quarta-feira, 30 de abril de 2008

Terra


Museums Quartier Wien- 2008
Foto:g.ludovice

Poutin vai " mandar " só mais quatro anitos?!?

É uma entrevista reduzida mas deliciosa. Emblemática e virtuosa. Esta que o Financial Times ontem publicou sobre Poutin, Medvedev e o futuro da Rússia. O interlocutor é um antigo " liberal ", Igor Yurgens, que dirige um grupo de reflexão( think-tank), muito próximo do Kremlin, mas sem dar nas vistas por seguidismo ou uniformidade. Foi realizada por Stefan Wagstyl, que se juntou à dupla famosa dos grandes correspondents do matutino económico europeu, Buckley e Catherine Belton, se bem se recordam.

Yurgens, antigo secretário-em-chefe do mais badalado grupo lobbysta comercial russo, dirige agora o Instituto para o Desenvolvimento, cooptado pelo futuro PR, tem a suprema lata de dizer ao poderosíssimo quotidiano da Economia mundial, que Poutin vai entregar o poder a Medvedev ,mas- atenção- vai demorar o seu tempo... " Apesar de Poutin inicialmente querer continuar a mandar, sem sombra de dúvidas, genuinamente, ele vai entregar o poder a Medvedev , talvez daqui a quarto anos ". Trata-se de uma " caixa " sensacional inserta em lugar dispiciendo na pág.3 do matutino britânico. Ninguém perturbe os russos, please. Vamos ter paciência e acreditar nos fogachos de liberalismo russo pró-ocidental imanentes…

O expert diz que Poutin quer encaminhar o sucessor. E para onde? Para modernizar e ocidentalizar a máquina burocrática e económica russa., sublinha. A Rússia é dos países com mais futuro no Mundo: mão-de-obra qualificada e grandes recursos mineiros, hidroelectricos e agro-alimentares, incluindo a pesca multi-oceânica. Só que os estragos causados pelo marxismo soviético foram brutais e desmoblizadores. E o perigo encontra-se agora numa expansionista China, que pode cobiçar várias extensões da Sibéria e do Extremo-Oriente russo, de forma mais ou menos determinada.

Yurgens não se dá por rogado e acentua: " O novo presidente tem que ter muito cuidado, pois existem ainda alguns esqueletos no armário, alguns clans para domesticar e alguns sofisticados ficheiros para fechar ". Ora toma lá disto.E vai mais longe ao anunciar, convicto: " Medvedv quer colocar na sua administração jovens profissionais e " gente da Internet society"(sic). " Até aonde ele pode ir ou não, ainda é pouco claro, mas Medvedev quer a trabalhar consigo reformadores, favoráveis ao Ocidente e não-racistas ".

FAR

terça-feira, 29 de abril de 2008

Glossário ultra rápido do boyísmo

Este glossário não respeita ainda as regras do acordo ortográfico, segue a sina antiga do p em óptimo e do c de gaita em facto, assumindo no entanto o y de boy sem receio de quem, sendo pelo ph, tenha, de há muito, optado por ser habitante de uma solidão elitista vocabular em Ortugal (queda involuntária do P que, como na anedota do lete e do cafei fugiu para Pespanha) e se decida pela agressão verbal contra o precário autor destas notas, um Zé ninguém.
No país dos boys é óbvio - em breve óbio - que boy e não boi prevalece, pois boi pertence ao léxico taurino (tauíno após a previsível queda do r de cornos, conos no âmbito ortográfico acordado, coisa que é feia no masculino sem o magnífico r, consoante mãe de todas as batalhas).
Porctanto vejamos:
1. O Y distingue o boy do boi. O primeiro fala portinglês e o segundo fala a quarta classe antiga, marrando abecedário, rios, etc., sendo mais sensato que o primeiro – o boi enganchando numa trama trágica diária conta os fados como cuspidelas lacrimejadas no rosto do destino. É porctanto comum e precvisível ouvir o boy dizer performance, como flop, assim como spréde, assim como self made à mão, do mesmo modo que nunca usa a expressão fast thinking apesar de portinglesa.
2. O verdadeiro boy usa gel e não usa chapéu. Normalmente o gel é da cor do nó da gravacta ou vice-versa. O boi usa o que pode.
3. O boy é de código genético um vice que sonha permanentemente com a oportunidade de ser um primeiro e que, logo que possa, mata o parceiro para lá chegar. Nos cromossomas traz um bafejo cheirando a nabos, a humildade dos nascidos remediados toscos numa beira alta ou baixa e gosta de n coisas caras nomeadamente de sonhar aristocrata turbo. O boi pasta.
4. O boy é politicamente correcto pela frente e ladrão por detrás, chegando a vender o pai, a mãe ou os irmãos. É muito comum não falar coma irmã mais velha por causa da quarta classe antiga dela. O boi vai á irmã no fim-de-semana.
5. O boy é centrista para os dois lados. O boi atura-o.
6. Os boys crescem como erva daninha. O boi come-a quando pode, pois dá cabo da outra, a boa.
7. Um boy pêessedê é muito diferente de um boy pêesse. O boy pêessedê consegue ser mais moderno, usar outro tipo de gel e o boy pêesse é mais ligado às sondagens e a perfumado de fresco.
8. Os boys detestam-se e chamam-se boys uns aos outros depreciativamente com o ânimo exaltado dos que afirmam o direito à indignação. O boi no caso pacienta.
9. Há o grande boy de conselho de administração e há o pequeno boy para-autárquico. É comum que o último, depois de sete anos de nojo, chegue a um conselho privado de administração empresarial local ou mesmo público.
10. A história dos boys remonta a introdução do vinho do Porto nas encostas soalheiras do Douro aquando da chegada dos ingleses que nos descobriram assim como nós descobrimos os indianos da Índia. Nessa altura a palavra boy significava rapaz e não rapace, sentido actual do termo. O que os foi unindo na classe dos boys – sindicato clandestino – foi a defesa do mesmo princípio relativo à comissão: comissão para cá ou nada feito é a expressão que mais se ouve sempre que se fala de fazer qualquer coisa em que entrem dinheiros públicos. O boy nunca fez nem fará nada de próprio porque ele é, como diz Agamben, o pequeno burguês planetário, o que tudo aposta na indiferenciação indistinta. O boy age sempre na sombra e por conta própria. O boy é mais perigoso que o boi mesmo quando este é da lezíria.
É por estas razões que gosto dos bois.
Finalmente o boy é um AMELO.

fmora

Putin: o poder a qualquer preço

"A democracia, hoje, é estruturada pela igualização do sentimento de competência. Isso constitui uma radical revolução: interessamo-nos pela política porque pensamos ter os meios para nos interessar por ela ", escreve Pierre Rosanvallon, o politólogo que foi conselheiro especial de Rocard e é, hoje, guru do Collège de France, o topo da carreira universitária gaulesa. A marcha qualitativa da vida em comum, acrescenta, "postula que a vitalidade da democracia seja agenciada não só pelo reconhecimento da legitimidade e da positividade do conflito na sociedade, uma espécie de engrenagem e de regulação das divisões, mas também zela pela organização das instituições do consenso e da partilha comunitária". Isto são teses abordadas no seu último livro, "La Contre-Democratie", Edit Au Seuil, que saiu no decorrer das últimas presidenciais tricolores. Ora, a partir destes critérios, claramente se percebe que a hiper-presidencialização do sistema político russo por Putin, que parece hesitar entre duas maneiras opostas de se suceder a si próprio, só pode acabar por neutralizar o sonho de sentido e forma democráticos da Rússia contemporânea.

Entre a intensa polémica mundial desencadeada pela valsa-hesitação do n°. 1 do Kremlin em se suceder a si-próprio, ou designando um desconhecido sem perfil e sem autonomia, ou transformando o cargo de PM no núcleo duro do regime para o qual se postula, grande destaque para uma magistral artigo no Financial Times (10 Oct.07) de Anatol Lieven, professor do Departamento de Estudos sobre Guerras no King´s College, de Londres. Justamente, o analista dita de início a chave da sua tese: "A pedra de toque da política russa nos últimos vinte anos não se manifestou nas lutas e rivalidades forjadas entre partidários da democracia ou da ditadura, mas nos combates entre diferentes espécies de oligarcas ". E detalha: "A oligarquia que se formou por acção do presidente Putin é, de longe, mais coerente, estruturada e disciplinada do que a colecção de magnates feudais dados à estampa por Yeltsin".

"Then again, a fully fleged oligarchy does not depend for its survival on one leader; on the contrary, it tends to rotate power among different members of the ruling elite.. For better or worse the Russian oligarchy is still far from achieving that degree of solidity. Mr Putin may be more the chairman of a corporate board than a personal ditactor, but he is extremely powerful. Without him, it is felt, not only would the rulling group lose iits prestige with the population, but it would be liable to fall into uncontrollable rivalries. Not just Mr Putin himself but most members of the elite are therefore determined that he go on exercising dominant influence after stepping down as president next year.

Hence Mr Putin´s apparent intention to take over the leadership of the progovernment political party, United Russia, and turn it into a real rulling party rather than the present coalition of bosses and celebrities held together by allegiance to the president. This could be accompanied by Mr Putin´s assumption of the primer minister´s office, leading in turn either to the next president quickly stepping down to allow Mr Putin to run another presidential term according to the constitution, or to the transfer of real power from the presidency to the prime minister´s office .

Given Mr Putin´s youth ( he has just turned 55), his great though contested achievements and his immense popularity, it would have been surprising if he had not sough to retain dominant influence. Whether this is the best way to go about things is a different matter. Frankly, if he could not retire, then it might have been better if he had changed the constitution to allow presidents to run for extra terms and submitted the change to a popular referendum. As it is, all Mr Putin´s possible courses look extremly problematicWorst of all would be for Mr Putin´s to become an all-powerful prime minister under a supposedly emasculated presidency. This strategy could lead to a disastrous clash between president and primer minister and the destruction of the entire system".

FAR

Sinais


Desenho Maturino Galvão

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Da Capital do Império

Olá!

