essa razão, amo alguns artistas portugueses, que fazem da persistência, humildade e muito amor o seu percurso. Feito de arranhões, feridas e dificuldades. Por isso a música que mais compro é a nossa, por isso os autores que mais leio são os nacionais, por isso os dramaturgos que devemos ler e ver no teatro devem ser os nossos. Sempre acompanhados dos outros, claro, os da estranja, como diria Samuel Beckett, mas numa relação saudável. Há tantas pessoas que só consomem, vêem, lêem coisas estrangeiras! É de doidos, para mim. É a aculturação pura e dura, sem pedir licença. E a nossa inteligência, onde ficou? No armário dos monstros da nossa pequenez e subserviência intelectual? Não, não devemos ir por aí! Eu não vou seguramente por aí. Sem ser demasiado conservador ou possessivo com as nossas origens autorais. Mas eles andam aí, muitas vezes esquecidos, desconhecidos, por desbravar no meio da névoa colectiva. Não espero o Dom Sebastião, nem quero que os Portugueses sejam aquilo que mais detesto: um país gerúndio, onde tudo vai andando e cá nos vamos arranjando, entre um verão que promove a boçalidade e um inverno dos mais frios e sem condições mínimas de qualidade de vida. Fora os condomínios que de tão privados, se privam do comunitarismo e logo, promovem o individualismo em elevadas doses glicémicas. Uma diabetes que alastra no país dos brandos saberes! Quase nada se faz com qualidade, tudo é para turista ver, em Inglês técnico-pedagógico, nas areias do deserto da nossa vida pobre, culturalmente falando. Tudo o resto é oásis, na mais falível bonomia do viver passivo. Não, vou resistir a olhar para o outro, para o lado direito, de uma Europa que nos chama. Vou aguentar e gritar nas ruas: amem o que é nosso, tenham orgulho no que temos de melhor. Faltam elites de qualidade, já diziam os escritores no Século XIX. Eu não digo nada, escrevendo muito. Talvez seja o espalhafato demasiado verborreico e inconsequente, talvez seja da idade ainda verde, talvez porque não tenho nada a perder, porque o ganho é para a massa ululante um carro de topo, uma casa de sonho e uma conta bancária de luxo. Para mim, isso é lixo que faz encolher algumas mentes mais dadas ao desvario. Eu fico-me pelo rio, por esta paisagem de sonho, que me faz deambular por estes pensamentos ignaros e infantis. Apenas quero que abram a mente e o corpo para o que é nosso. Uma localidade única, uns gestos só nossos, uma música que é ouro em bruto por explorar, as gentes sensíveis e verdadeiras, não conspurcadas, que felizmente ainda deambulam em busca do seu crescimento e dos outros. Vivam os nossos artistas, fazedores de utopias e mundos por inventar. Um bem-haja a todos os sonhadores!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

FMM 2010 (2)



Tinariwen - Sexta, 31 de Julho a fechar a noite do Castelo.

Sinais


Desenho de Maturino Galvão

Destino Quente.



«Oh, musa do meu fado
Oh, minha mãe gentil
Te deixo consternado
No primeiro abril
Mas não sê tão ingrata
Não esquece quem te amou
E em tua densa mata
Se perdeu e se encontrou
Ai, esta terra ainda vai cumprir seu ideal
Ainda vai tornar-se um imenso Portugal.»

Fado Tropical, por Chico Buarque e Ruy Guerra, 1972/73;

Comissário de bordo

Quem disse que Portugal é o país dos brandos costumes? Este é o país dos belos costumes. Como não achar belo ao costume de o Paulo Portas aparecer, cavaleiro andante, a sugerir as soluções de governação da nossa pátria? Que tal um governo PS-CDS-e já gora que também tem que ser-PSD, com o nosso messias, o António Vitorino, a primeiro? E o Paulo Portas, convenientemente, a minístro da Agricultura ou de qualquer outra coisa que lhe convenha? Estou ansioso por esta solução que irá colocar na varanda de São Bento o minorca mais (in)competente na difícil arte de deixar tudo como está fazendo qualquer coisa parecer diferente. Foi um comissário europeu cheio de virtudes, a maior das virtudes, para um comissário europeu, é não fazer nada que mude alguma coisa. Está prontinho para herdar esta espelunca, e eu cada vez mais pronto para ir para as ilhas Fiji escrever postas sobre a casa mal governada. Perdoem-me a sinceridade excessiva.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Sinais

