sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Berlim (2)


Im Jüdischem Museum. Berlim. Out./Set. 2007

Foto Sérgio Santimano

“O que Putin fará só ele e o seu cão Koni o sabem…”

Presidenciais russas entediantes e com Putin a armadilhar tudo e todos: o filme do fim-de-semana parece estar ensaiado antecipadamente em Moscovo. Como escreveu hoje o editorialista para a Europa do W.S. Journal, Matthew Kaminski, só um refinado incompetente não tiraria partido do aumento à potência oitava do preço dos hidrocarbonetos e minerais, embora subtilmente sinalize que o PR russo não tem ilusões sobre a moral dos seus apoiantes..Daí o rigor milimétrico com que desenhou a sua passagem de PR para PM. E, acrescenta, Poutin congelou as reformas da economia desde que foi reeleito em 2004 e “ kremlinizou a indústria energética, começando pela confiscação da primeira companhia petrolífera privada, a Yukos”.Com verve, o jornalista soletra a deliciosa anedota moscovita sobre os segredos de Estado entre Putine e o seu cão Koni…

Regularmente temos vindo a classificar as grandes linhas de força do Putinismo. Especialmente, o grande artigo da dupla de correspondentes do F.Times, em Moscovo, se bem se recordam, deu-nos perspectivas de grande alcance. Para se ver a classe de Neil Buckley e de Catherine Bolton leia-se hoje o artigo de Thimothy Garton Arsh no The Guardian, ele que anima tanto as páginas de Fim-de-semana do jornal Público, com traduções…Por isso, avancemos com detalhes da argumentação de Kaminski, que possuem uma incalculável consistência: “ Vendido como garante da ordem política e económica, o Putinismo é corajosamente instável. O lançamento da corrida presidencial provocou uma encapotada mas furiosa disputa, e a luta pelo poder não irá abrandar. (…) Talvez consciente dessas vulnerabilidades, Putin passou os últimos oito anos a montar alarmes repressivos contra esse desfecho possível”.

“Eliminando paulatinamente as liberdades democráticas, Putin enfraquece a legitimidade do seu regime. Mas a sua sobrevivência obriga a que não possua espaço para poder cometer erros. Ele depende de um pequeno e unido círculo, cujas conexões datam dos tempos de St Petersburgo”. Como repete um seu antigo companheiro do KGB, “Putin preza e recompensa a lealdade, mas conserva inexpugnáveis os seus fundamentos de decisão”, aponta o editorialista do WS Journal.
Kaminski com gozo, diz que Putin foi escolher um jovem pálido e que ,segundo os malandrecos afirmam, é uma pequena "imitação do dono”.Como não tinha apoios nem nos serviços secretos, nem na nomenclatura, isso era um dado suplementar para ser Medvedev o predestinado… Um politólogo de Standford Univ., Michael MacFaul, em declarações ao NY Times, sugere que os sentimentos pró-West do futuro PR são mais superficiais do que substanciais. “Ele é mais um public relations, não um estratega”.

FAR

Concerto, em Faro, dos "Amar Guitarra"

Dia 1 de Março
Faro
“Os Artistas” (22:30h)

Amar Guitarra é uma viagem apaixonada pelo universo sonoro
latino, com passagem por terrenos do jazz e do blues,
conduzida por guitarras em diálogo.

Em 2008, João Cuña e Luís Fialho, decidem apostar num projecto musical instrumental mais ambicioso: “Amar Guitarra”, que resulta da evolução natural do projecto inicial “Las Guitarras Locas”, e onde a guitarra portuguesa assume um papel de relevo.

O agora quarteto conta com uma sólida secção ritmica a cargo do veterano Raimund Engelhardt na percussão (tablas, cajon e cimbal) e do jovem talento Marco Martins no baixo “fretless”.

Brevemente será disponibilizada a primeira aposta discográfica deste colectivo.

Consulte toda a informação, contactos, vídeos, fotos e agenda de concertos em:

www.myspace.com/amarguitarra

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

104 anos


«Tudo começou na zona de Belém. José Rosa Rodrigues, que seria o primeiro presidente do Sport Lisboa, foi um dos que participaram no primeiro treino do clube. Foi no dia 28 de Fevereiro de 1904, entre as 11h e as 12h30, nos terrenos da Companhia dos Caminhos de Ferro, que ficam entre a linha de comboio Cais do Sodré-Cascais e a sul da casa do Duque de Loulé, perto do sítio onde hoje fica a Praça do Império. Ainda no mesmo dia, os fundadores do clube, entre eles Cosme Damião, juntaram-se na Farmácia Franco, na Rua Direita de Belém (nº 147) e estabeleceram as bases gerais da nova agremiação. O nascimento do Sport Lisboa é assim contado no livro "Benfica, 90 anos de glória", escrito por António Manuel Morais, Carlos Perdigão, João Loureiro e José de Oliveira Santos. O Sport Lisboa, que efectuou o primeiro jogo contra o Campo de Ourique a 1 de Janeiro de 1905 (venceu por 1-0), viveu quatro anos só, antes de a 13 de Setembro de 1908 se fundir com o Sport Clube de Benfica, dando origem ao Sport Lisboa e Benfica, o Benfica dos nossos dias, que remete a sua fundação para 28 de Fevereiro de 1904. A data é alvo de muita discussão, a ponto de o site oficial do Benfica incluir um documento sobre as "verdades deturpadas", em que defende a fundação a 28 de Fevereiro de 1904, dizendo que o SLB manteve o equipamento, o símbolo (apenas sendo acrescentada a roda da bicicleta) e os jogadores do tempo do Sport Lisboa.»

Via Tertúlia Benfiquista, um excelente blogue vermelho que aproveito para recomendar

Ainda Dili (4)



Pintura João de Azevedo

Presidenciais USA: A longa maratona de Obama…

Barack Hussein Obama está a pulverizar todos os mitos da política americana. Se perdeu a intenção de voto do NY Times, está a um breve passo de ganhar os favores do magnífico Grupo Editorial The Economist/Financial Times. O que é surpreendente, mas se situa fora da arena principal da maratona presidencial USA. De qualquer das formas, espera-se a intenção de voto do Washington Post e da cadeia de jornais, rádios e Tv´s que se lhe associam, para breve.

Num artigo do colunista Gideon Rachman( F.T.), datado de ontem, é escalpelizada, a sério, a estratégia política posta em acção pelo senador do Illinois. Nomeadamente, é dissecada a genealogia política das mais célebres frases de Obama. Os resultados são espectaculares: Obama, o terceiro afro-americano a ser eleito para o Senado, desde 1867, tomou cocaína na adolescência e doutorou-se em Direito por Harvard, onde dirigiu a prestigiosa Revista de Direito. Desde 2000, posicionou-se no Partido Democrático, ajudou John Kerry e montou um staff de operacionais muito politicamente incorrectos…

Obama, segundo o articulista do F.Times, accionou uma plataforma à la Pirro para conquistar a Casa Branca.. E indica que o antigo editor do The Times de Londres, William Rees-Moog, o considera tão inspirado como JF. Kennedy; mas, o espanto,”muito melhor orador” do que o antigo presidente assassinado em Dallas, em 1964.

Rachman jura que o staff de Obama “copiou” bem a essência dos pedaços de discursos e de palavras de ordem célebres de Churchill, Kennedy e Martin-Luther King. Mas o melhor está na descodificação que o colunista do FT opera sobre o refrão mundialmente famoso já, “Yes we can”. Assegura, pois, com a fórmula do duche frio, que Obama despojou um discurso de Peter Sellers, comediante inglês dos anos 60…

So Mr Obama is not (only) relying on empty exhortation because that is all capable of. It is a deliberate political strategy. And it makes sense. The more a candidate gets stuck into the detail, the more likely he is to bore or antagonise voters. Appealing to people´s emotion is less dangerous and more effective", sublinha.

FAR

Caça ao voto hispânico no Texas



"Video Description
By Barack Obama Last fall, Latina Lista sent an invitation to the major presidential candidates of both parties to "blog" on Latina Lista as a way to address our readers. As the campaigns are regrouping after what can only be described as a successful night for both of the Democratic frontrunners during the Super Tuesday elections, one Democratic candidate, who has yet to address Latina Lista readers, decided to forego some sleep and contribute a post. By now in this campaign season, Senator Barack Obama is a familiar face. This Illinois Senator with a degree from Harvard was the first African-American president of the Harvard Law Review. He spent his early days after law school graduation practicing civil rights law and teaching constitutional law. His experience in grassroots organizing helped lead to his bid for the Illinois State Senate where he served for eight years. In 2004, he became the third African American since Reconstruction to be elected to the U.S. Senate. Today, Senator Obama shares his vision of the future and what he plans to bring to all the people who call the United States home. I want to thank Latina Lista for giving me the opportunity to contribute to the blog and to talk about change in this great country with the Latina community. Since the day I was born, I have been surrounded by strong women. I was raised by a single mother, have married a strong independent woman who has blessed me with two beautiful girls and now I'm trying to raise them to pursue their dreams no matter how big, and become future leaders. As a son, husband and parent I am well aware that women are the core of family. Mothers, wives and sisters are the ones who protect us, care for us, teach us and encourage us. I also know that for women of all backgrounds, keeping their families together is a top priority. It is no secret that Latino families are being separated from their families every day in this country because of raids and deportation policies that do not take family and humanity into account when trying to enforce laws. Si se puede -Latinos, Barack Obama no se hecha para atrás en lo que dice. A diferencia de Hillary Clinton, Barack aun apoya las licencias de conducción y un camino humanitario hacia la legalización. Incluso enfrentando gran oposición el estuvo firme en contra de la guerra desde el principio, y no se dejo influenciar como Clinton que voto a favor una la guerra basada en mentiras que tantos muertes ha causado. Barack Obama tiene la integridad y honestidad para traer el cambio necesario a este país. El no le dice una cosa a un grupo y otra a otros solo para conseguir votos: En la iglesia de Martín Luther King Jr el le pidió a la audiencia afro-americana que dejaran atrás la discriminación a otros grupos y que valoraran a los inmigrantes no como competencia sino como compañeros en la busca de oportunidad... En el debate televisado por CNN, mientras Clinton mantuvo una posición hostil respecto a la influencia de los inmigrantes en la economía de otras minorías, Barack Obama le dijo de frente que no se le puede hechar la culpa a una minoría cuando obviamente el problema económico es uno que sufrimos todos y es causado por la falta de inversión en infra-estructura, educación etc. Una economía en la cual el país invierte billones y billones de dólares en una guerra sin razón. Barack Obama no quiere dividirnos como Hillary, el quiere unir al país y sanarlo. Inspirarnos a ayudarnos los unos a los otros y tener una política exterior que exhauste las posibilidades diplomáticas antes de iniciar cualquier guerra. Obama, con un trasfondo racial mixto, y familia inmigrante, simboliza la armonía entre las distintas etnias y minorías de estos Estados Unidos de Norte América. Keywords: barack obama music videos latinos, Si se puede, Viva Obama, Amigos de Obama, Hispanic, TX, Houston, El Paso, Dallas, Corpus Christi, El Valle, Mariachi, Ohio, Democratic primary, caucus, Hillary Clinton, pledged delegates, superdelegates, African Americans"

