domingo, 30 de novembro de 2008

Nobody Knows


Paul Robeson

Em viagem de férias (13)


Casamento. Algures na Suécia. 2008

Foto Sérgio Santimano

“Terra de Fuga” no ESTÚDIO DO TEATRO DA TRINDADE

A Terra de Nod (em hebreu, literalmente a "Terra de Fuga" ou, segundo algumas traducões, a Terra dos Errantes) é o lugar para onde Caim foi expulso, a leste do paraíso.
Nod e aqui uma estância de férias nao longe da fronteira entre Israel e a Cisjordânia. E é lá que dois criminosos - Baltasar e Serafim - se encontram, um deles acompanhado pela namorada - Sara -, no despontar de uma possivel década de 50. Os três estrangeiros, chegam por acaso aquele lugar, vindos à deriva mas com um objectivo específico: entre o calor do deserto, o Mar Morto e os tiros que árabes e judeus trocam "lá fora", esperam de um Padrinho a ordem de execução para um crime. Quem é a vítima? E o Padrinho existe?


Ficha Técnica
Texto e Encenação: Eduardo Condorcet
Interpretação: Alexandra Sargento, Fernando Rebelo, Karas
Iluminação: Gabriel Orlando
Fotografia de Cena: António Coelho
Produção: Ninho de Víboras

Espectáculo subsidiado pela Câmara Municipal de Almada (2008).Apoio: INATEL/ Teatro da Trindade

De 26 de Novembro a 21 de Dezembro de 2008 - ESTÚDIO DO TEATRO DA TRINDADE - Lisboa