Desenho de Maturino Galvão

A justiça e o discurso de classe

(a propósito de um comentário a este post, mas não só): Não se trata de a justiça estar, agora, mais forte ou mais fraca com os fortes ou com os fracos. A "justiça" continua a cumprir a sua função, e essa é a de perpetuar o sistema. Uma vez que perpetuar o sistema significa perpetuar a impunidade, o reino dos mais fortes, o que está errado não é qualquer "questão" sobre a justiça. É o que significa a própria "justiça". Há aquela velha história entre o "justo" e o "bom", ou seja, entre o Platão e o Aristóteles. Como se os "liberais" da velha escola "liberal" pudessem andar sem mais a definir o que é "justo" a partir das teorias de outros "liberais" como eles. Mas onde anda a "justiça" perante a fantochada de justiça que por aí anda? A "injustiça" da justiça significará, apenas, um problema sistémico português? Não, digo eu, e quem conheça a "justiça" nos outros sítios da "civilização" entenderá. Em nenhures, nem na Gronelândia, se chegou ao ponto de o acesso á justiça ser igual para todos os "cidadãos". O "justo", á maneira do Rawls, o que e? Um ponto de escape para a injustiça sistémica, para o sistema (o sistema, para quem não quer perceber, é a perpetuação). Ninguém honesto que queira perceber os enormes problemas da "justiça em Portugal" pode ignorar o Marx, e o carácter de classe da "justiça" (i.e., da maneira como funcionam os tribunais, as polícias, e etc.). Ninguém, sendo honesto, pode negar a disparidade no acesso à "justiça" entre um zé-ninguém e um senhor deputado. Este é o maior (o único!) problema da "justiça", e existindo não há justiça nenhuma. Há o "bem" ético do Aristóteles e mais nada. Justiça? Uma perpétua mentira, e cada vez mais repetida enquanto nos vamos esquecendo da questão, essa sempre presente, das classes.

FMM 2010 (1)



Quase de férias, eis um exemplo do que vou ver no Festival Músicas do Mundo, em Sines, invejem, que mais publicarei por cá.

terça-feira, 13 de julho de 2010

O Mundial da vuvuzela - Breves notas finais


Desculpem o atraso, tenho andado com mais que fazer que blogues, e mesmo agora o tempo não abunda. O Mundial terminou, venceu o melhor, como quase sempre acontece. A Espanha é de longe a melhor equipa do mundo na actualidade, e provou-o num Mundial em que foi crescendo de jogo para jogo.
*
A Holanda jogou a final com as armas que tinha. Para tal, descaracterizou o seu futebol. O lateral-direito perseguiu Iniesta por todo o campo. Os médios de cobertura passaram o jogo a correr como loucos atrás dos médios espanhóis (e a distribuir porrada, diga-se). Kuyt, em vez de extremo, parecia um segundo lateral, sempre de olho em Sérgio Ramos. O Próprio Sneijder aparecia amiúde, qual trinco, à frente da sua área. Seria possível jogar de outra forma contra esta Espanha? Não me parece. O plano era o possível, e esteve perto de resultar, obrigando à lotaria dos penalties. Não era possível à Holanda fazer mais, e muito mérito ao seu treinador, por levar uma equipa que não era das melhores em prova à final, e ficar tão perto do seu objectivo.
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Fabrégas ficou guardado no banco, qual arma secreta, até ao minuto 85. Entrou, encheu o campo, levou a bola para a frente, e assistiu Iniesta para o golo decisivo. Realmente quem tem jogadores como a Espanha, e se dá ao luxo de ter no banco Fabrégas, Silva, Marchena, Navas, Llorente ou Torres, arrisca-se sempre a ganhar. Ao seu treinador, o mérito de fazer o mais difícil neste momentos: a gestão do grupo, que todos se sintam importantes. Mesmo Fabrégas, o caso mais difícil (é a estrela do Arsenal, está a ser negociado com o Barcelona e pouco jogou), ainda foi a tempo de deixar a sua marca, de se sentir parte do triunfo.
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Uma nota final para o meu querido amigo Luiz Inácio: escrever (e pensar) sobre futebol é uma alegre inutilidade. Um passatempo como jogar às cartas. Há por aí muita gente, isso sei bem, que ocupa o vazio dos seus dias a pensar de modo monotemático e monocromático, no futebol e no seu clube, ou seja, na sua religião. Há também, e viu-se por essa blogosfera, quem se preocupe, e escreva posts em catadupa, sobre se o futebol é de esquerda ou de direita, que futebol é de esquerda ou de direita, e outras minudências. Isso sim, diria eu, é perder tempo. Olhar para o futebol com o olhar felino do analista, é para mim como interpretar o subtexto do texto. Claro que se o analista é bom ou mau, isso já é outra conversa.