Jota Esse Erre

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Subida do pão: medida saudável

Para João Miranda, a subida do pão não é só boa economicamente. É uma coisa saudável, que vai combater a obesidade. A lógica é irrefutável, porque o homem até remete para Carl Jung (quem tiver dúvidas, depois pergunta-lhe, pode ser que ele se digne a explicar).
No fundo, o pão até podia subir mais, que isso não afecta ninguém. Tudo propaganda pró - calórica socialista.
Num país com dois milhões abaixo do limiar da pobreza, João Miranda é a prova viva que é possível escrever em jornais sem ter a mínima ideia do país e do mundo.
Quando o leio, tenho a triste sensação que para João Miranda sustentar uma ideia logicamente, ainda lhe falta comer muito pão.

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Berlim (1)


Das Deutsche Technikmuseum in Kreuzberg. Berlim. Alemanha. Setembro/Outubro 2007

Foto Sérgio Santimano

Há uma praia...

(também para não dizerem que vinha aqui falar de 'pelotiquíces'...)

tem sol e um arco - íris de encomenda
mais um cão com cara de menino traquina
e um sorriso.

uma conversa sem vontade de acabar.

Uma praia cheia de mar
com brilhos nos olhos.

Tantas histórias e confidências.
Vontade (s).
O gosto de estarmos ali.
As vozes.
Tarde de estar tão tarde, mas não tarde assim, junto a ti.

Mel nos teus olhos.
Voltar à praia, contigo.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Terra - Somewildwish


Somewildwish/25
Foto: g.ludovice

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Da militância

"Soraia está nua e Abílio pensa na militância"
João Miguel Tavares, Diário de Notícias

Ainda Dili (3)



Pintura João de Azevedo

Alain Badiou: “Os partidos são organizações estatistas”

No calor da polémica que nos tem exaltado e jubilado, sobre os limites da Democracia e dos partidos, alternativas e becos sem saída, pareceu-me importante buscar no magnífico e triunfal trabalho teórico de Alain Badiou, de novo, mais algumas pistas de grande acuidade e pertinência. E voltaremos a esse dispositivo de combate e desmistificação, sempre que as circunstâncias o aconselharem, como soe dizer-se…

1. «Distingamos partido, forma específica de acção política colectiva, invenção especial que data do final do séc.XIX, do tema geral que abrange a organização. Toda a política é organizada, disso não se duvida. Mas o partido remete para outra coisa, que ultrapassa a organização. Partido quer dizer: organizado para o Poder de Estado. Hoje, isso toma a forma obrigatória da maquinaria eleitoral, das alianças, da “esquerda unida” e outras invenções, através das quais circula a eternidade negativa da decepção e da corrupção. “Política sem partido”, não quer dizer, de modo algum, sem potência, bem pelo contrário. (…) os partidos, hoje, não são partidos políticos. São organizações estatistas, mesmo que se digam de oposição frontal. Constituem esses partidos, os que “não têm política”, porque o espaço parlamentar dos partidos é, de facto, uma política de despolitização». Entrevista Alain Badiou/Daniel Bensaid, in “Penser la Politique”, Marx au XXI Siècle. Paris.

2. «Durante a fase da política dos partidos, o paradigma lógico era a dialéctica hegeliana, a teoria da contradição. Hoje, a lógica dialéctica hegeliana está saturada. Não podemos já usar o paradigma da contradição. Sobre as hipóteses formuladas por Negri e Hardt, a democracia é a criatividade do movimento. Há nisso uma boa dose de vitalismo. No fim da linha Negri, o conceito permanence no interior da clássica oposição entre o movimento e o Estado. Trata-se, efectivamente de uma concepção vitalista: a democracia é a espontaneidade e a capacidade criadora do movimento».

«Existe, de um lado, a definição da democracia como forma de Estado; e do outro, a Democracia Imanente, determinação colectiva do Movimento. Penso que a oposição Estado/ Movimento também está saturada. Nós não podemos simplesmente opormo-nos à opressão ou ao estado do sistema repressivo, só com, do outro lado da barricada, a criatividade do Movimento. Isto é um velho conceito».

«Devemos procurar encontrar um novo conceito de Democracia, aquele que fica de fora da oposição entre Democracia Formal (que é a democracia enquanto forma e Estado), e o betão Democracia (que é a Democracia do movimento popular). Negri permanece no interior desta oposição clássica utilizando outros nomes: o estado do Império, a multitude do movimento. Mas novos nomes não indicam coisas novas». Entrevista com estudantes, Universidade de Washington, finais 2006.

FAR

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Karl Rove ataca Obama para proteger MacCain e Hillary Clinton

O descaramento não tem limites na política Americana. O antigo super-conselheiro de GW Bush, o omnipresente Karl Rove, o enviado especial para “salvar Berlusconi”, desceu a terreiro e acusou, na edição de Fim de Semana do Wall Street Journal, Barack Obama de ter apagado todos os sinais, “inspirados mas indescritíveis”, de mudança post partidária na sua estratégia eleitoral. Rove diz que ele, em Houston, há poucos dias, revelou na TV, num longo discurso de 45 minutos com audiência nacional, todos os estigmas de uma desenvolta “temática” de esquerda radical. Jura que ele está prisioneiro da ala esquerda do Partido Democrático. Que não consegue também fazer frente aos lobbies de esquerda radical do partido, que são o “músculo” do P.D., do ponto de vista financeiro e politico. A que só Bill Clinton se tinha oposto nas Presidenciais de 1992…

O “spin doctor” de GW Bush, agora na Consultadoria Internacional disfarçada do P. Republicano, ataca os pivots da estratégia internacional de Obama, que diz serem “belicosos” para com o Paquistão (país aliado), e amistosos para com o Irão e a Síria, o que só pode favorecer Maccain…Por outro lado, mostra-se de acordo com os ataques de Hillary Clinton ao senador afro-americano, onde ela precisa que Obama não está pronto para ser Comandante-em-chefe do Estado-Maior e não pode levar à prática por falta de liderança e experiência as suas miríficas promessas…Assim mesmo, preto no branco.

“In recent days, Mr. Obama has invoked the Declaration of Independence, Martin Luther King Jr. and Franklin Roosevelt to show the power of words. But there is a critical difference between Mr. Obama´s rethoric and that of Jefferson, King and FD Roosevelt. In each instance, their words were used to advance large, specific purposes- establishing a new nation based on inalienable rights; achieving equal rights and a color-blind society, giving people confidence to endure a Great Depression “, frisa Rove, que remata: “ For Mr. Obama, words are merely a menas to hide a left-learning agenda behind the cloak of centrist rethoric. That garment has now been torn. The road to the presidency just got steeper for Barack Obama".

FAR

O papão comunista

Demetris Christofias, do Partido Comunista, é o novo Presidente da República do Chipre.

Manifestar-se faz o professor (2)

Ainda sobre a polémica dos SMS: este sábado, milhares de professores manifestaram-se sem aviso prévio, em convocatórias através de blogues e, sobretudo, SMS. Desta vez já custou mais ao Sócrates considerar que "não eram professores mas militantes de outros partidos". O que é curioso nestes processos de intenções contra quem se manifesta, é que quando são os sindicatos a organizar, acusa-se-lhes, e muitas vezes com razão, de estarem ao serviço de agendas partidárias. Mas quando se dispensa os sindicatos (de um modo que estes não deixam, inclusivé, de temer), então culpa-se a mão invisível que escreve os SMS. Como sempre, o que nunca é valorizado é a capacidade de cada um pensar pela sua cabeça, e livremente decidir se quer ou não aderir a esta ou aquela manifestação, convocada desta ou daquela forma.
Mas o que é incontestável, por muito que custe a alguns, é que estas manifestações que escapam ao controlo dos sindicatos são ainda mais perigosas para o Governo. Elas revelam que o mal-estar e o descontentamento dos professores vai muito para além de lógicas sindicais e partidárias, e é um sintoma do desastre da sua política educativa, que conseguiu alienar das ditas "reformas" os agentes mais importantes na Educação. Se algum ministro supõe que consegue fazer uma "reforma" com sucesso (no sentido em que o objectivo da reforma seja melhorar a Educação, o que é muito discutível) colocando contra si a quase unanimidade dos professores, arrasando com a sua motivação, minando a sua autoridade, então temos mesmo de dar crédito às alegações de certos opinion makers: este Governo vive fechado numa redoma de tecnocratas, que independendentemente dos objectivos ideológicos que persigam, nem sequer são capazes de entender a realidade.

A curtir


Com cauda e unhas enormes parece pré-historico, mas não é, embora a sua mordedura seja suficientemente forte para causar danos. Tartaruga de água doce. Rio Accontik. Virgínia, USA.