Sinais


Dsenho Maturino Galvão

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Da Capital Do Império

Flushing


Lado a lado. Mesquita e igreja presbiteriana

Flushing


Templo budista em construção ao lado de sede do templo da Ciência Cristã


Olá!
Foi Ernest Hemingway que disse que os subúrbios residenciais americanos são o local “onde acabam os bares e começam as igrejas”. O que é, na generalidade, verdade.
Só que neste cozido cultural que é a América em muitos subúrbios hoje não só há igrejas das mais diversas denominações cristãs mas templos das mais diversas crenças que ocupam o lugar onde pelos vistos o Hemingway gostaria de ver bares.
E se um dia forem a Nova Iorque não se esqueçam de visitar o subúrbio de Flushing mais conhecido por ser o local dos grunhidos do US Open em ténis do que pelas entoações nos seus templos religiosos. Mas que merece uma visita pela mistura incrível de templos religiosos literalmente uns ao lado dos outros, uma herança de um princípio de liberdade religiosa que data ainda da presença holandesa naquilo que hoje é Nova Iorque. Flushing é aliás o evoluir anglófono do nome holandês Vlissingen.
Mas antes de entrarmos na história quero também dizer vos que se numa viagem a Nova Iorque quiserem visitar uma “China Town” que não a de Manhattan então apanhem o Metro para Flushing. É como entrar na China. Lojas, peixarias, restaurantes, onde uma cara caucasiana é rara e onde o inglês quase não se fala. Entrei num desses restaurantes e comi estômago de porco frito. Nada mau embora talvez demasiado picante. A próxima vez quero provar o intestino de porco … também frito.
É obvio também que em Flushing deve haver agentes do Partido Comunista chinês porque numa esquina estava uma mesa com um dístico anunciando “ O Centro de Serviço para Deixar o Partido Comunista”. ( ver foto)
O que é interessante em Flushing é que a zona chinesa é substituída gradualmente por uma zona coreana, notada por mim pelos caracteres de escrita que são bem diferentes. E também pela igreja presbiteriana coreana. E uma outra anunciando orações em coreano e … espanhol! E há também judeus porque vi duas sinagogas. E muçulmanos porque vi uma mesquita … ao lado de uma igreja prebisteriana da comunidade coreana e chinesa. E Hindus porque vi (e visitei) um templo ao Deus Ganesh. E até budistas que estão a construir um enorme templo mesmo ao lado do templo dos Cientistas Cristãos (um grupo que apesar de se denominar de Ciência Cristã não acredita em procurar cuidados médicos para questões de saúde!). Ambos estão situados em frente a uma propriedade de uma igreja cristã coreana (creio que Metodista) e a dois passos de uma igreja católica chinesa que ficam quase em frente do edifício do Exercito da Salvação. Tudo isto numa distância que se pode percorrer perfeitamente a pé.
Membros da chamada Sociedade Religiosa de Amigos (uma seita hoje mais conhecida pelo nomes de Quakers) chegaram a Flushing em meados de 1600 para desagrado do então governador Peter Stuyvesant que de imediato os prendeu e os enviou para a Holanda. Penso que terá sido pelo facto dos Quakers serem pacifistas e lutarem então contra a escravatura. Em 1657 30 cidadãos do que é hoje Flushing enviaram uma carta ao governador lembrando-lhe que a liberdade religiosa é um conceito que se “estende a judeus, turcos e egípcios e Presbiterianos, independentes, Baptistas ou Quakers”. O homem que liderou essa luta dava pelo nome de John Bowne. A sua casa ainda lá está, hoje museu (encerrado “durante os próximos meses” para reabilitação) na rua que hoje tem o seu nome. E é nas suas proximidades num bairro residencial – surpreendente talvez pela qualidade das suas casas – que existe esse mosaico de templos, igrejas e mesquitas tudo erguido pelas diversas comunidades de imigrantes que chegam a Nova Iorque. A recém construída mesquita Hazrat I Abubakar Sadia é obra da comunidade afegã (ao lado da tal igreja presbiteriana construída por coreanos).
Talvez seja um sinal de que nem tudo é tolerância o facto de na parte frontal da mesquita estar fixado um aviso lembrando a todos que de acordo com a lei do estado de Nova Iorque é um crime interferir com actividades religiosas. E talvez não seja coincidência que do outro lado da rua numa casa privada o seu dono tenha escolhido colocar uma enorme bandeira americana no jardim.
Mas apesar disso depois de visitar Flushing não sei se o Hemingawy tinha razão quando afirmou que os subúrbios residenciais americanos são também zonas “ de grandes relvados e pequenas mentes”. Não parece ser Flushing um exemplo disso. Sei que se pode considerar Flushing o berço da liberdade e tolerância religiosa. (O governo holandês deu na altura razão ao John Bowne. Os Quakers regressaram aos Estados Unidos. Um deles formou o estado da Pensilvânia. O Peter Stuyvesant é hoje marca de cigarros. Os Quakers continuam a irritar muitos pelos seus princípios pacifistas)

À procura de desertores

Anúncio de centro para ajudar desertores do Partido Comunista. "China Town", Flushing, Nova Iorque.
Abraços,

Da Capital do Império,


Jota Esse Erre
Texto e fotos

terça-feira, 25 de novembro de 2008

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Da Capital do Império

Olá!