The show must go on

O Mundial acabou e podemos começar a falar de outras coisas que não o insuportável futebol. Não, que o Benfica tem um novo guarda-redes, o Sporting um novo não sei o quê e o Porto um novo não sei que mais. Não, o circo não pode parar. Preparemo-nos todos para o recomeçar do ciclo, de ver e ouvir toda a gente a gastar o seu tempo com a inutilidade, a futilidade, enquanto a casta superior esfrega as mãos de contentes por o zé-povinho andar entretido. Por toda a parte, jornais, televisão, rádio, blogues, toda a gente que quer ser gente vai discutir, comentar, dissecar, refilar, e, pasme-se! pensar sobre o raio do futebol. The show must go on, mas cuidado gente, que ocupar o tempo com o futebol significa perder o tempo, e o tempo é precioso.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Giro, giro...

...É ver o Sócrates a vociferar contra o neoliberalismo enquanto se prepara para privatizar os correios e EDP.

Notas sobre o choque e o espanto no Mundial da vuvuzela (7), ou a máquina espanhola


Falei, na minha crónica anterior, da máquina alemã. Pois o que se viu nesta segunda meia-final foi a máquina espanhola. Pela primeira vez a Espanha fez um jogo à altura do seu estatuto, e o resultado foi uma exibição portentosa, um domínio quase absoluto sobre a melhor selecção em prova até então, um futebol de posse de bola e controlo total do jogo, servido por um conjunto de médios de qualidade estratosférica, de avançados do melhor que há, e de uma defesa onde todos sabem jogar à bola, e assim podem fazer parte da circulação verdadeiramente estonteante que a selecção espanhola produz.
*
Tinha aconselhado Del Bosque a colocar o Fabrégas, mas o treinador espanhol fez melhor. No lugar do Torres colocou o Pedro Rodriguez, um extremo convertido em falso segundo-avançado, sempre a cair para os flancos. A equipa ganhou assim o que lhe vinha faltando: largura de jogo e profundidade pelas alas. Os laterais Capdevilla e, especialmente, Sergio Ramos, cavalgaram para a frente e para trás, originando superioridade no ataque. Eu tinha escrito sobre os centrais da Alemanha não serem tão bons como os de Portugal; pois bem, a Espanha pressionou-os logo no momento da saída de bola; como são cepos a jogar, ao contrário dos espanhóis, os erros sucederam-se. Depois, foi observar na soberba qualidade técnica de Xabi Alonso, Iniesta, Xavi, Busquets, Villa e Pedro a circular a bola, anestesiar os alemães, e esperar pelo momento certo para desferir o golpe. Um show de futebol táctico e técnico. Depois da derrota no primeiro jogo, a Espanha foi crescendo, e chega ao jogo decisivo no topo da forma, finalmente com o problema táctico solucionado, com a inclusão de Pedro, e ainda com Fabrégas como possível arma secreta, caso seja preciso dar maior profundidade ao meio-campo. Vamos ver o que diz o polvo, mas cheira-me que vai prever nova vitória espanhola no domingo.
*
E o que dizer do Queiroz a surgir no Sol a acusar a FPF de amadora, depois a desmentir acusando o jornalista de "vigarista"? As barracas sucedem-se, e alguém para além do "professor" ainda acredita que ele tem condições para continuar?