Foto Jota Esse Erre

domingo, 24 de fevereiro de 2008

Joaquim Pinto de Andrade

"Ontem, ao fim do dia, eu estava a escrever esta crónica. Era sobre Aznavour que cantava em Lisboa. Eu escrevia sobre um rapaz baptizado Shahnourh, filho de arménios, que virou Charles e símbolo de França, porque nasceu num porto, num cruzamento do mundo, em Paris. E dali parti para a canção de há quarenta anos, Le Métèque, que não era dele, era de Georges Moustaki. A canção do meteco, do grego metoikos, como os atenienses chamavam aos que não eram da cidade, que viviam nela mas tinham vindo de longe. Meteco como Moustaki, filho de Alexandria, e que desaguou em França para a inundar de belas canções. Meteco como Aznavour. Esta crónica deveria ir por aí fora, com Yves Montand (de facto, Ivo Livi), com Serge Reggiani (nascido na italiana Reggio Emília), Brel (nascido na impronunciável belga Schaerbeek). Era uma crónica sobre os grandes da canção francesa quando ela foi grande. Os grandes, afinal, metecos. E, afinal, ensino isso a Atenas, os melhores dos cidadãos, porque trazem à cidade o mundo.Ontem, ao fim do dia, eu estava a escrever essa crónica. Telefonaram-me: "Morreu o Joaquim." Morreu Joaquim Pinto de Andrade. No meio da crónica. Da sua crónica. Vão dizer: ele era angolano. E era-o. Ninguém conheci, dos pais da nacionalidade angolana, que pudesse dizer o mesmo que ele: não feri o meu país. Ele foi a coragem serena que lhe valeu prisões durante a Angola colonial, ele foi a fraternidade angolana quando o país se dilacerou em guerras civis, ele foi a honestidade quando Angola se ofuscou de falsa riqueza. Ele foi o angolano perfeito em tempos terríveis. E eu sei porquê: ele era um meteco. Um cidadão do mundo.Eu era um adolescente e o Joaquim Pinto de Andrade era um padre exilado, colocado sob vigilância em Vila Nova de Gaia. No Verão, o pobre diabo da PIDE, de fato escuro, seguia-nos até aos areais da praia e tentava ouvir-nos as conversas. O Joaquim falava de Camilo ou de Ramalho, dos "portugueses de língua tersa", que ele aprendera quando era menino em Ambaca. O português PIDE perceberia a admiração daquele "terrorista" (então, presidente de honra do MPLA) por escritores portugueses? O Joaquim falava de Roma, onde estudara, e encarreirava-me para escritores de liberdade: Ignazio Silone, Italo Calvino… Falava-me de Paris, onde estivera no primeiro congresso de escritores e artistas africanos (com o seu irmão Mário) e metia, no meio da conversa, a necessidade de ouvir Brel. Há quase 40 anos, em Setembro de 1969, eu saí de Portugal com uma carta de Joaquim Pinto de Andrade no bolso. Isso, escondido. Nos olhos eu levava a vontade de ver que o homem a quem mais devo me emprestou."
Ferreira Fernandes. Diário de Notícias, 24/02/2008

Sondagem Ifop/J.d.Dimanche: Sarkozy morde a poeira da descida alarmante

Nunca na V República Francesa, fase histórica criada pelo Golpe de Estado constitucional de 1958 pelo general De Gaulle, um Presidente da República caiu tão baixo, em tão pouco tempo e o seu PM leva-lhe a palma em todos os tabuleiros de apreciação. Tudo se confirma, portanto, sobre o estilo agressivo, individualista e contraditório do novo PR francês, que esta semana caiu 9 por cento nas sondagens, clicar aqui. Sarkozy averba 38 por cento de opiniões positivas contra 62 de negativas; François Fillon atinge 57 por cento de satisfação e 43 de negativos.

Nos sectores dinâmicos da vida económica francesa, a cota de Nicolas Sarkozy atingiu a singular queda de 22 por cento, nos comerciantes, junto dos trabalhadores independentes e dos chefes de empresa, nesta semana precisamente. “Comporta-se como um rei; é muito impulsivo; não se controla e é muito desordenado", são as acusações mais salientes proferidas pelo eleitorado contra o estilo presidencial. Só na terceira idade e junto dos militantes do seu partido, UMP, Sarkozy ainda beneficia de apreciação positiva, se bem que o PM ainda o supere junto dessas categorias do eleitorado.

FAR

Ainda Dili (2)


Pintura João de Azevedo

Sinais


Desenho Maturino Galvão

sábado, 23 de fevereiro de 2008

E os Desertos ?


Sinai, península montanhosa e desértica do Egipto/Kemet
Sinai = deus Sin, deus da lua
Une dois continentes- África e Ásia
Separa dois mares - Mediterrâneo e Mar Vermelho
Fonte:Wikipédia
CAFÉ MATINAL
Con el café matinal el aroma a guisantes llena la casa entera
cada vez que respiro mi puerta se abre, mis amigos entran
aún los muertos entran en grupos, con cada sorbo.
La casa se llena de parla
aqui hay palabras que no han alcanzado una playa todavia
aqui hay silencio
aqui hay aquellos cuya risa brotó en sus ojos desde el café
aqui hay ciudades cuyas cafeterias visitamos y de los sueños bebimos.
aqui hay amigos cuyos nombres son confundidos
aqui hay un café amargo con cordomomo dorado
aqui hay café negro con leche aparte
aqui hay prisiones con puertas de barrotes
cerradas encima de un soñar con café
estar ebrio en la mañana estar ebrio en la salida
estoy en mi lugar con el café matinal
encuentro el universo entero en mi pocillo.
Zein El Abedin Fouad

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Por favor senhor...


Esmolinha por favor senhor, dizia ele incessantemente. Mosteiro dos Jerónimos. Belém. 2007


Foto Jota Esse Erre

Da Capital do Império

Olá,

Se há algo que o Fidel Castro sempre teve foi o dom de ter prazer em escutar a sua própria voz o que aliado ao facto de ter uma audiência cativa tornava os seus discursos em verdadeiras maratonas de martírio de banalidades orais.
Felizmente portanto que o Fidel já não tem saúde para fazer discursos. Se não os desgraçados dos cubanos teriam apanhado com uma conversa em família de cinco ou sete horas a explicar a sua decisão de finalmente dizer adios e passar o negócio familiar ao irmão. Felizmente o Fidel agora é só o “colunista - comandante en jefe “ do Granma pelo que todos foram poupados a esse martírio.
Eu sei que quando se fala de Fidel Castro e do santo Che Guevara a maior parte do pessoal de certa esquerda(?) não tem opiniões racionais, mas apenas sentimentos. Sentimentos esses que vêm daquela época em que muitos de nós pensavam que os guerrilheiros espalhados através do mundo eram criaturas moralmente singulares cuja sinceridade legitimava automaticamente todas as suas acções. Era a ingenuidade de acreditar que os ideais mais ou menos sinceros da guerrilha se iriam transferir automaticamente para o poder. Uma ilusão romântica que alguns ainda choram em segredo embora às vezes trocem dela em público. Ilusão que como todas as ilusões protege da dureza da realidade e portanto continua a ter o condão de impedir em muitos análises frias da realidade cubana (e outras).
O Fidel, como vocês devem saber, disse no início da sua carreira depois do seu ataque suicida, mal planeado e desastroso ao Quartel de Moncada que “a história me absolverá”. Tenho a dizer que nos últimos dias tenho estado a analisar em detalhe a situação em Cuba e parece-me que o júri da história não irá concordar. São muitos os números das mais diversas fontes cobrindo desde dados económicos a sociais e alguns dele são verdadeiramente surpreendentes. Estaria no entanto a ser tão chato como o Fidel se me pusesse aqui a dar-vos estatísticas sobre linhas de telefone, consumo de carne, deficit habitacional, veículos, etc, mas digo-vos que o Fidel e “sus companeros” não saem nada airosos com essas estatísticas. Pelo contrário!
Eu claro esta que tenho uma vantagem sobre os cubanos: Tenho acesso ao Google e ao Yahoo. Tentar isso em Cuba pode ser arriscado como é arriscado escrever ou falar de outras coisas que os fidelistas possam considerar perigoso. Não sei se é de rir ou chorar mas recentemente um grupo de jornalistas cubanos foi para a pildra por “ameaçar” a economia do país.
Não sei bem o que ‘e que isso quer dizer mas tenho a dizer no entanto que não creio que seja possível “ameaçar” a economia de Cuba!
Estudos indicam que a produção de 14 dos 20 produtos chaves (vão desde ovos a têxteis) caiu o ano passado para o seu nível mais baixo desde 1989. A colheita de açúcar foi o ano passado a mais baixas dos últimos cem anos. O Fidel viveu anos e anos à custa de subsídios soviéticos e de países do leste europeus de quem tinha tornado Cuba num feudo económico. Esses subsídios são estimados entre 100 mil e 150 mil milhões de dólares e excluem a ajuda militar. Dinheiro deitado à rua. Cuba tem hoje um PIB per capita mais baixo do que …a Jamaica. A maior parte da população cubana vive de cartões de racionamento que não cobrem agora as necessidades mensais. A economia esta dividida entre aqueles que tem “pesos convertíveis” e os que não os têm. Em alusão ao “socialismo ou muerte” do Fidel os cubanos afirmam que já têm o socialismo e agora só falta la muerte.
Para evitar “ameaças à economia” cubana e numa demonstração de confiança fidelista no povo os cubanos não podem comprar computadores (incrível não é?) e podem apenas ter acesso à internet em lojas do estado onde o acesso ao Google e Yahoo …. está vedado. Os turistas esses têm acesso à internet nos hotéis … onde os cubanos não podem entrar e onde mesmo assim “Firewalls” impedem a entrada em alguns “sites” considerados obviamente mais perigosos para a empresa fidelista.
Mas deixemo-nos de economia e coisas banais como liberdade de informação e passemos a coisas mais reais como fuzilamentos:
As estimativas variam mas um dos números baixos que encontrei diz que mais de 14.000 pessoas foram fuziladas em Cuba desde o início da revolução. É mais que o Pinochet embora, em abono da verdade, menos que a junta argentina do Videla/ Galtieri! Sei que há quem argumente que após o fervor inicial revolucionário em que algumas centenas de pessoas foram fuziladas sumariamente por ordens do santo Che (“A pedagogia do Paredon” como ele disse) nunca mais houve “assassinatos extra judiciais”. Mas para citar uma conhecida organização de direitos humanos “as estruturas institucionais e legais de Cuba são a raiz das violações dos direitos humanos”.
Há que dizer contudo que desde 2003 não houve fuzilamentos e o Fidel deixou há alguns anos de dar ordens aos seus agentes para metralharem quem tenta ir de jangada, bóias, pneus e outros meios para Miami. Talvez fosse porque ficaria sem balas.
A repressão é no entanto contínua. Em 2007 (o ano passado!) dissidentes presos disseram ter sido agredidos e submetidos e humilhações nas prisões do dito cujo. Alguns foram há poucas semanas enviados para Espanha. Em Julho do ano passado 25 jornalistas estavam presos por “ameaçarem a independência nacional e a economia de Cuba”. Um colega americano foi recentemente interrogado em Havana porque a “secreta” soube que ele tinha entregado a carta de direitos humanos da ONU a um cubano que lha havia pedido numa anterior visita. A “secreta” obviamente trabalha bem.
Os cubanos esses fogem às dezenas e dezenas de milhar preferindo as incertezas do capitalismo norte-americano (e de qualquer outro pais!) às promessas de Fidel e aos seus cuidados médicos e educação livre que ele tanto apregoa. Nem o Pinochet conseguiu pôr tanta malta a cavar do país! O que me leva a pensar que na América Latina existiram lideres como o Pinochet e o Fidel para nos demonstrar que a estrada para inferno pode ser alcatroada com quaisquer que sejam as intenções - boas e/ou más.
“A história me absolverá”? Duvido mas para tirar dúvidas proponho que o Fidel, agora que decidiu ir embora, organize um plebiscito. Como fez o Pinochet. Tenho a certeza que tal como aconteceu ao Pinochet os cubanos não o absolveriam. E cantariam como cantaram no Chile “La Alegria Ya Viene”
Abraços,