Como vocês sabem o Grupo dos 20 Gajos (G-20) esteve aqui recentemente para um boa jantarada em que um dos vinhos ( Shafer Cabernet Hillside Reserve 2003)) custa a retalho entre 350 e 400 dólares a garrafa. Nada mau!
Mas o que me chateou não foi isso. Eu acho que um bom vinho deve ser bebido sempre em boa companhia e mesmo em má companhia porque após o terceiro ou quarto copo a companhia começa a já não interessar muito, principalmente quando o pretexto para os copos é resolver os problemas financeiros do mundo.
O que me chateou um pouco foi ver que o Nicolas Czarkozi já foi ligeiramente infectado pela doença infantil da UEtupia que é o anti americanismo primário. É uma doença perigosa porque resulta de imediato na incapacidade de analisar friamente factos ou mesmo em certos casos na paralisação total do cérebro cada vez que a palavra “América” é mencionada. Em alguns casos leva mesmo demência total quando a palavra “Bush” é ouvida.
Digo isto porque o Czarkozi mostrando a tal infecção veio juntar a sua voz ao coro daqueles que nos últimos meses têm vindo a pregar o fim do estatuto dos Estados Unidos como superpotência mundial. Vêm aí os chineses! os indianos! e agora vejam lá até os brasucas vêm aí acabar com o estatuto de superpotência de Washington.
“Os Estados Unidos continuam a ser a maior potência mas já não são a única potencia,” disse o Czarkozi um pouco à La Palisse. Deve ter andado a estudar aqueles analistas que proclamam que os Estados Unidos “não podem já ditar e esperar que os outros sigam”. Pois claro que não. Não são nem nunca foram a única potencia nem nunca puderam ditar à espera que os outros seguissem. Foi por isso que houve guerras na Coreia, no Vietname, no Iraque. Sempre houve outras potências e sempre as haverá. Sempre houve e sempre haverá quem não obedeça a “sugestões” de grandes e superpotências. Ser superpotência nunca significou ser-se única potência ou omnipotência. Significa apenas isso: ser-se Numero Uno e por isso ter-se mais influencia, mais capacidade de acção, mais poder.
E aí nada mudou. Vejamos:
O rebentar da bolha financeira acabou logo à partida com o mito de uma economia mundial desligada da economia americana como se apregoava. Os Estados Unidos constiparam-se o mundo apanhou uma gripe. O que só pode espantar aqueles que ao início não podiam esconder o seu regozijo perante a crise americana demonstrando ou uma total ignorância da realidade ou um caso óbvio de doença infantil da UEtupia. Senão vejamos: O ano passado os Estados Unidos constituíram 21 por cento da economia mundial. Em 1980 eram 22 por cento. Tendo em conta o advento da China, Índia e brasucas a perda de um por cento da produção económica mundial em 27 anos não me parece um sinal de descalabro económico. E ou muito me engano quando a poeira assentar essa percentagem terá aumentado
Vejamos os números da crise: O Congresso aprovou um pacote de 700 mil milhões de dólares. Isso é 5 (cinco) por cento do Produto Interno Bruto americano. A Alemanha (a maior economia europeia) aprovou um pacote de entre 400 mil milhões e 536 mil milhões de dólares. Isso é entre 12 e 16 por cento do seu Produto Interno Bruto. O pacote aprovado pelos ‘bifes” é de 835 mil milhões ou seja 30 (trinta) por cento do seu PIB.
Essas percentagens não são de admirara Em termos de PIB a economia americana é quase tão grande como a dos outros seis países do G 7