No Arrastão

João Rodrigues, como sempre certeiro:
"Alguns dirigentes do PS disseram qualquer coisa de esquerda, mas sem tradução no campo das políticas públicas concretas. Os ideólogos do consenso neoliberal começaram logo com a conversa da “viragem ideológica” deste partido. As loucuras constitucionais de Passos Coelho, que fazem o sonho destes editorialistas, são um bom pretexto para o esforço de demarcação por parte de um PS que converge com o PSD na austeridade realmente existente e que assim reforça o plano inclinado do aprofundamento da neoliberalização da sociedade portuguesa."
Não deixe de ler na íntegra, no Arrastão

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Factos e coisas

"O Mundo é a totalidade dos factos, não das coisas", dizia Wittgenstein no "Tractactus". Na maior parte dos casos, as pessoas parecem dar pouca importância aos factos. Preferem inventar "coisas": a revolução, a evolução, o socialismo ou o capitalismo. Por exemplo, quando confrontados com factos sobre Cuba, os comunistas não lhes dão qualquer importância. Se há presos políticos ou não há, isso não é nada, porque na sua cabeça há uma coisa, o comunismo. Também os crentes no mercado, quando se lhes apresentam factos sobre as distorções e a miséria que provoca, não querem saber, porque o mercado é uma coisa na qual eles acreditam. Wittgenstein, o maior filósofo do século XX, está ainda longe de ser entendido por esta gente, e pela esmagadora maioria das pessoas.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Manteiga Voadora.


«Não vês que nada nos dirá mais do que nos diz nada.»

Manuel Cruz (Foge Foge Bandido) - Borboleta;

Notas sobre o choque e o espanto no Mundial da vuvuzela (6), ou o Mundial dos treinadores


Estou sempre a falar de treinadores nestas crónicas. Talvez eu mesmo seja um desses milhões de treinadores wannabes, frustrados. Mas como não o fazer neste Mundial? Onde estão as estrelas, Kaká, Messi, Ronaldo ou Rooney? Quem ficou no seu lugar? Para além da Espanha, uma equipa que talvez não tenha ainda expresso todo o seu potencial, e muito por causa de algumas dúvidas tácticas que o seu futebol oferece, os outros três semifinalistas são equipas cuja principal característica é a organização, o perfeito enquadramento dos jogadores na táctica, que permite aos artistas expressar da melhor forma o seu futebol, através do jogo de equipa, onde não se observam "estrelas" a tentar resolver jogos sozinhas, a tentar fintar o impossível, e mesmo no caso onde a diferença entre a estrela e o resto dos jogadores é gritante, o Uruguai.
*
À Argentina faltava jogar com uma equipa de topo, e o fracasso foi total. Maradona não é um treinador. Viram-no no fim do jogo? Os treinadores vão ter com os seus jogadores, confortam-nos pela derrota, lembram-nos da efemeridade da vida e do jogo, e das coisas verdadeiramente importantes. Diego foi chorar com eles para o balneário. Ele é um deles. Um capitão, não um mister. Claro que se isto resultou enquanto se tratou de inspirar espírito de equipa e uma certa aura à volta deles (dos jogadores, ou seja, do capitão  Maradona e dos outros), tudo foi mais complicado quando o assunto passou a ser o de tomar decisões difíceis, decisões de treinador. Por exemplo, tirar o Higuain e colocar o Milito, num jogo que estava tanto a pedir o Milito, um verdadeiro ponta-de-lança em vez de (mais) um avançado móvel. Maradona não foi capaz de tirar um dos seus, um dos seus principais. Para além disso, o dilema táctico da Argentina sempre foi o de jogar com Messi a 10, atrás de Tevez e Higuain. Se isto resultou contra equipas fracas ou médias, contra a Alemanha foi gritante a falta de alguém a recuperar bolas e a ajudar o Mascherano, quando os três da frente ficavam lá parados, o Di Maria estava encostado à linha e o Maxi Rodriguez parecia perdido em campo. Mas o essencial não foi isso. Se a Argentina teve ocasiões para empatar (com os jogadores que tem, era impossível que não tivesse), a dado momento chegou a exasperar-me a imobilidade do "treinador", como ele não tomava a decisão óbvia, aquela que milhões de treinadores "wannabes" gritavam a plenos pulmões, pôr o raio do ponta-de-lança, e ainda por cima um dos melhores do mundo, em campo.
*
Por falar em treinadores, o do Uruguai, Tabarez, deve ter andado a enganar-nos bem este tempo todo. Como é possível que uma equipa que durante quase todo o torneio joga com dois ponta-de-lança puros e um avançado vagabundo por trás (mais ou menos como a Argentina, mas com muito menos classe em campo, e avançados mais fixos que móveis) defenda tão bem, execute tão bem o pressing e seja eximia na recuperação? Talvez possa dar umas lições ao Maradona.
*
Uma meia-final espectacular, e tiro o chapéu ao Uruguai: organização, força, e um imenso querer em campo. Obrigou a Holanda a vestir-se de gala para passar. Amanhã, a melhor equipa até ao momento, a Alemanha, contra a equipa com melhores jogadores ainda em prova, a Espanha. Esta Espanha apresenta alguns problemas evidentes: joga sem extremos, pelo que pouco lateraliza em profundidade. Depois, são todos exímios a trocar a bola, mas parece faltar alguém que corra com ela para a frente; no Euro2008 a coisa também começou assim, mas depois entrou Fabrégas para a equipa, e tudo mudou nesse aspecto. Neste mundial ele tarda em entrar. Será que o Del Bosque está com dificuldades em escolher, entre todos os seus excelentes jogadores do meio-campo para a frente, aquele a sacrificar? Ou confiará em absoluto no poder hipnótico do toque de bola espanhol? Contra a máquina alemã, que alia uma impressionante precisão táctica a uma invulgar velocidade na frente, e a uma criatividade que resulta já da evolução do jogador alemão, isso pode não chegar. Agora reparem que, dos jogadores alemães, o trinco, o lateral-esquerdo, e os dois centrais não tinham lugar na selecção portuguesa. Mas quando jogam nesta equipa parecem de classe mundial. Não são apenas os jogadores que fazem a equipa; ela também faz os jogadores. Ou não fosse este o Mundial das equipas, perdão, dos treinadores.