Da capital do Império
Jota esse Erre

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Telegramas

Putin, o homem mais rico da Europa - É quase um segredo dos deuses. E que ninguém ousa comentar. Em voz alta. Só na Imprensa inglesa e norte-americana se atrevem a tecer comentários ao novo Czar…O NY Times “mexeu” no dossier na última semana e remeteu os seus leitores para o The Guardian e o Washington Post. Ora toma lá para aprenderes. Continuo a dizer, para quem me quer ouvir, que lendo a imprensa portuguesa não se chega a lado nenhum. Até parece um complot…para as pessoas não pensarem, ou pensarem na ordem do discurso dominante do servilismo e da mediocridade.
O correspondente do The Guardian em Moscovo relatava, no final de Dezembro, que uma “batalha muito embrulhada” se desenrolava no Kremlin para o controlo das posições estratégico-industriais que Putin teria que, forçosamente, alienar na passagem do mandato de PR para o seu successor-escolhido-a-dedo, Dmitry Medvedev. Ora são da ordem das centenas de biliões de dólares, cinco ou sete, os valores accionistas das empresas estatais na actualidade. E os homens de St. Petersburgo colegas de Putin no KGB/FSB têm o controlo delegado desses mastodontes energéticos… Ao mesmo tempo, e de forma inesperada, surgiram notícias esparsas sobre o montante da fortuna criada por Putin… Um analista politico russo, Stanislav Belkovsky, disse ao The Guardian, depois de o ter repetido ao Die Welt e ao Washington Post, que a fortuna do PR russo se elevava a cerca de 40 biliões de dólares, após oito anos de estar no poder. Com participações “ disfarçadas” em sociedades baseadas na Suíça, em Zhoug, e na Inglaterra, em Londres. Roman Abramovich, o antigo patrão de José Mourinho e dono do Chelsea, surge como um “peão” da estratégia de investimento mundial do PR russo. O sector inovador e promissor das telecomunicações russas está nas mãos da família Putin e de aliados.
As más-línguas moscovitas traçam muitos cenários sobre o poder de aplicação da fortuna de Putin. E correram boatos que ele queria partir para o exílio, e só uma luta de clãs entre os liberais e os kgbistas o impediram de voar. Numa célebre entrevista ao Time no começo do ano, Putin respondeu ao jornalista, que o questionava sobre as alegadas acusações de corrupção que eram feitas ao seu staff: “Portanto, parece que sabe quem são, e de que forma o são. Escreva-nos, escreva ao ministro dos Negócios Estrangeiros, se está tão certo do que afirma. Presumo que sabe os nomes dessa gente, dos seus modos de actuação e das ramificações. Reagiremos de pronto, em todos os sentidos e dentro da lei”.

Irão: antigo conselheiro de Khomeini ataca Ahmadinejad - Ibrahim Yazdi, cientista e politico reformado, antigo conselheiro do ayatollah Khomeini, o fundador da República Islâmica do Irão, recebeu em sua casa o enviado especial do NY Times. Dadas as altas funções que ocupou nos primeiros anos da Revolução de 1979, a sua desencantada visão do processo revolucionário actual tem muita importância. Revela-se muito crítico contra o PR actual, Mahmoud Ahmadinejad, a quem acusa de radicalismo tradicionalista totalitário. “No Corão, Deus diz-nos que o homem foi criado para ser livre. Por isso, devemos ser livres para pensar, e pensar de forma diferente. Portanto, o objective da democracia é reconhecer a natureza plural das sociedades humanas. O Segundo iten, é a tolerância, tenho que ser tolerante para quem se me opõe. Com a tolerância chega o compromisso, e sem compromisso não existe democracia”. E o antigo conselheiro de Khomeini acrescenta: “Vejo cada vez mais tradicionais decisores políticos a tomarem a via do pragmatismo. A sociedade iraniana está madura, dirigindo-se apesar de tudo para uma democracia constitucional. As dificuldades económicas obrigam, agora, os tradicionalistas, a aceitar os desafios da mudança”. Dentro de um mês, importantes eleições legislativas e municipais podem varrer os fanáticos comparas de Ahmadinejad do poder.

Slavoj Zizek analisa modelo democrático-liberal - O filósofo esloveno brilha em França e nos EUA. Secunda Alain Badiou e acaba de publicar, de rajada, mais dois livros, um sobre Lenine e outro sobre Robespierre, em Paris. Principalmente, Zizek diz que existe actualmente um crescente desequilíbrio no modelo democrático-social. “Já muitos o disseram, com efeito na China está em vias de nascer um capitalismo autoritário. Modelo americano ou modelo chinês: não quero estar dependente dessa escolha. É por isso que nos devemos transformar de novo em utopias. Walter Lippmann mostrou que em tempos normais, a condição da democracia, é que a população tenha confiança numa elite que decida. O povo é como o rei: subscreve passivamente, sem olhar muito. Ora, em tempo de crise, essa confiança evapora-se. A minha tese consiste em dizer: existem situações em que a democracia não consegue funcionar, ou perde parte a sua substância, daí ser necessário reinventarmodaidades de mobilização popular” (Entrevista ao Libé.Week-end passado).

FAR

Ainda Dili (1)



Pintura João de Azevedo

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

MUSEU VIRTUAL ARISTIDES SOUSA MENDES


Clique aqui para visitar o MUSEU VIRTUAL ARISTIDES SOUSA MENDES
É uma obra patrocinada pela POS + União Europeia + Ministério da Cultura + Direcção Geral das Artes. Encontra-se dividido em 3 partes, devendo cada uma ser ouvida e visualizada até final. Na 1ª. parte, a maioria das imagens (extractos de filmes de cenas reais), foram realizados por Goebbels, Ministro da Propaganda de Hitler e são hoje em dia propriedade de Steven Spielberg que as disponibilizou para este trabalho, conforme constam no United States Holocaust Memorial Museum Na 2ª. parte, terão acesso à visulaização de entrevistas e filmagens reais, propriedades da Universidade de South California e da Cinemateca Portuguesa. Na 3ª. parte poderão assistir e consultar mapas, documentos de arquivo, e, ouvir o relato do narrador; em breves 30 minutos.

Água - Exposição em Estugarda e Berlim

ifa-Galerie Stuttgart
Schauplatz Natur

No colour, nor taste, it is odourless and always elusive – and yet, water is the stuff from which life once sprang, the metaphor for anything unfathomable, a matter of emotion and yearning, and thus a subject for art. But in the meantime water has also become a most vitally important issue for the 21st century’s world: a natural force, a commodity rather than a myth, a weapon instead of a human right. For this reason the Institute for Foreign Cultural Relations has invited seven artists for its new exhibition at ifa gallery, Stuttgart, to have a critical look at water: water as a natural resource and the elixir of life, but also a risky political issue, especially in Africa and the Middle East.
In their photos, videos and installation works Taysir Batniji, Erdal Buldun, Bright Ugochukwu Eke, Lutz & Guggisberg, Mohamed Romène, Sérgio Santimano und Benjamin Wild explore various aspects of mankind’s relation with water. While being highly critical of our reckless behaviour towards this precious liquid they nevertheless all dive in with relish. They give us something to think about, but above all they invite us to experience this elusive element in symbolic images that are full of sensuousness.
Benjamin Wild (*1981, Cologne) raises the issue on a global scale: in his installation of books and digital media he turns water and land upside down and confronts the viewer with the question “What if…” the sea became land and the land turned into sea? Lutz & Guggisberg (*1968 and 1966, Zurich) combine nature and culture in a playful and wondrously subversive way: their video installation “Once, I heard him, and he was washing the world then” sounds the depths of the relation between man, technology and nature and soundly undermines them.
It is not only global issues but also local “water problems” that can become the subject of artists when dealing with “man’s and water’s needs”: So, Bright Ugochukwu Eke (*1976, Nsukka), in his installation „Shields“, focuses on acid rain in Nigeria, while Taysir Batniji (*1966, Palestine und Paris) will develop a work, that, in a gentle and poetic way, deals with water not only as matter and carrier of meanings, but also with its political implications of water as a weapon and commodity: he will write down the 109 different Arabic names for water with water. They will evaporate, dry out and disappear, thus symbolizing the importance of water in many regions especially of the Middle East where it is in short supply and can become the cause for wars.
Yet, despite all hardships connected with water, it is also a matter of joy! In his photographs Sérgio Santimano (*1956, Uppsala und Maputo) gives us a glimpse of life in Moçambique with much, sometimes too much, but also sometimes much too little water. Mohamed Romène (*1967, Hammamet) will show a series of photographs portraying a Tunesian hamam and its bathers; the public bath, both the space and its rituals, is in imminent danger of becoming extinct, in Europe as well as in the Arabic world. Erdal Buldun (*1964, Munich) visualises his own longing for life by the sea, a longing instilled by his childhood days in Izmir at the Mediterranean coast of Turkey and shared by so many other people: water as the very source of happiness. In their work these three photographers present us with water, this liquid godsend, which we drink, wash with, which we immerse ourselves in, fish in and by which we dream.
Nature and the environment are the main focus of “on stage: nature”, a series of exhibitions for the ifa galleries in 2008/2009.
The exhibition is accompanied by a fully illustrated 64 pages catalogue, with essays by Malu Halasa, Iris Lenz, Peter Weber, Mia Couto and others. Available at ifa for the price of 14 Euros.