Eu não sei se a malta na África Austral já se apercebeu mas o Robert Mugabe arruinou totalmente o pouco da boa reputação que alguns de países tinham conseguido nos últimos tempos reconstruir por estas e outras bandas.
Lembram-se do mecanismo de verificação de pares, Peer Control Mechanism? Um sistema de crítica dos países africanos aos que não se comportassem bem, parte da tão propagada “renascença africana’’ gritada aos quatro ventos pelo Thabo Mbeki. Nos últimos tempos não se fala muito desse tal mecanismo. O Mugabe deve ter escangalhado o mecanismo como escangalhou o país e agora acaba de escangalhar a reputação que alguns dos países da região tinham conseguido fortalecer.
Tenho a dizer vos que após a última cimeira da SADC e das bacoradas do Mbeki afirmando que “não há crise” e que há “sinais de esperança”, sente-se o gelo, espanto e total incompreensão nos corredores de instituições internacionais. Outro dia um diplomata que conhece bem essas zonas dizia me em tom exasperado que a reacção dos países vizinhos ao Zimbabué faz com que ele volte a acreditar agora que “as coisas em África vão ter que piorar antes de … piorar”.
Não é bom sinal mas não é de admirar. Ao fim e ao cabo o Bob Muggers conseguiu fazer ao Zimbabué o que quase 15 anos de sanções da ONU, aplicadas internacionalmente, nunca conseguiram fazer à Rodésia do Ian “tabaqueiro” Smith: arruinar o país. Para quem consegue fazer isso, arruinar a reputação dos outros é coisa fácil.
Eu sei que a resposta do Thabo e do Guebuza é que mais se faz pela calada do que com declarações públicas. Talvez. Mas nem sempre. Mas mesmo que assim seja, pela calada pode-se fazer por exemplo aquilo que os sul-africanos fizeram ao “tabaqueiro” para o forçar a ir a Lancaster House negociar a rendição. Dar ordens aos chefes de estação de caminhos de ferro na fronteira e aos chefes das alfandegas para serem meticulosos na sua procura de contrabando na mercadoria que entra e sai do pais, dar ordens ao pessoal das embaixadas para ser meticuloso (leia-se muito lento) na concessão de vistos aos membros do governo, vistoriar com grande atraso pedidos de transferência de fundos, abertura de contas bancárias etc. etc. Ou fazer o que a Frelimo fez pela calada ao Bob Muggers para o forçar a aceitar os compromissos da rendição de Lancaster House. Ou aceitas ou vai haver problemas em manter bases em Moçambique, receber armas etc. Como se diz na gíria militar “once you get them by the balls their hearts and minds follow”.
O que é talvez preocupante, senão assustador é que a inoperância dos países vizinhos em condenarem o regime racista e ditatorial no Zimbabué é reflexo daquela visão antiquada que os movimentos de libertação têm o direito ao poder e que o seus lideres são criaturas moralmente singulares cuja sinceridade nacionalista legitima automaticamente todas as suas acções. Isso claro está resulta em que muitos dos dirigentes dos países vizinhos do Zimbabué, particularmente aqueles que são dirigentes de movimentos de libertação, continuem a olhar para a oposição como algo que tem que ser tolerado mas nunca levado a sério e em certos casos mesmo considerados como não sendo representantes de qualquer interesse nacional mas apenas produto de uma conspiração externa e/ou tribal, e/ou “reaccionária”. Pergunte –se: quantas vezes é que o chefe da diplomacia moçambicana, por exemplo, se reuniu com o líder da oposição do Zimbabué para escutar a sua opinião sobre as “insuficiências” do Mugabe e dos seus capangas?
Outro dia houve uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir questões africanas. O Thabo Mbeki lá foi mas disse antes que o Zimbabué não iria ser abordado porque isso é um assunto interno de Africa que a SADC está a tentar resolver. Depois fez o seu discurso em que pediu ajuda à ONU e ao mundo para resolver crises na Somália e Darfur. As minhas gargalhadas espantaram alguns no local onde me encontrava a ouvir as palavras do Thabo mas tenho a dizer-vos que infelizmente os outros membros do conselho de segurança não se riram. O que é triste
Quando Moçambique, Angola e os países da SADC não conseguem emitir uma declaração condenando ou mesmo manifestando preocupação por um regime que:1) destruiu a agricultura do pais; 2 ) levou a manufactura ao colapso; 3) levou a produção mineira ao seu nível mais baixo desde 1907; 4) Destruiu 90 por cento da indústria do turismo; 5) Produziu uma economia em que quase já não há zeros suficientes para reflectir a inflação; 6) conseguiu colocar 80 por cento da população a viver abaixo do nível de pobreza; 7) levou a expectativa a de vida no pais a cair para 37 anos entre os homens e 34 entre as mulheres;8 ) destruiu o sistema de saúde do pais e 9) levou milhões a fugirem para os países vizinhos,
então há mais do que razão para que por estas e outras bandas se interroguem sobre a genuinidade do compromisso de certos governos com princípios democráticos.
Ao se recusarem a condenar em termos inequívocos o Bob Muggers, Mbeki, Guebuza e outros não só prolongam a agonia do Zimbabué mas causam enormes danos a toda a Africa Austral. Triste.

Abraços
Da Capital do Império

Jota Esse Erre

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Os grandes compromissos políticos do Império mediático R.Murdoch

Não há volta que se lhe dê. Somos muito aquilo sobre o que falamos, escrevemos ou seleccionamos. Hoje para variar seleccionamos este fabuloso artigo do The Guardian sobre as aventuras do mais aguerrido e cruel dos tycoons pluri-mediáticos do Universo, Rupert Murdoch, na China, o el-dourado da indústria e comércio da actualidade. Para ler na íntegra o artigo, clicar aqui.
George Monbiot analisa a longa marcha, com os volte-faces prodigiosos e o apoio tácito de Tony Blair, do big boss da cadeia de TV e Jornais mais poderosa do Mundo. Socorrendo-se do livro magistral sobre " As Aventuras de Murdoch na China ", de Bruce Dover, publicado há dois meses atràs, Monbiot narra com minúcia os passos em falso, e a lenta recuperação, realizada por Murdoch, onde é posta a nú a vontade férrea e ditatorial da numenclatura chinesa pelo controlo dos Média.
Murdoch fez uma entrada de leão, em Setembro de 1993, com a compra de um satélite multimédia ancorado em Hong-Kong. As autoridades chinesas não gostaram do seu discurso prospectivo sobre as suas ambições " liberais " para a China, e eliminaram todas as ligações com o emissor. Não desarmando, Murdoch vai mostrar-se servil e untuoso, de uma forma superlativa, com o regime despótico chinês, nos cinco anos seguintes…
Multiplica fretes politicos, dá a entender que irá fazer tudo ao contrário do que tinha dito. Em 1999,depois de ter participado activamente numa das campanhas periódicas da China contra o Dalai-Lama-" Esse velho monge que reviravolteia calçado em sapatos Gucci( sic) -", participa no lançamento hiper-controlado e censurado do Website do Diário do Povo. Ao mesmo tempo, com o apoio de Blair, assume a ligação oficial das suas hiperpotentes cadeias de TV- Fox e Sky News- ao monopólio estatal chinês, CCTV-9.
FAR

The Most Potent Weapon Wielded by the Empires of Murdoch and China By George Monbiot The Guardian UK
Tuesday 22 April 2008
A riveting account of two of the world's most powerful forces has been ignored - blame anticipatory compliance.
If you want to know how powerful Rupert Murdoch is, read the reviews of Bruce Dover's book, Rupert's Adventures in China. Well, go on, read them. You can't find any? I rest my case. Dover was Murdoch's vice-president in China, and took his orders directly from the boss. His book, which was published in February, is a fascinating study of power, and of a man who could not bring himself to believe that anyone would stand in his way. So why aren't we reading about it?
Murdoch, Dover shows, began his assault on China with two strategic mistakes. The first was to pay a staggering price - $525m - for a majority stake in Star TV, a failing satellite broadcaster based in Hong Kong. The second was to make a speech in September 1993, a few months after he had bought the business, which he had neither written nor read very carefully. New telecommunications, he said, "have proved an unambiguous threat to totalitarian regimes everywhere ... satellite broadcasting makes it possible for information-hungry residents of many closed societies to bypass state-controlled television channels".
The Chinese leaders were furious. The prime minister, Li Peng, issued a decree banning satellite dishes from China. Murdoch spent the next 10 years grovelling. In the interests of business the great capitalist became the communist government's most powerful supporter.
Within six months of Li Peng's ban, Murdoch dropped the BBC from Star's China signal. His publishing company, HarperCollins, paid a fortune for a tedious biography of the paramount leader, Deng Xiaoping, written by Deng's daughter. He built a website for the regime's propaganda sheet, the People's Daily. In 1997 he made another speech in which he tried to undo the damage he had caused four years before. "China," he said, "is a distinctive market with distinctive social and moral values that western companies must learn to abide by." His minions ensured, Dover reveals, that "every relevant Chinese government official received a copy".
But the satellite dishes remained banned, so he grovelled even more. He described the Dalai Lama as "a very political old monk shuffling around in Gucci shoes". His son James claimed that the western media were "painting a falsely negative portrayal of China through their focus on controversial issues such as human rights". Rupert employed his unsalaried gopher Tony Blair to give him special access: in 1999 Blair placed him next to then Chinese president, Jiang Zemin, at a Downing Street lunch. To secure some limited cable rights in southern China, News Corporation agreed to carry a Chinese government channel - CCTV-9 - on Fox and Sky. Murdoch promised to "further strengthen cooperative ties with the Chinese media, and explore new areas with an even more positive attitude".
Most notoriously, he instructed HarperCollins not to publish the book that it had bought from the former governor of Hong Kong, Chris Patten. Dover reveals that Murdoch was forced to intervene directly (he instructed the publishers to "kill the fucking book") because his usual system of control had broken down. "Murdoch very rarely issued directives or instructions to his senior executives or editors." Instead he expected "a sort of 'anticipatory compliance'. One didn't need to be instructed about what to do, one simply knew what was in one's long-term interests." In this case HarperCollins executives had failed to understand that when the boss objected to Patten's views on China, it meant that the book was dead.
Anticipatory compliance also describes Murdoch's approach to Beijing. Dover shows that the Chinese leadership never asked for Chris Patten's book to be banned: they didn't even know it existed. But when Murdoch killed it, "our Beijing minders were impressed and the Patten incident marked a distinct warming in the relationship".
The strategy failed. Murdoch was astonished that he couldn't replicate "the cosy relationship he enjoyed with Britain's political establishment". For the first time in his later career, he had encountered an organisation more powerful and more determined than he was. He has now retreated from China after losing at least $1bn.
This is a riveting story about two of the world's most powerful forces. Dover's British publisher told me: "I thought this was a natural for serialisation. We had the author primed and prepared to come over here. But we had to cancel as we could not raise enough interest. We've hit brick walls and we don't understand why." The book has been reviewed in the Economist and the Financial Times, but neither other British newspapers nor broadcasters have touched it.
As far as I can discover, the book has been reviewed by only one Murdoch publication anywhere on earth - the Australian Literary Review - and that was an article of such snivelling sycophancy that you wonder why they bothered. The editor of another News Corporation title, the Far Eastern Economic Review, commissioned a review, then admitted to contracting "cold feet" and spiked it.
But what of the other papers? Why should they appease Murdoch? "When you see the reaction of the British media to the book," Dover tells me, "one can better understand why in some respects the Chinese so admired Murdoch - an emperor who inspires fear in his followers need not raise a hand against them." He might be right, but I think there is also a general bias against relevance in the review sections. When I worked in faraway countries, my books about the tribulations of obscure peoples were comprehensively reviewed. When I came home and wrote Captive State: The Corporate Takeover of Britain, it was ignored. There appears to be an inverse relationship between how hard a book hits and how well it is covered.
Oddly for a publication that inspires such fear, Dover's story sometimes steps back from the brink. He observes that News Corporation never promised the Chinese government favourable coverage; Murdoch undertook only to be "fair", "balanced" and "objective". Dover takes these terms at face value, though it is obvious from his account that they were being used as code for sympathetic treatment. His book does not contain News Corporation's most direct admission: the statement by Murdoch's spokesman Wang Yukui that "we won't do programmes that are offensive in China ... If you call this self-censorship then of course we're doing a kind of self-censorship". He is wrong to suggest that "Murdoch very rarely issued directives or instructions". As the testimony by Andrew Neil (a former editor of the Sunday Times) before the House of Lords communications committee shows, the paramount leader micromanages the editorial content of the newspapers he owns that swing the greatest political weight.
But I am sure it is true that anticipatory compliance is Murdoch's most powerful weapon. I doubt he needed to tell all 247 of his editors to support the invasion of Iraq, but they did. He might not even have had to lean on Tony Blair to ensure - as Blair's former spin doctor Lance Price reveals - that no British minister said "anything positive about the euro". Power is sustained not by force but by fear, as everyone seeks to interpret the wishes of his master and to meet them even before he asks.