Dividas americanas? São tantos zeros que já não sei se devo dizer triliões ou milhões de milhões. Mas qualquer que seja a palavra certa a percentagem da dívida do governo americano em relação ao PIB é de 62%. Muito? Talvez. Na zona do Euro é de 75 por cento. No Japão 180%.
E não vou entrar aqui em “research and development” ou investimentos na educação terciária. Não é preciso números. Basta ir dar uma passeata por uma universidade americana onde as bibliotecas estão abertas até ás 23 e 24 horas com malta a “marrar” e onde há computadores que sobram. Depois atravessar o lago e dar se uma passeata por uma universidade desse lado do charco e está tudo dito. Defesa? Os Estados Unidos gastam mais em defesa do que os seguintes 14 países em conjunto. E isso é apenas 4,1 por cento do PIB, mais baixo do que durante a Guerra-fria. Iraque, Afeganistão? Menos de um por cento do PIB. (Sim eu sei que o poder militar não é necessariamente sinal de força. Sei que é consequência.)
O Czarkozi deveria feito uma leitura fria dos números. Não o fez e depois meteu outra vez a pata na poça quando afirmou que “o dólar já não é moeda de reserva” do mundo. Aí eu desatei a rir às gargalhadas. Lembrei-me daquilo que o “garganta funda” disse aos jornalistas do Washington Post quando estavam a investigar o escândalo Watergate: “ If you want to know the truth follow the money”.
Ora bem: Vocês devem lembrar-se que o Euro atingiu 1,60 dólares por volta de Abril, altura em que a Libra esterlina valia pouco mais de dois dólares. Tenho a dizer que eu ficava cheio de inveja a ver os “europas” e “bifes” a virem a este lado do charco encher as malas de compras. Depois rebentou a bolha financeira e o Euro e a Libra Esterlina pareciam mergulhadores a saltar da prancha dos dez metros nos jogos olímpicos. A última vez que olhei para os câmbios o Euro estava a 1,26 e a Libra esterlina a 1,50 dólares. Nunca tão poucos caíram tanto em tão pouco tempo.
Então porquê? Porque em tempo de crise verdadeira, como aquela que se faz sentir agora através do mundo o princípio é muito simples. Segurança só há uma: no dólar e mais nenhuma. Só em Setembro (mês em que a bolha estoirou) a China comprou 43 mil e 600 milhões de dólares de títulos do tesouro americano.
A procura de dólares foi tão grande que a 29 de Outubro o banco central americano, o Federal Reserve assinou um acordo de “troca de liquidez” com os bancos centrais do Brasil, México, Coreia (do sul) e Singapura. Cada um vai receber dos States 30 mil milhões de dólares para “mitigar o alastramento das dificuldades …. em economias que são fundamentalmente boas e bem administradas”.
Enterrado no fim do comunicado dizia–se que o Federal Reserve tinha autorizado acordos semelhantes com a Austrália, Canada, Dinamarca, Inglaterra, Banco Central Europeu, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Suécia e Suíça.
A julgar pelo que disse o Czarkozi eu pensava que deveria ter sido ao contrário. Obviamente o Czarkozi não leu o comunicado do FED. Pior do que isso: He did not follow the money. Só veio aqui beber um vinho caro …americano.
Abraços,
Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Já este sábado não percam a festa de tributo a um dos grandes cantores do continente africano Lucky Dube que conta com a 1ª apresentação em Lisboa de
RAS DaMULA & KIKONGO VIBRATION
SoundsystemsBob FiguranteSelecta DiferenteJula Jah SoundsystemMistic Fyah Soundsystem & guests
Sábado-22/04h, entrada 3heróis. Centro de Artes Regueirão dos Anjos, Rua Regueirão dos Anjos 68 (metro Anjos)