Dates
ifa gallery Stuttgart
22.02. – 04.05.2008
ifa gallery Berlin
16.05. – 20.07.2008

Artists
Taysir Batniji
Erdal Buldun
Bright Ugochukwu Eke
Lutz/Guggisberg
Mohamed Romène
Sergio Santimano
Benjamin Wild


Pressevorbesichtigung
Donnerstag, 21. Februar 2008, 11 Uhr
Ausstellungsdauer
22. Februar – 4. Mai 2008
Öffnungszeiten
Di, Mi, Fr – So 12 – 18 Uhr; Do 12 – 20 Uhr
Eintritt frei
Führungen mit einem Glas Sekt
28. Februar 2008, 24. April 2008 jeweils 18 Uhr
6. und 13. März 2008 jeweils 18.30 Uhr
Führungen für Gruppen nach Terminabstimmung
mit Frau Alber, Tel. 0711/22 25-161
Kinderprogramm – Wasserspiele:
Samstag, 19. April 2008 14 – 15.30 Uhr
Samstag, 26. April 2008 15.30 – 17 Uhr
Wir erzählen Geschichten vom Wasser und basteln Fische, Schiffe und Störche.
Mit den Clowns Tscho-Tscho und Ziff veranstalten wir ein Froschkonzert!
Weitere Informationen:
Stefanie Alber: alber@ifa.de, Tel. 0711/2225-161
Iris Lenz: lenz@ifa.de, Tel. 0711/2225-150
www.ifa.de
Wasserlust und Wassers Not
Einladung zur Eröffnung
Donnerstag, 21. Februar 2008, 18 Uhr
Begrüßung
Elke aus dem Moore
Leiterin Abteilung Kunst
Institut für Auslandsbeziehungen
Einführung
Iris Lenz

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Venham mais cinco


Almoço alemão. Kulundsborg, Alemanha. 2007

Foto Jota Esse Erre

É de homem!

E eu, com mais que fazer que atender a estas polémicas!
O Engenheiro é o engenheiro é o engenheiro - está tudo escrito.

O que eu publico, porque me autorizam, no blogue é o que eu penso. Nada mais. Não respondo a comentários. Sai o que deixam que saia.
Ando, de facto, incomodado com esta governação psocrática. Ando,talvez, incomodado com uma data de coisas mais globais - e, talvez, não o devesse fazer.
O que eu envio para o blogue é uma opinião (como tal, discutível...) e aceito. Adoro polémicas, desde que escritas (porque aí os insultos vêm atenuados.)
Prefiro o sol, a contemplação e os amigos - a esses, Sempre!
Aprendi a conviver e usufruir da possibilidade de escolher quem é meu amigo, independentemente das ideias.
Viva - enquanto for possível - Fidel Castro que deixou em Cuba obra feita: taxa de analfabetismo, cuidados de saúde e mais não pôde porque o Democrata Kennedy não lhe permitiu...

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Boris Cyrulnik: Dois grandes perigos ameaçam a memória do Holocausto

O omnisciente Pr. francês, Sarkozy, em queda vertiginosa nas sondagens, resolveu, à sua maneira, manipular a memória do Holocausto, tentando incutir o estudo das vítimas adolescentes nas classes de jovens alunos das Escolas francesas, a partir dos 10 anos. Uma ensurdecedora polémica rebentou, de que este artigo do filósofo e neuropsiquiatra nos dá conta, clicar aqui. Fundamentalmente, Cyrulnik com antepassados judeus massacrados, insiste: “Dois grandes perigos ameaçam a memória do Holocausto. O primeiro é o de não se falar acerca desse acontecimento; o segundo, é o de se falar erradamente sobre isso".

« Beaucoup de petits ne réagiront pas de cette manière. Si leurs parents soupirent d'un air excédé "encore la Shoah", comme beaucoup de gens l'ont fait dès la fin de la guerre, les écoliers réciteront la mort du disparu comme une corvée ennuyeuse, une punition peut-être ? La banalisation de la Shoah leur mettra en mémoire que l'assassinat de sept adultes sur dix et de neuf enfants sur dix n'est qu'un détail de l'histoire. Beau cadeau pour les négationnistes. Dans certains groupes religieux qui composent notre société, on réagira avec colère : "Il n'y en a que pour les juifs, nous aussi on a souffert", diront certains immigrés. Ils nous expliqueront que dans leurs pays d'origine on a tué beaucoup moins de juifs. "La persécution des juifs d'Europe ne fait pas partie de notre histoire", diront-ils, exaspérés. D'autres déclareront, et ce sera justice, que les Arméniens aussi ont le droit de se plaindre et les Cambodgiens et les Rwandais et pas seulement le lobby juif. (Tiens, il y aurait donc un droit de se plaindre ?) J'en prévois même qui seront heureux d'ajouter que la mémoire des petits Palestiniens tués devra, elle aussi, être citée dans les écoles.
Enfin, les survivants de la Shoah, qui aujourd'hui atteignent un âge certain, entendront en une seule sentence disqualifier les efforts de toute leur existence. Ils se sont tus pendant quarante ans parce que la Shoah était difficile à dire et impossible à entendre. Ils croyaient même que leur silence protégerait ceux qu'ils aimaient. C'est difficile de se poser en victime, vous savez, c'est indécent même, tant ça gêne les autres. Tout le monde est complice du déni qui fait taire les survivants. Pour sortir de leur agonie psychique, ils n'avaient qu'une seule idée en tête : redevenir comme les autres, réintégrer la condition humaine, reprendre leur dignité. Et voilà qu'en une seule phrase on les remet à leur place de victime ! On les repousse dans le destin qu'ils avaient réussi à combattre. On leur impose la carrière de victime qu'ils avaient évitée et que désormais on pourra à nouveau leur reprocher.
Et puis surtout, surtout, monsieur le président, avec votre projet vous demandez aux enseignants d'entraîner les enfants d'aujourd'hui dans le malheur des enfants juifs du passé. Bien sûr, il faut parler de la Shoah, mais pas n'importe comment. Il faut donner la parole à Anne Frank, à Primo Levi, aux historiens, aux philosophes, aux témoins, à ceux que le malheur a embarqués dans la rage de comprendre. Notre dignité, c'est de faire quelque chose de la blessure passée, ne pas nous y soumettre et surtout ne pas entraîner d'autres enfants dans la souffrance.
»
Boris Cyrulnik, Le Monde (Article paru dans l'édition du 20.02.08.)

FAR

Intimidades (7)

Identidade

Gotemburgo. Suécia. 2007/2008

Foto Sérgio Santimano

Manifestar-se faz o professor


Daqui podemos pelo menos deduzir que: o "professor" que o Tomás Vasques imagina (e que o nosso Armando Rocheteau cauciona) não pensa, nem quer saber quem é, o remetente. Ele apenas se quer manifestar. O "professor" do Tomás e do Armando que quer, apenas e só, "manifestar-se", tal incauto desprevenido, assim como desta vez foi apanhado nas malditas correntes de SMS da CGTP, do PC, do BE, do PCTP, do POUS, ou do que mais se dedique a enviar SMS por razão alguma, pode, um destes dias, ser capturado pelas tramas terríveis dos SMS da extrema-direita: do PNR, da Juve Leo, do Grupo 1143. Pois este "professor", não sabendo bem porquê, sabe que se quer "manifestar". "Manifestar" é algo que faz o "professor". De algum modo constitui-se como "professor", ou seja, um ente contaminado pela espúria e pecaminosa presença do "aluno": um "contestatário"; um "manifestante". É a partir desta sabedoria que, avisadamente, a Ministra, o Tomás e o Armando nos previnem para a ilusão das "manifestações" de professores: umas atitudes vâs, tristes e manipuladas de gente convocada pelo primeiro SMS que lhes surja no telemóvel, a seguir ao que diz "maria, keres vir a festa d ze, rsponde p msg". Gente que não faz a mais pálida ideia do que se passa nos seus locais de trabalho. Aliás, como todos sabemos, as pessoas que trabalham não tem opiniões ponderadas sobre o que se passa nos seus locais de trabalho (porque estão enviesadas pelos seus interesses pessoais), nem entendem bem quais são os seus interesses (porque não percebem o que se passa nos seus locais de trabalho). É por isso que existem os especialistas, e a Democracia deve viver com os especialistas, dos especialistas, e para os especialistas. E mesmo que a realidade desminta os especialistas, o erro não é deles (pois são seres que analisam racionalmente a realidade), mas daqueles que, infelizmente, agem sobre ela, e assim estragam todos os modelos matematicamente estudados. E ainda quer esta gente pôr-se a protestar e a fazer "manifestações" convocadas por SMS... Um dia destes ainda os veremos a querer pensar o que só deve ser pensado pelos especialistas, e esse dia será o princípio da barbárie anti-democrática.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Das manifestações "espontâneas"

"Um professor está em casa com a família. É sábado. Provavelmente, está combinado um almoço familiar ou um passeio para apanhar sol. De repente, o telemóvel vibra. É uma mensagem. Ele não sabe sequer quem é o remetente, mas tal facto não é importante. Ele não pensa, nem tem que saber quem lhe enviou a mensagem. Apenas se quer manifestar. Despede-se da família e corre para o Largo do Rato. Amanhã pode receber outra mensagem, sem remetente, que lhe diga outra coisa qualquer. E, ele, o professor dos nossos filhos, irá por aí fora, para onde o SMS lhe indicar. Ou não se trata de um professor ou mente. O que nos vale é que estes «professores» são uma minoria."
Tomas Vasques

Seminários "Pensamento Crítico Contemporâneo"

A partir do próximo dia 8 de Março, e sempre aos Sábados, uma excelente proposta na Fábrica do Braço de Prata: os seminários Pensamento Crítico Contemporâneo, com organização do Le Monde Diplomatique e da Númena (Centro de Investigação em Ciências Sociais e Humanas). Um mágnifico leque de autores e temas, com a maior actualidade, abordados por especialistas portugueses de reconhecida competência. Atente-se no programa abaixo:

8 MARÇO: A Arte de Governo em Michel Foucault - Jorge Ramos do Ó (FPCE-UL); Benedict Anderson e os Estudos sobre Nacionalismos - João Leal (FCSH-UNL)