Terra




Wiener Mozart Konzerte, Viena 2008
Foto:g.ludovice

Wolfgang Amadeus Mozart (1756/1791), nasceu em Salzburgo, embora a sua vida enquanto compositor tenha estado ligada a Viena, para onde se mudou em 1781; foi aqui que escreveu as suas maiores obras e onde celebrou todos os seus triunfos e infortúnios, morreu aos trinta e cinco anos.
Mozart em Viena está presente em Staatsoper Wien (Ópera Nacional de Viena) por todas as narinas dos cavalos na cidade, na Ruhestatte Wien -St Marx (cemitério onde foi sepultado em parte incerta), dentro dos papéis brilhantes dos chocolates "Bolas de Mozart", no Mozart-Brunnen Wien IV, o seu rosto está nas chávenas de futuros pequenos almoços, no Papageno-Tor- Theather, na pele dos autocarros, e em Denkmal e......
Mozart casou-se na catedral de Stephansdom.
No café Mozart com esplanada para Albertina, pode-se tomar uma Mélange e comer uma deliciosa Sachertorte.
Mozart, uma bandeira Austríaca com uns meneios económicos, mas sobretudo o Génio que foi e que é imortal e derradeiro.

domingo, 27 de abril de 2008

Primavera (3)


Foto Jota Esse Erre

Sinais


Desenho Maturino Galvão

FESTA da PONTE


MOÇAMBIQUE – SUÉCIA -
10 de Maio !!!!!!!!!! Não perca !!!!!!!!
- ODENGATAN 69 – 12 andar – Estocolmo –
18h00m – Assembleia Geral...
19h00m – Aperitivos, petiscos.... Chamussas, chetni, etc.“Cajú” música tradicional Moç.
Jantar: Caril de vegetais, com côco, mandioca, caril de galinha com amendoim, doces variados ..... 60:-kr
20h00m - Música ao vivo, dança até... dizer chega!!!!!!! Carlos Amado Band www.lacamapule.se
Entrada; 100:-kr sócios e 150:-kr não sócios. ENTRADAS LIMITADAS!!
P.G. 43 45 62 – 5 e-mail ponte.moc.swe@gmail.com

MOCAMBIQUE – SVERIGE
10 Maj !!!!!! Missa det inte…..
ODENGATAN 69, 12 vån. Stockholm

18.00 – Årsmöte
19.00 – Mingel och snacks…. Chamussas, chetni etc. ”Caju” traditionell music från Moçambique.
Middag: Vegetarisk gryta med kokos, mandioc, kycklinggryta med jordnötter, kakor….60 kr
20.00 – Levande musik, dans så länge ni orkar !!!!! ”Carlos Amado Band”
www.lacamapule.se
Entré; 100 kr för medlemmar och 150 kr för icke medlemmar. Begränsat antal entréer
P.G. 43 45 62 – 5 e-mail ponte.moc.swe@gmail.com

sábado, 26 de abril de 2008

Toni Negri: A Democracia e a Guerra (1)

“As novas possibilidades da Democracia defrontam-se com o obstáculo que a Guerra constituiu. O mundo contemporâneo está mergulhado numa guerra civil global, generalizada, permanente; e, por outro lado, está constantemente ameaçado por uma violência que, de facto, suspende a democracia. Mas o estado de guerra permanente não acarreta tão-só a suspensão indefinida da democracia: os poderes soberanos respondem pela guerra às novas pressões em favor da democracia. A guerra funciona sob a forma de um mecanismo de contenção. No momento em que o povo (governados) recuperam os seus direitos face à soberania( Super-Imperialismo), a guerra e a violência tornam-se na fundamentação de todo o poder não-democrático.”

“A relação que a modernidade tinha estabelecido entre guerra e política inverteu-se. A guerra deixou de ser um instrumento à disposição, ao qual podia recorrer num número de casos limitados: passou pelo contrário a definir os fundamentos do sistema politico. A guerra tornou-se numa forma de governo.”

“A violência deixou de ser legitimada na base de estruturas jurídicas ou mesmo de princípios morais. Tornou-se legítima post factum, e essa legitimação é fundada pelos efeitos da violência, e pela capacidade de criar e manter uma ordem. Constata-se também que a ordem das prioridades que prevalecia no corrente da época moderna também se alterou totalmente: a violência é prioritária e serve de fundamento à negociação política e moral que se desenvolve a partir dos seus efeitos. As novas possibilidades da democracia forçaram a soberania(S-Imperialismo) a recorrer a formas puras de dominação e de violência.”

“As forças da democracia devem opor-se contra este tipo de violência, mas evitando ser o seu pólo oposto e simétrico. Há a tentação, logicamente, de fazer da democracia uma força absolutamente pacífica em oposição à guerra permanente que é realizada pela soberania(S-Imperialismo). As forças emergentes da democracia- como no êxodo dos Judeus- não devem opor à violência repressiva do poder soberano uma ausência absoluta de violência que seria como que o seu oposto lógico.”

In Antonio Negri e Michael Hardt, "Multitude", editions poche 10/18. Paris

FAR

Cu Chi (3)





Fotos FFC

Do 25 de Abril

Decorridos 34 anos do golpe militar que pôs fim ao Estado Novo (durante o qual colunas rebeldes obedecem ordeiramente aos sinais de trânsito, segundo relato do capitão Salgueiro Maia), as comemorações da data tendem paulatinamente a confundir-se com as do 5 de Outubro, se não no calendário pelo menos na pompa e numa ou outra circunstância. Com uma diferença: do 25 de Abril há um pouco mais de sobreviventes.