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Em viagem de férias (8)

À saída de Christiania. Copenhaga. 2008

Foto Sérgio Santimano

Da Capital do Império

Olá!

Espero que vocês aí do outro lado do charco já se tenham acalmado. Aqui ainda anda tudo um pouco excitado de modo frívolo por aquilo que o próprio Obláblá disse “só ser possível na América”. O que de certo modo é verdade. Ao fim e ao cabo o histórico não é o facto de o Obláblá ser de descendência negra e ter ganho as eleições. O histórico é o facto de um eleitorado esmagadoramente branco ter votado no Obláblá. Para já isso “só é possível na América”. Não é possível em França (Mon Dieu!), em Inglaterra (falo do posto de Primeiro ministro claro está e não imagino um dos partidos a ter como seu líder um Barack Hussein Obama)), nem sequer no “multirracial” (?) Brasil onde até há pouco tempo não havia sequer (não sei se já há) um embaixador negro brasileiro.
Há que dizer que a razão por que o fenómeno Obama só é possível na América é porque ele é o efeito não a causa de mudanças. Isto é o longo processo de integração racial já tinha atingido pontos não vistos noutros países. Colin Powell foi conselheiro de Segurança Nacional na presidência de …. Ronald Reagan. Foi chefe de estado-maior general das forças armadas na presidência do Bush pai. Clarence Thomas é juiz do supremo tribunal aprovado por um congresso de maioria Democrata mas nomeado por um presidente Republicano (Bush pai). Condoleezza Rice ‘e Secretária de Estado. Percorra-se a América e a integração de uma classe média negra americana na cena política e social no país não tem igualdade noutros países ocidentais com minorias equivalentes. Nem de longe, Olhe-se pra as forças armadas, para as estações de televisao. Tudo isso, tal como Obama, resultado de uma longa caminhada. Primeiro pelo fim da escravatura, depois pelo fim da discriminação, pelos direitos cívicos. Tudo isso ajudado por uma política de “discriminação positiva”’ de extremo sucesso” quiçá já desnecessária senão mesmo agora contra producente. Obama não é portanto causa de mudança como se prega por aí. É efeito.
Há dois outros pontos interessantes a fazer:
1) O Obláblá nunca fez referência à questão racial. No dia em que foi oficialmente nomeado candidato do Partido Democrático celebrava-se 40 anos do famoso discurso de Martin Luther King “Tenho um sonho”. O Obláblá nem sequer o mencionou. No seu discurso de vitória eleitoral nem uma menção ao tal facto histórico à parte a referencia que “a minha história só é possível na América”. Foi esta recusa em falar da sua raça ou dos problemas raciais que levou inicialmente os Jesse Jacksons deste mundo a não o considerarem “suficientemente negro” ou a afirmarem que o Obblablá “ não viveu a experiencia dos negros americanos” (o que neste ultimo caso é verdade) e a ameaçar “cortar os colhões ao Obama porque fala de alto para os pretos”. Os Jesse Jacksons deste mundo não conseguiam o apoio da brancalhada mesmo a liberal porque lhe estava sempre a lembrar a escravatura, a discriminação, as injustiças, a história e depois a pedir favores para “corrigir” essas injustiças. Jesse Jackson, Al Sharpton e outros dirigentes tradicionais dos negros americanos viviam (e ainda vivem) da indústria da culpabilidade histórica tão aceite pela brancalhada. O génio do Obláblá foi projectar uma América pós racial e depois deixar que essa projecção definisse a decência política. O Obláblá disse à brancalhada: eu não falo de raça se vocês também não falarem dela ou a usarem contra mim. Foi a receita perfeita. Lembrem-se que foi no Iowa durante as primárias que Obama se tornou um candidato viável. No Ohio 95 por cento do eleitorado é branco. O sucesso da receita pode ser visto ainda pelo facto de que em certos círculos de brancos ou negros pôr em causa os “pecos” do Obláblá era como tentar dizer mal do Maomé em frente a uma audiência dos Mujahidines Sem Fronteira.
2) Obama fez uso da sua capacidade de retórica para atrair multidões aos seus discursos. Nas multidões todos são iguais e todos projectam as suas aspirações, os seus sonhos no candidato. Milhares de descontentes com milhares de visões e outros tantos milhares de ingenuidades, todos identificados com o Oblablá que por isso foi sempre coisas diferentes para diferentes eleitores. O Obláblá tinha assim que mandar “pecos” que não o definissem. “Esperança”, “mudança” foram as palavras de ordem. “Não pretos, não há brancos, não há estados republicanos, não há estados Democratas, há Estados Unidos da América”. Bom peco.
Foi prometido tudo a todos e essa aliança de brancos de classe média superior, e minorias raciais gostou. Como dizem os americanos o Obama “talked the talk”. Agora resta saber “if he can walk the walk”.

Um abraço,
Da capital do Império,

Jota Esse Erre

Concerto de apresentação do CD "AMAR GUITARRA"

Teatro Lethes - Faro

15 de Novembro (Sábado) às 21:30h


“Amar Guitarra ... com Paixão e Alma”
“Uma viagem instrumental pelo universo musical latino conduzida
por duas guitarras em diálogo revisitando o Jazz, o Flamenco e o
Blues em composições originais e de outros autores”.


O Quarteto “Amar Guitarra” é a evolução natural do projecto de música instrumental “Las Guitarras Locas”, com João Cuña e Luís Fialho nas guitarras acústicas.
Após o primeiro CD “Las Guitarras Locas”, João Cuña e Luís Fialho apresentam o seu novo álbum: “Amar Guitarra”, que acrescenta ao projecto a sonoridade única da guitarra portuguesa, além de uma harmoniosa secção rítmica.

A secção rítmica deste quarteto é composta por Tiago Rêgo na percussão e Marco Martins no baixo, acrescentando assim novas texturas sonoras a um projecto único na música portuguesa.


Consulte toda a informação (contactos, músicas, vídeos, fotos, blog e agenda de concertos) em:

http://www.amarguitarra.com/

Sinais

Desenho Maturino Galvão

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ilha Morena


O lugar do Monte, freguesia da Candelária do Pico, foi a terra natal de Tomás da Rosa, professor e ensaísta. E terá sido esse lugar calmo, de vinhas, figueiras, pinheiros e faias, mas também de árvores de fruto, rebanhos com a música dos seus chocalhos, a sua gente, uma vida tranquila que se repartia entre o amanho das terras e a pesca, o lugar que primeiro contribuiu para a formação de uma personalidade sã e sabedora.
A sua estadia no Oriente, em Macau, onde frequentou, no Seminário, o Curso de Teologia, foi, sem qualquer dúvida, uma fase bastante profícua da sua vida. O contacto com uma cultura milenar e com um povo acostumado às privações, o fluir de uma grande cidade portuária, sítio de acolhimento de variadíssima gente, os juncos rasgando esses mares de incontroláveis mercadorias, alargou os horizontes de um adolescente ilhéu. Tendo desistido da carreira eclesiástica, veio para Lisboa onde concluiu Filologia Clássica, na Faculdade de Letras, com elevada classificação. Na capital do país deparou com o ruidoso viver daquelas ruas, os tumultuosos vendedores, os seus cafés e tertúlias.
Ainda em vida do autor fora publicado, em 1990, o volume de ensaios Alguns Estudos, textos dispersos que resultavam do seu trabalho de atento observador da produção literária nacional. Mais tarde seriam editados pelo Núcleo Cultural da Horta – fora um dos seus fundadores – os poemas de Miragem no Tempo, em 1996, e os livros de contos Ilha Morena, em 2003, e A Tarde e a Sombra, em 2005.
Os seus contos – escolhemos, neste caso, Ilha Morena, com prefácio de Manuel Tomás da Costa – permaneceram no silêncio das gavetas ao longo das dezenas de anos em que Tomás da Rosa leccionou no antigo Liceu distrital, onde a sua eloquência se tornara notada desde que iniciara funções. É curioso constatar que a mesma visão do mundo que o autor transmitia aos seus discípulos, encontramo-la na sua escrita de forma quase imaculada, porque não foi ferida nem suja por quaisquer modelos, nem sofreu influências exteriores ao seu pensamento. Assim, permanece o apego ao chão onde correra quando criança, o reconhecimento do pacato bem-estar, uma harmonia que dispensa o luxo, ou as técnicas do mundo contemporâneo, e valoriza o entendimento e a concórdia dos habitantes.

Daí que o Paulino, protagonista do conto que dá título a este volume, depois de muitos anos emigrado no Canadá prefere regressar à ilha do Pico, com sua esposa, e vai ocupar-se com a edificação de uma nova residência. «Em volta da bela moradia, descansava-se no pátio quadrangular cimentado, com ajardinamentos. Dali descia-se por três degraus de basalto, lavrado a picareta, para uma esplanada de bagacina miúda, onde se tinham aproveitado, para sombra, os plátanos e as acácias existentes. Dois metrosíderos copados faziam de toldo a mesas de pedra, redondas, antigas mós de atafona».
Essa dedicação à natureza é patente em quase todos os textos do livro em questão, como, em «A Ardósia Pequena», curiosa narrativa acerca do primeiro namoro de adolescentes, tendo como pretexto a “pedra” que se utilizava nas escolas. Mas transporta-nos às terras do pai do rapaz, o qual, como qualquer ilhéu, olhava desvanecido os navios que avistava no horizonte. Supunha que, invariavelmente, se dirigiam para a América, palavra que imaginava sinónimo de prodígios e fortuna. Irá descobrir, ao alvorecer, que a sua ilha é maravilhosa.«O Antoninho depois de uma noite regalada, saboreou pela primeira vez o deslumbramento do amanhecer no mato. Nas pastagens do avô, onde a aragem brincava entre a erva e os bezerros andavam à solta. Nem lhe assaltava à mente a imagem obsessiva da ardósia. Nunca ouvira, assim, em trinados de tão harmoniosas modulações, a grande cantoria de melros e canários».
As árvores são parte integrante da vida nos campos. Fornecem os seus frutos, projectam a sua sombra sobre os caminhantes, resguardam os apaixonados. «A tarde parecia-lhes um barco a ondear em volta. E a vida, toda, parecia-lhes fluída. Tinham-se desviado do “passeio”, e as folhas da anoneira, baloiçadas por uma aragem estranha, tocavam-lhes algodoadamente no rosto». Mesmo depois de uma vida inteira, já os anos rolaram com seu ritmo diferente, no Pico ou na Califórnia, aquele momento sob «A Anoneira» fixara-se para sempre nos dois jovens que ali se encontravam.
Há também histórias de viagens atribuladas no canal, homens que morrem na costa, levados pelas ondas, na apanha das lapas, roubos, brigas no final das festas, namoros indesejáveis, dívidas antigas, vinganças, a vida. Porém, Tomás da Rosa prefere que a luminosidade incida noutras coisas. «Ecos de guitarras e violas repercutiam-se em outeiros e montes, de crateras amaciadas pelo verdor das forragens húmidas. O brando e amigo sol de Setembro, familiar de vinhedos encachoados e de quintas coloridas de maçãs, aquecia sobretudo os corações novos». Tinha a sua ética. A sua maneira de pensar.