terça-feira, 6 de julho de 2010

O desporto-rei e a rainha das nações (3)


(Aparte: estou com pouco tempo, mas mais logo retomarei as "notas", com especial ênfase à Argentina, uma selecção sem treinador. Até logo, meus fieis leitores)

(Mais) problemas

O Blogger deve andar a concentrar-se nos novos templates, que são bonitos e tal, e a esquecer-se das funcionalidades essenciais de um blogue. Agora são os comentários que não aparecem na página inicial: um post tem x comentários, e eles estão lá se clicarmos para ver, mas na página inicial aparece sempre '0'. Depois, se e quando lhe apetece (nem sempre reage da mesma forma), lá começa a aparecer o número de comentários.
A assistência on-line também é uma bela trampa. Mandei um mail, a ver vamos se resolvem alguma coisa. As nossas desculpas a todos.

Actualização: parece que é um problema que afecta imensos blogues da plataforma blogspot. Neste momento só resta esperar que se resolva... E lamentar mais uma vez.


Actualização 2: agora parece resolver-se... Veremos.

Olá Luiz!

Conhecendo-te como te conheço, espero sangue desses posts!

Olá. Até já.

Ora então aceitei um convite do meu amigo André para participar nisto. Vamos a ver no que dá. Sou o Luiz Inácio Monteiro, alguns dizem que sei umas coisas sobre umas coisas, mas considero-me antes um labrego da aldeia. De onde saí para a cidade, para fazer a "escolariedade", mais concretamente o curso de filosofia da FCSH.
Vou postar por aqui uns comentários ácidos, uns textos verrinosos, umas maluqueiras, baboseiras e sobretudo asneiras. Até já.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Crocodilos - nova série (4)


Amigos Falando
Pintura de João de Azevedo

Sinais


Desenho de Maturino Galvão

Welcome, mr. Red Reporter

Selecção Dodot

O afastamento de Portugal do Mundial de Futebol já tem explicação racional!

Afinal, os "navegadores" tombaram porque Ronaldo foi à África do Sul ver fraldas em vez de golos.

Queiroz rejubilou com a notícia. Está encontrado o bode expiatório para o afastamento da selecção. Os teóricos do "esférico" já podem largar os seus calcanhares: perdemos porque o capitão não soube transmitir à equipa as tácticas desenhadas por Queiroz. Perdemos porque o CR7 andava a pensar em "bebés" e não consta que fossem do sexo feminino...