As do ano passado chegaram assombradas pela entrega da medalha de ouro a António Oliveira Salazar no concurso televisivo Os Grandes Portugueses. As interpretações sociológicas, políticas e ideológicas do facto foram muitas e variadas. Uns defenderam, simplesmente, que o natural de Santa Comba Dão não devia estar na lista; outros desvalorizaram o resultado, considerando-o inexpressivo (contas feitas, se o vencedor chegou aos 41% e o número total de votos contabilizados não ultrapassou os 159.245, então, estiveram com ele apenas 0,6% da população portuguesa).
Houve quem falasse em manifestação de protesto, sem vínculo salazarista, pelo rumo actual do país; quem ficasse mais chateado pelo segundo lugar de Cunhal do que pelo primeiro de Oliveira; e alguma extrema-direita, mesmo cantando vitória, anunciou considerar o programa uma ofensa à História de Portugal (curiosamente, alguma esquerda disse o mesmo).
Por fim, houve quem viesse lembrar que o homem tinha vencido um concurso, não tinha ganho eleições.
O que seria, aliás, uma impossibilidade. Morreu há 37 anos, a 27 de Julho de 1970, e mandou oficialmente no país entre 1932 e 1968. Nesse ano passou o testemunho ao discípulo Marcelo Caetano, e apenas porque a tal cadeira resolveu pregar-lhe a partida de se encontrar fora do sítio. À queda, grave, sobreveio, operado e refeito do susto, uma hemorragia cerebral.
Incapacitado, vive até ao fim na residência oficial numa grotesca encenação do poder que já não tem (segundo Fernando Dacosta, por sugestão da governanta Maria). Ministros e acólitos prestaram-se ao enredo, visitando-o e dirigindo-se-lhe como se do Presidente do Conselho se tratasse ainda. E enquanto em Portugal decorria esta farsa caseira, lá fora Luther King era assassinado em Memphis, rebentava a guerra do Vietname, Paris enfrentava a intempérie de Maio e em Praga acabava a Primavera, Bobby Kennedy era baleado em Los Angeles, Nixon chegava a Presidente dos EUA, Neil Armstrong pisava a lua, Beckett ganhava o Nobel, os Beatles zangavam-se de vez, etc., etc., etc. O mundo mantinha o seu curso imparável; por cá chegava ao fim o reinado da referida Maria.
Não se pense, porém, que tudo era mau. Até final dos anos 60, Portugal manteve-se, em muitos aspectos, na pole position dos países europeus ocidentais (ver António Barreto, «Mudança Social em Portugal: 1960-2000», in Portugal Contemporâneo, coordenação de António Costa Pinto, Dom Quixote, 2004).
Assim: era o único império colonial sobrevivente; podia orgulhar-se de exibir o ditador com mais anos no poder; apresentava as mais altas taxas de analfabetismo e mortalidade infantil; o menor número de médicos e enfermeiros por habitante; o mais baixo rendimento por habitante; a menor produtividade no trabalho; o menor número de estudantes no ensino básico e superior; o menor número de pessoas abrangidas pelos sistemas de segurança social, a menor industrialização e a maior população agrícola.
No fundo, no fundo, números à parte, tratava-se de um paraíso verde. Além das paisagens bucólicas e das viúvas de portentos buços, havia Fátima, havia fado e havia futebol. E no que toca a futebol, Eusébio era o mais que tudo. Tão mais que tudo, que Salazar lhe vetou a carreira internacional, informando-o, tão simplesmente, de que ele era «património do Estado».
Só os portugueses em crise de meia-idade, ou já refeitos dela, se podem lembrar de como era antes. E a verdade é que tinha pouca graça. Antes. Claro que nos podemos rir hoje da licença de isqueiro, obrigatória desde os anos 30 e só abolida em Maio de 1970 pelo decreto-lei 237/70. Claro que mesmo os incondicionais de Chomsky ou Michael Moore já não terão de ir ao Ultramar para beber um gole pecaminoso de Coca-Cola, só comercializada entre nós a partir de 1977. Em Portugal Continental, como se dizia, fora proibida nos anos 30, dela só sobrando a prova dos dotes publicitários de Pessoa que lhe inventara um slogan: Primeiro estranha-se, depois entranha-se.
Podemo-nos rir, ainda, do Decreto-Lei nº 31247 de Maio de 1941, que regulava o uso do fato de banho, zelando pela moralidade pública (...) no sentido de evitar a corrupção dos costumes, e que obrigava, para elas, a fato inteiro sem descobrir os seios, com costas decotadas sem prejuízo do corte das cavas ser cingido na axilas e, para eles, a calção com corte inteiro, justo à perna e reforço da parte da frente, e justo à cintura cobrindo o ventre, regras a que os cabos de mar tiveram de começar a fechar os olhos quando, na década de 60, turistas bem menos atafulhados de roupa desataram a invadir o Estoril e o Algarve.
Continuamo-nos a rir desta obsessão moralista e bafienta (que fez do iconoclasta José Vilhena o autor mais censurado do antes 25 de Abril), com as calças proibidas às raparigas nos liceus e as gravatas obrigatórias para os rapazes, mais as portarias camarárias em prole do decoro vigente. O escritor Luís Sttau Monteiro, cujo pai foi embaixador em Londres até 1943, ano em que bateu com a porta a Oliveira Salazar, contava que, criança, numa audiência a que assistira, o ditador reparara nas suas botas e lhe perguntara onde as comprara. Quando lhe respondeu que fora em Londres, este comentara: Modernices! Modernices!
O sorriso começa talvez a amarelecer quando nos lembramos das cargas da polícia de choque, como as do Verão de 1969, nos Salesianos do Estoril (num festival que misturava bandas rock e os chamados cantores de intervenção), apesar da forma pícara como José Cid recorda os acontecimentos: uma das cenas mais impressionantes foi a polícia batendo num grupo de turistas japoneses. Quando os policiais começaram a agredir os jovens, que estavam ali pacificamente, numa de música, os japoneses puxaram das máquinas fotográficas e começaram a tirar fotografias; assim que a polícia viu aquilo... máquinas para cá. O sorriso desmaia à medida em que recordamos o milhão e meio de imigrantes obrigados a dar o salto, entre 1960 e 1973, sangria de pobres que o escritor José Cardoso Pires resumiria de forma lapidar: Da minha terra natal tenho uma definição simplista: deserto de Pedras, Padres e Pedintes. Aldeia emigrada, portanto.
O sorriso já se foi por completo quando chegamos aos cerca de 10 mil soldados mortos na guerra colonial e, ajudados pelo livro de Ferreira Fernandes Lembro-me que… (Oficina do Livro, 2004), nos lembramos, também nós, dos poucos ou nenhuns direitos das mulheres cujas vidas valiam penas de dois anos, como a aplicada a Adélio da Custódia pelo assassínio da mulher Maria Pais Pimenta, explicada assim pelo juiz corregedor do Círculo Judicial de Viseu: Porque se justifica perfeitamente a reacção do réu contra a mulher adúltera que abandonou o lar, o marido e dois filhos de tenra idade, para seguir um saltimbanco.
E sem motivo aparente vem-nos à cabeça o drama privilegiado do poeta Alexandre O’Neill, que em Nora Mitrani encontrara l’amour fou. Uma francesa de passagem por Lisboa espera agora por ele em Paris, mas a PIDE nega-lhe o passaporte e O’Neill nunca tornará a rever Nora que se suicida em 1961.
Chegamos, assim, à parte de que já ninguém fala: a censura e a polícia política do regime, com os pides a receberem actualmente boas reformas, supõe-se que pelos serviços prestados à nação.
Em entrevista a António Ferro, Dezembro de 1932, a propósito dos boatos que punham em causa o bom-nome da polícia, Salazar explicara-se bem: (…) quero informá-lo de que se chegou à conclusão de que as pessoas maltratadas eram sempre, ou quase sempre, temíveis bombistas, que se recusavam a confessar, apesar de todas as habilidades da polícia, onde tinham escondido as suas armas criminosas e mortais.
Linhas à frente, surge a prova mil vezes repetida da brandura dos meios e rectidão evidente dos fins: Eu pergunto a mim próprio (…) se a vida de algumas crianças e de algumas pessoas indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de safanões a tempo nessas criaturas sinistras. E nesta “meia dúzia de safanões” se fundaria o mito urbano que continua a rever e a absolver a tortura, desrespeitando os mortos com nome próprio.
Quanto à censura (uma prática que, em Portugal, verdade seja dita, recua aos tempos da Inquisição praticamente sem interrupções), prévia e de lápis azul em riste, no caso da imprensa, preferia a apreensão ulterior quando se tratava de livros.
Segundo a Comissão do Livro Negro sobre o Fascismo, o regime de Salazar/Caetano proibiu cerca de 3300 obras e até o velho Aquilino Ribeiro foi alvo de um processo-crime, pelo crime de ter escrito Quando os Lobos Uivam. O Secretariado Nacional de Informação (SNI) mostrava-se quase sempre de uma eficácia imbatível: em 1965, em apenas quatro dias, apreendia 70 mil títulos à Europa-América, em dois anos subtraía à Seara Nova milhares de contos de livros; quanto à editora Minotauro, era simplesmente encerrada.
Música, artes plásticas, filmes (de acordo com os dados recolhidos aqui só entre 1964 e 1967 foram apresentados à censura 1301 filmes, dos quais 145 foram proibidos e 693 autorizados com cortes) e TV a preto e branco (a cores só em 1980!), nada escapava à mutilação.
A justificação para o zelo recuava ao Decreto-Lei 22469 de Março de 1933: A censura terá somente por fim impedir a subversão da opinião pública na sua função de força social e deverá ser exercida por forma a defendê-la de todos os factores que a desorientem contra a verdade, a justiça, a moral, a boa administração e o bem comum e a evitar que sejam atacados os princípios fundamentais da organização da sociedade.
Apesar da bondade expressa dos censores, alguns jornalistas insistiam em alvoroçar os dias. Uma vez, no República, Vítor Direito discorria a propósito da densidade das nuvens: Manhã de nevoeiro transforma a cidade (…) Não se vê um palmo à frente do nariz (…) Andam por aí certos senhores, feitos meteorologistas de trazer por casa, a prever “boas abertas”. Mas o nevoeiro persiste.
Afinal, eram tempos divertidos. Acabaram com o 25 de Abril.

Ana Cristina Leonardo, Meditação na Pastelaria

Sinais


Desenho Maturino Galvão

sexta-feira, 25 de abril de 2008

25 de Abril sempre. E já agora, outra vez.

É um dia bonito. A queda daquele regime idiota, despótico, cruel e atrasado (em todos os sentidos), deve ser celebrada.
25 de Abril sempre.
Mas antes de escrever este texto, vejo-me a falar com uma amiga jornalista no messenger. Está a "trabalhar". Está a estagiar, de borla, e sabe que se quer conseguir o fabuloso ordenado de 500 euros, sem direito a contrato, tem que se esmifrar e trabalhar até em feriados. Ou seja, tem que se sujeitar a todos os abusos, perder todos os direitos, para sobreviver. O capitalismo chama-lhe "perseverança", com algum sentido de humor. Negro.
É preciso outro 25 de Abril. Sempre e outra vez.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Ainda Dili (18)


Pintura João de Azevedo

Robert Parry: a corrupção grassa nos media norte-americanos

Um dos mais reputados e experimentados jornalistas dos USA, Robert Parry, antigo editor da Newsweek e hoje membro-fundador da Consortium News, tira partido de um grande artigo publicado no NY Times sobre a manipulação política nos media USA. Foi uma revelação chocante, pois, não só os jornais e as Network afectas aos Republicanos são dados como comprometidos. Não: o NYT, o Washington Post, a NBC, entre outros títulos de relevo da bem-pensante imprensa de referência yankee, sofreram os efeitos de uma persuasiva máquina de infiltração ideo-programática pró-Guerra, mirabolante sistema de controlo e intoxicação preparado pelo Pentágono, o "ninho" dos Neo-Cons e aliados afectos aos "falcões" Cheney e Rumsfeld, se bem se lembram.

Parry narra o desencanto de Robert Bevelacq, antigo marine, que andou a "vender" a guerra do Iraque na Fox. "O Pentágono ameaçava os veteranos oficiais e tratava-os como marionetas", desabafou. Tom Brokaw, da NBC, rodeado de altas patentes militares, pré-anunciava a conquista do Iraque sem ambiguidade. O próprio NY Times promoveu textos trabalhados e ficcionados sobre os tubos de alumínio que iriam criar as Armas de Destruição Massivas no Iraque. O Washington Post tornou-se desde muito cedo um fanático adepto da guerra contra o Iraque, analisa o jornalista num texto publicado pelo blogue truthout.com, o blogue que até o MR Sousa cita para se mostrar avantguardista, pois claro.

Robert Parry mostra-se muito circunspecto sobre a isenção dos Média nos USA. A corrupção e a manipulação talvez não possam ser vencidos, tem a coragem de o afirmar. O mainstream mediático USA foi invadido pela corrupção que não pára de se estender através de todo o sistema político. Uma reforma juridica do estatuto da Imprensa talvez não seja suficiente para restabelecer os fundamentos constitucionais de uma Imprensa livre e responsável nos EUA, sublinha.


« After prying loose 8,000 pages of Pentagon documents, the New York Times has proven what should have been obvious years ago: the Bush administration manipulated public opinion on the Iraq War, in part, by funneling propaganda through former senior military officers who served as expert analysts on TV news shows.
In 2002-03, these military analysts were ubiquitous on TV justifying the Iraq invasion, and most have remained supportive of the war in the five years since. The Times investigation showed that the analysts were being briefed by the Pentagon on what to say and had undisclosed conflicts of interest via military contracts.
Retired Green Beret Robert S. Bevelacqua, a former Fox News analyst, said the Pentagon treated the retired military officers as puppets: "It was them saying, 'we need to stick our hands up your back and move your mouth for you.'" [NYT, April 20, 2008]
None of that, of course, should come as any surprise. Where do people think generals and admirals go to work after they retire from the government?
If they play ball with the Pentagon, they get fat salaries serving on corporate boards of military contractors, or they get rich running consultancies that trade on quick access to high-ranking administration officials. If they're not team players, they're shut out.
Yet, what may be more troubling, although perhaps no more surprising, is how willingly the U.S. news media let itself be used as a propaganda conduit for the Bush administration regarding the ill-advised invasion of Iraq.
Fox News may have been the prototype of the flag-waving "news" outlet that fawned over pro-war retired military officers and mocked anti-war citizens.
But the same imbalance could be found at the major networks, like NBC where then-anchor Tom Brokaw spoke in the first person plural as he sat among a panel of retired brass on the night of the Iraq invasion - March 19, 2003 - and said: "In a few days, we're going to own that country."
The blame also goes far beyond the TV networks, to the most prestigious print publications. The New York Times famously promoted fictional stories about Iraqi aluminum tubes for building nuclear weapons, and the Washington Post editorial page remains to this day an ardent cheerleader for the war.
So, the real question is not how widespread the ethical lapses of the U.S. news media were - both in palming off self-interested ex-generals as objective observers and for failing to demonstrate even a modicum of skepticism in publishing false articles that paved the way to war.
Rather, the urgent question is what must be done if the United States is to reclaim its status as a functioning constitutional Republic in which a reasonably honest news media keeps the public adequately informed.
Having spent most of my career on the inside at places such as the Associated Press and Newsweek, it's been my view for many years that the mainstream U.S. news media can't be reformed, that it is beyond hope.
Though there are still good journalists working at major news companies - and the better news outlets do produce some useful information, like Sunday's story in the Times - the central reality is that corporate journalism is rotten at the core and won't stop spreading the rot throughout the U.S. political process.
That's why for the past dozen-plus years at Consortiumnews.com, we have called for a major public investment in honest journalism, so information can be produced that it is both professional and independent of the kinds of external pressures that have deformed today's mainstream press.
We must find new ways to tell the news.
(…)
»
US News Media's Latest Disgrace. By Robert Parry. Consortium News. Monday 21 April 2008

FAR

Sinais


Desenho Maturino Galvão

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Da Capital do Império

Olá!