15 MARÇO: E.P.Thompson e a Cultura Plebeia - Fátima Sá (ISCTE); Debord e o Estranho Jogo da Internacional Situacionista - Ricardo Noronha (FCSH-UNL)

29 MARÇO: Gilles Deleuze e a Micropolítica - Nuno Nabais (FL-UL); Alain Badiou: Pode a Política Ser Pensada? - Bruno Dias (NÚMENA)

5 ABRIL: Do Feminismo a Judith Butler - Miguel Vale de Almeida (ISCTE); De Edward Said aos Estudos Pós-Coloniais - Manuela Ribeiro Sanches (FL-UL)

19 ABRIL: Rancière e a Partilha do Sensível - Manuel Deniz Silva (FCSH-UNL); Fredric Jameson e o Marxismo Dialéctico - Miguel Cardoso (Birkbeck College – Universidade de Londres)

10 MAIO: James Scott e a Força dos Fracos - José Manuel Sobral (ICS-UL); Bourdieu, Classes e Gosto - Nuno Domingos (SOAS – Universidade de Londres)

17 MAIO: Giorgio Agamben e o Homo Sacer - António Guerreiro (FL-UL jornalista do Expresso); Toni Negri e John Holloway: Comunismos pós-1989 - José Neves (ICS-UL)

24 MAIO: Georg Simmel e os Estudos sobre Tecnologia - José Luís Garcia (ICS-UL); Jacques Derrida e a Política da Desconstrução - Silvina Rodrigues Lopes (FCSH-UNL)

31 MAIO: Slavoj Žižek – Bem-vindos ao Deserto do Real - Nuno Ramos de Almeida (comentador do RCP); Dois Anarquismos, Chomsky e/ou Feyerabend - Rui Tavares (EHESS-Paris cronista do Público)

FÁBRICA BRAÇO DE PRATA - MARÇO/MAIO 2008 - SÁBADOS das 17H-20H. Inscrições: cursopcc@gmail.com Tel.: 213 536 054. Atenção: Lugares limitados! Preço do Curso: 25€, 15€ para Estudantes (Acesso a Todas as Sessões e a Materiais de Leitura). Preço por Sessão Avulso: 4 €
Organização: Le Monde diplomatique – Edição Portuguesa e NÚMENA.

A Fábrica de Braço de Prata. Projecto das livrarias Eterno Retorno e Ler Devagar, é uma livraria com 12 salas e 3 ateliers que ocupa uma área de 700m2. Construído em 1908 para ser uma fábrica de material de guerra, o grande edifício do Poço do Bispo transformou-se num centro de cultura com cinema, ateliers, galerias de arte, salas de concerto e livrarias. Tem também um bar, uma esplanada ampla e inúmeros lugares de estacionamento. Fica situado em frente aos correios de Poço de Bispo. Mais informação aqui.

A não perder.

(informações via Arrastão)

Benjamin (2)


O conformismo, que sempre esteve no seu elemento na social-democracia, não condiciona apenas as suas tácticas políticas, mas também as suas ideias económicas. É uma das causas do seu colapso posterior. Nada foi mais corruptor para a classe operária alemã que a opinião de que ela nadava com a corrente. O desenvolvimento técnico era visto como o declive da corrente, na qual ela supunha estar nadando. Daí só havia um passo para crer que o trabalho industrial, que aparecia sob os traços do progresso técnico, representava uma grande conquista política. A antiga moral protestante do trabalho, secularizada, festejava uma ressurreição na classe trabalhadora alemã. O Programa de Gotha já continha elementos dessa confusão. Nele, o trabalho é definido como “a fonte de toda riqueza e de toda civilização”. Pressentindo o pior, Marx replicou que o homem que não possui outra propriedade que a sua força de trabalho está condenado a ser “o escravo de outros homens, que se tornaram... proprietários”. Apesar disso, a confusão continuou a propagar-se, e pouco depois Josef Dietzgen anunciava: “O trabalho é o Redentor dos tempos modernos... No aperfeiçoamento... do trabalho reside a riqueza, que agora pode realizar o que não foi realizado por nenhum salvador”. Esse conceito de trabalho, típico do marxismo vulgar, não examina a questão de como os seus produtos podem beneficiar trabalhadores que deles não dispõem. O seu interesse dirige-se apenas aos progressos na dominação da natureza, e não aos retrocessos na organização da sociedade. Já estão visíveis, nessa concepção, os traços tecnocráticos que mais tarde vão aflorar no fascismo. Entre eles, figura uma concepção da natureza que contrasta sinistramente com as utopias socialistas anteriores a março de 1848. O trabalho, como agora compreendido, visa uma exploração da natureza, comparada, com ingénua complacência, à exploração do proletariado. Ao lado dessa concepção positivista, as fantasias de um Fourier, tão ridicularizadas, revelam-se surpreendentemente razoáveis. Segundo Fourier, o trabalho social bem organizado teria entre os seus efeitos que quatro luas iluminariam a noite, que o gelo se retiraria dos pólos, que a água marinha deixaria de ser salgada e que os animais predatórios entrariam ao serviço do homem. Essas fantasias ilustram um tipo de trabalho que, longe de explorar a natureza, liberta as criações que dormem, como virtualidades, no seu ventre. Ao conceito corrompido de trabalho corresponde o conceito complementar de uma natureza, que segundo Dietzgen, “está ali, grátis”.

Walter Benjamin
, in Sobre o Conceito de História, 1940

Do Largo do Rato...

« De vocês tenho uma impressão terrível.
Elas apareciam-me sem os cabelos lavados e eles sem o penteado à romana como usamos cá pelo Governo.
Não me venham com coisas. Não estão nos cargos porque não quiseram.
Estão a dar aulas porque não mostraram o cartão.
Sujeitem-se.
A mim, ninguém me avalia. »

No passado Sábado, o secretário - geral do PS recebeu alguns profes. socialistas indicados pelas Federações Distritais (creio); o dito cujo é também o chefe do Governo, aquele que assina a diarreia legislativa do ME.
Nada disto faz sentido.
À porta do Largo do Rato manifestavam-se gentes. O GRANDE LÍDER convocou a Polícia e lastimou-se por ser molestado por gentes de outros partidos.
Que se cale todo aquele que está incomodado! - esta é a mensagem.

Não protestes, não desfiles, não molestes, não refiles...

Fica-te quietinho a achar que não vale a pena refilar.

O Engenheiro vai tratando de tudo e tu caladinho.
Tu que nem gostas de greves. Não há coisa que mais te amofine que uma greve.
Não é, pá?!
Tu nunca fizeste, nunca alinhaste numa greve, pá?!
Censuraste uma greve, ainda que não fosse directamente tua, pá.
O Largo do Rato é o beco onde te meteste e daí não consegues sair.

É onde te escondes.

O Roedor - Mor reuniu-se no covil rodeando-se de servis roedores.
Agacharam-se todos
Ita Missa Amen

Intimidades (6)

Amigo

Gotemburgo. Suécia. 2007/2008

Foto Sérgio Santimano

Alain Robbe-Grillet: a morte aos 85 anos

O escritor preferido dos EUA nos anos 7O, em reacção subliminal contra o militantismo de Sartre e Camus, acabou ontem de morrer vítima de um ataque cardíaco em Caen. Ao contrário do que é habitual, as suas duas primeiras obras - Les Gommes e Le Voyeur, dos anos 60, foram as que mais entusiasmaram a crítica francesa, com destaque para Roland Barthes, Maurice Blanchot e Georges Bataille, que fizeram tudo para que ganhasse um Prémio destacado em 1955. Igualmente , no Cinema, a sua grande obra de parceria com Alain Resnais, “O ano passado em Marienbad”, de 1961, marca o apogeu da sua prática cinematográfica. De formação técnica, Robbe-Grillet fundou uma Escola formalista e não política, Le Nouveau Roman, donde sairia um Prémio Nobel, Claude Simon, e uma romancista-visceral lacaniana de fama mundial, Marguerite Duras.

"L'écrivain Alain Robbe-Grillet est décédé lundi à l'âge de 85 ans au centre hospitalier de Caen, où il avait été admis durant le week-end à la suite d'un problème cardiaque.

Né le 18 août 1922 à Brest, ingénieur agronome (il mena des missions à l'Institut national de la statistique à Paris, puis fut ingénieur à l'Institut des fruits et agrumes coloniaux au Maroc, en Guinée française, à la Martinique et à la Guadeloupe), Alain Robbe-Grillet est l'auteur de plusieurs dizaines de livres, dont Les gommes (1953), Le Voyageur (prix des critiques en 1955), Dans le labyrinthe (1959), La Belle captive (1976), Djinn (1981), Angélique ou l'enchantement (1988), Les derniers jours de Corinthe (1994), La Reprise (2001) et d'essais comme Pour un nouveau roman (1963). Son dernier livre, Un roman sentimental, est paru à l'automne 2007.

Il fut dans les années 1950-1960 l'une des figures de proue du «nouveau roman» autour des Editions de Minuit, dont il fut conseiller de 1955 à 1985. Il fut également membre du Haut comité pour la défense et l'expansion de la langue française (1966-1968). Professeur à New York University et à Washington University, il dirigea le Centre de sociologie de la littérature à l'université de Bruxelles de 1980 à 1988. Elu le 17 mars 2005 à l'Académie française, il n'avait jamais été «reçu» et n'a jamais siégé sous la Coupole.

Alain Robbe-Grillet a été l'un des principaux théoriciens et auteur du «Nouveau roman», mouvement dont les auteurs (Michel Butor, Samuel Beckett, Claude Simon et Nathalie Sarraute figurent parmi les plus connus) donnent à imaginer plutôt qu'à voir, refusant les récits linéaires d'une intrigue.

Il fut également auteur et metteur en scène de films comme L'immortelle (1963), Trans-Europ-Express (1967), Glissements progressifs du plaisir (1974) ou "La belle captive" (1983). Il a écrit le scénario de L'année dernière à Marienbad (1961) d'Alain Resnais.
Il était marié à la romancière Catherine Robbe-Grillet.
"
Libération

FAR

Quinta, após o meio - dia

Partir.
Partirmos à descoberta?...