Cristiano prometeu explodir neste Mundial mas na realidade o jogador foi uma sombra de si mesmo: sem brilho, sem vontade de correr e sem ganas de ganhar. Ronaldo foi um pai ausente!

Sobre Queiroz já se disse tudo: não tem ambição, comunica mal com os jogadores e com a imprensa, desenha tácticas elaboradas mas não lê os jogos. Tal como Ronaldo!

Apesar de futebolísticamente estarem em sintonia, na vida estão nos antípodas.

Ronaldo, futebolista pop, permanece na infância.

Queiroz (apesar de ainda estar no activo) acaba de entrar na reforma.

Sem glória!!

domingo, 4 de julho de 2010

Problemas no acesso ao 2+2=5

Verificou-se que muitos leitores do 2+2=5 tiveram dificuldades em aceder ao blogue nos últimos dias, especialmente os que utilizam o Internet Explorer 8.0. Tratou-se de um problema relacionado com um código HTML, que já está resolvido. Tendo em conta a diminuição do número de visitantes que daí resultou, terá afectado quase 40% dos leitores. As nossas desculpas a todos.

Entre jogos do Mundial, o que é fundamental

Entre jogos do Mundial, o que é importante

sábado, 3 de julho de 2010

Domingo



O desporto-rei e a rainha das nações (2)

Notas sobre o choque e o espanto no Mundial da vuvuzela (5), ou Queiroz e Dunga


A estratégia dos queirozianos é sempre a de desvalorizar os jogadores da selecção. Que já não temos a selecção que tínhamos, que os jogadores são, quase todos, medianos, and so on. Curioso. No onze de Portugal contra a Espanha, e tirando o Eduardo, um guarda-redes de top que ainda não tinha sido descoberto ao mais alto nível, os jogadores que alinharam jogam nos seguintes clubes: Valência, Chelsea, Porto, Benfica, Real Madrid, Porto, Atl. Madrid, Real Madrid, Atl. Madrid e Werder Bremen. Tudo clubes medianos, próprios de jogadores medianos. É verdade que a selecção nacional já foi melhor, e que isso deve preocupar os responsáveis. É também verdade que Queiroz é responsável pela formação da melhor fornada de jogadores portugueses desde os anos 60. Mas a selecção de 2000, com Figo, João Pinto, Rui Costa, Paulo Bento, Paulo Sousa, Couto, Jorge Costa ou Baía também era melhor que a de 2006, e Scolari levou a de 2006 às meias-finais, exactamente o que atingiu a de 2000. Será que não se percebe o erro de casting que foi a contratação deste  treinador? As suas qualidades podiam, e deviam, ter sido aproveitadas como coordenador do edifício do futebol de selecções, como planificador a médio e longo prazo de uma estratégia para os novos jogadores portugueses, que nisso ele é bom como poucos. Desconfio, contudo, que o "professor" não se contentaria com tão pouco, que o seu ego e a sua vaidade exigem mais além. 
*
Vamos então fazer um balanço sobre estes dois anos do "professor": a qualificação foi uma lástima. Portugal não ganhou a nenhuma das equipas de top do grupo, empatou em casa com a Albânia, finalizou atrás da Dinamarca (e viu-se neste Mundial o poder desta Dinamarca) e acabou a depender de terceiros para se qualificar para um play-off. Teve sorte e chegou lá. Nesse play-off contra a potência futebolística chamada Bósnia, fez um jogo miserável em casa, onde pôde agradecer aos ferros da Luz, e um bom jogo fora, onde ganhou com todo o mérito. No Mundial, jogou a medo, e mal, contra a Costa do Marfim, destroçou a equipa mais fraca da prova, fez depois um excelente jogo contra o Brasil, mas onde não arriscou nada (parecia que nós é que tínhamos o primeiro lugar assegurado), e contra a Espanha, um jogo que podia fazer pender este balanço para o outro lado, a falta de leitura de jogo e a estratégia medrosa do treinador precipitaram a derrota. Entretanto, do balneário blindado de Humberto Coelho (graças aos senhores capitães que lá imperavam) e de Scolari (graças às santinhas e à parolice), passou-se para um conjunto de polémicas estéreis, de bocas mais ou menos subtis, de insatisfações mal disfarçadas. Ora lá está: gerir um grupo de trabalho, saber ler o jogo: eis o que faz um treinador principal. Estudar, planificar e etc., isso é para adjuntos, secretários técnicos, coordenadores.
*
Portugal tem "jogadores medianos" e a Holanda ganhou ao Brasil a jogar com o Sketelenburg, o Ooijer, o Heitinga, o Van der Wiel e o De Jong. Conhecem? É verdade que tem uma grande equipa do meio-campo para a frente, com o Van Bommel, o Sneijder, o Robben, o Kuyt e o Van Persie, e ainda o Huntelaar  e o Van der Vaart no banco. Mas não tem um Cristiano Ronaldo (como não tem um Kaká ou um Robinho). A sua maior força é ser uma equipa, no verdadeiro sentido do termo, que joga pelo colectivo, sabe as suas forças e fraquezas e nunca perde a cabeça. Ganhou um jogo que praticamente decidia a passagem à final, e apesar de as três melhores equipas estarem do outro lado do quadro, um jogo é um jogo e é agora candidata séria à vitória.
*
Quanto ao Brasil, é impressionante como uma equipa, à primeira contrariedade, se desmorona como um castelo de cartas. Este Brasil parecia não estar preparado para as coisas correrem menos bem num jogo, e de certeza que não tinha um plano B. Tinha o jogo controlado, e após sofrer um auto-golo num lance infeliz entra em total derrocada psicológica (com o jogo em 1-1!). O Dunga, que eu já sabia ser limitado na leitura do jogo, e casmurro nas opções tácticas, provou que afinal também não é grande coisa a conduzir a equipa, a passar a mensagem para dentro do campo, a motivar jogadores a lutar contra contrariedades. Note-se que o treinador brasileiro não fez a terceira substituição, apesar de ter o Grafite no banco. Certamente preocupado com o equilíbrio da equipa numa altura em que o jogo já estava completamente partido. Um treinador à Queiroz, que, obviamente, vai sair, tal como Domenech, Lippi ou Cappelo. Só o nosso "professor" é que vai continuar, apesar de saltar à vista de todos que os portugueses já não estão com ele, ou seja, apesar de a sua continuidade ser, nem que seja por isso, prejudicial à selecção.
*
Do Gana-Uruguai, um jogo razoavelmente jogado, mas que terminou com a emoção ao máximo, o que me apetece dizer é que é por estas coisas que o futebol continua a ser o mais belo de todos os jogos. Perdeu o Gana, a equipa que apoiava, mas ganhou o Mundial.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