A Hilary Clinton é como a Glen Close no filme “Fatal Attraction” e como o Robert Mugabe no Zimbabué. Não se vai embora pois tal como muitos dos movimento de libertação de outrora pensa que tem o direito inalienável ao poder, que o povo lhe deve isso. E cada vez que volta vem armada com tudo o que tem à mão para destruir aquele que diz amar.
Tal como se esperava a Hilária venceu o estado da Pensilvânia na Terça Feira à noite com uma vantagem de dez por cento de votos o que deixa o Obama um pouco abananado e o Partido Democrático agora sem saber o que fazer face à perspectiva de um esvaír de sangue lento. O candidato Republicano John McCain, regozija-se de gozo face ao espectáculo e ganha tempo para consolidar as bases republicanas (que o vêm com cepticismo) angariar fundos e preparar com calma a sua campanha..
Até agora os Republicanos têm mantido a sua artilharia calada seguindo o princípio de que não se mata um homem que está prestes a cometer suicídio. E se a Hilária vencer dentro de duas semanas no Indiana o suicídio é quase certo. Nesse caso a guerra civil vai rebentar dentro do Partido Democràtico com consequências graves não só para as aspirações do partido na Casa Branca como para os seus planos de aumentar a maioria no Congresso. Vejamos o que se passa:
Apesar da sua vitoria na Pensilvânia continua a ser matematicamente impossivel à Hilária ultrapassar o Obambi em numero de delegados e em número de votos alcançados em todos os estados. Com nove eleições primarias ainda por disputar a Hilária precisa de vencer todos esses estados com mais de 60 por cento dos votos para o poder alcançar o que é praticamente impossivel caso a campanha de Obama não entre em colapso total.
Mas dada a impossibilidade de Obama atingir o número de delegados requeridos para vencer automaticamente a nomeação na convenção partidária em Agosto, serão os chamados “super delegados” quem irão dar os votos decisivos. Esses “super delegados” são os legisladores federais e estaduais, governadores estaduais, antigos presidentes e vice presidentes e dirigentes do partido aos diversos níveis do país. São portanto os “apparatchiks” ou como se dizia em Moçambique os “balalaicas” que vão decidir.
A Hilária, com a sua terceira vitória consecutiva, vai continuar a argumentar que o Obambi não consegue ganhar nos grandes estados vitais para as presidenciais de Novembro. Mais do que isso a Hilária vai argumentar que a campanha do Obambi não consegue atraír aquela faixa do eleitorado necessária para se derrotar McCain em Novembro, nomeadamente as mulheres brancas, os operários brancos e a velhada branca. Por outras palavras o Obambi, que iniciou a sua campanha como transcendendo raça e outras “divisões” está cada vez mais a ser encurralado pela trituradora máquina clintonista numa faixa eleitoral que ele tem que evitar a todo a custo se quer ter qualquer chance de bater John McCain. Essa faixa eleitoral é a do eleitorado negro, jovens e brancalhada com estudos universitários e rendimentos acima da média. Se Obama for encurrado nessa faixa eleitoral as suas perspectivas eleitorais para Novembro diminuem e os “balalaicas” sabem disso. A Hilária espera poder ter a oportunidade de apontar para o mapa e mostrar-lhes as suas vitorias na Califórnia, Nova Iorque, Nova Jersey, Ohio e Pensilvânia como prova do seu apoio nos grandes estados americanos. Espera também poder mostrar-lhes os resultados eleitorais e dizer-hes que é ela quem consegue comunicar e manter uma conexão com a América profunda, aquela que o Obambi disse ser “amarga” e “agarrada à religião e armas” numa gaffe que lhe custou muitos votos na Pensilvânia e que o encurralou ainda mais na sigla de “elitista”
Para o Obambi o positivo disto tudo é que a Hilária vai ter que continuar a ganhar confortavelmente para poder ter esse argumento. O que não vai acontecer. Mesmo que ganhe no Indiana no próximo dia seis vai apanhar nesse mesmo dia uma surra das grandes na Carolina do Norte e subsequentemente perder ainda pelo menos no Oregon e provavelemente no Dakota do Sul. O que fortalece os números de delegados e de percentagem do eleitorado do Obambi . Duvido que os “balalaicas” se atrevam na convenção a ignorar a vontade popular o que iria dividir o partido em termos raciais e provocar manifestações em frente ao local a serem transmitidas ao vivo em todas as cadeias de televisão.
Seria um desastre para as perspectivas presidenciais e tambem para os planos Democratas para o Congresso.
Mas a capacidade criativa de auto destruição da malta de esquerda é sempre surpreendente. E os Clintons esses … nunca desistem e tem uma capacidade imensa de destruir tudo e todos no seu caminho.
Ainda bem! Caso contrário nunca teríamos a a oportunidade única de assistir a este espectáculo ao mesmo tempo irritante, hilariante, excitante, estimulante raramente profundo muitas vezes banal mas revelador da democracia
Abraços,

Da Capital do Império

Jota Esse Erre

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Primavera (2)


Cerejeiras. Maryland, USA.

Foto Jota Esse Erre

terça-feira, 22 de abril de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Itália: Berlusconi refém de Umberto Bossi

A vida política italiana continua a deixar estupefactos todos os burocratas e politólogos do Mundo. A formação do novo Governo por Berlusconi tem dado água pela barba ao tycoon dos Médias & Cias privados. O líder nortista, Umberto Bossi, bate o pé e reclama bons Ministérios, conforme relata Guy Dinmore no F. Times, num artigo aprofundado sobre o fundador da Liga do Norte. Berlu precisa dos votos de Bossi para confortar a sua maioria política nas duas câmaras. E Bossi com laivos de condottieri e aventureiro, está a subir a parada. Daí a " lentidão " aparente do anúncio do novo elenco ministerial.

A paisagem política italiana post-eleitoral é um campo de ruínas. O Partido Democrático não conseguiu impedir o efeito das mirabolantes promessas de última hora de Berlusconi. A extrema-esquerda, os comunistas desemparelhados e os ecologistas não sabem o que podem fazer de imediato. Porque a soma aritmética dos votos do PDL e da Liga do Norte mais os da post-fascista Aliança Nacional dão pelos efeitos de uma lei eleitoral perversa uma confortável maioria ao bloco de Centro-Direita.

Guy Dinmore perspectiva o ponto e o ómega da posição-chave do fundador da Liga do Norte, ou Lombardia, no intricado xadrez do espaço política da direita italiana. Bossi, cinco anos mais novo do que Berlusconi, é o irmão-fratricida do neo-PM italiano indigitado. Dotado de grande temperamento e muito conhecido pelas suas rábulas públicas de alta intensidade, Bossi foi na juventude companheiro equivocado do PCI. Várias vezes se incompatibilizou com Berlusconi, o que custou o poder a Berlu em 1996. E agora criticou a manif da vitória- " não serve para nada "-, regressou a casa e nega-se a discutir com a Aliança Nacional a divisão das cadeiras do poder…Representa 10,4 por cento dos votos da coligação vencedora, o que lhe dá uma posição-chave essencial.

Bossi assume-se como o campeão da italianidade, xenófobo e irascível para com a emigração clandestina e a fraqueza do Estado central. Tem o arroubo de chamar de " ladrões " os poderes de Roma e diz que a Máfia controla a cobrança dos impostos no Sul…Na Lombardia, a Liga do Norte multiplicou o seu poder nos últimos trinta anos e conquistou mais de 200 autarquias. A juntar ao poder económico das PME, o sonho de cisão incarnado pelo Bossi dos bons velhos tempos, esfuma-se, contudo. É que, o líder nortista, teve um grave problema de saúde há dois anos e ia perdendo a voz. E sem voz para arregimentar as multidões, a Liga do Norte ficava sem dono…e sem bússola mediático-histriónica.

FAR

Cu Chi (2)






Fotos FFC

Cavaco no estrangeiro

Os relatos da longa visita de Cavaco Silva à Madeira - uma semana inteira, que a agenda divulgada está longe de justificar - deixaram-me a estranha sensação de que o Presidente está de visita a um país estrangeiro: uma espécie de Palop, só que um Palop muito especial onde pagamos um alto preço por a bandeira nacional ainda flutuar onde o governo local consente.

A visita começou mal antes mesmo de começar. Primeiro, porque foi antecedida de uma outra da segunda figura do Estado - essa anémona política que é Jaime Gama - que resolveu entronizar o dr. Jardim como símbolo supremo da vida democrática: o presidente do Parlamento nacional propondo como exemplo alguém que trata o parlamento regional como um lugar onde coabitam um bando de eunucos às suas ordens e "um bando de loucos" que se atreve a pôr em causa os ensinamentos do querido líder. Depois, porque antes mesmo de embarcar, já Cavaco tinha feito divulgar um comunicado anunciando ao que ia: elogiar a 'obra' do dito líder. E, enfim, porque, à partida, já o Presidente sabia que a sua agenda era determinada pelo dr. Jardim e de acordo com os seus desejos: estava afastado da Assembleia Regional, para que os "loucos" não envergonhassem a Região; estava afastado das traseiras da obra de sucesso do querido líder, onde entre 20 a 30% da população vivem abaixo do limiar de pobreza e em condições que deveriam obrigar o Presidente da República a perguntar alto e bom som para onde foi o dinheiro, além dos túneis e viadutos para encher o olho; e, finalmente, porque apenas lhe era consentido - e ele aceitou - receber a oposição representada no parlamento regional em "encontros informais", no hotel onde Sua Excelência se hospedava, tal qual como receberia amigos ou conhecidos locais. E Cavaco Silva - o "sr. Silva" de Alberto João Jardim - aceitou tudo isto, muito mais do que é normal aceitar numa visita ao estrangeiro.

A visita de Cavaco à Madeira é uma nódoa que não sairá tão cedo, um momento de vergonha e capitulação que veio manchar uma Presidência até aqui pacífica, louvada e isenta de riscos. Mas, na primeira vez em que tinha de correr riscos políticos e assumir-se como representante primeiro da nação portuguesa, Cavaco Silva mostrou a massa de que é feito. E deixou muitas saudades de Presidentes com coragem e capazes de distinguir aquilo que, às vezes, é essencial e de que não há forma de fugir. Tivemos dois desses: Eanes e Mário Soares. Cavaco não tem esse instinto democrático inato: é um democrata por educação, não por natureza. Já o sabíamos, mas foi penoso ter de o recordar e logo a pretexto desta fantochada interminável e menor que é a longa chantagem de trinta anos que o dr. Jardim exerce sobre os órgãos de soberania e a política portuguesa.

