sábado, 25 de outubro de 2008

Orçamento de Estado

Primeiramente foi a pen

Andou p ´rà frente e p ´ra trás

E o coitado do Orçamento

Lá foi saindo aos bochechos.


Terá sido neste vai

Que ele foi acrescentado?

Andava um bit perdido

Nos céus cinzentos de chumbo

Que, por fim, num interstício,

Conseguiu direito à luz.


Terá sido por causa dele

Que o gajo ia morrendo

De asfixia à nascença?


Ninguém sabe, como sempre,

Quem enfiou o tal bit

Esse sim, como uma pena.

A doença é genética.


Desceu como o Espírito Santo

Só que:

Em vez de falar mil línguas

Veio calado, saiu mudo.


Mas mesmo sem o tal bit

É papelada aos molhões

Como sempre especializada.


A puta que pariu tal filho

Sempre conseguiu,lá por fim,

Oferecê-lo, dá-lo à luz.


(Aqui é parêntese para mudar de assunto:

mãe-filho

filho-mãe

puta?

?

Oh minha gente, a língua…)


Querem enganar-nos. Porquê?

Dizem que isto vai bem.

Mas a nossa pobre vida

Como mãe, parindo um filho,

Rebola-se com muitas dores…

Com tantas eleiçõs p ´rò ano

O bit,o bit, meus amigos,

Aquilo é q vai ser

Convertido em megabites.



Viva a República do Espeto de Pau!


Almerinda Teixeira



Cacilhas, 2008.10.24

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