O desporto-rei e a rainha das nações (1)

Ronaldo e Queiroz


Um video da "Cuatro" espanhola sobre o dia menos bom de Ronaldo contra a Espanha. Aos 2 minutos e 10 segundos: "Assim não ganhamos Carlos". Cristiano para Queiroz após a substituição de Hugo Almeida. Até o Ronaldo percebeu; e essa de tratar o seleccionador por "Carlos"...
É óbvio que havia um problema de liderança, de respeito pelas decisões do treinador. Só o mais fanático dos "queirozianos" não vê isto depois de se repetirem os casos e casinhos, as declarações mais ou menos a quente, os recados para dentro e para fora. Voltarei ao tema com mais profundidade, talvez mais logo.

Um partido diferente dos outros. Com certeza

Segundo notícia do PÚBLICO: «O PS de Serpa contesta os resultados do concurso público para o preenchimento de um lugar de técnico superior da Câmara de Serpa. A vencedora do concurso, que se destinava ao recrutamento de um engenheiro civil para um cargo de técnico superior, foi a filha do presidente da autarquia, João Rocha (CDU). Além disso, o presidente do júri de selecção é primo da vencedora e o concurso foi feito e decidido em três dias.»

Ler o resto da notícia aqui. Note-se que a questão não é este caso isolado. Quando se afirma a postura dos comunistas como "diferente", num sentido que é moral e não político, correm-se estes riscos. Talvez quando o PCP demonstrar as "diferenças" que terá politicamente, e não através de uma pretensa superioridade ética e historietas sobre "servir o povo", possa deixar de estar sujeito a este tipo de escrutínio. Até lá... A cama em que se deitam é aquela que fizeram.