Mário Machado Fraião



Sinais


Desenho Maturino Galvão

Isto sim é cantar!


Mahnah mahnah, The Muppet Show

Obama Casa Grande

É acertado, e prudente, não destoar nas grandes ondas de optimismo, particularmente quando estas evoluem para vagas de júbilo. Assim, limitar-nos-emos a alinhavar uma ou duas considerações, sem estragar a festa com impertinências da racionalidade. Todos têm direito a um momento Gilberto Gil- um momento de puro prazer e de exaltação com o recomeço da História, agendado para o século XXI, que, como se sabe, ‘arranca’ no dia 20 de Janeiro de 2009.

Contrariando aquela regra pouco douta de que a oposição não vence eleições, a posição é que as perde, a vitória categórica de Obama sucedeu contra duas das mais poderosas máquinas políticas dos EUA. O tug-of-war do GOP, em que pontifica o incontornável Rove, e o apparatus político dos Clinton- desta feita ao serviço da ‘cabra velha’-, e seus associados afro-american. Aqueles que medraram, prosperaram e se acomodaram na atitude de vitimização sem prazo de redenção e numa postura conformista de agravo eterno.

Político sobredotado, Obama soube ler os sinais, internos e externos, que anunciavam, exigiam, uma visão pós-racial, ou color blind. Recorrentemente, o presidente-candidato desfiava a narrativa transversal, dirigindo-se a todos os americanos. Black, white, native, asian or latino. Um amálgama imprescindível para vencer a realidade demográfica.

Prometer o quê? A devolução de alguma providência ao estado quase destruído pelo uberliberalismo e a devolução de algumas liberdades subtraídas em nome e razão do combate ao terrorismo. Suficiente. E felizmente indiciado na acertada escolha do chief of staff, uma espécie de premier, Rahm Israel Emanuel.

Necessário? Amortecer as expectativas acumuladas ao jeito de uma federação de esperanças, entre as quais, as habituais leviandades ilusórias, e responder à federação de interesses representados na Casa Branca. O que interessa é definir um novo paradigma energético, o que vai ‘nascer’ no cluster combinado Detroit/Silicon Valley.

Esgotado um ciclo de mediocridade e de guerras de petróleo, estamos maduros para a crença no homo faber obamaniano. Yes, we can.

Pronto, aí temos o presidente-eleito pós-racial, Barack Hussein Obama, chefe democrático da aldeia global. Será que Obama vai chamar um luso-descedente para o governo? Um tuga pós-moderno que não se chame Silva e não seja marron?

Uma notinha para os vencidos, com honra e graça como se esperaria do Avô Cantigas e da Bible Spice. O GOP entra imediatamente em fase de refundação e, diz quem sabe, já desponta lá ao fundo, no Louisiana, o adversário de Obama em 2012: Bobby Jindal. Sim, é de origem indiana. E que importa isso? Yes, he can.


JSP

sábado, 8 de novembro de 2008

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

I, Too, Sing America

I, too, sing America.

I am the darker brother.
They send me to eat in the kitchen
When company comes,
But I laugh,
And eat well,
And grow strong.

Tomorrow,
I'll be at the table
When company comes.
Nobody'll dare
Say to me,
"Eat in the kitchen,"
Then.

Besides,
They'll see how beautiful I am
And be ashamed--

I, too, am America.

Langston Hughes

(republicado como continuação de uma conversa)

Strange Fruit


Billie Holiday

Republicado porque a conversar chegámos aqui.

Em viagem de férias (4)


Num comboio Copenhague-Malmo (Sul da Suécia). 2008

Foto Sérgio Santimano