Por mim vou.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Os vinte e nove Sonetos de Amor de Étienne de La Boétie (7)

Soneto VII

Quand à chanter ton los(louange) parfois je m´aventure,

Sans oser ton grand nom dans mes vers exprimer,

Sondant le moins profound de cette large mer,

Je tremble de m´y perdre et aux rives m´assure.


Je crains, en louant mal, que je te fasse injure.

Mais le peuple, étonné d´ouir tant t´estimer,

Ardant (brûlant) de te connaitre, essaye à te nommer,

Et cherchant ton saint nom ainsi à l´aventure,


Ébloui n´atteint pas à voir chose si claire;

Et ne te trouve point ce grossier populaire,

Qui, n´ayant qu´un moyen, ne voit pas celui-là:


C´est que, s´il peut trier, la comparaison faite

Des parfaits du monde, une la plus parfaite,

Lors s´il a voix qu´il crie hardiment: “ La voilà ! “.


FAR

Terra - Somewildwish


Somewildwish/24 (Belém 08)
Foto:g.ludovice
Depois que compuseste o bairro do céu
com algo que me faz tanto estremecer como o não estares,
o verde jardim sonhou-se escandaloso em lilás rio
e eu estava lá prateada de nadas,
a ver esse teu estranho estilo
de poemar em relâmpagos...
... a maneira que tens de me dizer!! que como eles,
me arrancas à noite
e desfuncionas no meu peito,
o sensível motor!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Intimidades (5)


Gotemburgo. Suécia. 2007/2008


Foto Sérgio Santimano

Robert Maggiori: Berlusconi julga-se imortal…

Maggiori , jornalista e filósofo, habita Paris e tem uma carreira espectacular ao serviço do intercâmbio radical franco-italiano. Este texto prova-o, se o compararmos com os que têm saído no Financial Times e no NY Times. É a vantagem de estar por “dentro” das coisas e vivê-las intensamente, claro. O que nos diz, no essencial, este texto acutilante e magnífico, a vários títulos: que Berlusconi desafia tudo e todos, fintou os seus rivais - Casini e Fini - e prepara-se para governar à sua maneira, isto é, fazendo gato-sapato da legalidade democrática e juridica…

Maggiori diz que ele andou 20 meses a curtir uma de “neurasténico”, vicioso e viciado. “De facto, ficou um pouco deprimido, desde a noite da vitória de ´Pirro`de Romano Prodi”, frisa o articulista, que nos lança este lancinante retrato do futuro PM italiano: “Sou eu o chefe, sou eu o chefe, eu sou o homem mais rico da Itália. Possuo tudo: os jornais, as editoras, as Tv´s, por que me privais do poder? Eu sou o favorito do povo, o povo enganou-se, vamos dar-lhe uma segunda oportunidade. Que volte às urnas e me eleja, caso contrário morro !”.


«(…)Se trouvant un moment au plus bas, critiqué par ses propres alliés, craignant d’être «dépassé» par Pier Ferdinando Casini, leader de l’UDC (Union des démocrates chrétiens et du centre), et l’ex-fasciste Gianfranco Fini, leader de l’AN (Alliance nationale), tous deux las de demeurer les éternels «prétendants», Silvio Berlusconi réalise un coup de génie politique : il invente, hop, le Parti des libertés, censé défaire Forza Italia de l’UDC, d’Alliance nationale, de la Ligue du Nord et des autres groupuscules qui formaient jusqu’alors la «Maison des libertés». Aussitôt, le Cavaliere, ressuscité, redevient l’homme-clé de la vie politique italienne. Il organise des réunions partout, fait des comices juché sur le toit d’une voiture, écharpe au vent, tee-shirt bleu sous veste bleue à double boutonnage, entouré d’une claque qui agite fanions et drapeaux comme pour la prise du Palais d’hiver.
Walter Veltroni, le maire de Rome devenu patron du nouveau PD (Parti démocratique) de gauche, lui propose un «dialogue». L’éventualité qu’un tel dialogue se mue en accord sur une forme de bipolarisme qui verrait s’affronter les deux forces principales de droite et de gauche (Parti des libertés et Parti démocratique), suscite la peur et l’ire dans tous les petits partis à la droite de la droite et à la gauche du centre gauche, qui entrevoient à l’horizon leur propre disparition ou l’affaiblissement de leur «poids» dans la construction-déconstruction des majorités.
Vient alors la «trahison» de Clemente Mastella, garde des Sceaux du gouvernement de Romano Prodi. Président de la petite et très chrétienne Udeur (Union des démocrates pour l’Europe), roi du transformisme, emblème d’une classe politique vue comme caste, homme des réseaux de pouvoir clientélistes et népotistes, impliqué en même temps que sa femme et certains membres de son parti dans diverses affaires sur lesquelles enquête la magistrature, Clemente Mastella démissionne et retire le soutien de l’Udeur au gouvernement Prodi, qui dès lors «tombe» pour cinq ou six voix lors d’un vote du Sénat.
Le PD de Walter Veltroni ira seul aux élections du mois d’avril (au grand dam de l’extrême gauche). Silvio Berlusconi, lui, propose à l’ensemble de droite («personne ne se verra opposer un veto», a déclaré Sandro Bondi, le porte-parole de Forza Italia) une «liste unique» qui aura comme symbole celui du Peuple de la liberté. Gianfranco Fini, qui, il y a quelques semaines, avait durement critiqué la «création» de ce parti, oublie tout et signe aussitôt.
Les autres alliés reviennent aussi en courant, et devant la perspective d’une victoire (presque) assurée, reprennent contrits leurs exercices de génuflexion devant l’«oint du Seigneur». Seule l’UDC de Casini rechigne et dit, pour l’instant, marcher seule. Mais d’ici le mois d’avril, la droite sera unie derrière Berlusconi. Elle se présentera en une coalition d’une douzaine de formations, allant de l’Udeur de Clemente Mastella (le changement de veste a été rapide) aux petits partis d’extrême droite, et, bien sûr, à la Ligue du nord d’Umberto Bossi (dont, par chance, les militants et les représentants effrayants, hallucinés, imprésentables, ne sortent quasiment jamais du pays de Tintin qu’ils appellent la Padanie : dans n’importe quel autre pays européen, ils seraient probablement en prison pour leurs actes et leurs propos discriminatoires, xénophobes ou racistes)(...).»

Robert Maggiori. Libération


FAR

Explosão (2)


No jogo inicial a Maio explosão do Estádio verificara-se aos doze minutos da segunda parte quando Vicente apontou o golo da vitória do Atlético. Porém o que mais me impressionaria, foi a invasão do campo no final do segundo encontro, favorável aos madeirenses, por uma margem que lhes garantia a passagem da eliminatória, em circunstâncias que indignaram a maioria dos espectadores. As interrupções da partida – que mais tarde, em conversas, me esclareceram com pormenores – quando os jogadores alvi-negros protestaram o primeiro golo do Marítimo, alegadamente marcado com a mão, ou quando o árbitro marcou a grande penalidade decisiva, também contestada, gota de água que fez transformar o final de um desafio de futebol numa espontânea revolta popular, tudo isso, ainda que de forma difusa, consigo recordar agora.
O resto pude saber através dos jornais consultados, Correio da Horta e O Telégrafo: o Atlético protestou o jogo e a Associação de Futebol da Horta deliberou não homologar o segundo encontro, argumentando que o árbitro não entregara o respectivo relatório. Tiveram lugar então diversas actividades cívicas que pretendiam homenagear o Angústias Atlético Clube, as quais contaram com a presença de dirigentes dos restantes clubes locais e representantes das actividades cívicas.
Eis uma notícia desses tempos: «Na noite da passada quarta-feira, após entusiástica homenagem prestada pelos faialenses ao popular clube das Angústias, os seus corpos gerentes, jogadores com o estandarte, centenas de simpatizantes, numa romagem de agradecimento, acompanhados pela filarmónica “União Faialense”, percorreram as ruas da cidade.» Permanecia um sentimento de grande injustiça causado pelas opções do árbitro. Mas a vida continuava.
Os navios demandavam o porto. Eram os dias do “Cedros” e do “Arnel”, os “carvalhinhos”. Chegavam mercadorias e donativos. As actividades económicas, com dificuldade resistiam. Na doca, nesse mês de Abril aprontavam-se as traineiras para a campanha da albacora. A rua Serpa Pinto, ou “rua direita”, continuaria a viver o seu bulício matinal com as mercearias atulhadas de sacas de batatas, sementes, feijões. Sobre o balcão havia frascos de azeitonas. Circulavam misturados os cheiros de antigos temperos. E muita gente afluía ao Mercado Municipal, fornecido com apreciável variedade de frutas e legumes. Aglomeravam-se as mulheres em volta das pesagens. Alguém regateava.
No Teatro Faialense e no Cine-Salão prosseguiam as sessões de cinema, numa época de sucesso e afirmação dos realizadores italianos, Visconti, Rosselini, Vitorio de Sica, não obstante a turba apenas delirar nas fitas em que sobressaíam, entre outros, Errol Flynn, John Wayne ou Sara Montiel. No Café Internacional, por entre cortinas de fumo, continuaram renhidas, as partidas de dominó. Mesmo ao lado, no seu silêncio branco, o Infante escutava os rumores do jardim: correrias de crianças, segredos de namorados, assobiadelas da malta quando passavam as flausinas. No mês de Junho haviam de florescer as manchas vermelhas em todos os metrosíderos.
Mário Machado Fraião, CARTA DE MAREAR

Fotos Júlio Vitorino da Silveira

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Exercícios

Exercício de autoterrorismo

Escolho um livro. Sem olhar atentamente ao que me espera.
Abro-o e ponho o dedo que mais dançarino estiver.
Na sua sombra, embarro a vida com o parágrafo, como aprendi mentalmente a untar uma forma com gordura, sem nenhum espaço sem ela e com um infantil orgulho em sujar as mãos.
Passo a ser aquilo, sem poder desgostar-me, aquilo que estiver escrito.

Inventei este exercício, para compreender os outros.
Mas é apenas um exercício de transformação, que mal há em querer ser outro no seu chão por dentro?
Qual o impedimento ético em querer abarcar o mundo, de forma a ser eu a única raptada?
Calhou-me Beckett, em “Mallone está a morrer”, não achei piada.