O que eu gostava que um Presidente da República do meu país fosse fazer à Madeira era que, em lugar de se juntar ao coro dos elogios à 'obra' do dr. Jardim, tivesse um elogio para os portugueses que, trabalhando e pagando impostos ao longo de trinta anos, contribuíram para que a 'obra' se fizesse e para que o dr. Jardim fosse sucessivamente reeleito à conta disso. Que tivesse a coragem de resgatar a dívida de gratidão que a Madeira tem para com Portugal e que tem sido paga pelo dr. Jardim com intermináveis insultos e provocações, como se fosse nosso dever pagar e calar em troca do privilégio de a Madeira continuar portuguesa. Gostava que o Presidente explicasse aos madeirenses que ser português não é o resultado de uma conta de merceeiro, em que se pesa o deve e o haver e em que se reivindicam todos os direitos e se exige isenção de todos os deveres. E que, a continuar por este caminho, chegará o dia em que os portugueses vão exigir, não a "autonomia sem limites" de que falava o infeliz Luís Filipe Menezes, mas sim a independência da Madeira: a independência declarada por Portugal, entenda-se; não a independência declarada pela Madeira. Que chegará o dia em que os portugueses se vão perguntar por que é que hão-de continuar a sustentar o poder, os negócios e o exibicionismo mediático daquelas figuras patibulares que esperavam Cavaco no aeroporto do Funchal. A mim, se me perguntarem se quero continuar a pagar impostos para sustentar esta 'autonomia' da Madeira, representada e usufruída por aquela gente, eu respondo já que não. Que vão à vida deles e que arranjem quem lhes pague as contas, porque a mim nunca me pagaram para ser português nem eu aceitaria.

Cavaco Silva deveria ter mais cuidado, mais sensibilidade política e mais noção de Estado ao afirmar que "nenhum português contesta hoje a autonomia regional". Qual autonomia: a que custa 60, a que custa 90 ou a que custa 120 milhões por ano?

Eu faço parte de um grupo, só aparentemente minoritário, dos que não acham o dr. Alberto João Jardim "engraçadíssimo". Não lhe acho mesmo piada nenhuma. Portugal já não é, felizmente, aquela tristíssima gente que vimos nas reportagens televisivas desta semana à espera da comitiva dos drs. Cavaco e Jardim. Aquilo é o Portugal no seu pior - inculto, ignaro, subserviente perante o poder, mendicante, reverente, alimentado a 'sopas de cavalo cansado' e vendendo o voto por um chafariz. E também não sou sensível àqueles supostos esgares de humor de Cavaco Silva, debitando banalidades grandiloquentes, quando desce ao 'povo', protegido por um eterno esquadrão de gorilas que jamais dispensa. Acho tudo aquilo uma fantochada, o Américo Tomás revisitado num país que eu desejo para sempre defunto e sepultado.

Esta viagem de Cavaco à Madeira serviu para me explicar, se eu não soubesse já, a razão pela qual jamais votei ou votarei neste homem. Porque, ao contrário do que ele parece pensar, não é o cargo que está ao serviço dele, mas ele que deveria estar ao serviço do cargo. E não esteve.

P.S. 1 - Exit Menezes: fez muito bem, foi um erro de "casting", de dimensão política, que não podia ter solução boa à vista. Foram seis meses de total asneira, de cata-vento sem sentido, de gritante impreparação política. Que volte àquilo que fez bem e que leve com ele a tropa-fandanga do Cunha Vaz, o Ribau Esteves, o Branquinho, o Pedro Pinto, o Rui Gomes da Silva e, por favor, o Santana Lopes.

P.S. 2 - Jerónimo de Sousa foi a Angola e voltou com a certeza de que o Governo local e o MPLA estão empenhados na luta contra a corrupção. Também Bernardino Soares tinha ido à Coreia do Norte e voltou com a convicção de que aquilo era uma democracia. O PCP acredita mesmo que somos todos idiotas?

P.S. 3 - Apenas "pro bono": fui director da Fernanda Câncio na 'Grande Reportagem' durante vários anos. Demo-nos o pior possível, pessoalmente. Mas nunca tive uma dúvida, nem tenho, de que é uma excelente jornalista, séria e competentíssima. Contestar a sua contratação pela RTP, com base em ligações pessoais, é simplesmente abjecto. Quando a direcção do PSD desce a este nível, o melhor mesmo é desaparecer do horizonte.
Miguel Sousa Tavares. Expresso.


Com a devida vénia a António Maia, a quem também agradeço o link.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

domingo, 20 de abril de 2008

Sinais

Da Capital do Império

Olá!

O Obambi vai apanhar uma sova nas primárias da Pennsylvania na Terça Feira. Isso é quase que garantido, pelo que vocês para saberem as implicações disso, devem concentrar-se no tamanho da sova.
Se a Hilária ganhar por dez por cento ou mais a guerra dentro do Partido Democrático vai intensificar-se como nunca até agora pois a Hilaria passa a ter a possibilidade de ultrapassar o Obambi na votação popular o que é a sua unica chance de levar os “super delegados” a votarem por si na convenção e ultrapassar assim o número de delegados do Obambi . Se ganhar por entre cinco e dez por cento a Hilária vai apregoar ao mundo que a sua vitoria demonstra que é ela quem consegue ganhar à vontade nos grandes estados pelo que os super delegados devem votar nela
Contudo qualquer que seja o tamanho da sova os Billary (a Hilária e o Bill) vão proclamar aos quatro ventos que o Obambi não consegue ganhar nada. Depois de terem tentado afirmar que o Obambi só ganhava em alguns estados porque é preto agora os Billary vão dizer que o Obambi não consegue ganhar porque a brancalhada proletária não gosta dele. Ou seja: o Obambi ganha em alguns locais porque é preto e perde noutros porque é preto. É a lógica clintoniana.
E claro está o Obambi ajudou quando foi a São Francisco falar a doadores financeiros à sua campanha e disse que não estava admirado pelo facto da classe operária na Pennsylvania ser “amarga” devido à sua situação económica sendo devido a essa “amargura” que “se agarra à sua religião, às suas armas, aos seus sentimentos anti imigrantes”. Fez –me lembrar “Die Religion is das Opium des Volkes” (Lembram-se?). O que pode ainda ser uma tema para um excelente debate de café ou de filosofia numa universidade ou nas páginas de um jornal mais literário mas que para mal do Obambi foi aqui visto como uma demonstração óbvia de uma certa condescendencia senão mesmo menosprezo que uma certa esquerda tem por valores e crenças que não são os seus.
E quando esses valores e crenças são aqueles de uma classe trabalhadora que ele quer ganhar para o seu lado o seu divagar pelos campos da filosofia e psicologia de massas baratas não caiu nada bem. Sendo as eleições presidenciais americanas algo que é decidido mais pela imagem e por asneiras que os candidatos dizem e menos pelo conteúdo dos seus programas (que face ao sistema americano não passam de promessas e nada mais do que isso) o Obambi teve a sua figura “cool” de “gajo da malta” acima de raça, classe etc etc muito abalada. Tornou-se subitamente naquilo que ele é e tenta declarar que não é: um politico da velha escola que diz uma coisa em público e outra em privado..
A Hilária entrou de imediato em método clintoniano “full time” fazendo discursos a lembrar como o seu pai lhe tinha ensinado a disparar uma espigarda no quintal (!!!) e como ela tinha sido educada na boa tradição da Igreja Metodista que, segundo disse, lhe tinha dado apoio nos tempos difíceis da sua vida. A religião, disse ela, não é algo a que os eleitores da Pennsylvania se agarram por estarem ‘amargos” mas é sim parte da sua cultura e modo de ser. “Não sei se o Barack é elitista mas suas declaração são, demonstando uma falta de conexão com os valores do povo americano,” disse ela em tom beatífico. E depois a colmatar esta ofensiva tipo clintoniano a Hilária, rodeada de camaras de televisao foi a um bar “proleta” na Pensilvania e com o maralhal que lá se encontrava bebeu umas cervejas e um copos de Whisky (num só golo) tal como fazem os proletas da zona.
Eu nunca gostei dessa mistura particularmente desde que uma vez na Dinamarca apanhei um “pifo” de cerveja e schnaps, o equivalente da cerveja e whisky dos proletas da Pennsylvania. Mas apanhei uma ressaca muito maior depois de ver a Hilária na televisão a tentar ser populista à custa do “elitismo” (como ela lhe chamou) do Obambi. Ia vomitando e fiquei a arrotar cerveja e whyski durante dias mesmo sem ter bebido a mistela (prefiro vinho da Califórnia)
Uma coisa é certa. Qualquer que seja o tamanho da vitoria da Hilária nas eleições de Terça feira ela não se vai embora. E uma semana após a Pennsylvania ela volta provavelemente a ganhar no Indiana embora deva apanhar um exugo de porrada na Carolina do Norte embora ai o Obambi ganhe porque … é preto. A Hilária está a tornar-se no Robert Mugabe do Partido Democrático. Por muito que muitos queiram não se vai embora. Tal como o Mugabe ela pensa que tem o direito à presidencia e que o povo lhe deve isso.
Abraços.
Da Capital do Império,

Jota Esse Erre

A CRISE DA ECONOMIA AMERICANA

Bill comprou um apartamento, no começo dos anos 90, por 300.000 dólares financiado em 30 anos. Em 2006 o apartamento do Bill passou a valer 1,1 milhão de dólares. Aí, um banco perguntou pro Bill se ele não queria uma grana emprestada, algo como 800.000 dólares, dando seu apartamento como garantia. Ele aceitou o empréstimo, fez uma nova hipoteca e pegou os 800.000 dólares.

Com os 800.000 dólares. Bill, vendo que imóveis não paravam de valorizar, comprou 3 casas em construção dando como entrada algo como 400.000 dólares. A diferença, 400.000 dólares que Bill recebeu do banco, ele comprometeu: comprou carro novo (alemão) pra ele, deu um carro(japonês) para cada filho e com o resto do dinheiro comprou tv de plasma de 636 polegadas, 43 notebooks, 1634 cuecas. Tudo financiado, tudo a crédito. A esposa do Bill, sentindo-se rica, sentou o dedo no cartão de crédito.

Em agosto de 2007 começaram a correr boatos que os preços dos imóveis estavam caindo. As casas que o Bill tinha dado entrada e estavam em construção caíram vertiginosamente de preço e não tinham liquidez

O negócio era refinanciar a própria casa, usar o dinheiro para comprar outras casas e revender com lucro. Fácil... Parecia fácil. Só que todo mundo teve a mesma idéia ao mesmo tempo. As taxas que o Bill pagava começaram a subir (as taxas eram pós fixadas) e o Bill percebeu que seu investimento em imóveis se transformara num desastre.

Milhões tiveram a mesma idéia do Bill. Tinha casa pra vender como nunca.

Bill foi agüentando as prestações da sua casa refinanciada, mais as das 3 casas que ele comprou, como milhões de compatriotas, para revender, mais as prestações dos carros, as das cuecas, dos notebooks, da tv de plasma e do cartão de crédito.

Aí as casas que o Bill comprou para revender ficaram prontas e ele tinha que pagar uma grande parcela. Só que neste momento Bill achava que já teria revendido as 3 casas mas, ou não havia compradores ou os que havia só pagariam um preço muito menor que o Bill havia pago. Bill se danou. Começou a não pagar aos bancos as hipotecas da casa que ele morava e das 3 casas que ele havia comprado como investimento. Os bancos ficaram sem receber de milhões de especuladores iguais a Bill.

Bill optou pela sobrevivência da família e tentou renegociar
com os bancos que não quiseram acordo. Bill entregou aos bancos as 3 casas
que comprou como investimento perdendo tudo que tinha investido. Bill quebrou. Ele e sua família pararam de consumir.

Milhões de Bills deixaram de pagar aos bancos os empréstimos que haviam feito baseado nos preços dos imóveis. Os bancos haviam transformado os empréstimos de milhões de Bills em títulos negociáveis. Esses títulos passaram a ser negociados com valor de face. Com a inadimplência dos Bills esses títulos começaram a valer pó.

Bilhões e bilhões em títulos passaram a nada valer e esses títulos estavam disseminados por todo o mercado, principalmente nos bancos americanos, mas também em bancos europeus e asiáticos.

Os imóveis eram as garantias dos empréstimos mas esses empréstimos foram feitos baseados num preço de mercado desse imóvel, preço que despencou. Um empréstimo foi feito baseado num imóvel avaliado em 500.000 dólares e de repente passou a valer300.000 dólares e mesmo pelos 300.000 não havia compradores.

Os preços dos imóveis eram uma bolha, um ciclo que não se sustentava, como os esquemas de pirâmide, especulação pura. A inadimplência dos milhões de Bills atingiu fortemente os bancos americanos que perderam centenas de bilhões de dólares. A farra do crédito fácil um dia acaba. Acabou.

Com a inadimplência dos milhões de Bills, os bancos pararam de emprestar por medo de não receber. Os Bills pararam de consumir porque não tinham crédito. Mesmo quem não devia dinheiro não conseguia crédito nos bancos e quem tinha crédito não queria dinheiro emprestado.

O medo de perder o emprego fez a economia travar. Recessão é sentimento, é medo. Mesmo quem pode, pára de consumir.

O FED começou a trabalhar de forma árdua, reduzindo fortemente as taxas de juros e as taxas de empréstimo interbancários. O FED também começou a injetar bilhões de dólares no mercado, provendo liquidez. O governo Bush lançou um plano de ajuda à economia sob forma de devolução de parte do imposto de renda pago, visando incrementar o consumo porém essas ações levam meses para surtir efeitos práticos. Essas ações foram corretas e, até agora não é possível afirmar que os EUA estão tecnicamente em recessão.

O FED trabalhava. O mercado ficava atento e as famílias esperançosas. Até que na semana passada o impensável aconteceu. O pior pesadelo para uma economia aconteceu: a crise bancária, correntistas correndo para sacar suas economias, boataria geral, pânico. Um dos grandes bancos da América, o Bear Stearns, amanheceu, quebrado, insolvente.

O FED, de forma inédita, fez um empréstimo ao Bear, apoiado pelo JP Morgan Chase, para que o banco não quebrasse. Depois disso o Bear foi vendido para o JP Morgan por 2 dólares por ação. Há um ano elas valiam 160 dólares. Dezenas de boatos voltaram a acontecer sobre quebra de bancos. A bola da vez seria o Lehman Brothers, um bancão. O mercado e as pessoas seguem sem saber o que esperar.

O que começou com o Bill hoje afeta o mundo inteiro. A coisa pode estar apenas começando. Só o tempo poderá dizer o que vai acontecer...



HÉLIO MAURO FRANÇA

Consultor do PNUD - Projeto MDG - NEPAD - FUDECAD
Assessor do Grupo Técnico Interministerial GTM - SADC
Ministério da Indústria - Gabinete do Vice-Ministro Abrahão Gurgel


José Pinto de Sá

Cesso a minha colaboração

Retirem o meu nome deste blog.

sábado, 19 de abril de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Túneis de Cu Chi (1)




Cu Chi, a cerca de 70 km de Saigão, a caminho do Cambodja. Nesta localidade os Vietcong estabeleceram uma rede de túneis com cerca de 250 km, com hospitais, cozinhas, minifábricas de armamento, armazéns, etc, tudo subterrâneo, até 10 metros de profundidade, e com ligacão directa a Saigão, o que tornou possivel o ataque directo a Saigão durante a famosa ofensiva do TET em Fevereiro de 1968.

Fotos FFC

Maio 68: "O vulcão não está extinto"

Sucedem-se os números e edições especiais de livros, revistas e jornais sobre os 40 anos de Maio 68. Intensa polémica circula e todos os "chiens de garde" do sistema tentam minimizar ou deturpar o valor inovador do grande acontecimento. Só comparável à Revolução Francesa e à Comuna de Paris, quase dois séculos depois. Existe uma efectiva novidade e radicalismo no Maio 68 gaulês: a revolta saltou dos anfiteatros de Nanterre e da Sorbonne para as fábricas, provocando a maior Greve Geral do séc. XX. Os exemplos norte-americano e alemão parecem "casos menores " de sociologia estudantil comparados com a "explosão" social, cultural e política causada pelo Maio francês. Só os aprendizes de feiticeiro ou os lacaios do sistema despótico podem tentar lançar cortinas de fumo inconfessáveis sobre tão radical diferença e singularidade. Isso mesmo se pode ler neste diálogo entre dois historiadores da nova vaga, hoje dada à estampa no Libération, clicar aqui.


Se Pierre Encrevé destaca o "momento inacreditável de Maio 68, um grande mês de suspense, onde tudo parece mudado, suspenso", Fréderik Keck avança com a tese sobre as mutações teóricas e políticas criadas pelo fim da Guerra da Argélia em 1962. "Maio 68 é origináriamente uma reacção de revolta contra o autoritarismo politico longamente suportado. Os estudantes que militaram contra a Guerra da Argélia não esqueceram os argelinos deitados ao rio Sena, em 1961, nem os mortos perpetrados na estação de metro Charonne, em 1962” .

O artigo fala dos bloqueios sádicos da sociedade francesa, que Maio 68 estilhaçou. E destaca o papel inovador da teoria . No final da época de ouro do Existencialismo, começam a surgir os pensadores ensinados por Canguilhem, Koyré e Bachelard. O trabalho de sapa erguido a golpes de audácia por Foucault, Lacan e Althusser ou Claude Lévi-Strauss, começa a dar frutos para a "descontrução das legitimidades dominantes". Maio 68 é um grande momento de optimismo cultural e politico, frisa Encrevé.

« La peur est un terrible frein à la pensée…

P.E. : C’est un universel largement imposé, médiatiquement transmis en permanence. Il y a une construction systématique de la peur à l’appui d’un ordre social et politique international sans fondement éthique.

F.K. :Ce qui fait que l’héritage de Mai 68 est difficile à recevoir aujourd’hui, c’est la différence entre l’insouciance des étudiants de 1968 par rapport aux problèmes de la vie matérielle et la précarité des étudiants quarante ans après. Aujourd’hui, les étudiants se demandent surtout s’ils vont avoir assez d’argent à la fin du mois ou un emploi après leurs études. Dès lors, contester la société en général et s’enthousiasmer pour des discours politiques unifiants est plus difficile.

P.E. :Il y avait probablement plus de pauvres en 1968 qu’aujourd’hui. Les salaires des employés et ouvriers étaient extrêmement bas et les bourses étudiantes aussi maigres que rares. Pourtant, Mai 68 est un grand moment d’optimisme culturel et politique. Il y a une jubilation, en dépit de moments très violents. On expérimente la fraternité dans la liberté, avec l’espoir d’avancer vers l’égalité…
Vous me rappelez une réflexion de Mark Twain : «Ils l’ont fait parce qu’ils ne savaient pas que c’était impossible»…

P.E. :Et Max Weber : «Si on ne s’était pas toujours et encore attaqué à l’impossible, on n’aurait jamais atteint le possible». Une des réalités frappantes de 68, c’est le surgissement, pour un temps bref, du rêve d’un désordre juste… En 2008, dans la société française, il est interdit de ne pas interdire, dans tous les domaines. La politique judiciaire est de plus en plus répressive. Si Foucault voyait les prisons d’aujourd’hui, il n’en reviendrait pas. Sans compter l’incompréhensible violence faite aux travailleurs sans papiers, dont l’apport à l’économie est pourtant indispensable. Aujourd’hui, le monde entier expose un désordre profondément injuste, qui joue sur la peur pour se perpétuer. Je veux penser que cet universel peut se déconstruire. Que l’exigence de justice et le désir de liberté peuvent toujours ressurgir par surprise, que le volcan n’est pas éteint.
F.K. : L’université n’est plus le lieu auquel on peut s’attaquer pour faire surgir un désordre juste. C’est même un des seuls lieux où reste un semblant d’ordre dans une société régie par le désordre injuste. L’école et l’université reprennent la fonction remplie autrefois par l’Eglise, consistant à protéger des menaces du monde extérieur. Cela ne joue sans doute pas en faveur du savoir et de la transmission.
La révolution technologique actuelle a-t-elle pu contribuer à cette peur ? En quoi transforme-t-elle la transmission des savoirs ?

F.K. : Il faut se méfier de cette révolution technologique, car elle risque de détruire l’université au profit d’un savoir entièrement virtuel. J’en prends pour indice le fait qu’en préparation à l’éventualité d’une pandémie de grippe aviaire, tous les cours ont été enregistrés pour que les étudiants puissent les suivre chez eux. C’est très bien de garantir la continuité de l’enseignement, mais il me semble que cette université virtuelle réalise un des rêves de Mai 68 : un enseignement sans maître. C’est un rêve dangereux. Mai 68 montre que la relation maître-élève est nécessaire, même si elle est potentiellement oppressive, justement parce que, en tant que relation personnelle, elle ouvre la voie à la contestation. Il est plus facile de contester l’autorité d’un maître que celle d’un ordinateur.

P.E. :Quand j’étais étudiant, seul le professeur avait accès aux textes qui permettaient de fonder une parole magistrale. Il était difficile d’entrer dans la bibliothèque de la Sorbonne et interdit aux simples étudiants d’aller dans les rayons. A Paris, jusqu’à Vincennes, il n’y avait pas de bibliothèque universitaire en accès libre. Mais cette question est radicalement transformée par Internet, qui intervient désormais massivement dans la distribution des ressources qui fondent le savoir. S’instaure une vraie démocratisation de l’accès aux sources, mais sans la transmission personnelle typique du système d’enseignement, inséparable de l’autonomisation du sujet.

F.K.: L’autonomie, qui est un des buts de 68, n’est pas donnée, elle suppose des conditions sociales qui doivent être construites et soutenues.
P.E.: Mai 68, dans sa vivacité non repérable, résonne toujours comme un appel à ne pas renoncer à devenir sujet de son histoire, individuellement et collectivement. Mais le mode d’emploi est sans cesse à réinventer.»
Libération

FAR

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Ainda Dili (17)


Pintura João de Azevedo

Post com dedicatória

Quero

Quero que todos os dias do ano
Todos os dias da vida
De meia em meia hora
De 5 em 5 minutos
Me digas: Eu te amo.

Ouvindo-te dizer: Eu te amo,
Creio, no momento, que sou amado.
No momento anterior
E no seguinte,
Como sabê-lo?

Quero que me repitas até a exaustão
Que me amas que me amas que me amas.
Do contrário evapora-se a amação
Pois ao dizer: Eu te amo,
Desmentes
Apagas
Teu amor por mim.

Exijo de ti o perene comunicado.
Não exijo senão isto,
Isto sempre, isto cada vez mais.

Quero ser amado por e em tua palavra
Nem sei de outra maneira a não ser esta
De reconhecer o Dom amoroso,
A perfeita maneira de saber-se amado:
Amor na raiz da palavra
E na emissão,
Amor
Saltando da língua nacional,
Amor
Feito som
Vibração espacial.