O conteúdo da desdita página pareceu-me terrível, mas não posso desgostar-me com a vivência alheia em mim.
Por isso, não me desiludi quando o horizonte mais a perder de vista tinha-o de súbito à cintura e o próprio corpo que me confere contornos e viagens, foi atravessado de cada vez que a cama o fazia levemente ondular, por uns rios caudalosos de metal.

Tal como com Mallone, também estava lá um pau que servia para caçar coisas sem propriamente disparos e que se tornou num animal doméstico de fascinante faro, pois que perseguia avidamente a solidez que permite o desesperado amparo.
Tive acelerada a mente em décadas, naquela imersão na quase imobilidade.
Foi-me levado aos preconceitos da vida, um enorme apagador e literalmente decompôs-se a armada fixidez de algumas ideias como se tivessem apodrecido nas suas estruturas, a um ritmo voraz.
Na continuação da leitura, o essencial tornou-se algo estranho, um pau para chegar ao mundo, não ao dos outros mas ao mais próximo antes do começo das branqueadas quatro paredes a cal, chegar com ele ao copo na sua preciosa água, ao interruptor da luz e do rádio com outras vozes que vêm, à peça de agasalho ao fundo do entardecer, ao indispensável saco das bolachas, ao lápis, aprender a importância de poder chegar a, e o espanto de nesse perímetro individual de coisas miúdas, poder-se com susto compreender o tormento de outras existências que ali não chegam senão pela minha dor de não saber a elas chegar, fora do exercício.
E sempre penso que amanhã há-de ser outra semana e que outro parágrafo de um outro destino, me será um soberbo apuramento desse tal mundo dos outros.
Anseio pelo próximo livro, não sem algum comedimento.

Terra - Somewildwish


Somewildwish/23
Foto:g.ludovice

Intimidades (4)

Jazza

Gotemburgo. Suécia. 2007/2008


Foto Sérgio Santimano

Allegro giocoso II

Armando, Webmaster Flash:

Pois, conforta-me saber que comungas das minhas preocupações quanto aos problemas que podem resultar da irreverência do Alegria. Ele é bom rapaz, sofre, porém, da síndrome das Meninas da Rádio - pões-lhe um microfone à frente...e ele canta, canta, canta. Não estranhará que tenha titulado um dos seus livrinhos, de 1998, de...ROUXINOL do MUNDO. Não fosse tão lusitano e teria partido em digressão por uma, duas, três galáxias.
Admito que a sua voz de cançonetista rebarbado, género muito em voga nos comícios cubanos patrocinados por uma marca de brilhantina, de que não me ocorre o nome, não seja maçadora por aí além.
Quem nunca se divertiu, ou deu algumas risadas, com o tronitruante diseur, um vero Pai Coragem, clamando muito republicano, suficientemente laico e algo socialista: Pergunto ao vento que passa, quando é que se janta?

Pois, a questão é que debaixo da imensa capa do poeta-espadachim, sussurando discretos por detrás da voz carbonária do Alegria, acomodam-se conjurados os hóspedes do albergue espanhol “Lo Pomposo”. Vejamos, então, de que varas se faz a canoa socialista do Alegria.
O Cravinho e o Ferrinho, comunistas sucessivamente extraviados ao ritmo dos Pogroms internos, comunistas alternadamente contentes e descontentes, a brigada do reumático do Bernardino, os herdeiros de Zenha, os parentes do Manel Serra, a maioria dos poetas não-publicados, o Grupo Onomástico “Os Rogérios”, o subgrupo “Os Jerónimos”, a Associação dos Indivíduos de Apelido Cunha ou Cunhal, os Cidadãos Motorizados, os Amigos dos Hospitais, os cidadãos pedonais, os tanoeiros, calceteiros e cardadores da Zona Centro, os almocreves do Minho e os mixordeiros do Sul e Ilhas. Todas as organizações ambientalistas de Condeixa. HipHop do Mondego e assaltantes de Vila da Feira.
Um gajo que costuma estar parado à esquina da Rua dos Douradores, as cabras velhas de Fânzeres, a família mais chegada, os imigrantes portugueses em Palermo. E mais os leninistas de Santa Comba Dão, a associação dos comerciantes aggiornatos “O Ábaco”, pequenos marinheiros e grandes idiotas. Corruptos em liberdade eo bastonário Márinho Pinto. A Associação Nacional de Tascas e os Vinhos Camelo Alves.
Atenção também aos apoios internacionais expressos do Alegria, em que avulta o Partido Socialista do Vaticano, e os mais envergonhados, o PCUS, Berlusconi e o malogrado presidente do Equador “El Loco”, e, quem diria, o Marques Mendes- agente albanês inflitrado que chegou a desempenhar o cargo de presidente do PSD. E mais Kim Il-sung, o senhor Proudhon, o Koba, entre os menos vivos, e Chávez, Morales e George Bush, entre os mais vivos.

Cuidado que os gajos têm dinheiro.São apoiados pela família Suharto, diz que dois para um o dízimo dos evangélicos e 4/5 das sobras no franchise de livrarias “Ler Poesia, é dar de comer ao Alegria”.

Ah! Canalha, que vou-me ele!

JPS

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Sinais


Desenho Maturino Galvão

Allegro giocoso


Caro Armando, Webmaster Flash:

Perdoa este incursão confessional, mas é que...estou ficando preocupado com o Manel A. Não sei muito bem porquê, é mais aquela sensação de desconforto, um je ne sais quoi, uma suspeita mal-alimentada de que este ‘puto ainda vai fazer merda’. Sabes como é a juventude? Inconsequente, irrelevante, disposable. Pior, muito pior, como diz o venerável Táxi Pluvioso, são aqueles abencerragens remoçados a botox e delusion que acreditam transportar uma herança histórica autorizada no ADN... os jovens de espírito.
Enclausurados no Espaço, sim, que a imobilidade e a inacção têm álibi, mas quasi-homens livres do Tempo. Isto é, dizem hoje os mesmos dislates que disseram ontem, mas sem sair do mesmo lugar. Numa forma mais popular, são disparatados e preguiçosos.
Pois que estou muito entristecido com a desmesurada atenção que têm merecido as farroncas genuinamente lusitanas do Alegria. Agarrem-me que eu mato-o! Não me desafiem! E outros exemplos da cartilha pusilânime. Quer então dizer o Alegria que se não o desafiarem lá fica tudo como está e já nem é preciso botar mais socialismo no aqueduto. Ó rapaz, se tens algo a dizer, avança, enche o peito e trova, trova, trova. Olha, sei lá, vai a votos.

Sei que se devem respeitar os mais velhos, por exemplo, uma palmada nas costas, mais uma almofada, uma mantinha para os joelhos, ouvir pela uncentésima vez as crónicas do tempo passado. Mas, sujeito de privilégio, o Manel teve direito a ainda mais, muito mais. O PS proporcionou-lhe bom pré, bom conduto, combustível para a alma, e, pai esmerado, até lhe cuidou da reputação. Para não chocar os enteados da sorte, aqueles que têm de andar a chafurdar para encher o bandulho, nomeou-o reserva moral vitalícia e perpétua, papel que tem desempenhado sacrificada e ininterruptamente nestes longos 34 anos que já leva de sabático. E lá de quando em vez, quando o ennui aperta, lá é dado à estampa mais um livrito de rimas. E, coração grande, a rapaziada do Largo do Rato organiza mais uma homenagem ao grande letrista, perdão, estro da nação.

Manel, deixa o Primeiro-Ministro trabalhar. Olha, faz como o Louçã, ameaça que vais partir para uma Volta a Portugal do desemprego, vais à primeira etapa, constatas que não percebes nada do assunto, desistes, e, como ele fez, vai estudar economia. É a poesia, estúpido!


JSP

Intimidades (3)

Joseph Beuys, João César Monteiro, J. Seberg e Picasso

Gotemburgo, Suécia. 2007/2008


Foto Sérgio Santimano

Schizos e Paranos (2)

Inventar um novo estilo de escrever, de ler, de pensar. Continuemos neste desafio e provação. Mas com os sentidos e o erotismo bem activos, claro. Convidamos todos a participarem. A nos darem as suas linhas de acção e pensamento. A mostrarem as suas escolhas e predilecções. Nas últimas semanas, desencadeou-se uma grande troca cruzada de opiniões, em torno do Holocausto, provocada por uma crónica irregular e despretensiosa sobre uma visita a Auschwitz-Birkenau. O mundo da Blogosfera lusitana vive agora no balanceamento que lhe é permitido pela “ética republicana”, à la JP Pereira, e o trauma luxuriante dos filhos do pós-modernismo militante, de que o Metablogue é o expoente máximo e soberano.

O que se passa, efectivamente, é que a profusão dos comentários, e de alguns marcantes e expressos, criaram uma boa série de argumentos para seguir os conselhos de Wittegenstein à letra. Que nos prescreve, com non-chalance, o autor das Pesquisas Filosóficas? Três coisas, para que Jacques Bouveresse alerta, fundamentalmente: “A primeira, relaciona-se com o facto de não só uma cadeia de razões tem um objectivo, uma finalidade, como muitas vezes não possui nenhum começo. A ausência de justificação (no sentido de ausência de lugar para um problema de justificação), não pode, realmente ser interpretada como uma ausência de legitimidade. Podemos dizer do conceito agonal (reminiscência) o mesmo que Wittgenstein diz da dúvida, pode estar ausente ou funcionar no grau mínimo ou no máximo”.

Na última colecta póstuma de textos, “Deux Régimes de Fous”, Gilles Deleuze aborda as suas relações intelectuais e humanas com Michel Foucault. A traços fortes e decisivos, portanto: “ Não só o admirava como, ainda por cima, me fazia rir. Ele era mesmo muito engraçado Não tinha com ele senão uma coisa em comum: ou trabalho, ou digo coisas insignificantes. Há muito poucas pessoas no mundo com quem se consiga falar de coisas insignificantes. Passar duas horas com alguém, dizendo coisas insignificantes, é a súmula da amizade. Só com grandes amigos se pode falar de coisas insignificantes. Com Foucault, era do género uma frase para aqui outra para acolá. Um dia, na corrente da conversação, ele disse: eu gosto muito de Péguy, porque é um louco. Questionei-o: Porque dizeis que era um louco? Basta olhar como escreve. Isso é muito interessante em relação com o próprio Foucault. Isso queria dizer que alguém que sabe inventar um novo estilo, produzir enunciados novos, é um louco”.

(Continua)

FAR