No momento em que não me dizes:
Eu te amo,
Inexoravelmente sei
Que deixaste de amar-me,
Que nunca me amaste antes.

Se não disseres urgente repetido
Eu te amoamoamoamoamoamo,
Verdade fulminante que acabas de dentranhar,
Eu me precipito no caos,
Essa coleção de objetos de não-amor.



Carlos Drummond de Andrade

Sinais


Desenho Maturino Galvão

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Terra

Somewildwish/30
O homem do cacilheiro não sabe que responder, se pela primeira vez lhe perguntam pela quantidade de energia e pelo real labor dos motores, que fazem com que aquela existência, longe de ser apenas deteriorável um dia, se sustenha para que tanto rume entre as margens.
Assemelha-se-lhe a questão, ao saber qual o volume de coração que deve soprar no desfiladeiro do amor, supondo que em derrocada deverá permanecer ágil.

Sinais


Desenho Maturino Galvão

FESTA MGM LISBOA - Quinta, 17 de Abril



21h30 – Documentário: “Guerra às Drogas”

22h00 – Conversa sobre as vantagens do auto-cultivo

23h00 – Música com:
DJ Unite
DJ Bob Dealer
The Positronics

Aparece! Vem apoiar a organização da Marcha!

Paul Veyne: Podemos viver sem mitos?

O Foucault de Paul Veyne surgiu. Vai fazer acontecimento. Tem o rigor de um trabalho minucioso de filosofia e de história. Conta episódios fundamentais da vida quotidiana do autor de "As palavras e das coisas". Paul Veyne é um dos maiores historiadores do século XX/XXI, e conheceu M. Foucault nos bancos da ENS da Rue d´Ulm.

"A humanidade pode passar sem a existência de mitos, tais como os da consciência e do progresso? Não sei, mas não se imagina que o consiga. Assim como não se consegue vê-la sem religiosidade ou ainda sem curiosidade filosófica. Apesar de todos os Nietzsche e Foucault do mundo, a humanidade gosta de invocar a Verdade e acredita ser verdadeiro aquilo em que crê. "Mitos" é uma palavra demasiado carregada de sentidos múltiplos, falemos porventura mais de enganos; o calvinismo foi o engano da economia da empresa capitalista."

"Essa palavra engano apareceu com grande insistência sob a caneta de Foucault, e tentamo-nos para lhe dar um destino, afirmando que constitui a primeira facilidade das estetizações: não é uma necessidade (cria-a, antes do mais), e não visa qualquer finalidade; as que pretendem continuar são pretextos: a salvação, a tranquilidade da alma, o nirvana, etc. A sua energia procede da sua liberdade, de uma pulsão do eu, da misteriosa "caixa negra" íntima, mais do que qualquer doutrina persuasiva: esta serve tão-somente de engano, de racionalização e de terreno de exercício".

In « Foucault », de Paul Veyne, Albin Michel Editeurs, Paris, Abril, 2008

FAR

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

De la fe en el mercado a la fe en el Estado

Incluso los neoliberales más radicales suplican ahora el intervencionismo del Estado en economía y mendigan las donaciones de los contribuyentes. Eso sí, cuando había beneficios, los consideraban diabólicos


Primer acto de la obra La sociedad del riesgo global: Chernóbil. Segundo acto: la amenaza de la catástrofe climática. Tercer acto: el 11-S. Y en el cuarto acto se abre el telón: los riesgos financieros globales. Entran en escena los neoliberales del núcleo duro, quienes ante el peligro se han convertido de repente desde la fe en el mercado a la fe en el Estado. Ahora rezan, mendigan y suplican para ganarse la misericordia de aquellas intervenciones del Estado y de las donaciones multimillonarias de los contribuyentes que, mientras brotaban los beneficios, consideraban obra del diablo. Qué exquisita sería esa comedia de los conversos que se interpreta hoy en la escena mundial si no tuviera el resabio amargo de la realidad. Porque no son los trabajadores, ni los socialdemócratas o los comunistas, ni los pobres o los beneficiarios de las ayudas sociales quienes reclaman la intervención del Estado para salvar a la economía de sí misma: son los jefes de bancos y los altos directivos de la economía mundial.
Para empezar, tenemos a John Lipsky, uno de los dirigentes del Fondo Monetario Internacional y reconocido fundamentalista del libre mercado, quien de pronto exhorta con una llamada alarmista a los gobiernos de los Estados miembros a hacer exactamente lo contrario de lo que ha predicado hasta ahora, esto es, evitar un derrumbe de la economía mundial con programas de gasto masivos. Como es sabido, el optimismo es inherente al mundo de los negocios. Cuando incluso él habla de que los políticos tendrían que "pensar lo impensable" y prepararse para ello, queda claro lo grave de la situación.
El fantasma de lo "impensable", que ahora es una amenaza en todas partes, debe por supuesto despertar el recuerdo de las crisis mundiales de los siglos pasados, y salvar a los bancos del abismo. Entra en escena Josef Ackermann, jefe del Deutsche Bank, quien confiesa que él tampoco cree ya en las fuerzas salvadoras del mercado. Al mismo tiempo, se retracta de su abjuración y afirma que no tiene dudas sobre la estabilidad del sistema financiero. Eso suena tranquilizador. ¿O no? Si el distinguido economista fuera sincero, tendría que admitir dos cosas: que la historia de esta crisis es una historia del fracaso del mercado, y que en todas partes gobierna el desconcierto, o más bien la brillante ignorancia.
El mercado ha fracasado porque los riesgos incalculables del crédito inmobiliario y de otros préstamos se ocultaron intencionadamente, con la esperanza de que su diversificación y ocultación acabaría reduciéndolos. Sin embargo, ahora se demuestra que esta estrategia de minimización se ha transformado en lo opuesto: en una estrategia de maximización y extensión de riesgos cuyo alcance es incalculable. De repente, el virus del riesgo se encuentra en todas partes, o por lo menos su expectativa. Como en un baño ácido, el miedo disuelve la confianza, lo cual potencia los riesgos y provoca, en una reacción en cadena, un autobloqueo del sistema financiero. Nadie tiene mejores certidumbres. Pero de pronto, ahora se sabe en todas partes que ya nada funciona sin el Estado.
¿En realidad qué significa riesgo? No hay que confundir riesgo con catástrofe. Riesgo significa la anticipación de la catástrofe. Los riesgos prefiguran una situación global, que (todavía) no se da. Mientras que cada catástrofe tiene lugar en un espacio, un tiempo y una sociedad determinados, la anticipación de la catástrofe no conoce ninguna delimitación de esta índole. Pero al mismo tiempo, puede convertirse en lo que desencadena la catástrofe, siempre en el caso de los riesgos financieros globales.
Es cierto que los riesgos y las crisis económicas son tan antiguos como los propios mercados. Y, por lo menos desde la crisis económica mundial de 1929, sabemos que los colapsos financieros pueden derrocar sistemas políticos, como la República de Weimar en Alemania. Pero lo que resulta más sorprendente es que las instituciones de Bretton-Woods fundadas después de la Segunda Guerra Mundial, que fueron pensadas como respuesta política a los riesgos económicos globales (y cuyo funcionamiento fue una de las claves para que se implantara el Estado del bienestar en Europa) hayan sido disueltas sistemáticamente desde los años 70 del siglo pasado y reemplazadas por sucesivas soluciones ad hoc. Desde entonces estamos confrontados con la situación paradójica de que los mercados están más liberalizados y globalizados que antes, pero las instituciones globales, que controlan su actuación, tienen que aceptar drásticas pérdidas de poder.
Como se ha demostrado con la "crisis asiática", además de la "crisis rusa" y la "crisis argentina", y ahora también con los primeros síntomas de la "crisis americana", los primeros afectados por las catástrofes financieras son las clases medias. Olas de bancarrotas y de desempleo han sacudido estas regiones. Los inversores occidentales y los comentaristas en general observan las "crisis financieras" solamente bajo la perspectiva de las posibles amenazas para los mercados financieros. Pero las crisis financieras globales no pueden "encasillarse" dentro del subsistema económico, como tampoco las crisis ecológicas globales, ya que tienden más bien a generar convulsiones sociales y a desencadenar riesgos o colapsos políticos. Una reacción en cadena de estas características durante la "crisis asiática" desestabilizó a Estados enteros, a la vez que provocó desbordamientos violentos contra minorías convertidas en cabezas de turco.
Y lo que era todavía impensable hace pocos años se perfila ahora como una posibilidad real: la ley de hierro de la globalización del libre mercado amenaza con desintegrarse, y su ideología con colapsarse. En todo el mundo, no sólo en Sudamérica sino también en el mundo árabe y cada vez más en Europa e incluso en Norteamérica los políticos dan pasos en contra de la globalización. Se ha redescubierto el proteccionismo. Algunos reclaman nuevas instituciones supranacionales para controlar los flujos financieros globales, mientras otros abogan por sistemas de seguros supranacionales o por una renovación de las instituciones y regímenes internacionales. La consecuencia es que la era de la ideología del libre mercado es un recuerdo marchito y que lo opuesto se ha hecho realidad: la politización de la economía global de libre mercado.
Existen sorprendentes paralelismos entre la catástrofe nuclear de Chernóbil, la crisis financiera asiática y la amenaza de colapso de la economía financiera. Frente a los riesgos globales, los métodos tradicionales de control y contención resultan ineficaces. Y a la vez, se pone de manifiesto el potencial destructivo en lo social y político de los riesgos que entraña el mercado global. Millones de desempleados y pobres no pueden ser compensados financieramente. Caen gobiernos y hay amenazas de guerra civil. Cuando los riesgos son percibidos, la cuestión de la responsabilidad adquiere relevancia pública.
Muchos problemas, como por ejemplo la regulación del mercado de divisas, así como el hacer frente a los riesgos ecológicos, no se pueden resolver sin una acción colectiva en la que participen muchos países y grupos. Ni la más liberal de todas las economías funciona sin coordenadas macroeconómicas.
Las élites económicas nacionales y globales (los dueños de los bancos, los ministros de finanzas, los directivos de las grandes empresas y las organizaciones económicas mundiales) no deberían sorprenderse de que la opinión pública reaccione con una mezcla de cólera, incomprensión y malicia. Pero el convencimiento certero de que, en una crisis, el Estado al final acabará salvándoles, permite a los bancos y a las empresas financieras hacer negocios en los tiempos de bonanza sin una excesiva conciencia de los riesgos.
No tiene que ver con la envidia social el recordar que los exitosos banqueros ganan al año importes millonarios de dos cifras, y los exitosos jefes de firmas de capital riesgo y de fondos especulativos incluso mucho más. En los tiempos que corren, los banqueros actúan como los abogados defensores del libre mercado. Si el castillo de naipes de la especulación amenaza con desmoronarse, los bancos centrales y los contribuyentes deben salvarlo. Al Estado sólo le queda hacer por el interés común lo que siempre le reprocharon quienes ahora lo reclaman: poner fin al fracaso del mercado mediante una regulación supranacional.
ULRICH BECK - EL PAÍS - Opinión - 15-04-2008

José Pinto de Sá